Novas Conquistas Espaciais O Túnel do Tempo · Capítulo 2 de 25
Obra Menu

Novas Conquistas Espaciais

Apesar da grande tecnologia, seu planeta era muito inferior, considerado o lado moral. Desconhecia-se a misericórdia, a piedade, o amor ao próximo. Eram poucas as pessoas que tinham superioridade moral e cultivavam virtudes. Se fizermos um paralelo com os ensinamentos espíritas atuais, diríamos que aos habitantes de Artúrio faltava a asa do amor. Daí XPZ4 não ter compreendido as atitudes e os ensinamentos de Jesus.

Um dia, estando em sua casa em Artúrio, pensava:

“Se Ele podia transformar a água em vinho, curar doenças e expulsar maus espíritos, por que não se havia salvado da cruz? Se aquela mulher havia mesmo traído seu marido, porque havia Ele a libertado da punição merecida? Por que falava Ele em perdão quando a vingança é o que reabilita o homem perante a sociedade?”

Reconhecia a superioridade de Jesus, mas o achava estranho. Não conseguia compreender seus ensinamentos, sua postura tolerante e bondosa, mas havia Nele algo de tão superior que ele, XPZ4, não conseguia entender.

E perguntava-se: “Como um homem tão superior aos demais habitantes podia viver ao lado de pessoas tão ignorantes? Qual seria seu objetivo? Ele dizia ser responsável por conduzir o povo da Terra a Deus, mas é muito pouco para um homem com Sua inteligência. Não creio que seja isso. Impor-se a todos, provavelmente, é seu real objetivo. Dominar as massas, escravizar os mais fracos. Só pode ser isto. Ganhar a confiança para depois escravizar e impor sua vontade. E o povo, atrasado, entrega-se a Ele, sem compreender seus reais objetivos, por causa de algumas curas e manipulações químicas que faz. Ele deve ter escondido substâncias que fazem a água mudar de cor e de sabor e que enganam o paladar, de forma que o povo pensou que Ele transformou a água em vinho. Pensando assim, Ele deve ser realmente um grande mago e, além de fazer tudo isso, deve ter-se libertado da morte. Não creio que Ele tenha morrido, pois, morto, como poderá conquistar o mundo?”

Envolvido nesses pensamentos, desejou procurar em todo o Universo onde se encontrava aquele Homem estranho para ele, para conhecer-lhe as intenções relativas ao povo da Terra. Não acreditava que Jesus tivesse morrido e achava que a crucificação teria sido uma farsa muito bem elaborada pelo próprio Jesus. Afinal, não era Ele um mago, e aquele que foi crucificado não poderia ser um clone? Provavelmente deve ter fugido em sua nave e deve encontrar-se em algum lugar do Universo. Se Jesus quisesse uma dominação efetiva, ele, XPZ4, poderia fornecer armas, pessoal treinado nos combates em seu planeta e aeronaves. A vitória seria fácil demais. Implantariam o governo em Roma e expulsariam o imperador. E pensava: “Quando Ele disse que sua missão não era destituir César, talvez não tivesse falado a verdade”.

Porém, também pensava em Jesus de outra forma. Pensamentos opostos também estavam presentes em suas conjecturas. Achava que aquele Homem poderia ser o próximo governante de seu planeta, concorrendo às eleições que se aproximavam, levando em consideração sua desenvoltura e seus conhecimentos, que percebia ele serem no mais alto grau. Participaria de sua campanha eleitoral, seria Seu cabo eleitoral dedicado e faria todo o possível para que fosse eleito. Prometeria cargos, altos salários, lançaria mão de falcatruas sem conta. E, depois que Jesus fosse eleito, ele, XPZ4, provavelmente receberia um cargo de confiança e um alto salário.

Todavia, uma coisa o decepcionava em Jesus: a sua bondade. Considerava que Jesus não fosse capaz de ser um bom administrador. Não imporia ordem, não aprovaria leis duras para conter um povo por si só imoral e conivente com todos os erros. E quem sabe seria Ele condenado à morte por querer tudo certinho, por ser considerado um fraco de caráter? E, neste caso, sua carreira como astronauta seria abalada por ter ele ajudado a eleger uma pessoa “fraca de caráter” para o cargo mais importante de seu planeta. E concluía:

— Acho melhor eu ficar quieto e não me envolver com Ele.

Convocado para novas conquistas, XPZ4 chegou ao planeta Anfibius, da nebulosa Pelo de Raposa.

O povo, ainda atrasado, tinha um conhecimento tecnológico equivalente ao período compreendido entre o final da Idade Média e o início da Idade Moderna da Terra.

A invasão foi feita. Armas paralisantes e congelantes deixaram o povo petrificado. Muitos donos de terras, ricos fazendeiros e sacerdotes entregaram suas fortunas, todo ouro que possuíam, abandonaram suas casas e fugiram para o deserto. Outros se esconderam em mosteiros, levando suas fortunas em ouro e pedras preciosas e prometendo aos monges dividirem com eles metade de suas fortunas assim que tudo voltasse ao normal e as forças armadas conseguissem expulsar os invasores. Porém, com suas naves, XPZ4 os acompanhava e os detinha em suas fugas. De nada resolvia esconder-se, pois XPZ4 mandava matar monges e monjas e colocava em seu lugar alguns de seus subordinados, para que assumissem a direção dos mosteiros. Daí a alguns dias tudo era saqueado, os religiosos eram mortos juntamente com aqueles que se tinham escondido tentando fugir de sua violência.

No deserto impedia a chegada das pessoas aos oásis, incendiando e acabando com as árvores que poderiam fornecer alívio para o calor, e todos morriam sem água e sem comida sob o sol escaldante.

Um homem idoso dizia:

— Senhor, não me mate nem a minha família. Entregarei toda a minha fortuna – dizia o homem, rico senhor de terras.

E XPZ4, implacável, respondia:

— Velho miserável, que me importa tu ou tua família? Entrega-me tudo o que possuis e pede perdão a Deus de teus pecados, antes que eu te transforme numa pedra de gelo ou te paralise os movimentos para sempre, destruindo-te os músculos.

— Senhor, misericórdia!

— Em meu planeta não existe esta palavra. Aprende a nova língua de teus senhores e esquece as palavras misericórdia, perdão e compaixão. Somos conquistadores espaciais e a partir de agora somos nós que governamos teu planeta. Se eu resolver te poupar a vida, deverás obedecer-me sem perguntar. Portanto, se acreditas em misericórdia, roga agora a Deus que ta conceda.

O pobre velho, antes arrogante e prepotente, se transformara em um ser submisso e obediente. E XPZ4, poupando-lhe a vida, o obrigava a conduzi-lo aonde houvesse pessoas ricas e poderosas, para que pudesse submetê-las ao seu comando.

A população foi quase toda dizimada e o governo de Artúrio foi instalado naquele planeta. Mais uma conquista, mais dinheiro em seu bolso, mais prestígio em seu planeta, mais uma divisa em seu uniforme, mais sujeira em suas mãos, mais vazio em sua alma, mais solidão em sua vida. Todavia, procurava justificar-se recordando os benefícios que a tecnologia de Artúrio instalava nos planetas conquistados:

— Oregon tem máquinas agrícolas, Pláton, da nebulosa Cara de Palhaço, tem a tecnologia dos computadores, Místicus, da nebulosa da Galinha Fugitiva, tem a tecnologia das usinas nucleares, Fórbicus, da nebulosa Omega, não sofre mais com a seca. Tudo isso é benefício para o povo, ainda que esteja sob o governo de Artúrio.

Um dia, porém, sonhou com as paisagens da Galileia, onde Jesus lhe aparece e lhe dirige a palavra:

— XPZ4, quem fere com a espada com a espada se ferirá. Não te cansas de destruir e de matar? Achas que fazes o bem tirando a independência e a liberdade dos povos? O que fizeste de tudo o que ouviste de minhas pregações? Não te recordas mais do “amai-vos uns aos outros”?

1/1
Menu

Fazer anotação