Morrer por Jesus O Túnel do Tempo · Capítulo 22 de 25
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Morrer por Jesus

Assim que a porta da cela foi aberta, inesperadamente a comunicação é novamente restabelecida e o soldado ouve claramente:

— Nave intergaláctica Artus 3, aqui é a estação Taurus, de Artúrio. Chegaremos à Terra em duas horas para resgatá-los.

— O que é isso? – perguntou o soldado. – Mais sortilégios? Merecem mesmo morrer e serão os primeiros. É necessário acabar com o mal urgentemente.

Enquanto falava, bateu na mão de AST8, que estava com o rádio, e este caiu no chão.

Nossos amigos foram sendo amarrados a postes impregnados de ceras e materiais de fácil combustão.

AST8 tentou pegar o rádio, mas foi ferozmente chutado pelo soldado.

— Nave intergaláctica Artus3, aqui é a estação Taurus, de Artúrio. Estão nos ouvindo?

— Nave intergaláctica Artus3, responda, câmbio.

— Cristãos às feras! Cristãos às feras!

Gritos e aplausos delirantes...

— Nave intergaláctica Artus3, responda, câmbio... O que está acontecendo? Estamos ouvindo muitos gritos.

O espetáculo começou e o povo entrou em delírio. As tochas acesas tocaram os postes do martírio, onde nossos amigos estavam amarrados, e em poucos minutos as labaredas atingiam grande altura.

XPZ4 e os outros amigos cristãos de Artúrio não mais ouviram o chamado de seu planeta. Uma onda de torpor os envolveu, como se houvessem tomado uma dose de anestesia. Os cânticos embalavam seus Espíritos e os elevavam às regiões espirituais da felicidade. Suaves pareceram as patadas e dentadas, e depois o fogo. Era a carícia do amor que os envolvia num abraço quente, profundo e libertador.

XPZ4 sentiu-se mais leve. Agradeceu ao Senhor a oportunidade do testemunho. Agora via luzes nunca antes imaginadas.

Nossos amigos não cristãos também chegaram à arena, envolvidos em grande desespero. Gritavam insistentemente que não eram cristãos.

— Soltem-nos! Estão cometendo um grande engano. Não somos cristãos!

— Se não sois cristãos, deveis jurar fidelidade eterna a Júpiter.

— Nós juraremos, senhor – disse RMT12. – Ofereceremos sacrifícios, faremos o que nos for pedido.

E, diante de uma estátua de Júpiter, juraram fidelidade eterna ao maior dos deuses, e foram soltos, mas sentiram a dor de perderem XPZ4 e outros amigos de seu planeta, apesar de acharem que os amigos deveriam ter feito o mesmo que eles fizeram, para que pudessem ser soltos e retornarem a Artúrio.

Ficou estabelecido que oferecessem um sacrifício a Júpiter naquela mesma semana, porém, nada fizeram.

Nossos amigos não contavam que estivessem sendo observados. Suas atitudes eram acompanhadas à distância.

A notícia da morte de XPZ4 e dos companheiros da Fraternidade Irmão Jesus de Nazaré chegou a Artúrio graças à comunicação restabelecida. Não entendiam como pessoas tão tecnologicamente avançadas pudessem se entregar à morte por causa de um carpinteiro nazareno que não tinha se salvado nem a si próprio e havia morrido de forma tão trágica, num planeta atrasado como a Terra.

Estabeleceu-se então que uma nave viria novamente buscá-los, pois a anterior havia retornado por não terem obtido resposta.

Nossos amigos, agora sentindo-se mais livres sem a presença de XPZ4 e suas admoestações em favor da corrigenda de conduta, entregaram-se aos prazeres de Roma. Eram assíduos frequentadores de certos tipos de casas, onde se embriagavam e se divertiam. Belas mulheres se acercavam deles, oferecendo todo tipo de divertimento, acompanhado por canecas de saboroso vinho. E a oferenda a Júpiter foi esquecida.

Passada uma semana, receberam a comunicação de que a nave que os levaria de volta a Artúrio chegaria em dois dias, mas a nave não chegou. Procurando saber a causa, foram informados de que foi abatida por MSTJ, e era necessário que esperassem outra nave.

O tempo foi passando e a nave não chegava, mas nossos amigos já não se preocupavam tanto com o retorno ao planeta. Conseguiram trabalho após algumas semanas e já estavam cercados por pessoas importantes do Império.

Artúrio, que havia conseguido restabelecer as comunicações, agora estava passando por novas dificuldades. MSTJ ameaçava de novo invadir o planeta, e as autoridades estavam empenhadas na defesa, esquecendo-se dos astronautas, que também haviam se esquecido de seus conterrâneos. MSTJ queria vingança. Chegando às proximidades de Artúrio, encontrou uma defesa que não esperava e teve a maioria de suas naves destruída. Ele não contava com isso, e ficou mais furioso.

Em segunda tentativa, por erro de navegação sua nave aterrissou num deserto. Tempestades de poeira não permitiam que voasse, e os outros, sem comando, retornaram ao planeta.

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