Escola para os Índios O Túnel do Tempo · Capítulo 15 de 25
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Escola para os Índios

Após alguns meses de espera, a nave de retorno a Netuno lhes dá a triste notícia de que a peça não mais existia no mercado para compra, porque não era mais usada.

— Nosso fim será aqui no meio desses índios ignorantes, XPZ4. Se eu ainda acreditava em Deus, a partir deste momento não acredito mais, porque não é possível que seja da vontade Dele que morramos no meio da floresta, comidos por uma onça, sem nenhuma esperança, e cercados por índios sem nenhuma cultura. É um fim muito triste para pessoas pertencentes a uma civilização milhares de anos à frente – disse AST8.

— Ainda acredito que Deus é justo e que não faz nada que não seja útil. Penso que devemos analisar qual a finalidade desta nossa permanência no meio dos índios, porque o Criador deve nos estar mandando algum recado – respondeu XPZ4.

— Então que fale claramente – respondeu AST8.

XPZ4 orou a Jesus pedindo inspiração sobre o que fazer para saírem dali e sobre o objetivo daquela permanência prolongada na selva. Sonhou que estava ministrando aulas em uma escola de seu planeta, mas não ensinava técnicas de navegação espacial nem de conquistas espaciais, e sim as primeiras letras, e seus alunos eram crianças e não alunos adultos matriculados em uma escola para astronautas. Sobre sua mesa, havia o Evangelho de Mateus aberto, ao invés de algum livro com lições infantis, mas o Evangelho de Mateus estava impresso como se fosse um livro de histórias infantis, cheio de gravuras e desenhos de Jesus e seus Apóstolos.

No dia seguinte, acordou impressionado. Nunca tinha pensado em ensinar as primeiras letras para crianças. Em escolas onde foi professor, ensinava a mecânica das naves e técnicas de navegação espacial. Não conseguia desvendar o mistério e pensava se o sonho tinha alguma coisa com sua oração na noite anterior, antes de dormir. Passados alguns dias raciocinando e sem chegar a nenhuma conclusão, conta seu sonho a CNL6, e ela, sob a inspiração do Irmão Fábio, lhe diz:

— Creio que a resposta de Jesus nos diz que devemos ensinar aos índios o que nos for possível ensinar. Não somente as primeiras letras, mas também o Seu Evangelho. O Senhor quer aproveitar nossos conhecimentos para impulsionar o progresso dos índios.

— Meu Deus! Deve ser isso mesmo. Devemos ajudar quem sabe menos do que nós.

— Sim, como na parábola dos talentos. Devemos aproveitar o talento que temos, que é o nosso conhecimento, e ajudar no progresso espiritual de quem ainda está na retaguarda. É isso o que Jesus espera que façamos. O Irmão Fábio diz que futuramente, quando descobrirem as Américas, haverá aqui um grupo de pessoas que ensinará aos índios o Evangelho de Jesus, e diz que, quando chegar a época, poderemos nós, numa encarnação missionária na Terra, ensinar Seu Evangelho aos índios, fazendo parte deste grupo de pessoas. Seria uma experiência maravilhosa! Se o Senhor designar-me para esta encarnação missionária, estarei pronta a servi-lo.

— Mas por que o Evangelho aparecia no sonho impresso com gravuras e desenhos?

— Porque os índios, apesar de adultos, ainda têm a mente infantil e compreenderão melhor os ensinamentos se forem ensinados com gravuras e desenhos. Acho que deveríamos fazer desenhos com Jesus nos montes e nas praças ensinando o povo. Acho que até poderemos montar teatrinhos, mas para isso precisaremos da participação de outros integrantes de nosso grupo – disse CNL6.

— Então, mãos à obra – disse XPZ4. – Servir o Mestre é tudo o que mais quero. Vamos expor a ideia àqueles que trabalham na Fraternidade Irmão Jesus de Nazaré e perguntar se alguns deles gostariam de participar deste projeto.

No dia seguinte, XPZ4 foi conversar com o cacique da tribo sobre a possibilidade de ensinar os índios. O cacique prometeu consultar a tribo e saber se gostariam de aprender. A assembleia com os índios foi realizada.

— Os homens voadores querem ensinar a tribo a ler e escrever. Consultei o Espírito Cachoeira Encantada e ele disse que será bom para todos, e que o Espírito Jesus é muito bom e poderoso e nos protege mesmo sem que se cante e dance para Ele. Quero saber se a tribo aceita.

A resposta foi positiva, e então os tripulantes da nave de Artúrio começaram a amadurecer as ideias. E XPZ4, entusiasmado, disse:

— Começaremos assim que for possível, num local fresco e com sombra. Improvisarei um quadro-negro feito com alguma madeira disponível na floresta, que sirva para escrever, e escreveremos com nossas canetas com tinta a laser, que se apagam depois de alguns minutos. Conversei com os irmãos que trabalham na Fraternidade e eles prometeram reunir-se para estudar a melhor forma de montar os teatrinhos. Temos roupas próprias na nave e nos vestiremos de acordo.

— Você acha que estes índios ignorantes vão aprender alguma coisa? – perguntou AST8.

— Sim, porque o que falta a eles é quem os ensine. O conhecimento que possuem passa de geração a geração. Não tenho motivos para pensar que não aprenderiam algo mais além do que passam uns para os outros.

— Bem, já que pensa assim, vá em frente. Fico admirado como você gosta de perder tempo, mas, se quer, a escolha é sua. Prefiro dormir – disse AST8.

— E eu prefiro olhar as belas índias – disse RMT12, também presente no grupo que veio de Artúrio para conhecer alguma igreja fundada por Paulo de Tarso.

— Pois eu acho que vocês deveriam preocupar-se mais com o crescimento espiritual, porque ainda estão apegados a sensações materiais – disse XPZ4.

TJR3 ficou responsável pelo desenvolvimento dos teatrinhos. Fez os desenhos em tábuas de madeira, pintados com as tintas que os índios produziam para pintar o corpo, e CNL6 escreveu os textos adaptados à compreensão dos índios. Ensaiaram durante alguns dias às margens do Rio Madeira, até que se sentissem afiados para o início das apresentações. A primeira aula falaria do nascimento de Jesus e ao mesmo tempo seriam ensinadas as primeiras letras. E, pelo lado espiritual, o Irmão Fábio inspirava CNL6 para que transmitisse as instruções a fim de que tudo se realizasse da melhor forma possível.

Tudo organizado, começaram as aulas. XPZ4 esmerava-se em ensinar os índios. O idioma indígena foi revestido das letras usadas no idioma latim, falado em Roma, do qual eles haviam tido algumas aulas em Artúrio, antes de embarcar com destino à Terra. Podia-se sentir o carinho com o qual ia ensinando as primeiras letras aos indígenas e a ternura com a qual falava de Jesus e ministrava o Evangelho. O grupo de teatro entrava em cena para reforçar o que havia sido ensinado. DPF10 ficou encarregado de representar Jesus, já que possuía barbas, e CJS2, moça de doçura incomparável, representava Maria, mãe de Jesus. CFL11 representava Madalena, GWB13 representava o centurião, HJK18 representava o filho pródigo, CDK14 representava a mulher adúltera que foi salva por Jesus do apedrejamento. No caso dos vendilhões expulsos do templo, arranjaram pombos e outros pequenos animais da floresta para fazer parte da representação. Foram moldados bonecos com formas de animais para representarem a manjedoura, Jesus, Maria e José, o que agradou muito os índios, que não quiseram mais desfazer-se da cena. Os índios faziam perguntas e ele as respondia com muita atenção e respeito, principalmente aquelas mais infantis.

O tempo foi passando...

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