Em Roma O Túnel do Tempo · Capítulo 18 de 25
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Em Roma

Chegaram à Europa após oito horas de voo, o que para eles era uma eternidade, já que estavam acostumados a velocidade muito maior do que aquela na qual tinham voado. Todavia, todos estavam felizes por terem saído da selva. Aterrissaram em Roma, e logo acionaram o botão da invisibilidade, para que não fosse vista. E agora, aonde ir? Onde dormir? Onde se alimentar? A ideia era procurar alguma reunião de cristãos e pedir ajuda. Desta forma, foram a uma reunião nas catacumbas, já que era projeto da viagem à Terra participar de uma destas reuniões. A princípio foram recebidos com certa desconfiança, mas era necessário ganhá-la e, após a apresentação do tema da noite, XPZ4 pediu a palavra e discorreu sobre uma das parábolas do Evangelho de Jesus. Todos ficaram maravilhados e acercaram-se, perguntando de qual cidade eram os visitantes. Responderam que eram de Jerusalém e que conheciam Pedro, Paulo e vários dos Apóstolos do Mestre. Foram recebidos na casa do pregador da noite. Disseram que não possuíam dinheiro e que precisavam arranjar um trabalho. Alguns dos homens da expedição de Artúrio conseguiram trabalhos simples e duas mulheres foram admitidas na casa de dois patrícios, para serviços de babá e de governança. A língua era a maior dificuldade, não obstante já haverem tido algum contato com o latim e o hebraico ainda em Artúrio, antes da viagem, mas rapidamente se familiarizaram graças a um dos patrícios cristãos, que se prontificou a ajudá-los.

Não podiam mostrar os conhecimentos dos quais eram detentores, mas tentaram sutilmente ensinar algumas inovações. A governanta da casa de um dos patrícios introduziu novas formas de preparo de alimentos e deu uma nova decoração à casa, que ficou mais confortável e bela. Um dos homens trabalhando na confecção de móveis introduziu novos formatos, mais confortáveis e com assentos mais macios.

RMT12 estava felicíssimo por ter saído da selva, mas XPZ4 sentia-se responsável por não ter avisado os índios sobre sua fuga. Aquilo não era uma atitude cristã, a seu ver.

Agora a próxima etapa era entrar em contato com Artúrio e pedir ajuda, mas as tentativas continuavam sem resposta.

Em Artúrio, descobertos os desvios de verbas, o novo governador foi destituído do cargo e assumiu uma comissão composta de cinco membros da CGU. Contudo, a falta de dinheiro para a reconstrução das centrais de comunicação, dos edifícios públicos, hospitais, estradas e pontes era gritante. Difícil escolher prioridades, pois tudo era prioritário. A nave de Netuno mencionada anteriormente passou por Artúrio e deu a notícia de que os ocupantes da nave intergaláctica Artus3 estavam perdidos na selva e tentavam comunicar-se para pedir ajuda.

— Como estarão nossos amigos? – perguntava um dos dirigentes.

— Nossas indústrias estão paradas há vários meses – dizia outro. – Procurei a peça à qual se referiram os amigos de Netuno, mas não a encontrei em nenhuma loja espacial, em nenhum almoxarifado de nenhum planeta em nossa nebulosa, e nem naquelas onde a tecnologia é semelhante à nossa. Ninguém mais a fabrica. Sabemos que, com nossa tecnologia avançada, as peças e as máquinas ficam obsoletas em questão de poucos meses. E não temos meios de nos comunicar com eles.

— Isso significa que só poderemos socorrer nossos amigos quando tivermos reconstruído o planeta arrasado por MSTJ e seus aliados – dizia outro ainda.

O povo, porém, não aceitava a presença desses representantes da CGU no governo de Artúrio e queria eleições livres. E assim surgiu o nome de VCN16, astuto político dado à prática de falcatruas e desvios de verbas. VCN16 começou a promover reuniões secretas contra o governo provisório instalado pela CGU. A Fraternidade Irmão Jesus de Nazaré, agora com algum poder graças ao socorro prestado durante a invasão de MSTJ e seus aliados, colocou-se a favor dos representantes da CGU. Seu novo diretor, MBV14, entendia que deveria tomar posição, mas nem todos concordavam com seu ponto de vista. Muitos achavam que a finalidade da casa era o socorro aos necessitados e não a política, e lembravam a passagem do Evangelho onde Jesus mandou dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Lembravam ainda que a finalidade era servir a Deus e não às riquezas e nem às facilidades.

VCN16 passou a promover encontros em praça pública para acender os ânimos contra os representantes da CGU, e a maioria amante da desordem começou a depredar os meios de transporte que haviam sido comprados com os poucos recursos. A polícia reagiu e muitos foram presos. A CGU então convocou novas eleições, vencidas por VCN16, que logo tomou posse.

Instalado o governo, começaram os desvios de verbas. A reconstrução da cidade de novo estava ameaçada. Antes, o governo da CGU realizava obras, ainda que de forma lenta, mas agora as obras começaram a ser paralisadas. Insumos que haviam sido comprados pela CGU começaram a perder os prazos de validade, máquinas abandonadas entraram em processo de decomposição e o caos tomou conta do planeta.

Houve novos protestos pelo atraso das obras, até que VCN16 teve que deixar o governo e em seu lugar assumiu a comissão da CGU outra vez. Os trabalhos de reconstrução foram reiniciados, agora de forma mais lenta, ainda pela falta de verbas. Os meios de comunicação quase não funcionavam, as redes de TV não possuíam condições de transmissão e o velho e bom jornal Diário de Artúrio voltou a circular depois de ter sido considerado uma forma obsoleta de comunicação, séculos antes.

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