Uiara Mei
@uiarameiE depois dos 30?
Faz tempo que venho tirando fotos pelo menos duas vezes ao ano para observar o envelhecimento da minha matéria — meu corpo físico. E, toda vez que me vejo, sinto um desconforto, como se eu não tivesse alcançado aquela que está estática na fotografia. É uma imagem simples, sem efeitos, sem maquiagem. Somente ela.
Ela me encara sempre com um ar de resignificação, talvez de autoridade. Quem será ela? Na infância e juventude, nunca me imaginei depois dos 20. Agora, aos 42, tentar me ver com 50, 60 anos parece quase impossível. Envelhecer em espírito... Minha alma é eterna, meus anseios e vontades também. Mas ela continua ali, me encarando.
Seria eu uma impostora? Uma fraude de mim mesma? Será que estou teimando em fazer algo que não me cabe? Desde que nascemos, estamos para jogo. E como se joga esse jogo da vida? Não tem manual, não tem nada. É pular no abismo e contar com a sorte. É arriscar, ter coragem, porque quanto mais você vive, mais é exigida de você uma mudança constante. É um tal de largar o passado e mirar no futuro.
Mas o passado traz solidão, depressão, e olhar para o futuro traz incerteza e ansiedade. Vida do cão.
Não, pera! Talvez seja uma boa vida, se eu olhar para a minha jornada com um olhar terapêutico: "Ah, você fez muito! Você é uma guerreira, forte e valente." Mas, na verdade, sou sobrevivente de mim mesma, dos meus traumas, das minhas lutas internas diárias, da minha vulnerabilidade, da minha fragilidade.
— Ah, perfeita em minha imperfeição, no magnífico caos.
Só queria ser "normal", mas por que insisto em pensar que, para pessoas "normais", a vida é um paraíso? Que multiverso é esse que sempre tento flertar?
Tem um caos dentro de mim, e não é em pensamento, é em sentimentos. Ao mesmo tempo que sou vilã de mim mesma, consigo ver beleza e uma chama de amor em tudo isso. Talvez eu seja especial para mim, para o meu mundinho.
Ela me faz ter esse tipo de reflexão. Ela me encara. Mas ainda não a encontrei.
Ela está dentro de mim, mas são tantas camadas... O mergulho é profundo, e às vezes penso que perderei o fôlego. É um mergulho amador, sem preparo, mas convicto da minha intuição.
Ela aparece nas fotos. Ela ainda está ali. Espero, um dia, poder encontrá-la.
Uiara Mei.
Faz tempo que venho tirando fotos pelo menos duas vezes ao ano para observar o envelhecimento da minha matéria — meu corpo físico. E, toda vez que me vejo, sinto um desconforto, como se eu não tivesse alcançado aquela que está estática na fotografia. É uma imagem simples, sem efeitos, sem maquiagem. Somente ela.
Ela me encara sempre com um ar de resignificação, talvez de autoridade. Quem será ela? Na infância e juventude, nunca me imaginei depois dos 20. Agora, aos 42, tentar me ver com 50, 60 anos parece quase impossível. Envelhecer em espírito... Minha alma é eterna, meus anseios e vontades também. Mas ela continua ali, me encarando.
Seria eu uma impostora? Uma fraude de mim mesma? Será que estou teimando em fazer algo que não me cabe? Desde que nascemos, estamos para jogo. E como se joga esse jogo da vida? Não tem manual, não tem nada. É pular no abismo e contar com a sorte. É arriscar, ter coragem, porque quanto mais você vive, mais é exigida de você uma mudança constante. É um tal de largar o passado e mirar no futuro.
Mas o passado traz solidão, depressão, e olhar para o futuro traz incerteza e ansiedade. Vida do cão.
Não, pera! Talvez seja uma boa vida, se eu olhar para a minha jornada com um olhar terapêutico: "Ah, você fez muito! Você é uma guerreira, forte e valente." Mas, na verdade, sou sobrevivente de mim mesma, dos meus traumas, das minhas lutas internas diárias, da minha vulnerabilidade, da minha fragilidade.
— Ah, perfeita em minha imperfeição, no magnífico caos.
Só queria ser "normal", mas por que insisto em pensar que, para pessoas "normais", a vida é um paraíso? Que multiverso é esse que sempre tento flertar?
Tem um caos dentro de mim, e não é em pensamento, é em sentimentos. Ao mesmo tempo que sou vilã de mim mesma, consigo ver beleza e uma chama de amor em tudo isso. Talvez eu seja especial para mim, para o meu mundinho.
Ela me faz ter esse tipo de reflexão. Ela me encara. Mas ainda não a encontrei.
Ela está dentro de mim, mas são tantas camadas... O mergulho é profundo, e às vezes penso que perderei o fôlego. É um mergulho amador, sem preparo, mas convicto da minha intuição.
Ela aparece nas fotos. Ela ainda está ali. Espero, um dia, poder encontrá-la.
Uiara Mei.
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