Universo da obra
Universo da obra
Um dia, enquanto procurava alimento, o elefante passou perto do ninho de um pardal. Sem olhar por onde andava, esbarrou no galho e quase derrubou os ovos no chão.
O pardal lhe disse:
— Você anda muito orgulhoso e nem olha o caminho. Quase virou meu ninho. Se passar por aqui outra vez, eu vou amarrar você.
O elefante riu.
— Você é mesmo um passarinho pequeno. E acha que pode amarrar a mim, um elefante?
— Posso, sim — respondeu o pardal. — Se voltar amanhã, eu o prenderei.
O elefante seguiu seu caminho, prometendo voltar para ver a força do pardal. Então o pardal voou até o rio para se banhar.
Chegando à margem, encontrou um crocodilo dormindo no lugar onde gostava de tomar banho.
— Acorde — disse o pardal. — Este é meu lugar de banho. Se voltar aqui amanhã, também vou amarrar você.
O crocodilo perguntou:
— Um pardalzinho como você pode amarrar um crocodilo?
— Volte amanhã e verá — respondeu o pardal.
No dia seguinte, quando viu o elefante se aproximar, o pardal trouxe uma corda forte de cipó, passou-a pelo pescoço do animal e disse:
— Espere um pouco. Vou beber água e depois você verá como sou forte.
O elefante aceitou, divertido. O pardal voou até o rio, encontrou o crocodilo tomando sol, amarrou a outra ponta da corda em seu pescoço e subiu para uma árvore no alto do barranco.
Lá de cima, gritou:
— Puxe, elefante! Puxe, crocodilo! Sou eu, o pardal!
O elefante puxou. O crocodilo puxou. Cada um acreditava estar puxando contra o pardal, sem saber que puxava contra o outro. Passaram o dia inteiro nessa disputa, até que, ao cair da tarde, ambos estavam exaustos.
O crocodilo disse:
— Amigo pardal, não aguento mais. Solte-me, e nunca voltarei ao seu lugar de banho.
Quando o pardal chegou perto do elefante, este também suplicou:
— Agora sei que você é muito forte. Desamarre-me, e nunca mais sacudirei seu ninho.
O pardal soltou os dois. Desde esse dia, nem o elefante nem o crocodilo voltaram a incomodá-lo.
Ao fim da história, os ouvintes comentaram a esperteza do pardal. Um menino disse que, embora pequeno, ele tinha mais juízo que o grande crocodilo e o maior elefante. Por isso, ninguém deve desprezar alguém apenas por ser pequeno.
Seleção Literunico de narrativas tradicionais recolhidas na região do Congo, traduzidas a partir da fonte inglesa em domínio público Congo Life and Folklore, de John H. Weeks. Esta edição privilegia contos curtos de astúcia, justiça, ingratidão e aparência, em leitura rápida para a Copa do Mundo Literunico.
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