Leia agora
Romeu e Julieta

Universo da obra

Romeu e Julieta

Capítulo 5 · Romeu e Julieta

Ato I — Cena III. Quarto na casa de Capuleto.

5 de 26 ≈ 6 min de leitura

Ato I — Cena III. Quarto na casa de Capuleto.

Entram a Senhora Capuleto e a Ama.

SENHORA CAPULETO.
Ama, onde está minha filha? Chama-a aqui para mim.

AMA.
Ora, por minha virgindade aos doze anos,
Eu lhe mandei que viesse. Como, cordeirinha! Como, minha joaninha!
Deus nos livre! Onde está esta menina? Como, Julieta!

Entra Julieta.

JULIETA.
Que há agora? Quem chama?

AMA.
Vossa mãe.

JULIETA.
Senhora, aqui estou. Qual é vossa vontade?

SENHORA CAPULETO.
É este o assunto. Ama, deixa-nos por um instante;
Devemos falar em segredo. Ama, volta outra vez;
Lembrei-me: tu ouvirás nosso conselho.
Sabes que minha filha tem bonita idade.

AMA.
Por minha fé, sei dizer a idade dela até a hora.

SENHORA CAPULETO.
Não tem quatorze anos.

AMA.
Apostarei quatorze de meus dentes,
E, seja dito para minha dor, não tenho senão quatro,
Que ela não tem quatorze anos. Quanto falta agora
Para a festa de Lammas?

SENHORA CAPULETO.
Uma quinzena e alguns dias.

AMA.
Pares ou ímpares, de todos os dias do ano,
Na noite da véspera de Lammas ela fará quatorze.
Suzana e ela — Deus descanse todas as almas cristãs! —
Eram da mesma idade. Bem, Suzana está com Deus;
Era boa demais para mim. Mas, como eu dizia,
Na noite da véspera de Lammas ela fará quatorze;
Fará, sim, por Maria; lembro-me bem.
Já se passaram onze anos desde o terremoto;
E ela foi desmamada — nunca hei de esquecê-lo —
De todos os dias do ano, naquele mesmo dia:
Pois eu então havia posto absinto em meu peito,
Sentada ao sol sob o muro do pombal;
Meu senhor e vós estáveis então em Mântua.
Não, eu tenho boa memória. Mas, como eu dizia,
Quando provou o absinto no bico
Do meu peito e sentiu o amargo, pobre tolinha,
Era de ver como ficou zangada e brigou com o peito!
Estremece, disse o pombal: não houve necessidade, creio eu,
De mandar-me correr.
E desde aquele tempo já vão onze anos;
Pois então ela já podia ficar de pé sozinha; sim, pela cruz,
Já podia correr e bambolear por toda parte;
Pois justo no dia anterior ela machucara a testa,
E então meu marido — Deus guarde sua alma!
Era um homem alegre — levantou a criança:
“Sim”, disse ele, “caíste de rosto?
Cairás de costas quando tiveres mais juízo;
Não é, Jule?” E, por Nossa Senhora,
A pobre coisinha parou de chorar e disse: “Sim”.
Vede agora como uma pilhéria vem a cumprir-se.
Garanto que, se eu vivesse mil anos,
Jamais o esqueceria. “Não é, Jule?”, disse ele;
E a pobre tolinha calou-se e disse: “Sim”.

SENHORA CAPULETO.
Basta disso; rogo-te, cala-te.

AMA.
Sim, senhora; contudo, não consigo deixar de rir
Ao pensar que ela parou de chorar e disse “sim”;
E, no entanto, garanto que tinha na testa
Um galo tão grande como a pedra de um galinho novo;
Um golpe perigoso, e ela chorava amargamente.
“Sim”, disse meu marido, “caíste de rosto?
Cairás de costas quando chegares à idade;
Não é, Jule?” Ela se calou e disse: “Sim”.

JULIETA.
E cala-te tu também, rogo-te, Ama, digo eu.

AMA.
Paz, já acabei. Deus te assinale para sua graça.
Foste o bebê mais bonito que já amamentei:
E, se eu viver para ver-te uma vez casada, terei meu desejo.

SENHORA CAPULETO.
Casada! Pois casar é justamente o tema
De que vim falar. Dize-me, filha Julieta,
Que disposição tens para casar?

JULIETA.
É uma honra com que não sonho.

AMA.
Uma honra! Se eu não fosse tua única ama,
Diria que sugaste sabedoria do peito.

SENHORA CAPULETO.
Pois pensa agora em casamento: mais jovens que tu,
Aqui em Verona, senhoras de estima,
Já se fizeram mães. Pela minha conta,
Eu era tua mãe quase nesses mesmos anos
Em que tu és agora donzela. Assim, pois, em breve:
O valente Páris busca-te por seu amor.

AMA.
Um homem, jovem senhora! Senhora, tal homem
Que todo o mundo... ora, é um homem de cera.

SENHORA CAPULETO.
O verão de Verona não tem flor igual.

AMA.
Não, ele é uma flor; por minha fé, uma verdadeira flor.

SENHORA CAPULETO.
Que dizes? Podes amar o cavalheiro?
Esta noite hás de vê-lo em nossa festa;
Lê o volume do rosto do jovem Páris,
E acha ali o deleite escrito pela pena da beleza.
Examina cada traço harmonioso,
E vê como um ao outro dá contentamento;
E o que jaz obscuro neste belo volume
Acha escrito na margem de seus olhos.
Este precioso livro de amor, este amante sem encadernação,
Para embelezá-lo, só carece de capa:
O peixe vive no mar; e há muito orgulho
Quando o belo exterior oculta o belo interior.
Aquele livro participa da glória aos olhos de muitos,
Que, com fechos de ouro, guarda a história dourada;
Assim partilharás tudo o que ele possui,
Tendo-o a ele, sem te tornares menor.

AMA.
Menor, não; maior. Mulheres crescem por meio dos homens.

SENHORA CAPULETO.
Fala brevemente: podes gostar do amor de Páris?

JULIETA.
Olharei para gostar, se o olhar mover o gosto;
Mas não lançarei meus olhos mais fundo
Do que vosso consentimento lhes der força para voar.

Entra um Criado.

CRIADO.
Senhora, os convidados chegaram, a ceia está servida, chamam por vós, procuram minha jovem senhora, a Ama é amaldiçoada na copa, e tudo está no extremo. Devo ir servir; suplico-vos que venhais logo.

SENHORA CAPULETO.
Nós te seguimos.

Sai o Criado.

Julieta, o Conde espera.

AMA.
Vai, menina, busca noites felizes para dias felizes.

Saem.

Romeu e Julieta

Sinopse

Tradução Literunico em português brasileiro de Romeo and Juliet, tragédia de William Shakespeare em domínio público. A edição preserva a estrutura teatral em prólogo, atos e cenas, com linguagem clássica legível para leitura contemporânea.

Romeu e Julieta

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Ir para o carrinho
Mercado de Romeu e Julieta

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Romeu e Julieta Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 5 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Romeu e Julieta

Capa de Romeu e Julieta
Continue a leitura Ato I — Cena III. Quarto na casa de Capuleto. Capítulo 5 · 5 de 26 · ≈ 6 min
Todos os capítulos 26 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir