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Capítulo 1 · A Aranha Negra

O Batizado

Por cima das montanhas erguia-se o sol, e resplandecia, em clara majestade, dentro de um vale amável, embora estreito, despertando para alegre vida as criaturas feitas para se regozijarem ao sol de sua existência. Da orla dourada do bosque, o melro lançava seu canto matinal; entre flores cintilantes, na relva perlada, soava o monótono chamado amoroso da codorniz saudosa; sobre os pinheiros escuros, corvos abrasados dançavam sua dança nupcial, ou grasnavam ternas cantigas de ninar sobre os leitos espinhosos de seus filhotes ainda sem penas.

No meio da encosta rica de sol, a natureza cavara um chão fértil e abrigado; bem no centro erguia-se, garbosa e reluzente, uma bela casa, cingida por magnífico pomar, onde algumas macieiras altas ainda se mostravam em sua tardia veste de flores; metade da relva viçosa, regada pela fonte da casa, ainda estava de pé; metade já seguira para servir de forragem. Em torno da casa havia um brilho dominical, desses que alguns golpes de vassoura dados no sábado à noite, entre o dia e a noite, não são capazes de produzir; era testemunho da preciosa herança de um asseio ancestral, que deve ser cultivado todos os dias, como a honra da família, à qual uma única hora sem vigilância pode trazer manchas que, como manchas de sangue, ficam indeléveis de geração em geração, zombando de toda caiação.

Não brilhavam à toa, em seus mais puros adornos, a terra edificada pela mão de Deus e a casa edificada por mãos humanas; sobre ambas brilhava hoje uma estrela no céu azul, um alto dia santo. Era o dia em que o Filho tornara a ir ao Pai, em testemunho de que a escada ainda se erguia no céu, aquela por onde os anjos sobem e descem, e também as almas dos homens, quando se desprendem do corpo, se sua salvação e seu alvo estavam no Pai lá em cima, e não aqui na terra; era o dia em que todo o mundo vegetal cresce em direção ao céu e floresce em plena abundância, oferecendo ao homem, a cada ano renovado, um símbolo de sua própria destinação. Maravilhosamente soava pelos outeiros; não se sabia de onde vinha o repique, pois parecia chegar de todos os lados; vinha das igrejas, lá fora, nos vales amplos; de lá anunciavam os sinos que os templos de Deus se abriam a todos aqueles cujos corações estivessem abertos à voz de seu Deus.

Uma vida ativa se movia em torno da bela casa. Perto da fonte, escovavam-se cavalos com cuidado especial, belas mães rodeadas por potros alegres; no largo cocho da fonte, vacas de olhar satisfeito matavam a sede, e por duas vezes o rapaz precisou tomar a vassoura e a pá, porque não retirara com asseio suficiente os vestígios de seu bem-estar. Na fonte, moças robustas lavavam energicamente, com um prático retalho de pano grosso, os rostos avermelhados; traziam os cabelos torcidos em dois nós sobre as orelhas, carregavam água com pressa solícita pela porta aberta, e, em massas poderosas, erguia-se reta e alta, no ar azul, a coluna escura de fumaça que saía da curta chaminé.

Lento e curvado, apoiado numa bengala de gancho, o avô andava em torno da casa; observava em silêncio a lida dos criados e das criadas, alisava aqui um cavalo, continha ali o gracejo pesado de uma vaca, apontava com a vara ao rapaz descuidado uma palha esquecida aqui, outra ali, e, nesse meio-tempo, tirava a miúdo da profunda algibeira do comprido colete o isqueiro, para acender de novo seu cachimbo, com o qual, pela manhã, apesar do fôlego pesado, vivia tão bem.

Num banco bem varrido diante da casa, junto à porta, sentava-se a avó, cortando belo pão dentro de uma grande tigela de louça, cada pedaço fino e do tamanho exato de uma bocada, não de modo descuidado como cozinheiras ou criadas de sala, que às vezes fazem pedaços com que uma baleia se engasgaria. Galinhas gordas e altivas e belas pombas disputavam as migalhas a seus pés; e, quando alguma pombinha tímida ficava prejudicada, a avó lhe atirava de propósito um pedacinho, consolando-a com palavras amigas contra a falta de juízo e o ímpeto das outras.

Lá dentro, na cozinha ampla e limpa, crepitava um fogo poderoso de lenha de pinheiro; numa grande frigideira estalavam grãos de café, que uma mulher vistosa mexia com uma colher de pau; ao lado, rangia o moinho de café entre os joelhos de uma criada recém-lavada; sob a porta aberta da sala, porém, estava uma bela mulher um tanto pálida, ainda com o saco de café aberto na mão, e dizia:

— Olhe, parteira, hoje não torre o café tão preto para mim, senão eles ainda podem pensar que eu quis poupar o pó. A mulher do padrinho é terrivelmente desconfiada e interpreta tudo contra a gente. Hoje não fará diferença meio arrátel a mais ou a menos. Não se esqueça também de deixar pronto, na hora certa, o vinho-quente. O avô pensaria que não é batizado de criança se não se pusesse um vinho-quente diante dos compadres antes de irem à igreja. Não economize nada nisso, ouviu? Ali na tigela, no banco de louça, há açafrão e canela; o açúcar está aqui na mesa; e ponha vinho até lhe parecer que há pelo menos metade demais. Num batizado, nunca se precisa ter receio de que a coisa não seja usada.

Ouve-se, portanto, que hoje haverá batizado na casa, e a parteira desempenha o ofício de cozinheira com tanta habilidade quanto antes desempenhara o ofício de aparadeira; mas precisa apressar-se, se quiser terminar a tempo e cozinhar, no fogão simples, tudo quanto o costume exige.

Do porão veio um homem robusto, com um enorme pedaço de queijo na mão; tomou do banco de louça reluzente o primeiro prato que encontrou, pôs o queijo nele e quis levá-lo para a sala, até a mesa de madeira castanha de nogueira.

— Mas, Benz, mas, Benz! — exclamou a bela mulher pálida. — Como ririam de nós se não tivéssemos prato melhor no batizado!

E foi até o armário lustroso de cerejeira, chamado Buffert, onde, por trás de vidraças, se exibiam os ornamentos da casa. Dali tirou um belo prato, de borda azul, com um grande buquê de flores ao centro, cercado de ditos sentenciosos, por exemplo:

Ó homem, pensa no que digo:

três batzen vale a libra de manteiga.

Deus concede graça ao homem,

mas eu moro no lodo.

No inferno faz calor,

e o oleiro trabalha com ardor.

A vaca come a erva,

o homem desce à cova.

Ao lado do queijo ela pôs a imensa Züpfe, o típico pão bernês, trançado como as tranças das mulheres, bem castanho e amarelo, feito da farinha mais fina, de ovos e manteiga, grande como uma criança de um ano e quase tão pesado; e, acima e abaixo, plantou ainda dois pratos. Neles se empilhavam, altos, os bolinhos apetitosos: num, bolinhos de aveia; no outro, bolinhos de ovos. Nata quente e espessa ficava coberta num belo pote florido sobre o forno, e, na cafeteira reluzente de três pés, com tampa amarela, fervia o café. Assim esperava os compadres aguardados um desjejum como raramente têm os príncipes e como nenhum camponês no mundo possui, a não ser os berneses. Milhares de ingleses correm pela Suíça, mas nem a um dos lordes esbaforidos, nem a uma das ladies de pernas engomadas, jamais coube tal desjejum.

— Se ao menos viessem logo! Tudo está pronto — suspirou a parteira. — De todo modo ainda leva um bom tempo até que tudo esteja arranjado e cada qual tenha recebido o que lhe cabe; e o pastor é terrivelmente pontual e dá repreensões severas quando a gente não está lá na hora certa.

— O avô também nunca permite que se tome o carrinho — disse a jovem mulher. — Ele acredita que uma criança que não seja carregada para o batismo, mas levada de carro, torna-se preguiçosa e nunca aprende direito a usar as pernas por toda a vida. Se ao menos a madrinha estivesse aqui! É ela quem mais atrasa. Os padrinhos homens se aprontam mais depressa e ainda poderiam correr atrás.

A aflição pelos compadres espalhou-se por toda a casa.

— Ainda não vêm? — ouvia-se de todos os lados; em todos os cantos da casa, rostos espiavam à procura deles, e Turco latia com toda a força do corpo, como se quisesse chamá-los para perto.

A avó, porém, disse:

— Antigamente não era assim. Sabia-se que, em dias como este, era preciso levantar-se na hora certa, e que o Senhor não espera ninguém.

Por fim, o rapaz entrou de supetão na cozinha com a notícia: a madrinha vinha chegando.

Ela vinha coberta de suor e carregada como o menino do Ano-Novo. Numa das mãos segurava os cordões pretos de um grande saquinho florido, dentro do qual, embrulhada numa fina toalha branca, despontava uma grande Züpfe, presente para a puérpera. Na outra mão trazia um segundo saquinho, e nele havia uma roupa para a criança, além de algumas peças para seu próprio uso, especialmente belas meias brancas; e sob um dos braços ainda carregava uma caixinha com a coroa de flores e a touca de rendas, com as magníficas fitas pretas de seda para o cabelo. De todos os lados soaram alegremente os Gottwilchen, os “bem-vinda em Deus”, e mal teve tempo de deixar uma de suas cargas para corresponder com cordialidade às mãos que se estendiam. De todos os lados mãos prestativas buscavam seus embrulhos; à porta estava a jovem mulher, e então começou nova saudação, até que a parteira lembrou que fossem para a sala; lá dentro poderiam dizer umas às outras o que era de costume.

Com modos práticos, a parteira pôs a madrinha atrás da mesa, e a jovem mulher veio com o café, por mais que a madrinha recusasse e alegasse que já havia tomado. A irmã do pai não consentiria que ela saísse de casa sem comer, pois isso fazia muito mal às moças, dizia ela. Mas a irmã do pai já era velha, e as criadas também não queriam levantar-se na hora certa; por isso ela se atrasara. Se dependesse dela apenas, já estaria ali havia muito. No café foi despejada a nata espessa; e, por mais que a madrinha se defendesse e dissesse que não gostava nada disso, a dona da casa ainda lhe atirou um pedaço de açúcar dentro. Por muito tempo a madrinha não quis permitir que, por causa dela, se cortasse a Züpfe; entretanto, precisou aceitar que lhe servissem um bom pedaço e comê-lo. Queijo ela não queria de modo algum, não havia a menor necessidade. A dona da casa disse que ela decerto pensava que fosse queijo meio magro, e por isso não lhe dava valor; e a madrinha teve de ceder. Mas bolinhos ela não queria de jeito nenhum; nem saberia onde pô-los, dizia. Então recebeu por fim a resposta de que ela com certeza os julgava malfeitos e devia estar acostumada a coisa melhor. Que lhe restava senão comer bolinhos? Durante todo esse forçar de ofertas, ela havia bebido em pequenos goles medidos a primeira canequinha; e então se ergueu uma verdadeira disputa. A madrinha virou a canequinha de boca para baixo, quis provar que não tinha mais lugar algum para novas bondades, e disse que a deixassem em paz, senão ainda teria de jurar contra aquilo. Então a mulher disse que lhe doía muito que ela achasse o café tão ruim; afinal, recomendara à parteira com toda a insistência que o fizesse tão bom quanto possível; francamente, ela não conseguia compreender que estivesse tão ruim a ponto de ninguém querer bebê-lo; e nata também não devia faltar, pois a tirara como não tinha o costume de fazer todos os dias. Que podia fazer a pobre madrinha, senão deixar que lhe servissem mais uma canequinha?

A parteira já fazia tempo que sapateava impaciente por ali; finalmente não conseguiu mais conter a língua e disse:

— Se posso ajudar você em alguma coisa, é só dizer; tenho tempo para isso.

— Ora, não se apresse tanto — disse a mulher.

A pobre madrinha, porém, que fumegava como uma caldeira a vapor, entendeu o recado, guardou o café quente dentro de si o mais depressa possível, e disse entre as pausas a que a bebida ardente a obrigava:

— Eu já estaria pronta há muito tempo, se não tivesse tido de tomar mais do que consigo engolir, mas agora vou.

Levantou-se, desembrulhou os saquinhos, entregou a Züpfe, a roupa, a faixa, um reluzente táler novo envolto no belo versículo batismal pintado, e desculpou-se muitas vezes por nada ser melhor. A dona da casa, porém, interrompia com muitas exclamações, dizendo que aquilo não tinha cabimento nem medida, abastecer-se assim como se quase não se pudesse aceitar, e que, se soubessem disso, nem teriam tido coragem de chamá-la.

Então a moça também começou sua obra, assistida pela parteira e pela dona da casa, e empregou o máximo possível para ser uma bela madrinha, dos sapatos e meias até a coroinha sobre a preciosa touca de renda. A coisa foi demorada, apesar da impaciência da parteira, e à madrinha sempre parecia que não estava bastante bom, ora isto, ora aquilo fora do lugar certo. Então entrou a avó e disse:

— Preciso vir também ver como está bonita a nossa madrinha.

De passagem, deixou cair que o segundo sinal já havia soado e que os dois padrinhos estavam lá fora, na sala externa. De fato, lá fora sentavam-se os dois padrinhos homens, um velho e um jovem, rejeitando o café moderno, que podiam ter todos os dias, diante do vinho-quente fumegante, aquela antiga, mas boa sopa bernesa, composta de vinho, pão torrado, ovos, açúcar, canela e açafrão, esse condimento igualmente antigo, que num banquete de batizado deve aparecer na sopa, no guisado e no chá doce. Saboreavam-no com gosto, e o velho padrinho, a quem chamavam primo, fazia toda sorte de graças com o pai da criança, e dizia que hoje não o poupariam; e, a julgar pelo vinho-quente, ele bem lhes concedia esse direito, pois nada fora economizado ali. Notava-se que ele, na última terça-feira, dera ao mensageiro que ia a Berna seu saco de doze medidas para que lhe trouxesse açafrão. Como não soubessem o que o primo queria dizer com isso, ele contou: recentemente, seu vizinho tivera criança para batizar; então entregara ao mensageiro um grande saco e seis kreuzer, com a ordem de que lhe trouxesse, naquele saco, seis kreuzer daquele pó amarelo, uma medida ou uma medida e meia, daquilo que nos batizados é preciso pôr em tudo, porque as mulheres dele assim queriam.

Então entrou a madrinha, como um jovem sol da manhã, e foi saudada pelos compadres com Gottwilchen, puxada para junto da mesa, e puseram diante dela um grande prato cheio de vinho-quente; ela devia comê-lo, pois ainda tinha tempo enquanto aprontavam a criança. A pobre madrinha se defendeu com mãos e pés, afirmou que havia comido por muitos dias e que já nem conseguia respirar. Mas de nada adiantou. Velhos e moços, com troça e seriedade, foram para cima dela, até que tomou a colher; e, coisa estranha, uma colherada após outra ainda encontrou seu lugar. Mas logo voltou a parteira com a criança bem embrulhada, pôs-lhe a touquinha bordada com fita de seda cor-de-rosa, deitou-a no belo edredonzinho, meteu-lhe a doce chupeta na boquinha e disse:

— Não quero atrasar ninguém; pensei que deixaria tudo pronto, e então se pode partir quando quiserem.

Todos rodearam a criança e a louvaram como era justo; e era mesmo um menininho maravilhosamente apetitoso. A mãe se alegrou com o louvor e disse:

— Eu também gostaria tanto de ir à igreja e ajudar a recomendá-lo a Deus; quando a gente está presente enquanto a criança é batizada, pensa melhor naquilo que prometeu. Além disso, é tão incômodo para mim ficar uma semana inteira sem passar da goteira do telhado, logo agora que há tanto trabalho com o plantio.

Mas a avó disse que as coisas ainda não tinham chegado a tal ponto que a nora dela, como uma mulher pobre, precisasse fazer sua ida à igreja nos primeiros oito dias; e a parteira acrescentou que não gostava nada quando mulheres novas iam à igreja com os filhos. Sempre tinham medo de que em casa alguma coisa desse errado, não tinham a devida devoção na igreja, e, no caminho de volta, apressavam-se demais para que nada se perdesse; aqueciam-se, e muitas já haviam adoecido gravemente e até morrido. Então a madrinha tomou a criança no edredom em seus braços; a parteira pôs sobre o menino o belo pano branco de batismo, com borlas pretas nos cantos, poupando cuidadosamente o belo ramalhete no peito da madrinha, e disse:

— Ide agora em santo nome de Deus.

E a avó juntou as mãos e rezou em silêncio uma bênção fervorosa. A mãe, porém, acompanhou o cortejo até debaixo da porta e disse:

— Meu menininho, meu menininho, agora ficarei três horas inteiras sem ver você; como vou aguentar isso!

E no mesmo instante as lágrimas lhe subiram aos olhos; ela passou rapidamente o avental por cima deles e entrou em casa.

Rápido desceu a madrinha pela encosta, ao longo do caminho da igreja, com a criança esperta em seus braços fortes; atrás dela iam os dois padrinhos, o pai e o avô, a nenhum dos quais veio à cabeça aliviar a madrinha de sua carga, embora o padrinho mais moço trouxesse no chapéu um vistoso ramo de maio, sinal de solteiro, e em seu olhar luzisse algo como grande agrado pela madrinha, é verdade que tudo escondido por trás da viseira de uma grande calma.

O avô contou que tempo terrível fizera quando o haviam carregado até a igreja; por causa do granizo e dos relâmpagos, os fiéis quase não acreditaram que escapariam com vida. Depois, em razão daquele tempo, as pessoas haviam profetizado toda sorte de coisas a seu respeito: uns, uma morte horrível; outros, grande sorte na guerra. Ora, sua vida transcorrera no sossego como a dos demais, e, aos setenta e cinco anos, ele nem morreria cedo, nem alcançaria grande sorte na guerra. Já haviam andado mais da metade do caminho quando veio correndo atrás deles a moça que devia levar a criança de volta para casa assim que fosse batizada, enquanto os pais e compadres, segundo o belo costume antigo, ainda assistiriam ao sermão. A moça também quisera empregar suas forças para ficar bonita; por causa desse trabalhoso arranjo, atrasara-se, e agora queria tomar a criança da madrinha. Mas esta não permitiu, por mais que a aconselhassem. Era oportunidade boa demais para mostrar ao belo padrinho solteiro como seus braços eram fortes e quanto podiam suportar. Braços fortes numa mulher convêm a um verdadeiro camponês muito mais do que braços delicados, essas varinhas frouxas que qualquer vento de través, se quiser de verdade, pode espalhar; braços fortes numa mãe já foram a salvação de muitas crianças quando o pai morreu e a mãe teve de conduzir sozinha a vara de governo, sozinha tirar a carroça doméstica de todos os buracos em que ela estava prestes a cair.

Mas, de repente, foi como se alguém segurasse a madrinha forte pelas tranças, ou lhe desse um golpe na testa; ela recuou de fato, entregou a criança à moça, ficou para trás e fingiu ocupar-se com a liga da meia. Depois veio adiante, juntou-se aos homens, meteu-se nas conversas, quis interromper o avô, desviá-lo ora com uma coisa, ora com outra, do assunto que ele agarrara. Ele, porém, como geralmente é costume dos velhos, manteve firme seu assunto e, sem se cansar, tornou a atar sempre de novo o fio rompido. Então ela se achegou ao pai da criança e tentou, por meio de toda sorte de perguntas, atraí-lo para conversas particulares; mas ele era monossilábico e deixava sempre cair de novo o fio que ela começava a fiar. Talvez tivesse seus próprios pensamentos, como todo pai deveria ter quando levam um filho seu ao batismo, sobretudo o primeiro menino. Quanto mais se aproximavam da igreja, mais gente se juntava ao cortejo; uns já esperavam à beira do caminho com os livros de salmos na mão; outros desciam correndo, mais apressados, pelos estreitos atalhos; e, como uma grande procissão, avançaram para a aldeia.

Junto à igreja ficava a estalagem, duas casas que tantas vezes mantêm relação próxima e compartilham alegria e dor, e isso com toda a honra. Ali pararam, enxugaram o menino, e o pai da criança pediu uma medida de vinho, por mais que todos dissessem que ele não devia fazer aquilo, pois há pouco tinham tido tudo que o coração desejava e não queriam nem coisa espessa nem fina. Entretanto, uma vez trazido o vinho, todos beberam, principalmente a moça; ela terá pensado que devia beber vinho quando alguém lhe oferecia vinho, pois isso não acontecia muitas vezes ao longo de um ano inteiro. Só a madrinha não se deixou levar a tomar uma gota sequer, apesar de todas as insistências, que não queriam ter fim, até que a estalajadeira disse que deviam parar com aquele forçar, pois a moça estava ficando mais pálida a olhos vistos, e gotas de Hoffmann lhe seriam mais necessárias que vinho. Mas a madrinha tampouco as quis; quase não queria nem um copo de água pura; por fim teve de deixar que lhe derramassem algumas gotas de um frasquinho aromático no lenço de nariz, atraindo inocentemente muitos olhares suspeitos, sem poder justificar-se, sem poder ser ajudada. A madrinha sofria de angústia atroz e não podia deixá-la notar. Ninguém lhe havia dito que nome a criança deveria receber; e esse nome, segundo antigo costume, a madrinha deve sussurrar ao pastor quando lhe entrega a criança, pois ele, quando há muitas crianças a batizar, pode facilmente confundir os nomes registrados.

Na pressa, por causa das muitas coisas a cuidar e do medo de chegar tarde, haviam esquecido de lhe comunicar esse nome; e perguntar por tal nome fora-lhe severamente proibido, de uma vez por todas, pela irmã de seu pai, a prima, se ela não quisesse tornar infeliz uma criança; pois, assim que uma madrinha pergunta pelo nome da criança, ela se torna curiosa por toda a vida.

Ela, portanto, não sabia esse nome, não ousava perguntar por ele; e se o pastor também o tivesse esquecido e perguntasse por ele em voz alta e pública, ou, por engano, batizasse o menino como uma Mädeli ou uma Bäbeli, como as pessoas ririam, e que vergonha seria aquilo por toda a vida! Isso lhe parecia cada vez mais terrível; as pernas da moça forte tremiam como pés de feijão ao vento, e o suor lhe escorria em riachos pelo rosto pálido. Então a estalajadeira lembrou que partissem, se não queriam levar uma bronca do pastor; mas disse à madrinha:

— Menina, você não aguenta isso, está branca como uma camisa recém-lavada.

— É da caminhada — respondeu ela. — Vai melhorar quando eu pegar ar fresco.

Mas não melhorou. Todas as pessoas na igreja lhe pareciam inteiramente negras; e então a criança ainda começou a chorar, de modo terrível e cada vez mais terrível. A pobre madrinha começou a embalá-la nos braços, mais forte e cada vez mais forte, quanto mais alto ela chorava, de tal modo que folhas voavam do ramo de maio em seu peito. Em seu peito tudo se tornava mais apertado e mais difícil; ouvia-se alto sua respiração. Quanto mais seu peito se erguia, tanto mais alto a criança voava em seus braços; e quanto mais alto voava, tanto mais alto chorava; e quanto mais alto chorava, tanto mais poderosamente o pastor lia as orações. As vozes estalavam de fato nas paredes, e a madrinha já não sabia onde estava; tudo zunia e bramava ao redor dela como ondas do mar, e a igreja dançava com ela pelo ar. Por fim o pastor disse “amém”, e então chegou o momento terrível; então se decidiria se ela seria motivo de riso para filhos e filhos dos filhos; então ela teria de levantar o pano, entregar a criança ao pastor e sussurrar-lhe o nome no ouvido direito. Ela descobriu o menino, mas tremendo e palpitando; estendeu a criança, e o pastor a tomou, não olhou para ela, não lhe perguntou nada com olhar severo, mergulhou a mão na água, molhou a fronte da criança subitamente silenciosa e não batizou nenhuma Mädeli, nenhuma Bäbeli, mas um Hans Uli, um honesto e verdadeiro Hans Uli. Então pareceu à madrinha que não apenas todas as montanhas do Emmental lhe rolavam do coração, mas também o sol, a lua e as estrelas; e que alguém a levava de um forno ardente para um banho fresco. Ainda assim, durante todo o sermão seus membros tremeram e não quiseram voltar a ficar quietos. O pastor pregou de modo muito belo e penetrante, dizendo que, propriamente, a vida dos homens nada deveria ser senão uma ascensão ao céu; mas a madrinha não conseguiu chegar à verdadeira devoção, e, quando saiu do sermão, já havia esquecido o texto. Mal podia esperar a hora de revelar sua angústia secreta e a razão de seu rosto pálido. Houve muito riso, e ela teve de ouvir muitas graças sobre a curiosidade, sobre como as mulheres a temem e, apesar disso, a penduram em todas as suas meninas, enquanto ela nada faz aos meninos. Ela poderia muito bem ter perguntado, sem medo. Belos campos de aveia, graciosos canteiros de linho, magnífico viço em prado e lavoura, porém, logo atraíram a atenção e prenderam os ânimos. Encontraram muitos motivos para andar devagar, para parar em silêncio; e ainda assim o belo sol ascendente de maio aquecera a todos quando chegaram em casa, e um copo de vinho fresco fez bem a cada um, por mais que resistissem. Depois se sentaram diante da casa, enquanto na cozinha as mãos se moviam diligentes e o fogo crepitava com violência. A parteira ardia como um dos três no forno em chamas. Já antes das onze chamaram para comer, mas só os serviçais; serviram-lhes antes dos outros, e fartamente; no entanto, ficavam satisfeitos quando eles, sobretudo os criados, saíam do caminho.

A conversa entre os que estavam sentados diante da casa corria um tanto devagar, mas não secava; antes da refeição, os pensamentos do estômago perturbam os pensamentos da alma, embora não se goste de deixar perceber esse estado interior, e por isso ele é encoberto com palavras lentas sobre assuntos indiferentes. O sol já estava acima do meio-dia quando a parteira, de rosto flamejante, mas ainda com o avental limpo, apareceu debaixo da porta e trouxe a notícia bem-vinda a todos: podiam comer, se todos estivessem ali. Mas a maior parte dos convidados ainda faltava, e os mensageiros já enviados antes atrás deles traziam, como os servos do Evangelho, toda espécie de resposta, com a diferença, contudo, de que todos propriamente queriam vir, apenas ainda não naquele momento; um tinha trabalhadores, outro havia chamado gente, o terceiro precisava ainda ir a algum lugar; mas que não esperassem por eles, e sim fossem adiante com a coisa. Chegaram depressa ao acordo de seguir esse conselho, pois, se tivessem de esperar por todos, dizia-se, a coisa poderia ir até que a lua viesse. Enquanto isso, é verdade, a parteira resmungava que nada havia de mais tolo que fazer os outros esperar assim; no coração, todos gostariam de estar ali, e quanto antes melhor, mas ninguém queria que isso se notasse. Desse modo, era preciso ter o trabalho de pôr tudo de novo no calor, nunca se sabia se haveria bastante, e nunca se terminava. Mas, se a decisão a respeito dos ausentes foi tomada depressa, ainda não haviam terminado com os que estavam ali; tiveram dificuldade considerável para levá-los à sala e fazê-los sentar, pois ninguém queria ser o primeiro, nem diante deste, nem diante daquele. Quando, por fim, todos se sentaram, veio a sopa à mesa, uma bela sopa de carne tingida e temperada com açafrão, e tão densamente engrossada com o belo pão branco que a avó havia cortado, que pouco caldo se via. Então todas as cabeças se descobriram, as mãos se juntaram, e longa e solenemente cada um rezou para si ao Doador de toda boa dádiva. Só então pegaram devagar as colheres de estanho, limparam-nas na bela toalha branca e se lançaram à sopa; e muitos desejos se ouviram, dizendo que, se tivessem todos os dias uma sopa daquelas, nada mais pediriam. Quando acabaram a sopa, limparam de novo as colheres na toalha, as Züpfen foram passadas em volta, cada um cortou seu pedaço e observou os guisados em caldo de açafrão serem servidos: guisados de miolos, de carneiro, fígado azedo. Quando estes foram liquidados em avanços ponderados, veio a carne bovina empilhada em travessas, fresca e seca, cada qual conforme o gosto; vieram feijões secos e talhadas de pera Kannen, toucinho largo e magníficos pedaços de lombo de porcos de três quintais, tão belamente vermelhos e brancos e suculentos. Tudo isso se sucedia devagar; e, quando chegava um novo convidado, tudo era servido outra vez desde a sopa, e cada um devia começar onde os outros também haviam começado; a ninguém era perdoado um único prato. Nesse meio-tempo, Benz, o pai da criança, servia diligentemente das belas garrafas brancas, que continham uma medida e eram ricamente ornadas de brasões e ditos. Onde seus braços não alcançavam, atribuía a outros o ofício de servir; forçava seriamente os demais a beber, advertia muitas vezes:

— Acabai com isso, está aqui para ser bebido.

E, quando a parteira levava uma travessa para dentro, ele lhe trazia seu copo, e outros lhe traziam os seus também, de modo que, se ela tivesse de responder devidamente a todos eles, as coisas poderiam ficar estranhas na cozinha. O padrinho mais moço teve de ouvir muitas troças por não saber manter melhor a madrinha no beber; se ele entendesse tão mal de brindar, não arranjaria mulher.

— Ah, Hans Uli não vai querer nenhuma — disse finalmente a madrinha. — Os rapazes solteiros de hoje têm outras coisas na cabeça que não casar, e a maioria nem sequer tem condições para isso.

— Ora — disse Hans Uli —, a mim parece justamente outra coisa. Umas molengas como são hoje em dia a maior parte das moças dão mulheres caríssimas. A maioria pensa que, para se tornar uma boa esposa, nada é necessário senão um lencinho azul de seda na cabeça, luvinhas no verão e pantufinhas bordadas no inverno. Quando faltam vacas no estábulo, é claro que se está em maus lençóis, mas ainda se pode mudar a coisa; quando, porém, se tem uma mulher que leva a gente a perder casa e campo, aí está assado: é preciso ficar com ela. Por isso é mais útil pensar em outras coisas que não casamento, e deixar moças serem moças.

— Sim, sim, você tem toda razão — disse o padrinho mais velho, um homenzinho pequeno, apagado, de roupas modestas, a quem, porém, se honrava muito e se chamava primo, pois não tinha filhos, mas tinha uma herdade paga e cem mil francos suíços rendendo juros. — Sim, você tem razão. Com o mulherio já não se pode contar. Não quero dizer que aqui e ali ainda não haja uma que convenha bem a uma casa, mas essas são raras. Só têm tolices e soberba na cabeça; vestem-se como pavões, aprumam-se como cegonhas em temporal, e, se uma tem de trabalhar meio dia, fica três dias com dor de cabeça e passa quatro dias na cama antes de voltar a si. Quando eu cortejava a minha velha, ainda era diferente; naquela época não se precisava ter tanto receio de receber, em vez de uma boa dona de casa, uma palhaça doméstica, ou mesmo um demônio dentro de casa.

— Ora, ora, padrinho Uli — disse a madrinha, que já fazia tempo queria falar, mas não conseguira —, até parece que só no seu tempo houve verdadeiras filhas de camponeses. O senhor apenas não as conhece mais e já não presta atenção nas moças, como também convém a um homem velho; mas elas ainda existem tão boas quanto no tempo em que sua velha ainda era moça. Não quero me gabar, mas meu pai já disse muitas vezes que, se eu continuar assim, ainda passarei a finada mamãe, e ela foi uma mulher famosa. Porcos tão pesados como os do ano passado meu pai nunca levou ao mercado. O açougueiro lhe disse muitas vezes que gostaria de ver a moça que os havia engordado. Mas dos rapazes de hoje, esses sim, é preciso queixar-se; pelo amor deste mundo, o que há com eles? Fumar, sentar na estalagem, usar os chapéus brancos de lado e arregalar os olhos como portões de cidade, correr atrás de todos os boliches, de todos os tiros ao alvo, de todas as moças sem juízo, isso eles sabem fazer; mas, se um deles deve ordenhar uma vaca ou lavrar um campo, está perdido; e, se pega numa madeira de trabalho, faz-se de bobo como um senhor, ou até como um escrivão. Muitas vezes já jurei bem alto que não quero marido, a menos que saiba com certeza como poderei lidar com ele; e, mesmo quando aqui e ali ainda aparece um que serve como camponês, nem de longe se sabe que espécie de marido ele se tornará.

Então os outros riram muito, fizeram subir o sangue ao rosto da moça e continuaram a zombaria com ela: quanto tempo ela imaginava que se devia pôr um homem à prova até saber com certeza que espécie de marido se tornaria. Assim, entre risos e pilhérias, comeram muita carne, sem esquecer também as talhadas de pera Kannen, até que por fim o padrinho mais velho disse:

— Parece-me que, por enquanto, já tivemos o suficiente, e que devíamos nos afastar um pouco da mesa; as pernas ficam inteiramente duras debaixo dela, e um cachimbo nunca tem gosto melhor do que depois de se ter comido carne.

Esse conselho recebeu aprovação geral, embora os pais da criança insistissem que não se levantassem da mesa; uma vez que se saísse dela, quase não se conseguiria trazer as pessoas de volta.

— Não se preocupe, prima — disse o primo. — Se você puser alguma coisa boa na mesa, terá pouco trabalho em nos trazer de volta; e, se nos esticarmos um pouco, a comida entrará de novo com mais facilidade.

Os homens fizeram então a ronda pelos estábulos, deram uma olhada no paiol para ver se ainda havia feno velho, louvaram a bela relva e olharam para cima, para as árvores, querendo calcular quão grande seria a bênção que delas se poderia esperar.

Debaixo de uma das árvores ainda floridas, o primo parou e disse:

— Aqui convém muito bem sentar e acender um cachimbinho; está bem fresco, e, se as mulheres prepararem de novo alguma coisa boa, estaremos perto.

Logo se juntou a eles a madrinha, que havia examinado o jardim e os canteiros com as outras mulheres. Atrás da madrinha vieram as outras mulheres, e uma após outra se sentou na relva, pondo cuidadosamente a salvo as belas saias, mas expondo suas anáguas de clara borda vermelha ao perigo de receberem uma lembrança da relva verde.

A árvore em torno da qual toda a companhia se acomodou ficava acima da casa, no começo suave da encosta. Primeiro saltava aos olhos a bela casa nova; por cima dela, os olhares podiam vaguear até a borda do vale do outro lado, passando por muitas belas e ricas propriedades, e, mais além, por colinas verdes e vales escuros.

— Você tem aqui uma casa imponente, e tudo nela foi bem disposto — disse o primo. — Agora vocês podem viver nela e têm lugar para tudo. Nunca pude compreender como alguém consegue aguentar tanto tempo numa casa tão ruim quando tem dinheiro e madeira de sobra para construir, como vocês, por exemplo.

— Não me provoque, primo — disse o avô. — Não há do que se gabar em nenhuma das duas coisas; além disso, construir é uma coisa feia: sabe-se bem como começa, mas nunca como termina, e às vezes ainda há isto ou aquilo no caminho, em cada lugar uma coisa diferente.

— A casa me agrada de modo extraordinário — disse uma das mulheres. — Nós também já deveríamos ter uma nova há muito tempo, mas sempre tememos os custos. Assim que meu marido chegar, porém, ele terá de examiná-la direito. Parece-me que, se pudéssemos ter uma igual, eu estaria no céu. Mas eu gostaria de perguntar, não levem a mal: por que, logo ao lado da primeira janela, há aquele feio montante preto, aquele Bystal, que fica tão mal na casa inteira?

O avô fez um rosto preocupado, puxou ainda mais forte o cachimbo e disse por fim:

— Faltou madeira na hora de erguer a casa; não havia outra logo à mão, então, na necessidade e na pressa, tiramos alguma coisa da casa velha.

— Mas — disse a mulher — aquele pedaço de madeira preta ainda por cima era curto demais; em cima e embaixo foi remendado, e qualquer vizinho teria dado de coração a vocês uma peça inteira e nova.

— Sim, é que não pensamos melhor, e não podíamos incomodar sempre de novo nossos vizinhos; eles já nos tinham ajudado bastante com madeira e transporte — respondeu o velho.

— Escute, Aetti — disse o primo —, não se meta em danças de caracol, mas diga a verdade e dê relato sincero. Já ouvi muita coisa cochichada, mas nunca pude saber, ponto por ponto, a verdade inteira. Agora se ajeita tão bem, enquanto as mulheres põem o assado no ponto; você nos faria passar o tempo depressa com isso, portanto dê relato sincero.

Ainda muitas danças de caracol fez o avô antes de se resolver; mas o primo e as mulheres não cederam até que ele enfim prometesse, embora com a ressalva expressa de que preferiria que aquilo que contasse ficasse entre eles e não fosse adiante. Muita gente tem receio de certas coisas numa casa, e ele, nos seus velhos dias, não gostaria de fazer mau serviço aos seus.

A Aranha Negra

Sinopse

Leia A Aranha Negra gratuitamente no Aurora Literunico. Tradução em português brasileiro de Die schwarze Spinne, novela clássica do escritor suíço Jeremias Gotthelf. Terror rural, lenda moral e tradição alpina se cruzam numa narrativa sobre pacto, comunidade, culpa e fé, publicada aqui em capítulos para leitura gratuita. Edição Literunico preparada a partir de texto em domínio público, com divisão editorial em oito capítulos, preservação de topônimos e termos culturais essenciais, e apresentação voltada à Copa Literunico. Fonte original em domínio público: Die schwarze Spinne, de Jeremias Gotthelf.

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