Universo da obra
Universo da obra
Ao cair da tarde, depois de termos andado umas oito léguas pela mesma pampa triste e de haver comido um resto de carne assada, que eu trazia nos tentos, avistamos a gente da povoação que havia tempo vínhamos contemplando, gozosos por seu verdor fresco. Ali ao menos havia uns salgueiros, uns cães, um curralzinho e uns donos de casa.
Outros paisanos já chegavam para o trabalho do dia seguinte. De longe nos víamos, entre nossas tropilhas, mudando de cavalo, preparando-nos o melhor possível. Agarrei meu mouro, crédito para o rodeio, porque não queria andar falhando. Acomodei-lhe a tosa, limpei-lhe os cascos e, havendo-lhe posto os couros, caí ao rancho cortando miúdo ao compasso do guizo. Já cruzávamos algumas palavras com os paisanos, no palanque. Olhávamos os cavalos uns dos outros, ponderando-os cortesmente:
- Bonito o baiinho - disse a um homem que acabava de apear perto de mim. - Deve ser de conseguir, entrando no povoado.
- Relhaço! - ria o paisano. - E seu mouro?
- Meio disposto para o dentro. Mas o que vai fazer com uma desgraça no lombo?
- Onde está a desgraça?
- Um servidor - disse, apontando o peito.
- Este sim que é bom - disse um velhinho magro, cutucando seu cebruninho petiço, que não se moveu mais que um fardo de lã.
- Ahã!... Ponderam a fúria do sapo! - riu o do baio.
- Não confie, rapaz... não confie nos galos que entram na rinha dando a anca - aconselhou o velho.
Um homem achinado e gordo, que desembarrava com o lombo da faca as espáduas de seu overo pintado, argumentou, apontando o esplêndido alazão de Don Segundo:
- Esse é um pingo.
Todos o olharam com um silêncio de assentimento.
Com sua voz clara e tranquila, Don Segundo explicou à gente calada:
- Troquei por umas tortas.
Quando passou o riso, insistiu imperturbável:
- O outro devia estar bêbado.
Era o que muitos haviam pensado sem se animar a dizê-lo. Don Segundo parecia querer recordar o fato:
- O que não consigo lembrar é como eu estava... Certo que devia andar mais fresco, a menos que já tivesse chegado, pela bebedeira, a perder a vergonha. Parece-me lembrar de algo assim como um barulho. A gente até brigou. Foi uma linda diversão. No dia seguinte, o paisano não se lembrava bem da troca, mas eu lhe refresquei a memória.
Eu lhe refresquei a memória? Bem imaginavam os ouvintes a energia dessa ajuda. Além disso, Don Segundo dissera: "A gente até brigou. Foi uma linda diversão."
Agora o avaliavam, detalhando sua estatura, a rijeza de seus traços e, sobretudo, essa tranquilidade com que devia tomar as coisas, fossem como fossem, como se lhe ficassem pequenas. Eu sentia mais uma vez essa força de meu padrinho, tão rápida em suscitar no paisanaje, reservado e incrédulo, uma admiração incondicional. Sabia desconcertar ficando impassível, e à dúvida que por momentos despertava sobre sua inocência aparente ou sua profunda malícia seguia de imediato o respeito e a expectativa. Como outra arte sua era saber ir-se a tempo, aproveitou a atenção geral para pôr-se a falar baixo com um homem que estava a seu lado.
O paisano do overo me perguntou de onde éramos.
- De San Antonio.
- De San Antonio? - terciou o do cebruno. - Eu já trabalhei lá, nos campos do General Roca. E este homem - disse, apontando o do baio - andou há pouco com arreo por esses pagos.
- Ahã! - respondeu o aludido. - Numa estância de um tal Costa.
- Acosta - corrigi.
- Isso.
Fomos nos aproximando do rancho. No pátio grande, debaixo dos salgueiros, ardiam os fogões, lambendo a carne dos assadores. Que cheirinho bom!
Haveria entre todos uns vinte paisanos. Ao clarear do dia seguinte chegariam uns dez mais. Todos vinham de postos distantes. Decididamente, nossa recolhida ia ser um trabalho bruto e grande.
Não houve, antes de nos deitarmos para dormir, nem muitas brincadeiras, nem alegria muito visível, nem guitarra. À gente daqueles pagos não parecia importar coisa alguma. Um por um endireitávamos ao assador, cortávamos uma presa, retirávamo-nos a saboreá-la, acocorados. Os mais selvagens e ariscos desapareciam no escuro, como se tivessem vergonha de que os vissem comer ou temessem que brigassem com eles pela presa. Como muitos, por se tratar de fazenda xucra, haviam trazido seus cães, estávamos rodeados de uma matilha faminta e pedinchona.
Os ferros já estavam nus.
Antes de me deitar, disse a meu padrinho:
- O que é esta noite, mesmo que chova, ninguém me faz entrar no rancho. Mais que o abrigo das paredes com um louco dentro, gosto do amparo de Deus.
- Bem dito, rapaz! - comentou meu padrinho, e não soube se pensava assim ou se queria simplesmente que eu o deixasse em paz.
Antes de clarear, saímos. Haviam me dado por companheiros dois mocetões de uns vinte anos. Um alto, acaboclado, sem barba. O outro louro e magro, com olhos enviesados de gato-do-mato. O louro subiu num alazãozinho malacara que, mal sentiu o peso, pôs-se a corcovear. O mocinho devia ter fé em si, porque, apesar da escuridão, cruzou-o com uns rebencaços.
- Está contente com o fresco - disse depois de sofreá-lo.
O acampamento que à noite parecia numeroso desapareceu na noite e na pampa, dissolvendo-se em direções distintas como um punhado de formigas voadoras no ar.
Meus companheiros me puseram no meio. O trigueiro tinha um arreiozinho que, de curto, parecia emprestado por algum irmão menor. Seu cavalo era um azulejo overo zarco, selvagem e espantadiço como pássaro de juncal. As caudas iam cortadas uma quarta acima do garrão. Os estribos, cruzados pela frente, faziam garupa sob os cojinilhos: modas sureiras.
Não dizíamos palavra. Galopávamos por uma trilha que pouco a pouco foi se perdendo, até nos deixar entregues ao campo raso, sem outro indício de rumo que o instinto de meus acompanhantes. Perguntei, não sem receio, pelos cangrejais. O mocinho do malacara me disse que ali não havia. Nos cangrejais não podiam se aventurar senão os muito baquianos, e a nós haviam dado um pedaço de campo limpo. Isso sim, teríamos que cruzar os médanos e chegar ao mar, para dali, pelos areais, tocar para o lado do campo os animais matreros que costumavam se esconder.
Novas curiosidades para mim: os médanos, o mar. Não quis passar por chapetão e deixei minhas perguntas de lado, como uma vergonha, esperando instruir-me por meus próprios meios.
No céu, as primeiras claridades começavam a afastar a noite, e as estrelas caíam para o lado de outros mundos. Orilhamos um baixo salitroso e umas lagoas encadeadas, em que os pássaros, meio dormidos, se espantaram com nossa presença. Clareou mais, e começaram a viver os animais da pampa. Passamos bem perto de uma ossada fedorenta que uns trinta caranchos aproveitavam, porfiando para ganhá-la da completa podridão.
Que amabilidade a daqueles pagos, que se divertiam em pôr cara de susto!
Quando o sol queria despontar, divisamos contra a luz a linha dos médanos. Era como se ao campo houvessem saído grãos.
Vários vacum trotaram pelo alto de uma lomba, olharam-nos por um momento e fugiram disparando. Meus companheiros iniciaram os clássicos gritos de arreo.
Logo pisamos as primeiras subidas e descidas. O pasto desapareceu por completo sob as patas de nossos pingos, pois entrávamos na zona dos médanos de pura areia, que o vento, em pouco tempo, muda de lugar, tocando montículos que às vezes são verdadeiros cerros pela altura.
A manhãzinha tornou de ouro o areal. Nossos cavalos se afundavam na brandura do chão até acima dos boletos. Como bons rapazes, brincamos, largando-nos de golpe barranco abaixo, sumindo naquele colchão amável, arriscando nas quedas ficar apertados pelo cavalo.
Satisfeitos nossos impulsos, decidimo-nos a atender o trabalho. Andávamos torpemente, balançados pelo esforço do passo demasiado mole. Nem um pasto entre aquela cor fresca que o sol novo tingia de suave mansidão. Disseram-me que na largura de uma légua, entre terra e mar, toda a costa era assim: uma manada monótona de lombos baios, lisos e sem quebras, em que as pisadas mal deixavam uma covinha de bordas curvas. E o mar?
De repente, uma faixa azul entre as encostas de dois médanos. E galgamos a última subida. De baixo para cima surgia algo assim como um duplo céu, mais escuro, que veio assentar-se em espuma branca a pouca distância de onde estávamos.
Chegava tão alto aquela pampa azul e lisa que eu não conseguia me convencer de que fosse água. Mas umas vacas galopavam pela própria costa, e meus companheiros se precipitaram areia abaixo em direção a elas. Eu gostaria de ficar um momento, nem que fosse, contemplando o espetáculo vasto e estranho para meus olhos. Mais vale não satisfazer a vontade que passar por paspalho, e arremeti também contra as bestas.
Na areia molhada da beirinha, dura como tábua, corríamos como loucos. Meu Mouro se fez ver tomando a ponta, descontando a vantagem que lhe levavam.
Por momentos nos aproximávamos. Os xucros corriam como gamos e, ao ver-se pareados, sentavam-se, gambeteando de lindo. Para pior, estavam mais delgados que parelheiros. Errávamos os topes aos montes. Por fim, um touro, mais preguiçoso ou mais pesado, caiu entre o alazão e o overo. Paletearam-no até atirá-lo por entre os médanos.
Eu seguira atrás de uma yaguanesa e a levava perto. Forçando-a para o mar, cujo ruído me surpreendia e diminuía, fiz com que resistisse e assim pude aproximar-lhe o cavalo. O Mouro grudou-se nela como mutuca na paleta, e ali íamos com a vaca, firmando-nos um no outro.
De repente entramos a pisar algo sonoro e escorregadio. Larguei os estribos por via das dúvidas. A yaguanesa, querendo cair, atravessou-se, mas o Mouro seguia empurrando-a adiante com o impulso da corrida. E aconteceu o que devia acontecer. Ao sair do fragmento de rocha resistente, encontrando a brandura da areia, a vaca tombou. Senti pelo encontrão que o Mouro se virava por sobre a cabeça. "Contanto que não se quebre", tive tempo de dizer a mim mesmo, e me joguei para trás. Por um momento deixa-se de pensar. O corpo cumpre seu dever por instinto. Sofri na planta dos pés o chicotaço do chão. Tive que correr uns passos para recobrar o equilíbrio. Voltei ao meu cavalo, que ainda se esforçava por pôr-se de aprumo. A vaca, endireitando-se, ameaçou-me um tope. Cheio de audácia, cruzei-lhe o focinho com um rebencaço e tirei o corpo. Tomei meu cavalo pelas rédeas. Por ali perto vinham os companheiros. Pobre Mouro! Fiz que caminhasse. Bem. Tirei-lhe a areia do arreio e das crinas com a mão. Já os dois rapazes estavam comigo.
- Grande puta! - disse, e a palavra me soou bem, embora eu não fosse malfalado. - Esta praia era como beiço de comissário.
Subi disposto ao trabalho. Pelos médanos se perdeu a yaguanesa. Meus companheiros se enredavam comigo em mil ditos.
Compreendi que começávamos a ser amigos.
Não há café da manhã melhor que uma queda para envalentonar o corpo. Estávamos mais decididos para a recolhida.
Depois de um pesado galopar e gritar pelos médanos, saímos ao campo. Nosso trabalho e o dos demais, que por ali andariam, ia surtindo efeito. A pampa, antes só, povoava-se de pontas de fazenda que corriam, em montão ou em fileira, para o lado oposto ao mar; para o lado da gente, teria dito eu. Muito longe, umas poeiradas indicavam as partes mais numerosas da recolhida.
Já podíamos estar mais tranquilos. As pontas se buscavam entre si, constituindo massas cada vez maiores. As trilhas insensivelmente marcavam rumos ao animalaje. Não tínhamos mais que fazer uma atropelada, de vez em quando, para que a muitas quadras repercutisse num apuro e até em fugas sem fim.
Íamos deixando de lado as vacas recém-paridas, que nos olhavam hoscas, com uma chifrada pronta em cada aspa. Vencíamos a distância lentamente, por ter que ir da direita para a esquerda numa fatigosa linha quebrada.
Os balidos formavam como um cerrado de angústia no ar, angústia das bestas livres agarradas por seu destino de obedecer, embora acostumadas a não ver homens senão a longuíssimas distâncias e muito de tempos em tempos.
Ali, a légua e meia, sobre uma lombada, formou-se um centro de movimento. Devia haver gente segurando aquele princípio de rodeio. E, conforme íamos andando, aquilo se agrandava, empenachando-se de uma crescente nuvem de terra, somando-se de todos os retalhos de fazenda destinados a desaparecer ali, como chamados por uma bruxaria.
Havia pouco o campo estava despejado; nós o povoamos de vida, para depois ir varrendo-a para um ponto, deixando o campo novamente só.
Conservávamos a vista fixa no lugar do rodeio e já desejávamos estar ali, pois pouco que fazer e diversão encontrávamos em galopar atrás do vacaje cimarrão, que não se deixava aproximar. Contudo, andamos, andamos.
O rodeio aumentava de tamanho, pelos animais que chegavam e porque nos aproximávamos. Já o entrevero dos balidos se fazia ensurdecedor, e começamos a notar que aquilo nos absorvia como única razão de ser possível no grande redondel traçado pelo horizonte, dentro do qual todo o mais parecia ter-se anulado.
Chegamos. Alguns paisanos rondavam o tropel assustado de animais. Outros mudavam de cavalo. Outros, com a perna cruzada sobre a cabeçada do basto, liavam um cigarro ou conversavam com tranquilidade. Os cavalos suados, com os sovacos coloridos de esporadas, ou embarrados até a barriga, delatavam a tarefa particular a que haviam sido submetidos. Reconhecia caras vistas no dia anterior, observava outras novas.
Contemplei o rodeio. Nunca havia presenciado semelhante entrevero. Deviam ser uns cinco mil, contando grandes e pequenos. Havia de todos os pelos, todos os tamanhos; mas isso não estava feito para me assombrar. O que sim chamava minha atenção era o grande número de aleijados de todas as classes: uns por fraturas soldadas à boa de Deus, outros por causa do verme que lhes havia roído as carnes, deixando-lhes largas cicatrizes. Esses animais nunca foram curados por mão de homem. Quando um chifre crescendo se metia no olho, não havia quem lhe cortasse a ponta. Os bichados morriam comidos ou ficavam de pé, graças à mudança de estação, mas com a lembrança de todo um pedaço de carne a menos. Os chapinudos criavam pesunhas com mais firulas que uma tripa. Os sentidos do lombo aprendiam a caminhar arrastando as patas traseiras. Os sarnosos morriam de consunção ou passeavam uma ossada mal dissimulada no couro pelado e sanguinolento. E os touros estavam cheios de cicatrizes de chifradas, pelas paletas e costilhares.
Alguns davam pena, outros nojo, outros riso. Os sãos e jovens, que eram os mais, porque a pampa logo engole quem anda tropeçando, demonstravam um selvagismo tal que passavam por cima de tudo, empenhados em afastar-se quanto fosse possível.
Um luxo de touros de toda laia fazia do rodeio um perigo. Vários já andavam buscando se enraivecer sozinhos.
Os atalhadores tinham de ficar a certa distância, fazendo roda, coisa que ocupava muita gente. Mais fora, as tropilhas com suas éguas peadas formavam o último círculo.
- Companheiro, não viu o veado?
Interpelava-me um paisano, bem montado num escurinho escarceador, referindo-se a que estávamos em jejum.
Na verdade, nossa fome bem podia nos fazer ver qualquer quadrúpede comestível, pois eram dez horas e, desde as duas da madrugada, não havíamos "matado o bichinho" senão com uns cimarrões.
Olhei para o lado dos carneadores, que já levavam a meio assar a novilha de ano que naquela manhã haviam derrubado para a peonada.
- Por que não nos aproximamos - perguntei - para tomar uns amargos, se não vier mal?
Não faltavam, de rodeios anteriores e carneadas anteriores, boas cabeças de ossada, cornudas, onde assentar o corpo. Depois mudaria de cavalo. Por enquanto afrouxei a cincha do Mouro e me ocupei de mim mesmo.
Como na noite anterior, comemos e mateamos em silêncio.
Decididamente aquela gente me dava vontade de estar só e, como tinha tempo antes de começar o trabalho, deixei mate e companhia para me demorar mudando de cavalo até que o aparte começasse. Além disso, afastava-me um pouco daquela balbúrdia de balidos que já me inchava a cabeça. Por que, perguntei a mim mesmo, aquela lua repentina?
Deixei-me estar encilhando o baio, que escolhi por mais corajoso e duro para o trabalho. Acomodei bem xergão por xergão. Emparelhei umas três vezes os bastos. Servindo-me de minha sovela, que eu sempre levava nos tentos, com a ponta cravada num cortiça para defendê-la, corrigi a costura da alça que estava solta num tento. Acomodei os cojinilhos como para ir ao povoado. Desenrolei o laço para voltar a enrolá-lo com mais esmero. E, como já não tinha o que fazer, liei um cigarro que, pelo tempo que levei em terminá-lo, parecia o primeiro de minha vida.
Nisso ouvi uma gritaria e vi que um touro vinha em minha direção, corrido por uns paisanos.
Montei-me em Comadreja, propondo-me tirar logo o mau humor.
Deixei que se aproximassem. A breve distância, coloquei-me bem no ponto para levar a cabo meu intento. Quando calculei boa a distância, gritei:
- Com licença, senhores - e fechei as pernas no baio.
Meu pingo era meio brutão para o encontrão. De minha parte, eu havia calculado bem. A toda corrida, o peito do baio bateu na paleta do touro. Ajudei o envite com o corpo. Ficamos cravados no lugar do tope. O touro saltou como bola, virou-se por sobre o lombo.
Eu havia feito uma das coisas mais perigosas de todas. Agarrar um animal, em toda a fúria, de través, é um alarde que pode custar o couro se a velocidade de cada animal não está calculada com toda justeza.
Bom princípio, que me comprometia para o trabalho bruto iniciado!
Tradução brasileira de Don Segundo Sombra, romance de formação de Ricardo Güiraldes e clássico da literatura argentina, em torno de Fabio Cáceres, da vida de resero, da pampa e da figura mítica de Don Segundo. Edição consolidada pelo projeto Literunico / Copa.
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