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A evolução do feminismo

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A evolução do feminismo

Capítulo 9 · A evolução do feminismo

A mulher nas ciências, nas artes e nas letras

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A MULHER NAS CIÊNCIAS, NAS ARTES E NAS LETRAS ITÁLIA Um escritor italiano — Trombeta Michelangelo, publicou em 1911 um livreco sob o absurdo título: "A mulher não pode instruir nem educar", título que êle parafraseou a seu talante e que vai flagrantemente de encontro ao judicioso modo de pensar de experientes e modernos estadistas e sociólogos, que preferem, para a educação da infância, as mulheres aos homens. Uma das razões em que o mencionado autor fundamentou a denominação tendenciosamente excêntrica do seu livro, é o temperamento nervoso, irritável — cuja afirmativa êle justifica com o testemunho ele scientistas antigos e igualmente misóginos — que êle atribui á mulher — o que a torna, consequentemente, incapaz de exercer, para com a infância, a nobre missão do magistério. Não hesitou, esta extemporânea trombeta, em buzinar no seu igualmente extemporâneo panfleto, o seguinte revoltante disparate relativo á educação da mulher — o qual nós encaramos como uma verdadeira e insólita blasfémia: "Não procuremos cultivar-lhe a mente: seria um mal para ela e para a humanidade". (!) Não admite, absolutamente, tão ridículo trombeteiro que a mulher eduque os seus filhos além dos três anos. V Em ad rcm o seguinte eloquente facto que está em formal contraposição: em um país do Oriente, adoptou-se o belo e exemplar costume de eregir estátuas, não aos heróis — mas ás mães destes, significando que o valor intrínseco de seus filhos é devido ao amor e solícita educação maternos. Dignificante e justa homenagem! Se ouvirmos a voz da história, quantos exemplos de magnanimidade, abnegação, coragem e amor não exornam a alma feminina — virtudes diamantinas que ela sabe incutir no espírito dúctil de seus filhos (e que em muitas oportunidades sabe também transmitir ao homem ), insuflando-Ihes e guiando-Ihes os bons sentimentos, animando-lhes o espírito e o carácter, preparando-os, emfim, para vencerem dignamente a árida e difícil travessia da existência — virtudes femininas que ficam, em geral, menosprezadas, não podendo, consequentemente — salvo raras excepções •— fulgurar ao infalível sol da historia! E se há mulheres que não educam os seus filhos na compreensão de todos os seus mais sagrados deveres, essas são as ignorantes; eduquese antes de tudo a mulher — será essa a principal terapêutica moral e socialmente higiénica, e preventivamente salvadora, aplicada ao combalido organismo da sociedade velha — metamorfoseando-a numa sociedade nova. Edgar Quinei diz que as mulheres não trazem no seu seio apenas os filhos, mas os povos. Max Nordau diz que a mulher é a educadora moral do homem. Já nas civilizações antigas a educação materna evidenciava o seu grande valor moral e social. Cornélia foi um belo exemplo; educou seus filhos — "as suas jóias" — Caio e Tibério, (os Gracchos), no amor do bem público, no amor á glória e ás belas acções. Coriolano, general romano do século V antes de Cristo, impelido por imperiosas circunstâncias, dispunha-se a hostilizar a pátria; sua mãe Vcturia, porém, e sua mulher Volumnia, com os seus rogos e conselhos resolveram-no a levantar o cerco da cidade eterna. As obras elos homens mais notáveis tiveram sempre a influencia amiga e inspiradora da mulher: mãe, irmã, esposa ou amante. Os geniais poetas Goethe, Lamartine, os irmãos Chcnicr, diziam dever a formação do seu coração e da sua intelectualidade, a sua mãe. Lamartine aludia, nas suas "Memorias", ás suas cinco irmãs que encheram de felicidade e inspiração a infância c juventude do poeta. Igualmente e no mesmo sentido a história indica Joana d'Albret — mãe de Henrique IV rei de França; Luísa de Sabota — mãe de Francisco 1, rei de França, e duas vezes regente; e Branca de Castela — mãe de S. Luis, rei de França, também duas vezes regente do reino. Curie, Berthclot, Pasteur, Condorcet, Lavoisier, tiveram a colabora- ção de suas esposas. As mais maravilhosas produções musicais do grande compositor alemão Roberto Schumann, foram inspiratias por sua esposa, Clara Wicck, que depois de viúva reencetou a sua carreira de concertista e, como prodigiosa pianistc que era, foi a mais conscienciosa divulgadora das obras de seu esposo. E muitos outros autores de obras imortais, como: Vítor Hugo, Alphonsc Karr, Mussct, Racine, Molière, Voltaine, Corneillc, J. J. Rousseau e vários mais, que tiveram, nas geniais produções do seu talento, a inspiração e colaboração de esposa ou amante. Eugenia de Guerin, irmã de espírito culto, de Maurício de Guerin, "foi-lhe igual pelo espírito e superior pelos sentimentos". Carolina Lucrécia, irmã do célebre astrónomo, Herschel—"criador da astronomia estelar" — trabalhou ao lado de seu irmão durante quarenta anos, descobrindo vários cometas, e, por consequência, grande inspí- 1 adora e dedicada auxiliar de seu" irmão. A história de Portugal fornece-nos comoventes exemplos ele mães verdadeiramente espartanas: Filipa de Vilhena e Mariana de Lancastre, como já dissemos, remeteram os seus dois filhos á Revolução do 1.° de Dezembro — armando-os elas próprias com uma abnegação heróica, pois lhe iam sacrificar a vida pela salvação da pátria. Joana de Avelar escrevia á rainha regente: "Senhora, acabo de perder dois filhos: um que ficou na guerra de Mazagão, outro na guerra da índia. Resta-me só este terceiro, o mais novo, ainda não soldado, e que é portador desta carta. Ofereço-o a Vossa Alteza para seguir o exemplo que seus irmãos lhe deram." A mulher brasileira herdou os predicados da portuguesa. Maria de Sousa, de Pernambuco (como oportunamente já dissemos), quando Mathias de Albuquerque — conde ele Alegrete — combateu os holandeses, de cinco filhos que tinha, perdeu três nessa guerra; — o que não obstou a que mandasse os outros dois a defender a pátria da invasão estrangeira. E como estes, vários exemplos da sublime educação materna enriquecem a história de todos os povos. Diz-se que na Turquia há uma grande veneração pelas mães. Os filhos, quando têm de lhes falar, levantam-se e permanecem de pé até que sua mãe permita o contrário. Mantcgazza diz que nós devemos a nossas mães três vidas: a do sangue nas suas vísceras, a elo primeiro alimento nos seus seios e a ela primeira sciencia no seu coração. Em um jornal fluminense vimos um artigo assinado por B. F., que terminava com este judicioso pensamento: "Para melhorar o filho, acendrar-lhe as qualidades ele espírito e coração, necessário melhorar, aprimorar o molde que o concebe. Mães inteligentes, instruídas e sadias saberão dar á nação filhos feitos á sua imagem e semelhança." Julles Simon pensava: "Cada mulher que se instrui é uma escola que se funda para instruir-nos e libertarmos os nossos filhos". Os novos educacionistas, na sua sublime cruzada em prol da moderna educação, empenham a sua responsabilidade social e intelectual para afirmar — como fruto de longa experiência — "que nenhum sistema de ensino é bom se não fornece ao homem a faculdade de pensar por si só, de raciocinar logicamente, pois a escola moderna é a que o ensina a ser independente; a não ser assim, qualquer sistema de ensino que se estabelecesse seria falho e nulo" (1). A favor desta teoria vem Emerson, quando diz que a educação do homem devia começar cem anos antes de êle nascer; pois que a "educação é como um líquido, que se purifica á proporção que vai passando por vários filtros." E para a realização destas acertadas teorias, o que é urgente? — Educar primeiro e de acordo com elas — moderna e convenientemente, a mulher. Em 1920 comunicou-nos o telégrafo que a França estava promovendo a instituição de um distintivo honorífico — <a medalha das mães — destinada a prestar justa homenagem ás mães que dignamente educassem seus filhos. Mas, façamos ponto nesta divagação e voltemos ao importuno — e inoportuno — Trombeta que apesar da sua ridícula ojeriza pelas mulheres, faz o obséquio 'de lhes conceder um a graça:— concede-lhes que saibam fiar, tecer, etc. Entretanto as universidades de todo o mundo estão re- (1) Claro que neste modo de dizer — homem — está incluída a mulher. Todas as razões nos convencem de que tal critério deve ser igualmente aplicado ao nosso sexo. pletas de mulheres. Volva os olhos á sua pátria: de 5.000 estudantes que frequentavam a Universidade de Roma, 732 pertenciam ao sexo feminino — á data desta notícia. Desejaríamos preguntar a este impagável autor o que seria das nações beligerantes, a braços com uma guerra que durou perto de cinco anos, se as mulheres somente estivessem aptas para fiar e tecer... Á sua bárbara opinião opomos uma outra do seu ilustre compatriota Mantegazza: " O h o m Em que repele brutalmente as nobres aspirações da mulher a uma participação mais elevada nos trabalhos da inteligência, subscreve a sua própria condenação." E estoutra do célebre poeta, também seu compatriota, Fogazzaro: " O livro é um factor muito importante no desenvolvimento do espírito feminil e de união entre a mulher e o homem." No século XVIII também a Alemanha nos deu distintos feministas que reclamavam a educação instrutiva da mulher. O poeta Gottchcr com o seu livro: "Direito da mulher sobre a cultura"; e o célebre teólogo e filósofo Schleiermacher, que no seu "Catecismo da razão", proclama o direito da mulher na intelectualidade, no desabrochamento completo de todas as suas faculdades. Que o Sr. Trombeta investisse contra o feminismo anatematizando a intelectualidade e capacidade femininas, já era bastante! Mas que coleccionasse na sua trombeteada e estulta arenga quantas blasfémias pôde apreender dos pessimistas e misóginos impenitentes de todos os tempos, para urdir a sua odiosa eatilinária tão ridiculamente intempestiva numa época em que o sexo feminino já ia realizando muito lisonjeiramente as suas aspirações, é objecto — e abjecto! Nictsche, o sistemático pessimista — que terminou por enlouquecer, é a muleta a que se encosta com mais monomaníaco afinco o imortal Trombeta. Mas, para que consumir mais tempo neste extemporâneo assunto? Démo-lo por encerrado apesar do aludido detractor do sexo frágil continuar trombeteando, na sua qualidade de antifeminista e antifeminino, do princípio ao fim do livreco—malcriado filho da sua doentia imaginação. Sapey, Manouvrier, Broca e Topinard encaram e confessam a superioridade intelectual nativa do sexo feminino — como Ryckere, Bonneville de Marsangy, Franck e outros pensadores enaltecem a sua superioridade moral. Os sábios têm provado que o peso do cérebro varia segundo os indivíduos, não segundo os sexos. TonaM, o maior antropologista da França, conclui, a respeito dõ cérebro da mulher e do homem, da seguinte forma: «Não há diferença de sexo quanto ao desenvolvimento cerebral, e poderse-ia mesmo sustentar, tendo em conta o que a anatomia comparada dá como verdadeiro progresso do encéfalo, que a mulher, na evolução cerebral, é mais adiantada que o homem." Como se sabe, o cérebro de Bacon, Byron e Gambeta pesavam menos que muitos cérebros de mulheres. (Verdade atestada por indiscutíveis scientistas). E por conscienciosas estatísticas publicadas chega-se á conclusão de que, por exemplo, o peso do cérebro de Haussmann é inferior ao de negras africanas; pois o dele pesou 1226 gramas, e o das negras 1232; assim como há mulheres de raças inferiores e de povos bárbaros, cujo peso cerebral é superior ao de mulheres civilizadas e evolvidas. Nada significa, consequentemente, o peso do cérebro. N a Idade-Media, a educação do sexo feminino era verdadeiramente nula; pode avaliar-se pelo seguinte gracioso facto que o século XIII apresenta á nossa análise: o trovador Raymundo de Miraval expulsou sua mulher de casa, sob o pretexto de que fazia versos, c bastava só um poeta cm casa! Antes da Renascença, e mesmo no seu alvorecer, a educação instrutiva feminina era em toda a parte monopólio das mulheres de alta categoria. E quantas a história não ilustra! Outro facto vem corroborar a afirmação do atraso intelectual feminino — á falta de instrução que os homens lhe negavam. O scintilante escritor português Carlos de Melo — autor ele valiosas obras, e hoje falecido, conta o caso — que se tornou proverbial — das três doutoras de Bolonha; uma no século XIII, outra no século XIV e outra no século X V! " Uma por século!" graceja êle... Xenofonte antes de Cristo, e Plutarcho de- pois, já eram convictos apologistas da educação da mulher. Foi, porém, somente no século XIX que se começou a encarar a sério a resolução deste problema educacional — sendo já então admitidas mulheres na sublime missão do ensino (1). Nesta santa cruzada deram-se as mãos intelectuais de ambos os sexos. Entre as muitas escritoras do século XIX que ardorosamente propugnavam pela educação feminina, pertencentes a varias cidades europeias, encontram-se: M.me Guizot, M.me Neckcr de Saussure, a distincta e conhecida escritora e feminista M.me Juliette Adam (2), e outras, todas com seus nomes consagrados pelas letras e pela sua posição social. Os pessimistas de todos os tempos não querem a instrução na mulher — ao passo que os homens mais idóneos, mais sensatos e de mais responsabilidade sociológica, crêem que uma mulher instruída é uma força importante no futuro da pátria respectiva. Leibnitz,(1646-1716) exprime-se desta maneira: "Tenho (1) Em 1917 ficámos realmente surpreendida com esta estranha notícia divulgada pela imprensa: "O Czar aprovou, finalmente, a concessão do direito á mulher, de ensinar em todas as escolas da Finlândia!" Em alguns países civilizados só há poucos anos é facultada a sua entrada nas Escolas Normais. (2) Em setembro de 1925 a imprensa parisiense publicou esta notícia — triste e dolorosa para todos os que apreciavam os dotes de espírito e de bondade desta admirável intelectual: "Mme. Paul Adam, viúva do conhecido e distinto escritor francês, acaba de entrar para um convento, na Suiça, da ordem das dominicanas. E é hoje uma simples irmã de caridade." pensado sempre que se reformará o género humano se se reformar a educação da mulher." A causa principal, portanto, da mulher se não ter salientado como o homem, nas grandes e arrojadas concepções científicas e artísticas, é devida ao fenómeno hereditário da propositada escassez educativa, a que os homens a têm sujeitado. É verdade que, como muito bem lembra a distinta escritora brasileira, Maria Lacerda de Moura, os homens notáveis pelo seu mérito intelectual, também não constituem maioria. Sempre houve, porém, embora mais raras, distintas representantes elos principais ramos do saber humano — ciências, artes e letras — o que tencionamos exemplificar (1). Já entre os séculos IV e V, Hcpacia, mulher célebre, professou a filosofia em Alexandria. Principalmente na atualidade as mulheres concorrem brilhantemente com os homens nas profissões e artes liberais, sobretudo em literatura. Vão desaparecendo com este belo e promissor evolver, velhos preceitos fundados em costumes patriarcais (2) (1) Entendemos dever principiar a nossa investigação da intelectualidade feminina, pelo continente europeu. (2) Nos vários desportos a que se entrega o sexo masculino, muito se têm também distinguido — em todas as respectivas modalidades — arrojadas campeãs mundiais, desde os mais simples aos mais ousados. A escritora espanhola, Beatriz Ga/indo, diz a respeito do desporto feminino: " Uma das melhores e principais conquistas para as futuras gerações é a dos desportos pra-

Há muitos representantes elo sexo masculino para quem estas verdades são ainda encaradas como uma utopia, pela simples razão de que no seu espírito custa a penetrar o convencimento de que a coeducação deve ser adequada ás experiências da época. Maria Agnesi, linda italiana, nascida em Milão (1718-99) — escritora e scientista, publicou um valioso trabalho sobre o cálculo infinitesimal que o relator ela Academia de Ciências de Paris qualificou de "tratado mais completo e mais bem feito no género." Aos cinco anos sabia o francês, e aos nove o latim, grego, espanhol, alemão e hebraico. Estudou filosofia sustentando nesta matéria, aos 18 anos, várias discussões. Resolveu diticados pela mulher. O feminismo deve-lhe muito aperfeiçoamento." Em todas as nações o sexo frágil se tem salientado, vitorioso, no esporte. Principalmente na Suécia, são notáveis os torneios femininos de patinação, tennis, nan o, etc, obtendo prémios em competições internacionais. Várias jovens têm atravessado a nado, com sucesso, o canal da Mancha. Constantemente a imprensa confirma o ascendente feminino sobre o outro sexo, em natação, foot-balt, polo, equitação e tiro ao alvo. Até no box elas se têm axibido corajosamente. Em vários vários ramos desportivos têm obtido o campeonato mundial. H á em Portugal uma notável equilibrista de 25 anos — única no mundo neste género de desporto: a escalada. É LoUta — portuense. Educada desde a infância na cultura gimnástica, o seu excêntrico desporto é este. Nas principais cidades do seu país tem ela realizado, de olhos vendados, escalada:» sensacionais nos mais altos edifícios! ficeis problemas de matemática. Benedicto XIV convidou-a para um a cadeira de matemática na Universidade de Bolonha — o que ela recusou, pensando na pobreza. Em 1759 fundou um hospital mantendo-o á sua custa e com esmolas que para tal fim recebia. A convite do arcebispo de Milão dirigia um hospício para o sexo feminino, até que faleceu. Apraz-nos salientar que nesta bondosa alma a caridade suplantou a vaidade do saber. Seu nome foi dado a uma escola normal superior feminina, em Milão, e a um estabelecimento de educação de meninas nobres. Contemporaneamente, no Instituto Superior do Comércio, Elisa Esu concluiu a sua formatura em ciências sociais, defendendo com grande brilho científico a sua tese intitulada: «Sardenha Económica", que foi muito elogiada. No princípio da guerra, Maria Pristina dei Drago — filha da princesa dei Drago, e Giovanina Laura de Trabia — filha da princesa de Trabia, salvaram milhares de famílias da fome, que uma grande doença das vinhas — desde a Sicília aos Alpes ele Brindisi, devia ocasionar; agremiando mulheres de todas as classes sociais, foram para os campos revolver e replantar a terra científicamente. Diz a crónica respectiva que não há memória de um a colheita tão abundante. (1) Não obstante ser o principal e mais absor- (1) A Itália possui boas escolas agrícolas e de jardinagem para mulheres. Na Rússia, na Inglaterra, na França, nos países escandinavos, no Japão, na America do Norte, se dá o mesmo facto. vente assunto do nosso estudo — o progresso do sexo feminino e do feminismo, desejaríamos penetrar em todos os países para evidenciarmos alguns dos principais exemplos da capacidade feminina em todos os ramos da actividade humana. Em artes, porém, a resenha dos nossos apontamentos é algo escassa. D a Itália, por exemplo, que é a pátria das artes, e que, a par das ciências deve haver, principalmente, muitas artistas de valor, poucos exemplos femininos conhecemos. Todos os estudiosos que se entregam a investigações sobre a arte entre o sexo feminino dizem que a arte em que as mulheres suplantam incontestavelmente os homens, é a arte teatral — visto que há muitas mais actrizes distintas que actores equivalentes. E dessa irrefutável afirmação há provas eloquentíssimas: Sarah Bernardt e a Rejane na França, Eleonona Duse e Tina di Lorenzo na Itália, e Emitia das Neves em Portugal, artistas que marcaram época porque o seu nome foi unanimemente consagrado nas plateias mais exigentes das grandes capitais do mundo civilizado, são astros de primeira grandeza, que só de longe em longe surgem no firmamento da Arte, espargindo a sua irradiação por todo o orbe (1). (1) Principalmente desde que irrompeu a conflagração europeia, a maior parte dos artistas consagrados mundialmente no palco e na música, e que iluminaram na órbita das suas excursões artísticas o nosso Estado do Paraná, pertencem ao sexo feminino. As companhias teatrais e de vários espectáculos, em suma. trazem quási

Entre as actrizes célebres italianas mais antigas sobressai a actriz cómica Isabella Andreini, paduana, uma das mais famosas do seu tempo. Estudou filosofia; era também primorosa cantora e musicista, e convivia com Tasso e Marini. No século XVIII brilha a actriz Signora Ricoboni. D o século XIX é a célebre trágica Adelaide Ristori, natural de Cividade. Não falando nas artistas da scena muda, como Francesca Bertini, Nita Naldi, etc. Em princípios de 1926 chegou ao Rio de Janeiro a artista Egle Valeri, com tenção de tentar a indústria da cinematografia. Declarou á imprensa que para o êxito respectivo conta com grande capital e longa prática. Dentre as muitas artistas do palco, que saem da Itália em excursão pelo estrangeiro, Vera Vergará e Maria Melato são actrizes italianas cujo talento criou admiradores no teatro da capital do Brasil A notável actriz Vera Vergani vai trocar a arte pelo casamento. No seu festival de despedida no teatro Manzoni — interpretando " A Filha de Job" de Gabriel d'An\numzio — foi delirantemente ovacionada. A corégrafa e violinista Norka Rouskaia, quê na capital do Paraná deu vários espectáculos, exítodas, á frente da sua direcção, o rótulo atraente e significativo de nomes femininos. São muitas as companhias líricas, dramáticas e comediantes, europeias, que percorrem os continentes europeu e americano, rotuladas com pomposos nomes femininos, e nas quais figuram muitas cantoras e actrizes célebres de vários países. bindo a sua dupla e correcta arte, com brilhante sucesso, aqui obteve o nome de consagrada artista — fama que já trazia das suas excursões pela Europa e pela America. De nacionalidade italiana, a sua ascendência é rqssa — donde talvez lhe venha o título, que ela usa, de baronesa. Uma das artistas italianas contemporâneas mais em evidencia e mais modernas, é a Fátima Miris que, qual scintilante cometa ávido ele difundir o seu brilho no cruzamento do espaço, percorre o mundo e se apresenta, única no seu sexo, digna rival de Fregoli, na arte do transformismo — na oual se manifesta nada inferior aos artistas masculinos — pelo que já hoje vê o seu nome consagrado nas plateias cultas do estrangeiro e por isso cognominada: rainha do transformismo. Consagradas á música quantas artistas distintas não deve haver na Itália! No século XIX eram: a célebre cantora Adelina Patti. mundialmente admirada — nascida em Madrid. Igualmente célebres as cantoras Júlia Grisi, nascida em Milão, e Maria Felícia Garcia Malibran — nascida em Turim. Soprano de nome universal é Lina Morgano. Entre várias artistas líricas da atualidade aparece Claudia Muzio. Irene Bordoni é artista e cantora — considerada rainha da opereta nos Estados Unidos. Em pintura, entre. os séculos XVI e XVII, Anguiciola Sofonisba — denominada La Crémonese (natural de Cremona), foi célebre; teve por mestres Bernardino Caimpi e Bernardino Gatti. Começou a sua fama de um quadro que representava as imagens de seus irmãos e seu pai. — 4r>4 — Aníbal Caro ao vê-lo empregou todo o empenho Em conhecer a artista e obter um trabalho seu. Filipe II, rei de Espanha, chamou-a á sua Corte onde ela fez os retratos da família rial — tendo como recompensa uma subvenção anual ele 1.100 liras, e outros presentes riquíssimos. De Madrid esta artista enviou um retrato da rainha ele Espanha ao papa Pio IV — que lhe agradeceu em carta autografa. A sua casa era ponto de reunião dos mais eruditos literatos e artistas ela época, entre os quais Vandyck (1). Ensinou quatro irmãos. Diz o seu biógrafo que os quadros desta gloriosa pintora eram cheios ele vida. N a arte das belas letras, que, como muito bem entendia Latino Coelho, é a rainha de todas as artes — pois que se em toda a arte há sciencia, a arte da palavra é a que mais conhecimentos exige — as mulheres europeias começaram a surgir, com um brilho intelectual admirável, sob o influxo ela Renascença, nos séculos XV e XVI, pertencendo a maior parte delas á Itália, que, segundo a história, estava então no apogeu da Civilização. Brilharam no século X V — Baptista de Montcfeltro, Paola Malatcsta, Constanza de Varano, Catcrma de Bologna, Lcíura Brenzoni Schioppi, Lucrécia Tornabuoni, hiabella dArgona, Serafina Colonna, Anna de Spina, Ipolitã Sforza, Margherita Solarik, Laura Careta, Medea degli (1) Á semelhança da bela Aspasia, cuja casa era frequentada pelos filósofos e escritores mais ilustres da época — inclusive Sócrates

Alcardi, Alessandra Scala, Isotta de Rimini, Bi ca — princesa d'Éste. No século XVI já este número era acrescentado com as seguintes: a Trivulcc, em Milão; Modesta di Pozzo di Zurzi e Cassandra Fidele, em Veneza; Strozzi, em Florença; Victoria Colonn em Roma; Sarrochia, em Nápoles, e Isotta Nogarolla cm Verona, — além de muitas outras, pois eram em número, mais ou menos, de 40, as mais instruídas do seu tempo. (1) Nos séculos XVII e XVIII era já grande o número de literatas, dentre as quais várias doutoras. Gaspara Stampa, poetisa, natural de Pádua, sabia o grego e o latim, e fez o estudo "Canzoniero de Petrarca". Enamorada do conde de Collalio de Trcviso, devia ao seu grande amor a inspiração de poesias saturadas de calor e de vida. Quando, porém, o conde a abandonou para desposar outra mulher, a distinta poetisa não pôde sobreviver, — qual flor vencida e estiolada morreu na flor da idade. Sua irmã Cassandra publicou-lhe as obras póstumas. Tidaiw e Gucrduho imortalizaram a sua efígie. (I Objecta o respectivo historiador, que, apesar de serem escritoras e poetisas de fama — podendo, pela sua brilhante posição social, reagir em prol do seu sexo, amparando as outras que viviam acorrentadas ao poste do obscurantismo, oferecendo alvo ás sátiras mordentes de Jean de Meung. Boccacio e quejandos, elas não se preocupavam com tais deveres, presas á sua cómoda e criminosa indiferençr. A primeira mulher que se insurgiu contra tais satíricos, em defesa do seu sexo, foi, como já dissemos, uma francesa: Christine de Pisan.

No século XIX, Giannina Milli, natural de Teramo, foi poetisa de confirmado valor. Há nessa cidade um a instituição que tem o seu nome, para as mulheres ilustres nas letras — ou julgada. aptas para o serem. Ada Ncgri é célebre poetisa contemporânea; e que existem na Itália literatas distintas prova-o esta notícia telegráfica procedente do Rio de Janeiro, em outubro de 1925: "A bordo elo Principessa Mafalda viaja com destine a Buenos Aires a escritora italiana Picra Pouvier, que durante dois anos deu ao público carioca afirmações de viva e interessante sensibilidade feminina." São interessantes as afirmações históricas em que se desdobra o comunicado lisonjeiro para o sexo feminino pensante, de que o altruístico e importante prémio Nobel foi concedido, pela segunda vez, a uma mulher — dando-lhe, conseguintemente,uma fama mundial. A contemplada é Grazia Deledda, culta escritora italiana, natural da Sardenha. Foi-lhe o prémio conferido em virtude da grande aceitação que obteve nos círculos intelectuais — principalmente ela Inglaterra e dos Estados-Unidos — o melhor dos seus livros: "La Madre", publicado em 1920 e traduzido para o inglês em 1923. Dos publicados na Itália são considerados de mais mérito os intitulados: "Cinzas", ê" "Flechas ao Vento". Esta intelectual escreve em puro Toscano. A respectiva notícia diz, a propósito, que os sardos falam um a mistura de espanhol, italiano e sarraceno emostra-nos singulares aspectos nos costumes da mencionada ilha: Nela a vindicta é um a das suas acatadas leis; o seu povo estabeleceu iguais obrigações para homens e mulheres: se uma mulher é infiel ao marido, matam-na; se o homem é o infiel matam-no igualmente. Grazia Deledda, voluntária ou involuntariamente, chamou a atenção da Itália e da Europa para os motivos e caracteres da ilha nativa, que inspiraram o seu 1.° livro: "Nostalgia". Pirandcllo considera o livro "La Madre", a maior história escrita modernamente na Itália. Gira o desenvolvimento do livro, em torno deste ponto: Uma Mãe realiza a sua maior aspiração conseguindo que seu filho seja sacerdote: este, porém, cedendo ao impulso do amor decide abjurar. E quando sobe ao altar para este fim, a mãe cai morta junto da ara. PORTUGAL; Em Portugal — um dos primeiros países iluminados pelo alvorecer da Renascença — o sexo feminino muito se salientou nessa época pela sua intelectualidade, se bem que essa preponderância intelectual se limitava ás mulheres de classe superior, porque a instrução era então monopólio de princesas, rainhas e mulheres pertencentes á alta nobreza, que se celebrizaram na política, na ciência, nas artes, nas letras e até na guerra. Os conventos, habitação obrigada nos tempos idos das mulheres que não casavam — ou emquanto não casavam — principalmente as nobres e de família rial, fornecem-nos por intermédio da história mulheres de superior educação instrutiva. Elas adquiriam uma tão rara cultura de espírito que contribuiu, durante séculos, para que a corte portuguesa fosse um a das mais brilhantes da Europa — assim como, por consequência, uma elas mais cultas ela Europa era a mulher portuguesa no século XVI — conforme se verifica dos respectivos historiadores. Naquela época as mulheres de elevada posição social dedicavam-se ás sciencias de filosofia, teologia, poliglotismo, etc, de cujo facto é exemplo Isabel de Castro Andrade que, além ele poetisa, era dedicada ao estudo ele filosofia e teologia. Defendeu conclusões públicas no Varatojo, no século XVI (1). Maria de Castro, humanista e artista também da mesma época, vivia em Paris — onde, pela sua erudição e grande talento musical, era geralmente admirada. Contemporaneamente as mulheres portuguesas em geral, comquanto se ressintam da escassez de educação moderna, que ainda existe nos povos latinos, o seu natural talento acha sempre oportunidade de se manifestar. Hoje há em Portugal muitas professoras, médicas, advogadas, engenheiras,artistas — cujo brilho não é empanado pelo sexo masculino, provando assim a justiça em que se funda a causa da igualdade dos sexos (2). São ele natureza muito trabalhadoras. Quantas, nas classes laboriosas e proletárias, não sustentam, sósinhas, pelo seu abençoado trabalho, sustentam, sósinhas, pelos seus abençoados es- (1) Na povoação do Varatojo (Lisboa), existia então um convento notoriamente conhecido, de padres e missionários. (2) Em Portugal há um liceu só para o sexo feminino. forços, a sua família — inclusive o próprio mario quando é doente ou não encontra trabalho! Pelo que nos lembra, principiou a exercer a medicina em Lisboa, e há muitos anos, a Dra. Amélia Cárdia, e a seguir a Dra. Carolina Beatriz Angelo — já falecida. Teem-na exercido com reconhecida distinção as Dras. Adelaide Cabette, Domitila de Carvalho e Emilia Patacho — provecta directora da Casa de Correcção das menores. Todas estas médicas — embora contemporâneas — são as mais antigas. A Dra. Sofia Quintino fez um curso brilhante. É directora, no Hospital de S. José, da secção da cura do lúpus tuberculoso, pela luz vermelha — Tinscn — lugar que alcançou em concurso isento de favoritismo. T Em a este respeito muitas fotografias, notas e trabalhos científicos — que ela não publica, atendendo á sua reconhecida e exagerada modéstia. Tanto pelo seu talento como pelo seu carácter, tem sido elogiada pela imprensa nacional e estrangeira. Diz um jornal madrileno que esta scientista tem realizado curas de que podiam orgulhar-se sábios masculinos. Aplicando no uatamento elo lúpus, por processos seus, a luz Tinscn. aproveita o sol e a água do mar. Uma notável scientista, emfim. Médica da moderna geração é a Dra. Brama Rumina. A medicina, adoptada hoje por muitas mulheres dos países adiantados, já não é facto que admire.

Na advocacia conhecemos as Dras. Virgínia Quintanilha, Aurora de Castro — advogada e notária, e a Sra. Parreira. Ultimamente fez a sua estreia na advocacia, Cármen Marques, que terminou o seu curso em 1925. Foi a primeira mulher que estreou no Tribunal do Comércio. É também escritora e defende brilhantemente causas no tribunal. Em Coimbra tem-se notabilizado a Dra. Elza de Almeida, não só em assuntos de prática forense como em todos os que se relacionam com a advocacia. Dentre as farmacêuticas conhecemos apenas uma: M.me Campos, que depois de viúva fez o respectivo curso especializando-se nos tratamentos de higiene; fundou em Lisboa um instituto denominado "Academia Scientífica de Beleza", com filial no Rio de Janeiro. Formou-se na Universidade de Coimbra, com o grau de Doutora. É diplomada na "Escola Francesa de Pains", em vários ramos da moderna sciencia de higiene e beleza. Em 1917. os jornais de Paris referiam-se a um importante trabalho saído do laboratório botânico ela Escola Normal Superior, dirigida por Afr. Matruchot, apresentado á Academia de Sciencias de Paris, por Mr. Constantin. A autora é Matilde Bensaúde jovem portuguesa que descobriu, depois de aturadas investigações microscópicas, que existe uma verdadeira sexualidade nos cogumelos em forma de sombrinha, que vegetam nos bosques. Os esporos desses cogumelos germinam, dando filamentos brancos ou micélios. A autora reconheceu, após pacientes estudos, que há duas espécies de filamentos distintos que provêem de esporos diferentes; entrando em contacto, esses dois filamentos distintos fundem-se parcialmente e as frutificações do cogumelo se produzem. Cultivadas isoladamente, cada espécie de filamento, fica o cogumelo indefinidamente estéril. Termina o jornal donde colhemos estes informes: "É uma nova noção muito importante, cuja descoberta honra a mentalidade portuguesa." A sciencia de economia, a agronomia, administração e comércio também se estão generalizando, em toda a parte, entre o sexo feminino. Em Portugal, Maria Adelaide Quintanilha é agrónoma. Principiou a sua formatura na Escola Agronómica de Lisboa, e terminou-a no Rio de Janeiro. Maria da Conceição d'Oliveira e Costa, depois de enviuvar, continuou a dirigir proficientemente a sua grande fábrica de peixe, e fundou outra no Algarve. E quem não admira o tino administrativo ele D. Antónia Ferreirinha, da vila cia Règoa, também viúva, dirigindo a sua grande casa de vinhos da província do Douro — os afamados "vinhas do Porto", casa e vinhos mundialmente conhecidos? N a Escola de aviação matriculou-se em 1927, tendo já prestado magníficas provas no aeródromo de Lisboa, a primeira candidata portuguesa ao curso de aviação civil, Senhorinha Maria de Lourdes de Sá Teixeira. Em dezembro de 1928 recebeu a jovem aviadora (conta 19 anos), o seu brc\ et. No fim dõ seu exame brilhante exe-f cutou correctamente a "prova das 8", o que ocasionou uma ovação ruidosa da multidão. Piedade de Avillez - proprietária da estação CTIBE — no rádio amadorismo português, obtém sensacionais D X. Pertence á alta sociedade lisbonense. A "Associação de Propaganda Feminista", em Portugal, fundou há anos a caixa de auxílio ás estudantes pobres, fazendo constante propaganda das "Esco'as Domésticas", Em cujo programa figura o ensino da agricultura prática e da indústria agrícola. Esta associação trabalha por tudo o que se refere á mulher e á criança — quer sejam sócias ou não, e por auxiliar o seu sexo na conquista do pão e da justiça. Em 1929 fundou-se ali a "Associação das Mulheres Universitárias", que já conta elevado número. Esta Associação propõe-se auxiliar a mulher universitária portuguesa no complemento da sua respectiva educação. Nos domínios da Arte principiemos pelas artistas elo palco. Desde o primeiro quartel do século XIX, salientam-se: Emília Adelaide, Emitia das Neves. Emília Eduarda — actriz, poetisa e escritora; Ana Pereira, Lucinda do Carmo — actriz e escritora; Angela Pinto, reputada pela público, grande na arte, na inteligência e na alma. Em 1928, a municipalidade ele Lisboa decidiu levantar na Avenida da Liberdade, o busto desta apreciada artista. Josefa Soettr, contemporânea de Emilia das- Nevs, foi primeiro bailarina e depois actriz de mérito. Dizem alguns historiadores que no século XIX percorria o Brasil a poetisa e actriz portuguesa

Eugenia Infante da Câmara, que teve notável influencia no estro sublime elo talentoso poeta brasileiro Castro Alves, do qual foi inspiradora na respectiva grande aventura amorosa. Todas já falecidas. Contemporâneas que têm vivido para as belezas da arte: — Lucinda Simões, Lucília Simões (esta nascida no Brasil). Adelina Abranches, que em princípios ele 1928 foi alvo de carinhosa manifestação; Portugal consagrou a extraordinária artista, fazendo-lhe no teatro um a entusiástica ovação. Colocou-lhe ao peito a condecoração de São Tiago e colocou no teatro em que esta manifestação se realizava, um a lápide com o Nome da querida Adelina — que estreou no palco aos seis anos de idade! Aura Abranches — actriz e autora, de cuias produções nos lembram as sentimentais peças "Madalena arrependida" e "Aquele olhar". A crítica consagrou-a como um elos melhores autores teatrais ela nova geração portuguesa. Chefiando uma companhia veio em 1922 realizar uma temporada artística em Curitiba no teatro Guayra — onde o digno prefeito Dr. Moreira Garcez mandou colocar uma placa comemorativa da passagem da distinta artista por esta capital. B Em merece a saudosa artista Lucinda Simões que ponhamos em relevo a sua personalidade artística dizendo que o seu sábio ensino formou grandes talentos para a scena portuguesa — que ela ilustrou durante 60 anos! Ao completar 75 anos de idade despediu-se, do amado palco e elo querido público. Abrilhantou sempre nobremente os palcos português e brasileiro. Veio a Curitiba, há muitos anos, rotulando a Companhia Lucinda Cristiano. Em maio de 1928 faleceu, fazendo-se representar no seu enterro, o Presidente Carmona. Já de nome feito no proscénio português: — Amélia Vieira, Palmira Basiús, Berta de Bivar, Alice Pancada, Mercedes Blasco — actriz, poetisa e escritora; Amélia Rei Colaço, lida Stchini, Ctendida d'Oliveira, Ausenda dOliveira e Maria Matos — actriz, professora de teatro e ensaiadora; Etelvina Serra, Medina de Sousa — actriz, cantora, musicista, escritora e ensaiadora, e várias outras; Beanriz Delgado — poetisa que entrou ultimamente para o teatro. Beatriz Delgado é a poetisa do amor e um a encantadora cronista. O seu livro de versos «Amorosa» mereceu elogios dos principais críticos portugueses. Considerada um a das mais formosas actrizes, e de talento, é Laura Cosia. O seu último livro "Sinfonia Pagã" — livro realista — foi muito elogiado. Todas estas artistas seguidamente se exibem nos teatros fluminenses. Dentre as artistas cinematográficas salientase Mana Emília Castelo Branco, culta intelectual, que veio ao Rio de Janeiro em setembro de 1925 realizar conferencias sobre cinematografia e outros assuntos sociais que são objecto dos estudos a que se dedica. É uma das intérpretes dos belos films "A Sereia de Pedra" e "Olhos da Alma",.los quais é autora a conhecida e tlistinta escritora Virgínia de Castro e Almeida.

A formosa Elena dAlgy, que de artista ae uma companhia argentina de declamação, passou a estrela da scena muda, onde fulge a scintilação do seu talento. Regina Bouet, e Maria, Amélia da Fonseca cujo nome artístico é Inette Bellei. Na Argentina, onde trabalhava, foi contratada pela casa Gaumont de Paris. Corina Freire pertence ao cinema moderno — faz parte dos filvi.s tjue a Paramount está realizando em português. As mulheres portuguesas também são muito acessíveis á arte sublime de Beethovcn, arte que nesse país com admirável êxito se cultiva, pois que, principalmente em algumas regiões elo país elas têm o dom natural da música. Na célebre Academia feminina da Infanta D. Maria, no século XVI, entre outras musicistas que adornavam aquele centro de arte feminina, notabilizava-se a formosa Maria de Parma. No século XVIII, Arcângcla de Assunção — nascida em Sacavém — foi admirada como distinta compositora. Cantoras da atualidade e já de nome feito, são: Marina Gabriel, diplomada no Conservatório de Paris, é açoreana, e já professora de canto. Ema Romero dos Santos Fonseca — concertista de música vocal, a quem muito deve a cultura musical lisbonense. É também escritora. Considerada a primeira figura da scena lírica de Portugal é Manpela Pinto Basto. Ophclia Diogo, esperançosa e jà ilustre cantora. Maria Amélia Ferreira da Silva, distinta pianista que fez parte elo elenco formado pela Companhia Lucilia Simões-Erico Braga, que veio a Curitiba. Maria Amélia Câtmra Rodrigues é um a inspirada compositora do século XIX,* considerada então a pvintor: pianista Em Pontugai, é a formosa Ana Pinto de Carvalho — esposa do Conselheiro Pinto de Carvalho- — Era também harpista c- pintora. Raquel Basios, já ilustre cantora — discípula do maestro Anlur Trindade — e já um dos nomes mais salientes na aríe lírica portuguesa. Existe em Portugal um a educadora portuense, única no engenhoso género, Estefânia Cabreira, que educa as crianças por meio da música, com livros escolares, teatro infantil e tudo o ente de belo a sua prodigiosa imaginativa concebe para o respectivo e colimado fim. Teófilo Braga, fazendo a história dos cantos populares da província galaica da Espanha, no seu livro "Questões de literatura e arte portuguesa", consigna a opinião do erudito antiquário e profundo conhecedor da literatura espanhola, Sarmicnlo, sobre a influencia da mulher na poesia galiziana: "Adernas d'esto he observado que em Galizia las muieres no solo son poetisas, sim tanibien músicas naturales. En la mayor parte de Ias coplas galegas hablan las mujeres con los hombres; y es porque elas son Ias que componem las coplas sin artifício alguno: y elas mismas inventam los tonos ó ayres a que las han de cantar, sin temer itiéa dei arte músico." — 44/ — "Este característico, diz Teófilo Braga, é mui observado, com a diferença, porém, no que diz respeito a Portugal, se deve exceptuar o Minho, o qual, não só pelo que vimos do trecho dó Mui quês de Monteheio, como ptlo estado atual de tradição aU, são as mulheres que exclusivamente cantan; e improvisam, e os homens em geral conservam-se mudos pelo seu estado de estupidez." Há uma povoação na província de Trás-os- Montcs, distrito de Vila Rial, onde as mulheres camponesas, sem conhecerem a mínima teoria musical, concertam, em grupos — quando em caminho do seu trabalho rural — as suas vozes de tal forma harmoniosas e bem combinadas na variabilidade dos respectivos tons, que parece terem recebido a educação do canto. Em pintura, no século XV, Santa Joana — princesa de Portugal — (irmã de D. João II), que foi um modelo de virtudes, foi também grande artista na miniatura. Entre outras distinguiu-se no século XVII, Josefa de Óbidos (Josefa Ayala de Figueira); era uma delicada artista em gravura e especialista em pintura de flores. Os seus quadros são célebres pelas variadíssimas formas que neles revelam os barros de Estremas. No mesmo século adquiriu justa fama a artista contemporânea, Maria Augusta Bordalo Pinheiro — pertencente á família de artistas deste nome — como pintora de flores e hábil renovadora da afamada indústria das delicadas rendas de Peniche. É criadora de um novo tipo de rendas nacionais com desenhos novos sobre arquitectura e motivos portugueses.

A arte fina ela simpática pintora Maria Roque Gameiro, honra o brilhante nume de família. Mais ou menos da mesma época é a titular lisbonense Maria Luisa de Sousa Holstein — duquesa de Palmela (neta elo duque de Palmela), que possuía admirável talento de escultora. As suas obras principais são: Diógenes, Fl\it-Lux Simy, Cabeça de negra, e o busto do marquês de Sá da Bandeira. Madalena d'Albuquerque Gusmão, muito talentosa gravadora, de tanto talento como modéstia. Como bem se pode calcular, das artistas nacionais, em pintura, conhecemos poucas. A pintora da actuaalidade é Eduarda Lapa. No ano de 1928, realizou com notável sucesso, no Rio de Janeiro, uma exposição de magníficos trabalhos seus em pintura, que foi extraordinariamente admirada e concorrida. Em Paris, também Em 1928, se distinguiu numa exposição de quadros, a novel pintora Sara Alonso. Maria de Jesus Conceição Sum-, é talvez a única pintora em miiniatura — em cujos quadros muito se tem salientado, principalmenjno género — retrato. É já um' nome consagrado neste ramo da arte pictural. U m periódico feminista português, sob a assinatura de Ariel, expende, em artigo ali publicado, a opinião de que a mulher compreende muito melhor a arte do que o homem; "que cultiva a estética nas maneiras e no trajar — que é, em suma, a guardiã natural da beleza." A corroborar esta gentil opinião vem a história, indicando-nos que muitas rainhas têm incentivado — em todos os tempofs e em várias nações —as sciencias, as artes e as letras. É fácil notar-se— fazendo um rápido exame ás artes de todos os povos —que a arte que maior número possui de cultivadores de ambos os sexos, é a arte das belas letras. A Renascença confirma esta asserção principiando a dar-nos a par de muito poucas mulheres dedicadas a outras artes, relativamente bastantes e bem distintas literatas — com especialidade a Itália e Portugal. Já nos séculos 1 a 2 Juvenal se referia a uma senhora da antiga Roma, cuja, principal ocupação de todas as manhãs era a leitura da «Acta Diurna». (1) Consequentemente, para descrevermos a literatura feminina portuguesa, temos de remontar ao século XVI — época em que a Renascença portuguesa nos mostra a figura inconfundível da Infanta D. Maria, filha do rei D. Manoel o venturoso e de D.,Leonor d'Áustria sua terceira esposa; e de cuja elevação intelectual e notável erudição muitos escritores se têm ocupado. Toda preocupada com as ciências, artes e obras de caridade, presidia ela com todo o carinho a sua elegante Academia feminina. Estudou humanidades, latim, grego, gramática e filosofia com Joana Vaz e Luísa Sigeu de Velasco (espanhola), e música com Paula Vicente e Angela Sigea (também espanhola), sendo sublimada a sua policultura intelectual por todos os historiadores que se referem a essa época brilhante do humanismo das letras portuguesas, na igualmente brilhan- (1) Jornal manuscrito aparecido em Ruma, em 131 antes de Cristo, considerado o mais antigo do globo, e do qual se afirma existir ainda hoje um número. te corte de D. João III — em cujas festas deslumbrantes a Infanta D. Alaria seduzia peja sua graça, elegância, superioridade de espí rifo — todos os predicados, emfim, que faziam dela o tipo superior da mulher portuguesa admiravelmente virtuosa, instruída e educada. No seu palácio — corte literária fulguravam várias intelectualidades femininas representadas pela erudita Publia Hortencia de Castro, natural de Vila Viçosa, que no século XVI cursou a Universidade de Coimbra, vestida de ho- m Em; é autora de várias obras em prosa e verso, latinas e portuguesas, que ficaram inéditas, e do opúsculo teológico: «Flósculus Teologalis». Por Joana Vaz, poetisa e erudita, natural de Coimbra e preceptora da Infanta; as suas epístolas e poesias foram realmente admiradas na sua época. Por Joana da Gama, escritora, natural de Viana do Castelo, autora dos chamados «Ditos da freira». Pela fina intelectual Pytula Vicente c as irmãs Sigea. No século XVII brilharam pela fina intelectualidade Bepnarda Ferreira Lacerda, poetisa, natural do Porto, autora das «Soledades do Buçaco» e da «Espanha libertada». A terceira Condessa da Ericeira, D. Joana de Menezes, descendente de uma fina raça representada por guerreiros, poetas, estadistas, literatos c cortezãos; foi na última metade do século XVII o símbolo representativo da aristocracia intelectual do seu século, e a quem a história dá os brilhantes qualificaltivos de polígrafa, poliglota, erudita e notável poetisa, entre cujas obras se salienta o poema, em 300 oitavas, «Despertador dei alma ai sueno de la vida», subscrito — não com a sua assinatura — mas com a de Apolinário 'ile Almada criado dos Ericeiras. Atribui a história este facto ao desgosto eterno que lhe lançou na alma o sucídio do marido e que a levou a aborrecer as pompas mundanas e a refugiar-se no misticismo. Deixou 14 volumes escritos correctamente em francês, espanhol, Jtaliano e português. Foi cognominada a décima musa. Na "época da Renascença muitas foram as mulheres pertencentes á realeza e alta nobreza, que cultivavam com distinção a arte das letras. Quando foi camareira-Mor da rainha D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, na regência desta*, era a Condessa da Ericeira que tratava dos negócios de Estado comi os ministros do estrangeiro — tornando-íe assim um verdadeiro ministro dos Negócios Estrangeiros da rainha regente. Era joroverbial a hospitalidade científica e literária que os investigadores achavam na suntuosa vivenda dos EriaeZhas. Entre as que fulguravam pelo seu talento e inteligência, no século XVIII, salientase D. Lc\onor de Almeida Lorena e Lencastre — 4.«níarquf.sa de Alorna que deixou seis volumes de composições 'jjoéticas, originais e traduções — figurando entre estas a dos seis cantos de Oberon de Wieland e a das Estações de Thomsont. O seu nome arcádico era Alcipe. Do mesmo século XVIII é também Leonor Fonseca Pimentel, linda poetisa e escritora, portuguesa, nascida em Roma e que muito se celebrizou na Itália, em 1798-99 por ocasião das revoltas de Nápoles, nas quais tanto se envolveu que foi morta á orde[m de D. Alaria Carolina — então rainha de Nápoles e irmã de Maria Antonieta. Revolucionária histórica e heróica pela Republica daquela nação, a ela se sacrificou... É autora de um livro célebre intitulado: «o Triunfo da virtude». Alexandre Dumas cita-a nos roman- ces "San Felice", e Pinheiro Chagas nas "Flores de sangue"- Entre os séculos XVIII e XIX D. Catarina MicaieRa de Sousa Lencastre, viscondessa de Balsemão, natural de Guimarães, fulgurou como poetisa admirada no seu tempo. Muitas das suas composições permanecem; inéditas. N a história contemporânea da literatura feminina portuguesa, as mais antigas principiam pela genial escritora Maria Amália Vaz de Carvalho — proeminente e insuperável representante da intelectualidade do sexo feminino português. No momento do seu falecimento jornais portugueses e brasileiros teceram-lhe valiosos e justos elogios. O conceituado «Correio da Manhã» do Rio de Janeiro, Em grande e panegírico artigo expressou-se desta forma: «Da grande geração portuguesa, que realizou os dois movimentos culminantes da inteligência ibérica no século XIX — o naturalismo na prosa e o parnasianismo no verso—Maria Amália Vaz de Carvalho foi, sem' dúvida, um a das figuras mais sugestivas, mais doces, mais encantadoras». Maria Amália era viúva do muito distinto intelectual brasileiro — formado Em direito na Universidade de Coimbra — Gonsalves Crespp. Colaborou condignamente na imprensa brasileira, onde lemos alguns artigos seus que nada ficavam a dever ás melhores penas mascul/nas, sob o pseudónimo de Valentina de Lucena. Deixou muitas obras, a maior parte das quais em prosa, e das quais algumas foram consid-eradas verdadeiros monumentos literários e históricos, como, por exemplo, a «Vida do Duque de Palmela». As suas obras são, mais ou menos, em número de 14, não contando valiosas traduções. O «Correio da Manhã» termina assim os seus bem merecidos encómios a Maripi Amália: «Dela poderíamos dizer que teve um a vida invejável — porque foi a amada das Musas harmoniosas». Maria Amália ocupava desde muito um a cadeira imaginária na Academia Rial das Sciencias (á semelhança da Academia Francesa), de que era Presidente D. Luís I.°. Em um a das suas sessões, porém, comentando-se o valor literário desta escritora, em face de um dos mais notáveis livros saídos da sua admirável pena, D. Luis y> lembrou que a Academia devia completar-se com a admissão desta notável individualidade feminina. E no fim de uma sessão solene êle mesmo convidou a aludida candidata a tomar lugar na bancada da frente onde se achavam os académicos. E desde esse momento deixou de ser imaginária a cadeira académica de Maria AmaliaK Foi uma vitória feminista, não ha dúvida, que provocou da parte de alguns sócios menos progressistas e mais egoístas, a costumada e tradicional censura ao acesso das mulheres ás corporações intelectuais, profissões liberais, etc. e que apesar d<essa tendenciosa oposição elas vão conquistando, excepção feita da admissão nas Academias de Letras. Os historiadores portugueses dizem, referindo-se a Maria Amália, que a autora de tantas e tão notáveis obras era sócia da Academia por direito de conquista. Carolina Michaelis de Vasconcellos, (falecida em 1925), que, como se sabe, era natural de Berlim e Ora. honoris causa pela Universidade de Friburgo; era duplamente portuguesa: pela sua união matrimonial com o distinto escritor e crítico de arte, Joaquim de

Vasconcelos, e pelo seu amor á terra lusa e ás suas pompas literárias. Residia ha muitos anos em Portugal. Pela sua enorme dedicação ás belezas da literatura românica lusitana, assumiu o encargo ue concorrer para o engrandecimento da intelectualidade da sua pátria adoptiva, arrancando aos tempos medievais valiosos documentos que vieram enriquecer o grande património da literatura lusa - desconhecido, em parte, até então, pelo próprio país, ]3ois descobriu e desencantou poetas da idade-média e desvendou não só ao núblico culto da Alemanha, França, Itália e Espanha a literatura dos áureos tempos do humanismo português antigas e inéditas maravilhas ciue ela tanto admirava—como aos próprios portugueses que as desconheciam. Filóloga e romanista colocada a par dos principais, conquistou na sua pátria a justa fama de sábia, sendo o seu nome acatado não só nas classes científicas de Portugal como nas de toda a Europa. Foi sempre citada com respeito nelos mais notáveis filólogos portugueses e brasileiros. De todas as suas inúmeras obras publicadas, as consideradas mais notáveis são o Cancioneiro da Ajuda edição em três volumes julgada um raro monumento de erudição e de crítica; a edição crítica das Poesias de Sá de Miranda, e uma interessante monografia de grande valor histórico intitulada: «A infanta D. Maria e as suas Damas», em cuja obra traça o majestoso perfil da In.fanv.i D. Alaria, filha de D. Mano/d o «Venturoso», tão virtuosa como ilustrada — presidindo á sua elegante Academia feminina onde se reuniam, como já disse, em pleno fulgor da Renascença, as primeiras notabiiidades intelectuais femininas portuguesas. O profundo estudo do «Cancioneiro da

Ajuda atinge a história da Galiza - «centro da cultura peninsular de quatro séculos, e Santiago de Compostela, foco onde desabrochou o lirismo pojmlar galego-português». Cremos que a «Academia Rial das Sciencias» premiou — ou tencionava premiar-lhe — o «Cancioneiro da Ajuda», com o prémio D. Luis I.°. Era Carolina Michaelis lente da Universidade de Coiaibra, e foi a 2.» mulher — cronologicamente falando que em Portugal ocupou uma cadeira na Academia das Sciencias, visto que a l.a havia sida Maria Amália. O erudito historiador português, conde de Sabugosa, referindo-se com os mais justificados conceitos á obra importantíssima da notável filóloga, acha-a trabalho digno da tarefa de uma Universidade, e entretanto... é apenas trabalho de uma mulher! Para se fazer uma idea exacta da obra colossal: o «Cancioneiro da Ajuda», que representa um extraordinário estudo da «balbuciante lírica medieval portuguesa», basta referir que só no 1.° volume, mais ou menos de mil páginas,.intitulado: «Investigações», a autora consumiu 25 anos! Foi-lhe conferido pelo governo português o colar da Ordem militar de S. Tiago. A sua entrada na Academia de Ciências, de Lisboa, a que ela tanto direito tinha, impeliu o referido historiógrafo, conde de Sabugosa, a dizer: Carolina Michmelis de Vasconcelos não é apenas uma académica, é por si só uma Academia». Pertencem ao século XIX: Catarina Máxima rte Figueiredo Feio — poetisa muito distinta, autora de algumas obras em verso. e mãe da intelectual Maria Feio. Ambas da cidade de Vila Real, capital de Trás os Montes.

Guiomar Torrczão, ilustre escritora muito popular—a primeira mulher que em Portugal viveu da profissão das letras. Angelina Vidal— escritora socialista da qual conhecemos de nome o seu livro: «Lição de Moral»; — ambas já falecidas. Alice Moderno — primorosa poetisa e dramaturga. As suas belíssimas produções poéticas têm sido apreciadíssimas e consagradas pelos melhores críticos. É da Ilha de S. Miguel — arquipélago dos Açores. Vem em seguida, por ordem cronológica do seu aparecimento na literatura, a notável educacionista, que o Brasil muito bem conhece: Ana de Castro Osório que, como mais moderna é, além de outros predicados de intelectual, conscienciosa conferencista. Â sua obra literária, importantíssima, divide-se em três partes: educativa, social e romântica. Quanto á primeira, de que Ana de Castro Osório foi iniciadora e inemitável autora portuguesa, conta para mais de vinte publicações, ilustradas quasi todas pelo distinto artista português, Leal da Câmara; outras por Albert Jour- Jourdain, e ainda outras por Mily Possoz —algumas das quais aprovadas oficialmente em Portugal e nos Estados do Brasil, S. Paulo e Minas Gerd.es. A segunda umas 7 publicações, e a terceira umas 11. Á segunda pertence o livro «Grande Aliança», livro de propaganda patriótica, que contém as suas conferencias realizadas no "Brasil, em 1922-23. Quando em 1923 visitou Curitiba, realizou no teatro Guayra uma bela conferencia intitulada: «A mulher Portuguesa e a mulher Brasileira;). Á terceira pertence o seu último romance «Mundo Novo», destinado a franco sucesso tanto em Portugal como no Brasil — onde se passa uma grande parte da sua ação. Ana de Castro Osório foi a primeira artista das letras que impulsionou a literatura infantil em I'ortu,gal. A magnífica colecção de contos e lendas do povo português — e colhidas directamente do povo jiela autora, é hoje considerada a melhor e maior que existe no género, em todo o mundo. Alguns estão traduzidos em francês, alemão, sueco, espanhol e tcheco-slovaquio. Em 1919, como já oportunamente indicámos, o governo português condecorou-a, com a Ordem d,e S. Tiago, acompanhada de um honroso diploma que encarece os serviços prestados ás letras e á pátria, por esta incançável intelectual, autora de tantos e tão valiosos trabalhos literários. Algumas notas interessantes: U m seu ascendente por sua bisavó materna, Dr. Joaquim Inácio de Frias, professor de Retórica e Confessor da Marquesa de Pombal — D. Leonor Ernestina Dhane — traduziu o livro vTesouro de Meninas» de Madame Le Prince, que foi, no fim do século XVIII, o início da literatura infantil em Portugal. Por alianças matrimoniais, os antigos Osorios estavam ligados aos Albuquerques,— descendentes do grande Afonso de Albuquerque do século XVI, conquistador do império da índia portuguesa. Dessas Osorios descendem os de Lamego, das Lágrimrts, de Nespereira, de Algodres — e destes últimos descende directamente Ana de Castro Osório. Maria 0'Ncil e Alice Pestana (Caiei), foram brilhantes artistas da pena. Virgínia de Castro e Almeida, romancista de reputação firmada, e também educacionista; é autora de vários romances muito bem! recebidos pela crítica, e autora de films ci- — 45S — nematográficos. E' notável o seu romance — «Terra Bemdita». O Instituto Internacional de Cooperação Intelectual, que funciona em Paris e é dirigido por.lu'ien Luchaire, é o órgão intelectual da Sociedade das Nações, cuja preponderância é fácil avaliar. E' sustentado material e intelectualmente, por varias nações, e muitíssimo contribui para a divulgação dos talentos que se notabilizam nos países associados. Pois em fevereiro de 192C foi nomeada delegada permanente da intelectualidade portuguesa, na Sociedade das Nações, a fina literata Virgínia de Castro e Almeida. Júlio Dantas, ex-presidente da Academia de Scieneias, de Lisboa, apresentou a esta erudita colectividade a obra notável desta escritora, com o fim de a candidatar a sócia — correspondente. Será, portanto, a terceira mulher com um lugar na Academia. Virgínia Quaresma, é escritora e romancista. Entre as contemporâneas temos mais: Claudia de Cambos, natural de Sines; autora de «Rindo», «Ultimo Amor», «O Duque de Palmela», etc. Madalena Parricio, Olga Moraes Sarmento, Domitila de Carvalho, poetisa; Clarinha — filha do distinto africanista, Serpa Pinto; Maria Velleda, Emitia de Souza Costa. Dra. Irene de Vasconcellos, formada em Paris, diplomada na Sorbonne. Veio ao Rio de Janeiro, em 1922, por ocasião do centenário da independenncia do Brasil, realizar algumas conferencias- Merced.es Blasco — novelista muito apreciada em Portugal e no Brasil. Zulmira Ferreira, cujo pseudónimo era Azul, falecida em 1924. Virgínia Vitorino, e Branca de Gonia Colaço, poetisa — esta, filha do extinto, e mavioso poeta, Tomás Ribeiro.

Foi ultimamente publicado um livro para a infância: «Mariazinha em Africa» escrito pela poetisa Fernanda de Castro, e ilustrado pela pintora Sara Afonso. Olh a Guerra e Alice Ogando são poetisas modernas. A poetisa Maria da Cunha faleceu no Rio de Janeiro. Maria Clara Correia Alves é escritora feminista. Marta d'Assunção da Silva, autora de: "Soluçando e Sorrindo" e "Cartas d'A- rnor. Conhecemos ainda - Maria de Carvalho, Berta Leite, Amélia Guimarães Vilar e Celeste Ruth. Faleceu há pouco temjio, em Coimbra, I). Alaria Manada de Brito e Castro de Figueiredo Melo e Cosia, marquesa de Pomares, dama das mais distintas de Portugal - não só pela sua posição social como pela sua grandeza d'alma e de inteligência. Com o escritora de mérito é autora das Obras: «Ricos e Pobres», «Sob a Cruz», «Promessas,, «Crianças c Adolescentes» — edição em beneficio das Creches e do Asilo da Infância Desvalida, de Coimbra; algumas novelas e um volume de máximas e pensamentos 1110- ra-s. Com o protectora das classes desfavorecidas, além de socorrer instituições de beneficência, muitos estudantes se formaram na Universidade de Coimbra, a expensas suas. Em 1930 a imprensa de Lisboa tecia encómios a «uma escritora precoce»: Maria Beatriz May Raio dê Carvalho - uma criança que parece não ter mais de 10 anos e autora do livro «A brincar» prefaciado por uma autoridade no assunto: Dr. Agostinho de Campos. Em 1917 apareceu em Portugal uma obra intitulada: «Poetisas Portuguesas» devida á pena e ao patriótico esforço de Nuno Catarino Cardoso, considerada como precioso ele- mento para o estudo da mulher intelectual portuguesa. Esta obra, apesar de incompleta, como o seu digno compilador o afirma, contém dados biográficos e composições de 106 poelisas portuguesas. ESPANHA No século XVI, em sciencia, Luisa Sigea Vetasco — humanista, de precoce e rara erudição, natural de Toledo, filha de pai francês e mãe espanhola; foi para Portugal aos 12 anos (1543), e foi preceptora da Infanta D. Maria — brilhantíssima inteligência a que já aludimos. Também poetisa, escreveu Syntra, poemeto em latim, descritivo das belezas de Cintra 1553). Em 1921 a presidenta da «Juventude Universitária Feminista», Dra. Elisa Soriano, depois de prestar em concurso público belas provas, foi nomeada directora do grupo de Ginecologia do Hospital Clínico da Faculdade de Medicina de Madrid — primeira mulher que ali desempenhou um cargo oficial. A arte feminina, no século XVI, deu Angela Sigea, irmã de Luisa, também muito instruída, cultivou principalmente a música — arte em que superiormente leccionou a Infanta portuguesa. No mesmo século fulgurou a intelectual Isabel de Roseres. Á arte feminina espanhola da atualidade pertence Pura Jenelty, fina executora dos variados cantos e bailados espanhóes. Nas suas notáveis tournées pelas grandes capitais europeias e americanas, tem «m- polgado as plateias dos respectivos theatros. Dos princípios do século XIX é Cecília Bohl de Faber, que usava o pseudónimo Fernan Caballero, ilustre escritora, autora de «La

Gaviota», «Clemência», etc. Do mesmo século: Conceição Arenal, também escritora distinta, e Carolinu Coronaio — que residia em Lisboa, autora de romances e dramas. Entre as escritoras contemporâneas, a célebre e mundialmente conhecida escritora Condessa de Pardo Bazan. Belém de Sarraga, vigorosa escritora e conferencista anticlerical. Desde muito adoptou o México, como sua pátria — onde reside. Cármen de Burgos, cujo pseudónimo é Colbmbine, talentosa escritora e pojHilaríssima na Península Ibérica; é professora de literatura da Normal Superior de Madrid. Em 1920, a convite da Faculdade de Letras de Portugal, e pór entendimento dos governos dos dois países, devia realizar em Lisboa um curso de literatura espanhola. É da sua autoria o interessante romance espiritista: «El Retorno». Nesse mesmo ano, a ilustre escritora Maria Valero Martin de Mazas realizou uma notável conferencia no Ateneu de Madrid, intitulada: A mulher na sociedade e perante o direito. Ao número das contemporâneas pertencem Ana C Bernal, escritora, e feminista. Também são escritoras e cronistas, Beatriz Galindo e Concha Espina. Além destas conta a Esrunha com distintas feministas intelectuais: professoras, escritoras, conferencistas, etc. Em 1926 faleceu em Teneriffe Clotilde Cerda Bosch, natural de Barcelona, que foi uma celebridade mundial. E' autora de uma interessante «História da Harpa». Fez os seus estudos musicais Em Roma, Paris e Vienna. Quando Viíor Hugo a viu, em Espanha, deulhe o apelido de Esmeralda — a Heroina do seu romance «Notre Dame». E como a rainha

J Elisabeth a apreciou em Vienna, deu-lhe o nome de Cervantes. Ficou, pois, sendo conhecida, esta glória da arte musical, pelo nome de Esmeralda Cervantes. FRANÇA Clémence Royer — filósofa, natural de Nantes (1830-1902), traduziu as obras de Darwin e defendeu o transformismo. Era considerada uma das mulheres mais notáveis da sua época, pelo brilho excepcional da sua inteligência. Filósofa e economista dirigiu em 1852, na Suiça, um curso de Filosofia destinado ao sexo feminino, e foi uni dos princijiais redactores do «Novo Economista». Colaborou também na «Revue de Antropologie», fundado por Pascal Dupraf. Em 186!) o Governo de Cantão de Vaud abriu um concurso sobre a teoria do imposto — que se realizou em Lausanne. Entre os concorrentes achava-se Mr. Prudhon, célebre filósofo e economista — e um dos pessimistas a respeito do sexo feminino, ao qual negava a inteligência... Mr. Prudhon não venceu o concurso porque empatou com uma mulher: Mlle. Clémence Royer que apresentou um informe notável intitulado: «Teoria do imposto» ou «o dízimo social», cujo trabalho atraiu a atenção das academias conservadoras. Suas obras principais são: «O que deve ser a Igreja nacional em uma Republica»; a tradução da obra de Darwin; «Origem das espécies»; «O bem e a lei moral». «Os ritos funerários nas épocas jjrehistóricas, c outras. Nas suas obras defendeu a antiga instituição do matriarcado. Foi um a feminista convicta que muito honra a causa do femi- nismo. Era tal o seu valor intelectual científico, que mereceu encómios de brilhantes penas masculinas. Mary Sommerville, igualmente como a primeira tinha um nome consagrado Em sCiencias, incluindo filosofia. Em 1917 a imprensa publicou uma notícia intitulada: «A primeira engenheira civil do mundo», relativa a Mlle. Ivonne Odic que se bacharelou no liceu feminino de Nancy, entrando em seguida para o Instituto Electro- Técnico e Mecânico da mesma cidade. Durante a guerra colaborou na estação radiográfica do Hospital Bom Pastor, sendo adida ao observatório meteorológico da cidade. Umano depois recebeu o diploma de engenheira mecânica e o de estudos superiores aerodinâmicos. Depois de ter seguido o estudo de aeronáutica, em campo de aviação, foi admitida ao serviço técnico. Orgulha-se de ser feminista. Em 1919 a Academia das Inscrições e Belas Letras concedeu duas medalhas Blanchet (trabalhos sobre a Africa do Norte): uma a Mr. Gouvet, conservador do Museu de Sousse (Tunísia) pelos seus estudos na aludida região, outro a Mme. de Chabannes de la Pdlisse que durante anos, e a expensas suas fez excavações científicas em um a sua propriedade, instalando á sua custa um museu que liberalmente franqeou aos arqueólogos. Jeanne Chovin, em Paris, e Marie Popelin, na Bélgica, por meio de persistente luta conseguiram ingressar no foro —cujo acesso franquearam, consequentemente, ao sexo feminino. Este acontecimento atingiu o escândalo suscitando ao mesmo tempo censuras e aplausos do sexo masculino... Em 1920 soubemos que a Acadenfía de Ciências Morais e Políticas, de Paris, çonfe- riu um prémio a Mlle. Suza/ine Giraud, pelo seu trabalho sobre «Política Financeira e Económica». A Academia de Medicina concedeu outra a Mme. H. Rodillon. Na Escola Nacional de Chartres, entre 10 candidatos que foram nomeados, Mlle. Vieil- Idrd foi classificada em primeiro lugar. O prémio Thorel, destinado a recompensar as melhores obras sobre educação, foi concedido a Mme. Lucy Achalme, a Mme. Mal- Weiss e a Mme,. Dès. U m ilustre advogado parisiense, Mr. Henri Robcrt, em 1925 fez na «Revue de France» a apologia da mulher advogada, frisando a profunda evolução que de 39 anos a esta parte se fez na educação feminina, em França. A primeira mulher advogada, Meei. Chauvm, diplomada em 1897, estreou Em 1900. Antes da guerra já ali havia uma boa dúzia de advogadas; hoje calcula-se o respectivo número em umas 150. Este progresso estende-se ás províncias. No Palácio da Justiça os casamentos entre advogados e advogadas são numerosos — tornando-se a mulher óptima colaboradora de seu marido. A mais nova das advogadas francesas, Mlle. Fournier, estreou ha tempos na 'Corte de Apelação de Paris, fazendo a defesa de Mlle. Estanislada Murniskaski. A "Federação Internacional de Mulheres Diplomadas em Direito" reuniram-se em Congresso «m 1929. Neste Congresso estiveram representados vários países, pelo elemento feminino. Desde o tempo da guerra ha na França mulheres aviadoras que já então solicitavam do governo permissão para auxiliarem a es- quadrilha aérea. Algumas realizaram voos extraordinários. Em 1919 Paris comunicava que a'baronesa Larocha batera o record estabelecido pela aviadora americana 'Rut Law, atingindo um a altura de 4.800 metros. Em 1920 a aviadora Loufse Favier bateu o record mundial" atingmdo um a altura de 21.325 pés — a máxima alcançada então por uma mulher. Mais recentemente temos Mme. Roland — a primeira na aviação francesa, que depois de efectuar na sua pátria um' vôo de 4.800 metros de altura e um a dupla travessia no canal da Mancha, de efectuar em Paris difíceis exibições de «loopinge the loopings, veio á Anierica, em 1920, onde realizou, sob geral assombro e com adrnirável mestria, a travessia dos Andes — tão temida por aviadores masculinos. Em S. Paulo e Rio de Janeiro fez várias experiências aéreas com êxito. Regressando a Paris em 1924, ai realizou exibições de «loooing» cobrindo 212 kilómetros Em 73 minutos. Aviadoras da atualidade são também: Marise Bastie, que bateu o record de permanência n 0 ar: 73 horas e 54 minutos. E Melle. Leria Hernstein — uma das aviadoras notáveis. Veio há pouco ao Rio de Janeiro Mme. Noel, scientista francesa, que aperfeiçoa e modifica, no sexo feminino, os efeitos desagradáveis que a juventude vai marcando á medida que se vai ausentando... A Dra. Noel, de bisturi em punho desfaz rugas, compõe epidermes, remoça, Em suma, as fisionomias que denunciam os sinais flagrantes traçados pela ação do tempo. Não admiramos que as ciências estejam em França tão generalizadas entre o sexo fe-* minino: pois nas suas universidades, segundo noticia oportuna, estavam estudando, só para medicina, calculadamente 1.600 mulheres. Em um artigo firmado pelo distinto escritor brasileiro Afonso Arinos, intitulado: «A Unidade da Pátria», acha-se num dos respectivos tópicos o facto'de uma mulher francesa — Mme. O. Coudreau, ter rematado brilhantemente, depois de viuva, os grandes trabalhos científicos de seu marido, nas primeiras explorações do rio Xingi\ e outros rios desconhecidos da Amazónia. Umassombro na sciencia feminina é Mme. G. Ftanumaiion, viuva do grande astrónomo e escritor, Camilo Flammarion. Continuando os trabalhos científicos, suspensos antes do falecimento de seu esposo, feitos no Observatório de Juvisy, conseguiu fotografar o planeta "X", descoberto pelos norte-americanos. Ela não está ainda convencida de que o "corpo" descoberto pelos scientistas, seja um planeta. Sen esposo tinha previsto que devia existir essa estrela — calculando a distância, em que se encontra, Em 43 unidades. N a arte teatral quasi que só conhecemos os nomes célebres femininos que passaram á história: Rachel, Réjane, Sarah Bernard, (1) Mistingueite, Cecile Sorel e Virgínia Dejazet — todas do século XIX. Suzanne Desprbs, e Germaine Dermoz obtiveram a sua maior celebridade quando da sua excursão pelo Brasil. N a nossa época, ao número das artistas do (1) Em junho de 1926 foi inaugurada em Paris a estátua da grande trágica, cujo acto foi devidamente concorrido. palco, temos de associar as da cinematografia, que são muitas e muito distintas. E' considerada primeira estrela do cinema, em Paris, Mme. Sandra Millanoff — que julgamos õx racionalidade ou origem russa Também é multo conhecida Renée Adorée. Mlle. Edmond Gay é do "Casino''' de Paris. Entre as bailarinas conhecemos Kitnot, considerada «O Bronze Vivo de Paris»; ignoramos, porém, a sua nacionalidade. Em 1927 faleceu na capital francesa, vítima de um desastre de automóvel, a famosa dançarina Isadora Duncan, cuja celebridade é confirmada por íoclo o mundo civilizado. Deixou yárias e distintas discípulas suas — as Isaadoráveis. Em princípios de 1928 ali faleceu também outra artista do mesmo género': Loie Fuiler. Não conhecemos as virtuosas francesas da arte musical, a não ser Mm\e. Elisa Rutschcrra de Nys, notável cantora e professora de canto; é intérprete conscienciosa de Wagner. Tem bela reputação na Europa. E' oficial da Instrução Pública de França- Em compensação desta deficiência temos este extraordinário fenómeno: Josette Trichei, chefe de orquestra com 6 anos de idade, dirigiu em junho de 1927 uma ouverture de Bethoven, na Sorbonnel Em pintura fornece-nos a história, várias: a muito talentosa Mme. Isabel Vigée Lebrun, pintora de retratos, entre os séculos XVIII e XIX. E a popualr Rosa Bonheur — notável na pintura do género: animais. Natural de Bordéus, produziu numerosos e admiráveis quadros desta espécie, dos quais o considerado mais célebre é o denominado: «Mer- cado de Cavalos» que se acha na Galeria Nacional de Londres (1822-1899). E' também pintora parisiense admiradíssima — principalmente pelos seus maravilhosos quadros de flores — Joanne Riz-Rousseau. N a França também coincide com a Renascença o desabrochar do intelecto feminino para as letras, e assim tem continuado até ao presente, num crescendo digno da sua comprovada civilização. Diz o escritor português Carlos de Melo, que, á excepção da Itália onde já nos séculos XV e XVI, (e provavelmente no século XVII), eram já muitas as literatas, na França e no resto da Europa existiam, no século XVI, umas 40 pelo menos, igualmente instruídas. A este mesmo século pertencem: a duquesa de Retz e Margarida d'Angoulême, irmã de Francisco 1, e mulher de Henrique d'Albrrí — rei de Navarra, autora de poesias e do «Heptameron», ou «Contos da Rainha de Navarra», novelas bem escritas e imitadas de Boccacio. (1559). Nasceu em 1492 e morreu Em 1549. A o século XVII, a Marquesa de Sévigné, uma das francesas níais distintas dessa época. São consideradas verdadeiro monumento de literatura desse século, as suas «Cartas» a Mme. de Grignan, sua filha, e publicadas em 1726. D o mesmo século é Mme. de La Fayeie, autora de «Princesa de Cleves» e nde «Memórias», trabalhos muito interessantes (1634- 1692). Entre os séculos XVIII e XIX Mme. de Genlis, autora de obras sobre educação. Da mesma época a escritora Sofia Gay, mãe de Delfina Gay (Mme. de Girardin). Mme. de Girardin — notável comediógrafa — autora de romances e comédias de grande valor literário, e a duquesa de Abrantes (Laura) mulher de Junot, autora de romances, e «Memórias» importantes, sobre Napoleão. Em princípios do século XIX, Marcelino Desbordes Valmore, delicada poetisa, e a condessa de Segar — nascida em 5. Petersburgo, escritora e educadora, autora de várias obras para crianças, e de poesias filosóficas de grande valor. D o século XIX são também: Luisa Ackerniann, poetisa, autora de poesias filosóficas de grande merecimento. Julieta Lamber (Mme. Adam), escritora, autora da obra: «Pagã» e outras Mme. Rattazi — escritora e romancista; além' de vários romances é autora de livros de viagem — entre os quais figura o «Le Portugal à vol d'oiseau» (1880), que provocou amargas críticas em Portugal e que, a par de muitos e graves erros contém algumas observações justas. Do século XIX são '•cheia e mundialmente conhecidas e celebrizadas: Mme. de Staêl — o terror de — Napoleão — e George Sand. É também escritora mais antiga — Mme. Leprince Beaumont. Colette é o nome de uma escritora distinta, mundialmente conhecida. Gtjp, pseudónimo da condessa Martel de Janville, autora de inúmeras obras. No século atual foi publicado em Paris o 2°. volume de uma antologia de várias escritoras e poetisas da atualidade, por Alphonse Séché, intitulada: «Les Muses Françaises», com seus retratos, e dados bibliográficos, em número de 44 — sendo algumas premiadas pela Academia Francesa. Alphonse Séché, nas suas notas, indica a Condessa Aiaihieu de Nouxailles como a mais célebre das poetisas e romancistas francesas contemporâneas. Dentre tantas intelectuais pertencentes a este segundo volume, indicaremos: Mme. Tola Dorian, autora de cinco obras em verso, três em prosa e oito dramáticas. Daniel Lesueur, autora de grande número de romances, obras teatrais, poesia e uma tradução de Byron. Mme. Catulle-Mendès, poetisa e critica teatral. Mme. Lucie-Felix-Faure- Goyau, escritora e poetisa, filha do antigo presidente da Republica francesa — esposa de Edmond Rosiand. Valeu ti na de Sahxt-Poini, sobrinha de Laniartine, escritora e poetisa. Jane de la Vaudère — o número de suas obras é considerável: poemas, romances, crítica de arte, teatral, etc.; premiada pela Academia. Melle. Lacte Paul Aíarguerite, escritora de reconhecido valor. Melle. Auie Perrey, linda e jovem estreou na poesia, aos dez anos, com o sugestivo poema: «Voici mon coeur». Entre as intelectuais da compilação «Les Muses Françaises» brilha Lucie Delarue Mardrus, que, além de escritora e poetisa, é orientalista. Em 1923 visitou Portugal. No seu regresso a Paris publicou no «Le Journal» as suas impressões, das quais respigamos alguns tópicos, e que principiam por esta eloquente afirmativa: Portugal não é Espanha. Foi o Sr. de la Palice que o disse? Não. Dizem-no todos os portugueses cultos que eu conheço. E eu considero um dever repeti-lo com eles, antes de contar qualquer cousa sobre a minha viagem; porque a eterna negligencia que nos faz confundir as duas nações — Portugal e Espanha — é uma afronta ao coração do apaixonado país português, esse país que incessantemente dirige á França os seus mais belos suspiros de amor, esse país que, por simples admiração por nós, enviou oitenta mil dos seus filhos, para morrerem, durante a grande guerra, ao lado dos nossos soldados. Quando entrei a fronteira, começaram a aparecer-me as cores desse belo Portugal: o verde sombrio, -o cinzento pálido, o azul brando, isto é, debaixo de um sol entusiasmado, pinheiros e céu...» E continua a scintilante cronista, na sua poética exposição sobre o país do sol — como os touristes franceses denominam Portugal — e o faz com tão sincera admiração e justiça, que deve cativar a alma joortuguesa. Ela acha o Tejo o mais belo rio do mundo. Ao concluir a sua crónica de um caloroso e atraente sabor romântico, termina: ((Lisboa... Eu direi antes a melancolia de Portugal, e a sua doçura sonhadora. Uma cousa basta para caracterizar a alma deste país: a pena de morte ali não existe. Victor Hugo saudou, em tempos, esta alta superioridade». (1) E para provar a natural bondade do povo português, acrescenta a gentil cronista: «Nas corridas de touros não ha sorte de mort, nem cavalos estripados, nem touros desembolados. Também não há crimes — a não serem os passionais e os políticos. As semanas que passei em Lisboa? U m repouso de todo o aborrecimento contemporâneo, e, verdadeiramente, uma viagem ao pais do romantismo. Sim, apesar dos automóveis, da vida cara... e das revoluções». Na Academia Francesa, além das 40 ca- (1 Efectivamente existem em Portugal cartas de Victor Huço, das quais um a é dirigida ao distinto jornalista e bibliógrafo português, Brito Aranha, saudando esse país pela abolição da pena de morte, e dizendo, entre outras cousas lindas da sua história, mais ou menos isto: que Portugal nã/> marchava na vanguarda da civilização somente nas descobertas mari imas, más sim também no progresso da moral humanitária, etc. deiras para os imortais, há um a outra apenas imaginária denominada: «Le quarante et uniè- m è fauteuil», na qual também imaginariamente se sentavam — além' de vários intelectuais masculinos, Mmes. de Sévigné, de Síaêl, de Girardin, George Sand — exiladas da notável corporação por injustos preconceitos. •— BÉLGICA A primeira médica belga foi a Sra. Madalena Bres, que em 1876 defendeu tese e recebeu o grau de doutora. Em 1903 Melle. Hervelmans, foi a l.a que obteve, em estatuária, o grande premio de Roma. Em 1926 a «Sociedade Central dos Arquitectos» admitiu no seu seio a Sra. Vau Celts- 'Emonts — a primeira mulher que ali abraçou uma profissão liberal. Em 1930 foi encontrada morta a bailarina Alanhein Carriaux — vítima do vicio de cocaína. SUIÇA Na Suiça, Mme. Vera Strasser, doutora em medicina, é renomeada especialista em enfermidades nervosas, Em Zurich. Entre os séculos XVIII e XIX era célebre em pintura a artista suiça, Angélica Kaaffmann. INGLATERRA Temos no sexo 'feminino até exploradoras notáveis. Uma da atualidade é inglesa, Rosiia Forbes, com 27 anos, bela e elegante — segundo reza a crónica — e fala cinco 'línguas: inglês, francês, alemão, italiano e árabe. I a primeira mulher europeia que conseguiu penetrar no oásis de Rufra — no centm da Africa, e visitar ó Gran Senusso. Este oásis,, de difícil acesso porque se acha em meio do deserto, a 900 kilómetros da costa, foi sempre considerado inviolável, só habitado por selvagens. Esta aventura feminina é considerada como um empreendimento único no género. Em 1919 foi a Marrocos, ao Sudan e á Palestina. É Rosita Forbes arrojada amazona: atravessou, montada em caníelo, todo o deserto líbico, vestida de circassiana e fingindo-se a favorita do Harém do bey da Tunísia, pois que a presença de uma mulher branca naquelas temerosas paragens fora comunicada aos cavaleiros senussistas, que já lhe preparavam emboscadas. Eis ai uma mulher excepcionalmente intrépida que faz pendant com os mais arrojados exploradores — se é que os não suplanta. Em 1911 casou com um major do exército britânico. Durante a guerra prestou óptimos serviços em um a ambulância-automióvel, guiada por ela. Percorreu a America, o Jafmo, a Oceânia, a índia e a China. Em 1926 faleceu Em Bagdad outra orientalista notável — Miss Gertrudes Lowathian Bellc, secretária oriental de Sir Harry Dobbs, Alto Comissário Britânico na Mesopotâmia. Depois de formar-se na Universidade de Oxford, viajou muito, principalmente pelos países árabes testemunhando a regeneração nacional árabe nos últimos tempos de Abd-ul- Hamid. Percorreu lugares que nenhum europeu ainda atingiu. Cognominaram-na: os árabes — «Rainha sem coroa do vale do Eu- p'irates,» e a imprensa: «Mulher-mistério». Era dotada de grande beleza física e intelectual, e de uma coragem inaudita, pois percorreu toda a Arábia deserta acompanhada somente pelo seu leal servo sírio, Faituh.

No lugar de secretária do Alto Comissário, procedia, diplomaticamente falando — sendo importante e benéfico o seu prestígio — para com as tribos árabes, como um verdadeiro ministro do exterior. A sua morte foi profundamente sentida em todo o Irak, que se cobriu de luto pela falta da sua extraordinária amiga. Todos os ministros ingleses e os cheiques das tribos tomaram parte nos seus funerais. Miss Harriet Alartineau, natural de Norwich, é autora de obras sobre economia política, e de um resumo do «Curso de Filosofia positiva» de Augusto Co-nie..Marie Carnichacl Stops é doutora em sciencias oela Universidade de Muaich; sócia das Universidades de Londres, da Rial Sociedade de Literatura e das Sociedades Limuand e de Geologia da mesma capital inglesa. Na Inglaterra, em 120 concorrentes á cadeira de Gilbard (de operações financeiras e bancárias), foi classificada em primeiro lugar Rose Rirgsione. A Inglaterra concedeu, em 1929, 34 privilégios de invenção ao sexo feminino. A primeira patente concedida pelo Estado livre da Irlanda, foi uma mulher. Conhecemos outro exemplo digno de nota na administração: Lady Machworth; na ausência de seu pai, assumia a direcção dos seus vastos negócios de exportação de carvão — sendo a sua administração tão hábil que foi eleita directora da Companhia Senatogen quando seu pai resignou o cargo. Na aviação sabemos de uma inglesa corajosa, Lady Baley, que em princíjrios de 1928 realizou, sósinha, perigoso raid em aeroplano com destino a Capc-lowu. Uma outra, Miss Weldy, faleceu há pouco tempo em consequência de um acidente de aviação. São também aviadoras: Mary Heat, e Amy Johnson que realizou o raid Londres-Tokio. Das escolas do Alto Comércio, na Inglaterra, na França, na Itália, e na America do Norte, saem funcionárias habilitadíssimas para o comércio. Na arte teatral conhecemos as distintas actrizes Adelaide Nielson e Cyrne Bellew; e uma outra de real mérito — que brilhou no século XVIII, Mary Robinson, actriz e poetisa de talento, cognominada a Sapfio inglesa. Deve haver outras. Dentre as actuais temos Miss Joyce Barbour, do «Queens' Theater», de Londres. Do «Teatro Adelphi» é a estrela Miss Karen Peterson. Miss Pauline Chase é também muito considerada actriz. Uma das maiores estrelas da scena britânica foi a actriz Elba Terry — há pouco falecida. Lady Pearson é também uma famosa atriz. Dentre as bailarinas conhecidas há: Miss Zill Caster, Miss Ula Charon e Margaret Morris. Não podemos furtar-nos a mencionar dois prodígios femininos no sport de natação: Marjorie Best, de três anos de idade, recebeu a taça, em Londres, de campeã mundial de natação! com 23 meses, uma outra criança nadou 23 pés de distancia — pelo que recebeu a "Taça Newberry"! Esta assombrosa notícia veio acompanhada de interessante dichet desta criança prodígio. Depois da arte das letras, a mais generalizada entre o sexo feminino é a arte musical. Em 1917 dizia unia revista europeia que eln alguns teatros de Londres a orquestra é regida somente por mulheres. Miss Rox Kling — hoje Alme. Shaw — foi por espaço de muitos anos a mais notável cantora ela Opera Imperial, de Berlim donde a muito custo o

Raiser a dispensou jiara vir residir no Rio de Janeiro — onde tem sido proficiente professora de canto. Miss Bleby é considerada a maior crítica musical da Grâ-Bretanha — sendo a sua respectiva ojnníão acatadíssima no «Musical Times» de Londres. Em artes plásticas também há mulheres inglesas muito distintas. (1) Teodora Gleichen que, como seu pai, o príncipe Vítor Hotenlohe, consagra á arte de escultura o brilho dasua organização artística, sendo considerada uma profissional de raro mérito. Foi ela a criadora do monumento a Eduardo VII, em Wtndsor, cuja execução o governo lhe confiou, e que ela obteve por concurso. Uma outra sua obra de arte, importante, é o monumento erguido em N\.ouchy-le-Preux (Pas de Calais), perpetuando uma ação gloriosa da 37.a divisão inglesa na grande guerra, e que foi inaugurado perante um público enorme, incluindo as principais notabilidades artísticas e políticas da Inglaterra. O governo inglês fez-lhe também! incumbência de esculpir as maqueies para vários monumentos nacionais. Além destas obras geniais, quantas mais não têm sido já produzidas por esta gloriosa artista! A literatura inglesa feminina desabrochou, como nos outros países europeus, ao irromper da Renascença. No século XVI brilharam nas letras inglesas as três irmãs Seymour, a filha de Tomás Moras e as rainhas Joana Grey e Maria Stuart. Dentre os séculos XVIII e XIX surgiram Maria Edgewonh — romancista e moralista, (1) As mulheres inglesas interessam-se muito pela causa da instrução e da arte. e Ana Radoliff, romancista, natural de Londres, cujos romances — di-lo a crónica estão repletos de scenas terríveis! É mundialmente conhecida esta autora. Do século XIX — Isabel Barrett Browning, illustre poetisa — nascida no condado de Durhan. Lady Maxwell Norton, célebre autora inglesa, natural de Londres, e cognominada o Byron femininno. Currer Bell, pseudónimo de Carlota Brontê, romancista e escritora delicada, enriquecida de uma grande imaginação. Jorge Eliot — pseudónimo de Miss Maria Ana Evans, autora de numerosos romances: «Silas Marner», o «Moinho de Floss», «Romana», e outros mais, denotando todos um a observação profunda, e cujo estilo desperta justa admiração. Dentre as intelectuais inglesas considera-se atualmente como sendo a primeira romancista — Miss May Sinclair era cujas obras se salienta o «Fogo Sagrado», e que se tornou proeminente na literatura feminina inglesa. Durante a grande guerra ela organizou, a expensas suas, uma ambulância na Bélgica e nela ficou servindo até que a guerra terminou, o que a impeliu a escrever o livro: «Te Belfry». A sua casa é sempre frequentada por distintas individualidades da sua arte. Consta que nas suas manifestações é muito optimista. Edith Wharton, e Mrs. Humphrey Ward, são também distintas romancistas. Miss Margout Mayo é muito conhecida como comediógrafa. Uma escritora inglesa de incomparável e prestigioso relevo, como teósofa, é Ame Besant; vive há muitos anos na índia, familiarizada comi o profundo mistério das suas religiões. Tem dedicado a sua existência á pre- — 47S — paração espiritual da índia para receber a íeinearnação de um novo Cristo, facto que se realizará em Madrasta, cujo acontecimento predito para breve, agita o mundo inteiro e está atraindo, para a cidade indiana, uma sensacional peregrinação. (1926). No a n 0 de 1921, faleceu em Londres, a célebre escritora dramaturga, Lady Randolpho Spencer Churchill. Miss Léna Ashwel é uma novelista muito conhecida. POLÓNIA Da Polónia, onde o sexo feminino tanto se tem imposto na história do patriotismo e da intelectualidade, vamos tentar expor o que sabemos relativamente ás suas finas intelectuais. Sabemos que a Sra. Clara Zilbernik Zemcnhof, há pouco falecida, foi cognominada pela imprensa: «mãe do Esperanto». Viúva do célebre médico e professor polonês, Dr. Zam('- nhof — criador da língua internacional, e filha de um' dos seus maiores propagandistas, venceu grandes dificuldades no seu devotamento á causa, muito auxiliando o marido nos respectivos trabalhos; por morte deste, continuou ela á frente do movimento, estando sempre presente nos Congressos espera ntistas internacionais, e correspondendo-se com todos os países. O último Congresso que esta ilustre Sra. honrou com a sua presença, foi o 16.° realizado em Viena Em agosto de 1924. Maria Sklodowska — hoje Mme. Curie pelo seu casamento com o notável químico francês Mr. Curie, já falecido — é filha da Polónia. Esta acatada scientista não só cola- — 4/'» -- borou eficazmente com seu marido nas pesquizas científicas do rádio, pelo que ambos sustentaram uma longa luta sem tréguas, como continuou depois de viúva a salientar-se na sua progressiva dedicação á sciencia. Quando em 1921 esteve nos Estados Unidos, as sociedades científicas e universidades norte-americanas, entre as quais o «Smith College» — a maior academia feminina do mundo — conferiram-lhe numerosos títulos honoríficos entre os quais: Dra. em ciências. (1) Formou-se em Paris, na Sorbonne, em ciências físicas e matemáticas. Em 1915 a «Academia das Sciencias», de França, recebeu-a em seu seio, e a «Academia de Paris» seguiu-lhe o exemplo. Em ciências, dentre as muitas mulheres médicas, juristas, e economistas, sobressai a Dra. Sophia Daszyrdska (Golin"ska) professora na Universidade de Varsóvia, e autora de obras sobre sociologia e economia política. Em arte é mundialmente admirada a grande artista da scena muda, Fola Negri. Na arte musical as compositoras Helena Krzyznowska, e Wanda Landowska — cravista célebre. São cantoras distintas, polonesas: a Sra. Sianislawa Argasinska da Opera Nacional de Varsóvia; esteve em Curitiba em 1930:. depois de ter realizado uma excursão por toda a Europa. No mesmo ano esteve também! em Curitiba outrf cantora lírica da Polónia, Ha- Ivna Bruczowna — nome de grande relevo na (1) Ouvimos dizer que Mme. Curie não é feminista; entretanto corre mundo este seu pensamento: " O homem, não igualando a mulher, comete um crime contra si próprio, e sempre que a si a igualou, a vantagem foi sua." arte do canto, tendo-se exibido com notável brilho não só na Europa como na Nortc-Anicrica. Em pintura são distintas Olga Boznan'ska, Mela Aluter, SopJiia Stryien'ska e várias outras; as duas primeiras residem Em Paris. No século XVIII distinguiu-se em poesia, Elisabeth Druzbacka, autora de «Quatro Estações» — poema descritivo — de alguns poemas satíricos, poesias alegóricas e romances em verso. No século XIX: Severina Duchinska (Zochowska), poetisa lírica e dramática; Maria Ilnicka (Maikowska) poetisa lírica e dramática, romancista, jornalista e tradutora de Longfellow, Walter Scott, etc. Clementina Hoffman (TaiVska) romancista e pedagogista, adepta do feminismo; é autora de romances históricos e psicológicos, e tem escrito muito para a infância. Eva Fe- Iniska, autora de "Memorias" e outras produções. Paulina Wiekon'ska, apreciada romancista. Eleonora Ziemiécka, autora de obras filosóficas. Maria Konopnicka, poetisa e intelectual distinta. Em todas as suas obras transparece o seu grande amor á humanidade sofredora. Redigiu o jornal feminista «Swit» < Aurora j; é autora de belos poemas firicos, épicos e dramáticos, assim como tradutora de Heine e outros autores. t Elisa Orzeszko (Pawlowska), autora de romances com tendências sociológicas e patrióticas; apaixonada feminista. É autora de inúmeras e valiosas obras. Mais modernas: Hedwige Lusczewka, mundialmente conhecida pelo pseudónimo: Deotyma; poetisa dotada do grande donr de improviso, autora de poemas históricos dos quais o mais belo é «Sobieski em Vienna», e de vários romances em' prosa e verso. Elisabeth Jaraczewska (Condessa Rrazinska), escritora e feminista, batendo-se pela reforma da instrução das mulheres e pelo direito ao trabalho, independente da tutela masculina. Halka Duvraine publicou há pouco tempo, e no gracioso idioma francês, o seu belo livro: «Les femmes Polonaises». Uma digna representante da intelectualidade feminina dessa simpática nação — pátria do.genial Chapim (1) e de Paderewski, é a Dra. Eugenia Miszke — (Czyzowska), distinta Consulesa da Polónia, no Estado do Paraná. Senhora de espírito culto pelo seu vitorioso ingresso na Arte e na Sciencia, é ela fina cultora da arte do teclado e, como educadora, é hão só professora de piano como de gimnástica rítmica pelo método do Professor Dalcroze. (2) É doutora em Medicina, formada Em Genebra, e maneja várias línguas comperfeição. Esta Senhora, ilustre por tantos títulos, (1) É interessante, e para os Iuso-brasileiros lisonjeiro, o seguinte facto: — Em um estudo publicado no "Brasil Musical" de 1925, feito pelo conhecido pianista Charles Lachmund, sobre o culto e profundo sentimentalismo que o célebre pianista compositor polonês, Chopin, inspirara á alma brasileira, e explicando as causas deste fenómeno, diz "que até a nossa intraduzível palavra — saudade —existe na língua da Polónia — é o "Zat"_— que possui os mesmos predicados, a mesma significação complicada e sentimental, a mesma extenção complexa e o mesmo poder de intraduzibilidade". (2) O Professor Dalcroze é director do "Instituto de Gimnástica Rítmica" de Genebra. O seu método é atualmente adoptado, com assinalado êxito, em todos os Conservatórios da Europa e da America do Norte. fundou, organizou e dirigiu em Curitiba, a «Sociedade Frederico Chopin», que ela presidiu eficientemente emquanto aqui permaneceu representando diplomaticamente a sua pátria. Temos sempre admirado através da história da Polónia — principalmente desde a época da sua sujeição ás nações conquistadoras até que brilhantemente recuperou a sua independência, não só a dignidade de jiatriotismo de seus filhos, como a cultura da sua fina intelectualidade na qual brilham com fulgor inconfundível representantes da Sciencia, da Arte e das Letras. SUÉCIA Sónia Rrukonski, talentosa professora de matemática na Universidade de Stockolmo, escreveu uma obra importante sobre o problema da rotação de um corpo pesado em torno de um corpo fixo, pelo que a Academia de Ciências de Paris lhe conferiu, por unanimidade, o prémio «Bordin». Em 1917, na Câmara Alta do Parlamento Sueco, Mlle. Eva Andou, advogada e mulher de grande ilustração, joven e entusiasta sufragista, realizou ern 54 minutos, a convite de vários membros liberais, uma brilhante conferencia tendo por tema: filhos ilegítimos. Irene van Brongh — distinta actriz sueca, Greta Garbo distinta na scena mu*da, Ellen %ei escritora e feminista, e várias outras. Dentre as bailarinas é mundialmente conhecida Miss Diana Rane. NORUEGA Escritora norueguesa de grande fama é Undcret; e Selma Lagerlcef é uma agraciada cem o premio Nobel — obtido em 1906.

DINAMARCA Na Dinamarca, Noruega e Finlândia há muitas mulheres marinheiras. Muitas dependem do Estado e dedicam-se á pilotagem, sendo nomeadas oficialmente. A Sra. Augusta vou Bauditz, fez o curso de pilotagem pelo que obteve em 1910 carta de capitão de longo curso e o comando de um navio do Lloyd Dinamarquês. Foi a primeira mulher que comandou no mar. Em 1918 soubemos que Mme. Rurais Brontsonne, também dinamarquesa, descobriu a fabricação de papel, com folhas mortas, isto é, empregando as suas nervuras; o resto das mesmas, depois de competente preparação, dão carvão. Esta descoberta foi apresentada á Academia de Ciências pelo notável naturalista, Eclnwnd Perrier. Em agosto de 1926 aportou ao Rio de Janeiro o navio cargueiro finlandês —«Navegation», sob o comando do capitão Rarl Ekeund, procedente de Helsingfois. Até aqui nada digno de admiração; mas o que surpreendeu a capital do Brasil, atraindo a atenção geral, foi o interessante facto de ser feminina toda a guarnição do navio! A imprensa publicou as respectivas fotografias. Miss Hellner Nelson, é perita em fichas dactiloscópicas. Em arte só conhecemos a fama da eminente pintora Aline. Lerda Wegener, e das bailarinas: Irmãs Elces. ROMÉNIA Quem não conhece a delicada poetisa romena do século XIX, Cármen Sylva — pseudónimo da rainha Isabel, da Roménia? As suas máximas saturadas de senso e perfeitos conhecimentos na experiência e prá- tica da vida, tinham reputação mundial. A sua morte, Em 1916, é atribuída a suicídio, ao que a impeliu não somente o desgosto da invasão alemã, como.também a incurável enfermidade dos olhos — que já lhe não permitiam escrever! A nobre rainha da Roménia, Maria, neta da rainha Vitoria da Inglaterra e mãe de Carol — cuja renúncia ao trono tanta admiração despertou — assinou Em princípios de 1926 um contracto com o presidente da conhecida «Metro-Goldwin-Mayer» comprometendo-se, como autora, não somente a fornecer-lhe argumentos cinematográficos, como a pôr á disposição da respectiva companhia novelas e contos por ela escritos, para adaptação ás películas riais. Esta rainha-artista também cultiva a aviação. SERVIA / Em 1918 a Academia Francesa concedeu o prémio Sainton do valor de 3.000 francos a Alme. Devon Venkovilch, sérvia, autora de um dicionário francês-sérvio e sérvio-francês. Os dois outros titulares do prémio eram Mr. Emile Magne e Vau Bever — este pelo livro «Poetas do Terror», e aquele pela publicação de cartas inéditas de Louis de Gonzague. GRÉCIA Da poesia grega a primeira representante feminina que a história nos legou foi a célebre poetisa Safo, que existiu entre os séculos VII e VI antes de Cristo, e de cujo fim trágico todo o mundo sabe. A segunda foi Corinna — também célebre poetisa grega do século V antes de Cristo. Não conhecemos as actuais intelectuais gregas.

ALEMANHA A AlemuitJia, antes da guerra, contava — além de numerosas escolas agrícolas, esparsas por todos os Estados da Confederação, centenas delas anexas aos pensionatos femininos. Além destas já então existiam escolas superiores de economia rural femininas na Saxonia, em Hesse-Nassau e na Baviera. É claro que destes estabelecimentos, cuja instrução prepara a mulher para a sciencia da cultura agrícola e sua correspondente indústria, saem mulheres aparelhadas com todos os respectivos conhecimentos científicos — facto infalível que corresponde ás necessidades da época e ao seu progresso. (1) A Alemanha tem também aviadoras de mérito, representadas pela Sra. Hansen de Magdeburgo — primeira que tentou voar Em aparelho sem motor, e jiela Sra. Elli Beinhorn. Foi notável, em astronomia, Carolina Lucrécia, irmã do conhecido astrónomo Hersckel, com quem trabalhou durante 40 anos, e sendo astrónoma tão distinta que descobriu 8 cometas. Em 1927, com a avançada idade de 85 anos, faleceu em Berlim a Dra. Fruzickes Ti- (1) N a parte deste livro relativa ao feminismo, sob a epígrafe: " A mulher na Politica e na Administração", salientamos as muitas qualidades de inteligência e predicados da mulher alemã, pondo em relevo a sua intelectualidade. Isso nos compense de sermos um tanto escassa na explanação das intelectuais dessa nacionalidade — ao que somos impelida pela impossibilidade de dar maior e mais condigna expansão aos nossos bons desejos. N a mesma impossibilidade — e com sinceridade idêntica á que em todos os sentidos empregamos neste nosso consciencioso trabalho — se acham outras nações. buriius. a primeira mulher formada em - medicina na Alemanha. O grande progresso feminino da Alemanha tem a sua base em associações importantes, entre as quais a «Liga das mulheres protestantes da Alemanha- e «Liga de estudos e educação da mulher». Além disto são muitos os gimnásios e estabelecimentos de ensino superior existentes nesse país, para educação do sexo feminino. Matriculadas nas diversas Universidades alemãs existem 13.009 mulheres. As universidades por elas preferidas, são: Berlim, Munic/i, Bonv, Fribwgo, Colónia e Hamburgo. Os cursos preferidos: Filosofia, Medicina, Direito Economia, e Teologia. Entre estas há uma cirurgiã veterinária. Em Porto Velho no Estado do Aaiazomis. faleceu a Dra. Emilhe Sneihlahc, naturalisfi de fama mundial, e ex-directora do Museu Nacional. Era alemã de nascimento, e foi estimada aluna do naturalista Weissman. Rhoda Erdmann notável scientista. Conseguiu isolar e cultivar o tecido celular vivo, nos vidros de reacções. Pelos seus méritos em assuntos científicos em que mais se tem notabilizado, foi nomeada «Professor extraordinário» recebendo a cátedra de investigação experimental do sistema celular, na «Charité» dç Berlim. Em arfes podemos avaliar a cultura e propensão da mulher alemã pelas muitas artistas do palco e de cinema que jrercorrem o mundo, e dentre as quais se salientam a actriz Chadiolte Schmidlke, apelidada em Berlim'. 'Tainha do charleston". — Lil Dagoi-er, Mady Christianis, Jenny Jigo e Anny Ondra são estieis cinematográficas.

São célebres as actrizes Tilla Deucieux Irene Triesch, Elisabeth Bergner, Renite Rorsch. É alemã a célebre dançarina Lucy Ricselhauscn. Na arte musical o progresso feminino alemão deve corresponder ao jirogresso mundial. No século XVIII, Maria Ana Mozari — prodigioso talento musical e irmã do genial compositor alemão, Mozari, acoinpanhava-o nas suas tournécs artísticas pelo estrangeiro. No século XIX foi muito celebrizada a cantora Henriqueta Sontag. Uma pianista de elevado mérito é a Sra. Amélia Henn que por muito tempo residiu no Estado do Paraná, em cuja capital realizou brilhantes recitais que legaram aos seus admiradores lisonjeiras recordações. Atualmente tem andado em excursão pela Alemanha; a crítica colocou esta artista no domínio absolut > dos principais compositores. Ali tem sido admirados os seus dotes de virtuosa do piano não só pelo seu toque vigoroso do teclado como pelo «esmero de gosto e grandeza de intuição». A critica alemã coloca-a no primeiro plano dentre as personalidades pianísticas actuais. A célebre pianista Ida Rubsidn, que na Europa tem um nome consagrado pela crítica. A celebrada soprano Elisabeth Rethbetg, denominada pela crítica neir-yorkina «a segunda Patti». — Ganhou o prémio da arte do canto na Norte-America, conferido ao artista lírico que durante o ano obtém maiores triunfos. Em pintura Rathe Rollwitz, jjrofessora na Escola de Belas Artes de Berlim — pintora extraordinária em motivos extraídos do sofrimento humano. Rasia Szardurska, pintora ultra-realista que vive entregue ao seu sonhode artista, em Bade, á beira do lago Constança.

A esposa de Ludendorf, 'Margaret von Rcnnitz, é escritora, e médica especialista em doenças nervosas. Luise Ey também: é conhecida como escritora alemã. ÁUSTRIA Na Áustria, entre as suas médicas actuais, salienta-se a Dra. Frieda Siolzemberg, dotada com o curso de especificação de Paris. A primeira austríaca que obteve o titulo de Professora na Universidade de Viena, foi a Dra. Elisc Richter, que presidiu por largo tempo a «Associação Austríaca de Mulheres Diplomadas pelas Universidades». Em iguais condições — como professora — a psicóloga de grande fama, Dra. Charlote Buhler. Igualmente célebre é Ida Ppeifer como viajante, e escritora pertencente ao século XIX. Ricardo Huch, poetisa genial, e Elsa Lasker-Schuller, escritora e poetisa. Estes dois nomes não traziam nacionalidade na respectiva notícia; cremos, entretanto, serem austríacos. Tal propensão da mulher alemã e da austríaca para as artes — jirincipalmente para as letras, como afinal, em todos os países, — é provada pelo seu amor e dedicação ao respectivo cultivo, o que dá margem a provas muito dignas e muito interessantes. Sabemos de uni facto que corrobora este juizo, e cuja expressiva delicadeza nos jiarece digna de ser apreciada — jielo seu cunho altamente significativo: após alguns anos da morte do adorável poeta Goete, as mulheres de Viena depositaram no seu túmulo uma coroa de ouro — as de Hambfrrgo depositaram uma de prata no túmulo do grande Schiller (1). O sexo feminino sente e revela esta grande verdade: «A Arte é um canto da natureza». HUNGRIA A Dra. Gabriell Rakosy, formada em' direito nas Universidades de Paris e Budapest, é a maior advogada húngara, no crime, e uma das chefes mais entusiastas no feminismo do seu país. Dentre as artistas húngaras, Vilma Banlcy é admirada principalmente pela sua excepcional beleza. A celebrada artista da scena muda — Lya de Putti —. a extraordinária intérprete da "Manon Lescaat", era húngara; fulgurava, porém, nas valiosas fitas alemãs.0) Edith Ziesler, com 17 anos, é já afamada bailarina. Arake Nador, ainda jovem, é regente da grande orquestra — bem como Lise Marie Meyer é regente e compositora singular: escreveu uma sinfonia intitulada "Cocaína", na qual se aprecia — musicalmente, a tentação desse vício, a intoxicação, e a consequente desilusão. A crítica denominou tal sinfonia — poema diabólico. (3) (1) Estas coroas, segundo comunicação da imprensa alemã, durante a revolução dos spartacos (posterior á g-r-ande guerra), foram roubadas — não pelos revolucionários, e sim por gatunos. (2) Fa'€cida em Nova-York em novembro de 1931. (3) Acode-ncs o dever de fazer uma objecção: as notícias que lemos sobre esta musicista, são contraditórias quanto á sua nacionalidade — ora a apresentam como alemã, ora como húngara.

A condessa Margit Bcihlen. esposa do primeiro Ministro da Hungria, é escritora e dramaturga de valor nos círculos intelectuais da sua pátria. Na TChecoslováquia, a senhorinha Maria Snirzova, é arquitecta p-ela Escola Industrial de Praga, primeira mulher autorizada a exercer essa profissão no país. Flora Rlenschnitz - doutora em letras, é Professora e bibliotecária na Universidade Carlos de Praga. TURQUIA Da Turquia — cuja estupenda metamorfose data de pouco tempo — quasi que só podemos grafar a seguinte entristecedora verdade: as poetisas turcas dos tempos do sultanado, não tinham coragem de assinar as suas belas produções, assinavam-nas com nome masculino. Na sociedade muçulmana, portanto, os homens cobardemente desfrutavam a glória literária que só ás suas oprimidas mulheres pertencia... resultado, certamente, da autoridade absoluta de Abd-Ul-Hamid 11, que castigava cruel e inexoravelmente não somente as mulheres que se queriam instruir — como os pais respectivos por quererem educá-las. Não obstante a sua despótica opressão, eram conhecidas, durante o seu governo, duas intelectuais: a poetisa Naguar Hanum\ e a contista Faima Hanam. Atualmente conhecemos o nome duma célebre escritora turca: Halidedib. Em um a companhia de artistas turcas chegada ao Rio de Janeiro em 1925, vinham actrizes do teatro de Constaniinonla. Andavam em excursão artística, princijuando pelo Egipto; fez brilhante temporada em Paris, na exposição de Artes Decorativas, veio ao Rio reali- — 1'd — /ar outra temporada, e terminaria o seu itenerário nos Estados Unidos inaugurando ali a Exposição de Philudplphia. Possui a Turquia uma actriz trágica de fama: Bediah Manvabit. As escolas superiores e Universidades estão repletas de moças e mulheres — principalmente a Universidade de Medicina de Stambul. Tomam parte, igualmente, no desporto e parece que neste caminhar, em breve ultrapassam com B sua superioridade de libertas, a mulher de vários países ocidentais... Algumas são formadas em filosofia, outras em literatura árabe. RÚSSIA Na Rússia, em 1921, depois de uma conferencia entre sábios médicos, foi anunciado que dois notáveis bacteriologistas wn dos quais unta senhora conseguiram isolar o micróbio do tifo. No século XIX distinguiu-se Sónia Rovalevska, natural de Aloscou, na sciencia matemática. Em fevereiro de 1925 aportou a Londres o navio mercante «Tavorisk», comandado pela capitã russa Sra. Dialchenki. Cremos ser a segunda mulher que comanda no mar. Dialchenki comunicou á imprensa londrina que os so\iets estavam equipando mais trinta navios, em iguais condições, para fazerem directamente o comércio exterior da Rússia Acrescentou Dialchenki que seria inaugurada a linha "da America do Norte, e em seguida uma outra para a America do Sul e Central. Em meados de 1927, um a notícia de New-York comunicava que a aviadora Sra. Luba Philips (Gal.mchifoff), detentora do re- cord mundial feminino de altura Em aeroplano, ia tentar o vôo directo de New-York a Londres ou Roma. É natural da Rússia onde é muito popular. Uma senhora russa, Anastácia de Geórgia, pertencente á mais velha dinastia do mundo, que data do século III, e que entrou para um convento convertida pelo arcebispo Mgr. Ropp, é uma das mais notáveis linguistas femininas da Europa; fala correctamente doze línguas, tendo conhecimento, além destas, do latim, do antigo grego e das línguas orientais. Surpreendida pela revolução bolchevista em Retrogrado, fugiu para Wilna onde foi perseguida pelos bolchevistas — conseguindo fugir. Dentre as artistas russas de cinema, tem nome mundial Alia Nazimípva. E dentre as bailarinas Mlle. Lydia Sokolowa e as Irmãs NaAdroff. Dentre as muitas musicistas de nacionalidade russa, conta-se a célebre prima-dona Inrewakaia; em fins de 1925 noticiou a imprensa o seu desaparecimento, acreditando-se que ela se suicidara em virtude de uma doença que lhe afectou a voz — visto ela ter confessado que: ou conservaria a voz, ou morreria. Uma cantora e distinta concertista russa, é a Sra. Felia Litivine. A genial artista do teclado — Luba de Aíexandrowska, que tantas vezes se tem exibido perante o público paranaense, pelo seu raro mérito artístico tem colhido gerais e bem m/recidos aplausos nas principais capitais europeias e americanas; e natural da Rússia. U m crítico do Funchal (Ilha da Madeira), descobriu na audição dos recitais da grande virtuosa, que «há na sua alma um fundo dolorido que sempre mais ou menos se manifesta». Diz este entusiasta admirador, que esse traço doloroso sobresai acima de todos os outros em Luba de Alexandrowska — Dôr que fez dela uma grande mulher. Nas suas excursões mundiais, esta primorosa artista vai sempre prodigalizando á mocidade, por onde estaciona, a cultura da sua fina arte. As mulheres russas são, Em geral, cultas; além "do preparo científico, falam vários idiomas. Dentre as suas intelectuais conhecemos a novelista Lidia Seifulina, autora do livro: "Caminhantes", cujo estilo expositivo corresponde fielmente á anarquia em que esse país se debatia nos primórdios do governo soviético. Cremos, porém, que a instrução na Rússia do Czar — como na atual — é monopólio das classes privilegiadas. ÍNDIA A própria Ásia — o continente donde nos veio a civilização, que no Ocidente se desenvolveu, progrediu e aperfeiçoou, emquanto que no Orienif estacionou durante séculos de apático e bárbaro retrocesso, dá-nos já mujtas provas de que o sexo feminino também, finalmente, ali acordou do multisecular marasmo Em que vegetava. < Não resta dúvida de que a civilização ocidental penetrou com notável êxito nos povos bárbaros — para o que têm concorrido vários factores: 1.° — a ação principalmente do governo inglês na sua meritória obra de disseminar escolas para ambos os sexos nos continentes asiático, africano e oceânico; 2." — a guerra que impeliu os exércitos aliados para vários países cujas mulheres souberam aproveitar os costumes das ocidentais. Em 1919 duas mulheres médicas exerciam na índia a sua profissão: uma já em novembro de 1917 trabalhava no "hospital Freeman- Tomás, em Bombaim; a outra em 1919 no hospital militar de His/op, em Seconderabad. A autoridade tencionava, então, 0 rganizar o serviço voluntário de mulheres médicas, com o mínimo de seis mezes de serviço. Desde o começo da guerra várias doutoras exerceram o seu mister nos hospitais de sangue da Inglaterra, mostrando-se não só hábeis em cirurgia, mas sendo também muito simpáticas aos enfermos, pelo seu naíurál e abnegado carinho. Tem' a índia também as suas artistas das quais conhecemos somente a bailarina Rhoiua-.le, obtendo grande êxito em Paris, atualmente. Sarojini Naidu, educada no King's Col- Iege de Londres e no Girton College de Cambridge; famosa poetisa, é autora de vários livros de versos em inglês. E' notável oradora; eleita presidente do "Indian National Congress. Em 1924 foi eleita membro da Royal Society de Literatura Inglesa. Pertence á casta brâmane. Em setembro de 1925, estampada no jornal fluminense «Diário da Manhã» vinha a seguinte nota, que põe em relevo o progresso da mulher indiana, e se resume mais ou menos neste informe: «As princesas Prem e Brinda, de Rapurthula, percorreram há pouco algumas das principais cidades da Europa: Paris, Londres, Veneza, Deauville, em lodos os lugares, emfim. de prazer e elegância — onde causaram a maior surpresa... — toda a gente esperava ver duas mulheres de beleza exótica e costumes asiáticos, guardando ainda nos olhos o grave mistério dos jardins de Rapluniliafa, e o que viu foi duas lindas criaturas de doce sorriso e elegância perfeita. Por isso nas cidades de verão — principalmente em Veneza e na Praia do Lido, elas foram os vultos centrais da saison, fazendo pela sua graça e pela sua beleza um sucesso extraordinário». Como o mundo está mudado! (1) JAPÃO Em 1919 já o Japão contava mulheres proeminentes na ciência, nas artes e nas letras. A Dra. Yshiska, esposa de um médico fundou uma Faculdade de Medicina para mulheres - onde, á data desta notícia - já se haviam formado 300 japonesas, espalhadas pelo seu país, pela China e por Sião. Em 1924 vieram ao "Brasil dois sábios (1) Contavam as crónicas antigas que as indianas e muçulmanas, quando gravemente doentes, recebiam a visita do médico nas seguintes condições: "A doente, amparada pelas suas servas, permanecia oculta atrás de uma cortina e estendia a mão, bem embrulhada e escondida, ao médico, para êle lhe tomar o pulso; depois de algumas preguntas o médico arriscava o diagnóstico. Quando era indispensável levar mais longe a consulta, fazia-se na cortina uma tenda para a doente mostrar a língua — ficando o rosto oculto"! A vista de tal extravagante facto, como não aprovar e fomentar a formatura de mulheres em medicina, principalmente nos pomos que ainda se conservam mais ou menos, em vários sentidos, em estado de barbaria? japonezes empreender estudos médicos por conta do seu governo; viajavam a bordo do «Kawalhi Maru» — eram eles o Dr. Hitsi Saito e a Dra. Wakako Saitó. No número das scientistas japonesas não devemos esquecer a Sra. Makinp, que é fabricante de metais: Melle. Ruroda é química e a aviadora senhorinha Seiko Hyodo que completou o cunso na Escola de Aviação, de Ho, e obteve o diploma durante a grande guerra. E' também distinta no desporto. São tambern aviadoras as Sras. Ribé, e Naéda. A Senhorinha Mouanm, de 18 anos, tirou a carta de automobilista. E' talvez a primeira no Japjio. A princesa Ran In, comi a idade de 18 anos tirou, era 1928, o seu brevet de piloto aviador — treinando para realizar a travessia do Oceano Pacífico, levando seu marido como observador. N a Coréa há uma joven cristã, Marcela Syn, muito inteligente e muito instruída. Fez o curso de Professora em New-York e em Paris, e dedica-se á educação das suas mulheres. A Senhorinha AluroM leciona literatura francesa na Faculdade de Meiji. Além d«grande número de escolas para o sexo feminino, há ali o que se chama Nippon Yoshi Dai Gakho, isto é: «Grande Escola para Mulheres japonesas», espécie de Universidade feminina criada há mais ou menos doze anos, que comporta umas 3.000 alunas, e na qual as moças aprendem, além de história, literatura, sciencias e artes, tudo o mais que uma dona de casa deve saber: guizar, costurar, cuidar da ordem e asseio, etc; tudo isto á japonesa e á -europeia. Em 1921, um a soprano japonesa, Tanmki Miitra, fez no Rio de Janeiro a temporada lírica no teatro Municipal — tendo já obtido êxitos muito lisonjeiros nas principais scenas da Europa e da America. A crítica achava a Tamaki Miara tão pequena de corpo como grande de alma. No teatro Imperial — que foi fundado por uma mulher — resplende a jovem Riisuko Mori. Há salientes estrelas de cinema, e as exposições de arte patenteiam inúmeras produções femininas em quadros e escultura. Na pequena cidade Rwuaia uma eficiente associação de artistas fundou um studio que é hoje uma espécie de rival de Hollywood onde se desenvolvem as muitas artistas: umas exibindo-se em fitas e trajes conforme os rituais da tradição, outras seguindo as modas do Ocidente. Na arte das belas letras é muito conhecida no Japão a Sra. Alúko Yosano. Como as japonesas só são admittidas como ouvintes, nas Universidades, muitas vão para o estrangeiro diplotnar-se nos estudos. Há dez séculos que se notabilizou no romance a genial escritora japonesa Jeanne de Cour, fazendo pendant com ilustres nomes femininos do tempo de Luís XIV e Luís XV. CHINA Nas classes superiores deste país, as mulheres baniram da sua toilette os arcaicos kimonos, jalecos, pantalonas, penteados complicados, e os martirizantes sajiatinhos. As chinesas modernas de Pekim, Shaugai e Nankim, vestem como as parisienses. Nestas cidades há estabelecimentos de modas freqúentadíssimos pelas chinesas. Existem na China umas doze aviadoras.

A S chinesas exercem, como nos países cultos, as mais adiantadas profissões. Estrelas de cinema como Yang-Ma:-Mei, e Al-Ling-Su: e actrizes como Hsuch-Ycn-Chin, são muito pxjmlares e gozam de grande estima. Entre artistas do écran norte-americano há An.u-Alay-Wong de nacionalidade chinesa. A Escola d: línguas orientais de Lenin- (jrado é frequentada por -85 estudantes mongóis de ambos os sexos. FILIPINAS Nas ilhas Filipinas, as instituições americanas transformaram o filipino' e a filipinna. Em 1907, depois de organizados os governos provinciais e municipais, foi-lhes dado um governo autónomo com assembleia e uma completa legislação. Por consequência a filipina atual já é muito diferente da antiga. Das escolas primárias, as modernas filipinas passam á Escola Normal e á Universidade para se tornarem professoras, médicas, advogadas, farmacêuticas e enfermeiras; muitas dedieam-se ao comércio. Recebem nas escolas públicas a precisa instrução* de economia e artes domésticas. Há mulheres á frente de fazendas de cana, de coco e até de empresas de navegação e de firmas exportadoras e importadoras. As mulheres filipinas têm pronunciada tendência para todos os progressos, em especial" para os administrativos. AFRICA Há na Africa do Sul uma escritora e socióloga muito considerada: a Sra. Olivtr Schrãner.

BRASIL No Brasil, apesar de ser um ])aís jovem e nele subsistirem ainda os processos educacionistas postos em prática nos países latinos, as mais idóneas representantes do sexo feminino estão revolucionando, a sociedade brasileira opondo uma moderna educação feminina aos costumes arcaicos do passado. Em consequência desta revolução de costumes que reflecte fielmente o movimento altamente progressista feminino e feminista - que bem se pode qualificar de mundial - a mulher brasileira vai conquistando galhardamente as até aqui inacessíveis profissões masculinas, brilhando na sciencia, na arte e, principalmente, em literatura. Nos Estados mais evolucionados do Brasil — principalmente na linda capital do país — as mulheres de resjionsabilidade social, pela sua posição, pelos seus méritos e dotes intelectuais, formam uma plêiade simpática e considerável que desmente francamente os velhos e repisados preconceitos a que os antifeministas patrícios as têm querido jungir. A Advocacia tem tido> as suas representantes. As primeiras advogadas brasileiras, segundo a indicação dos historiógrafos indígenas, foram: Alaria Coelho, Alaria Fragoso — e outras mais recentes formadas na Faculdade de Direito, do Recife. Advogadas muito distintas da atualidade, conhecemos: a Dra. Alyrics de Campos — Encarregada da Jurisprudência da Corte de Apelação —! e a, Dra. E\ angelina dê CarvaJho que em 1920 estreou no Supremo Tribunal produzindo tão imjwlgante defesa de uma sua cliente autora de um assassinato, que esta foi absolvida por 4 votos contra 3. Evangelina de Carvalho e Aíyrtes de Campos pro- varam ao sexo masculino que o talento, o amor e a persistência no estudo não são monopólio dos homens - pois durante a sua formatura as duas advogadas obtiveram notas distintas pelo duplo fulgor da sua inteligência e do seu espírito; e temos mais: a Dra. Beatriz Mineiro no Juizo de Menores. A Dra. Orminda Bastos, bacharela e elogiada publicista, é amazonense, dedica-se á advocacia. Formada em 1922 na Faculdade Livre de Direito, do Pará, em 1923 era oradora oficial da «Associação da Imprensa do Pará»; e as Sras. Maria Alexandrina Ferreira Chaves, presidenta da Associação de Assistência Judiciária a Menores, Lygia Ferreira Chaves, Eulina de Lemos, Maria Ferreira de Moraes e Laura Bezerra — conhecida educadora <- conferencista. Em novembro de 1931 um criminoso de nome Chrispim, foi absolvido pelo Tribunal do Júri, do Rio, defendido pelas advogadas Maria e NãXhercia Silveira, do Rio Grande do Sai. Em Engenharia conhecemos as Dras.: Edwiges Becher, Anita D. Aiarx, e Maria Esther Ramalho. H á várias outras, porém. A Dra. Natércia Cunha é advogada distinta em Porto Alegre — Estado do Rio Grande do Sul. Berta Luiz, natural de 5. Paulo e residente na Capital Federal, fez a sua educação na capital paulista e na capital francesa — onde foi diplomada em ciências Naturais pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris. Ali permaneceu oito anos em estudos, e no seu regresso á pátria ocupou primeiramente um lugar no Instituto Osvaldo Cruz, até que pelo seu feliz concurso ao lugar de secretária do Museu Nacional — conjuntamente com dez concorrentes do sexo masculino, foi classificada em l.° lugar. No Museu Nacional tem ela um laboratório onde se entrega a estudos de Botânica. Atualmente trabalha pelo moderno movimento feminino. (4) A sua intelectualidade se manifesta, além de tudo, pela sciencia de várias línguas. Maria José de Castro Rebello, possuidora de um espírito culto, de aprimorada instrução e de conhecimento de vários idiomas; também adquiriu por brilhante concurso o lugar de primeiro oficial do Ministério do Exterior, no qual venceu os concorrentes masculinos. Heloísa Alberto Torres — professora substituta de Antropologia no Museu Nacional — cadeira conquistada também por concurso no qual obteve o primeiro lugar. A Medicina tem sido representada, entre outras, pelas Dras. Erntelinda de Sá, Antonieta Morpurgo, Amélia Cavalcanti e várias mais. Das médicas actuais acham-se diversas exercendo a sua profissão em internatos, e como assistentes de Clinica. Há a Dra. Praguer Fr ais e a Dra. Isaura L. C Leite, da Baía; a Dra. Ursulina interna do grande Professor Miguel Couto; a Dra. Rabeca — interna de Clínica Neurológica do distinto Professor e escritor Dr. Austregésilo. A Dra. Yole Agostini, médica pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, exerce atualmente aqui no Paraná a sua profissão. dedicando-se á clinica de senhoras e crianças. No Rio Grande do Sul, além de outras, a Dra. Noemy Valle Rocha. Beatriz Gonsalves Ferreira, farmacêutica, é a primeira química brasileira; desempenha (1) O que tem sido a sua ação no feminismo, vai indicado no capítulo dedicado especialmente a este assunto. habilmente o lugar de químico da Casa da Moeda. A Dra. Beatriz Gonzaga, em 1924 obteve voto unânime para a cadeira livre docente de microbiologia, da Faculdade de Medicina, — a primeira mulher que no Brasil ascende a um lugar no magistério superior. A Dra. Maneta de Olixeira Neves, é cirurgiã-dentista cuja clientela faz honra aos seus méritos científicos. Em zoologia temos Emília Snethlage, que se dedica a viagens de exploração geográfica e ornitológica da Amazónia. Na aviação aérea feminina também o Brasil está representado: Anesia Pinheiro Machado que, em> 1922, por ocasião do Centenário da Independência executou difíceis voos e deu provas magnificas da sua sciencia na aviação. O ) Nos banquetes organizados no Rio de Janeiro em honra aos aviadores lusitanos Gago Coutinho e Sacadura Cabral, tomou parte conjuntamente com a aviadora "francesa, Mm\e. Roland - sendo ambas gentilmente homenageadas pelos aludidos aviadores. Por um grupo de Senhoras formadas, fundou-se no Rio ele./aufiro, em 1929 a «Uríião Universitária Feminina». Da sua directoria destacamos: Cármen Vclasco Portinho, engenheira civil; Heloísa Marinho, formada em Filosofia na Universidade de Chicago; Natércia Cunha Siheiru, advogada; Amélia- Sepieza, engenheira civil. Esta agremiação projiõe-se orientar os esforços das mulheres diplomadas (1) Ao lado de Anesia figurou então, em todas as honras, a aviadora Tercza di Marzo; desde muito, porém, (pie só vemos mencionado na imprensa o nome de Anesia Pinheiro Machada, com o mérito de aviadora brasileira. por todas as Universidades e Faculdades, que residam no Brasil. Na nobilíssima missão do magistério, no Brasil — como, afinal, em todo o mundo - acham-se muitas e dignas mulheres devotadas e competentíssimas, construindo a base sólida da moderna instrução que formará a sociedade do futuro. Atraído ao domínio da Arte muito se distingue o sexo' feminino brasileiro. Na arte de Talma julgamos dever colocar em primeiro lugar, e por ordem cronológica, Esiella Sezèfreda, festejada actriz dramática, natural do Rio de Janeiro, e já pertencente ao século XIX. Esposa do saudoso actor brasileiro João Caetano, eram então julgados os dois mais notáveis artistas do seu tempo. A seguir, a velha e apreciada Apolónia Pinto, do mesmo século, cujo jubileu artístico foi aparatosamente celebrado no Rio, em novembro de 1925., com a cer/mónia da sua coroação. Conta o 'Brasil, na mesma arte, Ism.cnia Santos e Nina Sanzl. Rotulando uma companhia, percorre o Brasil, com grandes encómios da crítica teatral, a já consagrada actriz Iracema de Alencar — que realmente muito se tem notabilizado á frente dessa companhia. Várias outras companhias dramáticas ou comediantes, dirigidas por nomes femininos - - e nas quais figuram competentes actrizes brasileiras, excursionam amiudadas vezes pelas principais cidades do país. A actriz dramática contemporânea, Itália Fausta — celebrizada pela imprensa e pelo público exigente de cultas plateias nacionais e estrangeiras; é considerada sua emula Lucília Peres. Luisa Leonardo é actriz e contista. Maria Castro actriz dramática. Abigail Maia. Helena Magalhães Castro e varias outras.

A ex-actriz Guilhermina Rocha, que em 1921 cursava a Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, concluiu então uma nova produção teatral denominada «O Perereca». Além destas muitas outras já se salientam no 'teatro Brasileiro. Na scena muda há: Lia Tora, vencedora do concurso da Fox; ingressou em Hollywood em 1928. Niia Nery, Lelita Rosa, Tamar Mocma, Didi Viana, Yara Dazil, Elisa Beity e Diva Tosca — carioca. Há outras artistas no cinema brasileiro — nascidas no estrangeiro. Na divina arte da música salientam-se nomes femininos de reputação mundial. Principalmente na Capital da Republica são muitas as musicistas famigeradas — saídas do Conservatório e do Instituto Nacional de Música: há pianistas, violoncelistas, violinistas e cantoras. As mais reputadas como pianistas, são: a célebre virtuosa Guiomar Novaes que tem o seu nome consagrado pelo selecto público das grandes capitais estrangeiras da America e da Europa. A realização dos seus recitais de caridade traduzem os seus sentimentos altruís- 'ticos e a sua capacidade artística. Antonieta Rudge e Aladalena Tagliaferro, pianistas também admiradas dentro e fora do país. E a Senhorinha Leonor de Macedo Cosia. Em 1921 um a artistazinha de 11 anos — Mcmia Antónia, realizou em Paris um recital de piano, em que obteve gerais elogios, depois de ter colhido verdadeiros triunfos em New-York, Buenos Aires, S. Paulo e Rio de Janeiro. Completou os seus estudos esta precoce e talentosa artista, no Conservatório de Paris, onde foi classificada. Nesse mesmo ano um telegrama do Rio comunicava que o Ministro da Fazenda aprovara o concurso de violoncelo realizado no teatro S. Pedro, concedendo o prémio de viagem á senhorinha Cármen Andrade. Cremos tratar-se, embora por unia pequena diferença de nome o não pareça, da senhorinha Cármen Braga, cujo mérito era justamente apreciado em 1923, na magnífica revista de arte e pensamento: «Renascença» fundada e redigida por Maria Lacerda de Moura, em S. Paulo. Cármen Braga — violoncelista e 1.° prémio do Conservatório do Rio de Janeiro, é natural do Estado de Minas Geraes. Em um concurso de violoncelo organizado pelos Professores do Conservatório de Paris, ela obteve o 1." lugar no júri, entre 30 concorrentes, dos quais: 3 primeiros prémios de Paris, 3 primeiros prémios de Rontft e um primeiro prémio da Roménia — todos de consagrada reputação. Quando de regresso ao Rio, esta sublime artista relatou era entrevistas o êxito obtido nesse concurso, descrevendo o estado de seu espírito que lhe dizia: «Lembra-te que neste momento representas o Brasil, é preciso elevá-lo acima de tudo». E continua: «Senti em mim qualquer coisa fora do comum, uma exaltação de todo o meu ser e toquei como se fosse guiada por uma inspiração extraordinária como nunca em nenhum dos meus concertos consegui realizar». O júri ofereceu-lhe um álbum com autógrafos dos Professores: G. Remy, de violino, do Conservatório de Paris; Paul Bazelcáre, concertista, Professor de violoncelo do mesmo' Conservatório; Mme. Felia Litivine, cantora russa concertista; G. Teódoroff, cantor da Opera de Paris; Dorothy Dackiniz — pianista, concertista da America do Norte; C.

Atachee, regente americano; Carlos Pedrcll, regente argentino. Além deste notável triunfo, Cármen Braga tomou ali parte Em diversos concertos, fazendo questão de executar músicas brasileiras. Acompanha Cármen Biaga nas suas brilhantes tournées artísticas, a distinta pianista Sra. Elvira Braga Cordeiro de Aíelo. Em 1923 diziam de Buenos Aires que o embaixador do Brasil, Dr. Pedro de Toledo, oferecera um chá de honra á violinista patrícia Maria de Lourdes — que andava em excursão artística pela America. Outra pianista brasileira, Lúcia Branco, obteve, em 1924, completo triunfo em Bruxelas, em um concerto de orquestra efectuado no Conservatório de Música daquela capital — ao qual assistiu a rainha Elisabeth. No mesmo ano chega a Paris e tem festiva recepção a joven Bidií Sayão — como tem tido em outras capitais eurojieias. Esta ilustre artista aperfeiçoou os seus dotes de cantora na Europa. Na respectiva crítica existem duas opiniões: sendo classificada por uns como soprano ligeiro, por outros como soprano lírico. Faz amiudadas e vitoriosas excursões pela Euro/.u. Em março de 1926 estreou no teatro Consianzi, em Roma, sendo aclainadissima pela enorme assistência que a ouvia. Ainda em 1924 fez também sucesso em Roma, no teatro Constanzi, a cantora Lina Castro, cujos méritos são enaltecidos pela imprensa romana. Foi visitada no seu camarim pelas princesas Joana e Mafalda. Igualmente têm feito sucesso no estrangeiro, as cantoras Tina Pagi e Antonieta <l< Sousa. Esta ultima íoi — so; — contratada em 1926, pela fonograíia "Nazionaie", em Milão, para impressionar vários discos. Em princípios de 1926 realizava concertos em Paris, com assinalado sucesso, a pianista Nair Medeiros. Em abril do mesmo ano regressa ao Rio a pianista Matilde Nunes, depois da sua tournée pela França, Bélgica e Portugal, cuja crítica musical a consagrou como uma das grandes artistas da atualidade. Atualmente está obtendo honrosas críticas de jornais alemães — em Leipzig a pianista Inocência Rocha. De reconhecida reputação é também o nome da distinta violinista fluminense Paulina de Ambrósio; e temos a graciosa violinista Dora Soares que regressou ao Brasil com a fama de gloriosos triunfos na Eurppa. Esta violinista andou em excursão artística pelo Sul e deu alguns concertos em Curitiba onde foi glorificada pela crítica. Cármen Santos é também festejada violinista. Segue-se na esteira brilhante a senhorinha Ceição de Barro* Barreto — também 1." prémio do Instituto National de Música. Hilda Rocha Canejo — 1.° prémio «Alberto Nepomuceno», e festejadíssima pelo selecto público da capital do pais, em face dos seus belos recitais. Pina Mónaco, Zolu Amaro e Lucina Soeiro gozam também de justa fana no país, na arte do canto. Além destas podemos ainda indicar como cantoras distintas: Julieta Telles de Menezes, denominada: «rouxinol brasileiro»; Beatriz Teu Briuk Sherrard, Hedv Iracema, Maria Antonieta Ribeiro, Lydia Salgado, Margarida Simões, Carnéen Torres, Abigail 'Purcds, e Leonor de Águia/ Uma cantora muito apreciada - embora não profissional — nas rodas artísticas do Rio, S. Paulo e Paraná, foi a senhorinha Marie ta Bezerra, filha do general Bezerra. Várias destas distintas cultoras da arte musical se têm exibido aqui na capital do Estado do Paraná. Pela Europa tem viajado uma maestrina brasileira — Jonnidia Sodré. Aluna do grande regente alemão Weingharten, foi por êle distinguida com a regência, em Berlim, de uma orquestra em que figuravam professores da Filarmónica da capital alemã. Chegando ao Rio de Janeiro — onde era anciosamfcnte esperada, dirigiu no teatro Municipal um grande concerto sinfónico. No Rio de Janeiro há orquestras compostas só de mulheres. O Dr. Austregésilo — autor gentil do livro «Perfil da Mulher Brasileira», é uma autorizada opinião porque está a par do movimento artistico-musical feminino patrício — diz êle no aludido livro, que cada vez mais se acentua a talvez predominância do cultivo feminino na música do Brasil, sobre o masculino. Representando a pintura temos, no século XVII Rita Joana de Sousa, pernambucana; foi pintora e erudita, merecendo — apesar dos seus 22 anos de idade — justos encómios aos seus dotes de espírito e de inteligência, Entre as pintoras contemporâneas salientam-se o: nomes laureados de Georgina de Albuquerque, de comprovado talento, e Regina Veiga — que aperfeiçoou os seus estudos na Europa; ambas premiadas, respectivamente, pela Escola de Belas Artes, do Rio, e pela Academia artística oficial. Seguem-se: a fina pastelista Sylvia Meyer cujos méritos técnicos lhe garantem os predicados de mestra; Ber- lha Worms - cujas exposições de pintura têm merecido elogiosa crítica; estudou em Paris com Jules I.efeln re; tem diploma de desenho da Escola de Belas Artes da Capital francesa. Fcdora Mouteiro e Sara de Figueiredo, cujo talento se acentua dia a dia. Tárcila do Amaral, pela sua sugestiva exposição de quadros realizada em 5. Paulo, em 1929, foi qualificada por um crítico idlóneo •— num bem lançado e consciencioso artigo — «renovadora da pintura nacional». Os seus quadros revelam uma técnica espontaneamente moderna. Guiomar Fagundes, talentosa pintora paulista. Através a magia do colorido dos seus quadros exibidos numa exposição realizada em Santos — sua cidade natal os críticos puderam traduzir os encantos da sua alma sensível, cognominando-a — a «poetisa da Côr». Em escultura há nomes bem reputados: Nicolina Vaz, casada com o igualmente conhecido escultor português Rodolfo Pinto do Couto. Ambos abriram exposição das suas produções — muito elogiadas no Rio de Janeiro em fins de 1929. Julieta FrdpÇU, senhorinhas Flora Hcinzelmann e Margarida Lopes de Almeida; esta última ganhou o prémio de viagem á Europa. As obras destas autoras, segundo os seus cronistas, prometem lisonjeiro progresso. A literatura feminina no Brasil? atendendo a que é um país novo, achamo-la um verdadeiro assombro — principalmente na capital e nos Estados mais progressivos, como: S Paulo, Minas Geraés e Rio Grande do Sul. A o despontar do século XVIII, Angela do Amaral Rangel, fluminense, era poetisa improvisadora — com que a gênerosa Musa compensava o seu formoso estro, da infelici- dade de ser cega! A modesta Grata Ermelinda, pensadora; foi discípula do Marguês de Maricá. Publicou um livro de máximas e sentenças saturadas de bondade e moralidade filosófica, das quais destacamos apenas urna: «Os homens z o m b a m da ignorância das mulheres, sem se lembrarem de que as educam somente para suas escravas, e que, portanto, elas precisam saber obedecer-lhes». Delfina Benigna da Cunha, já do século XIX, foi um a poetisa Em quem os resjiectivos cronistas reconhecem um a bela inspiração — predicado tornado mais sublime pela sua cegueira quasi de nascença, cm consequência do que construia versos tristes como estes: "Mas que posso eu fazer? nas trevas, Sem gozar este dom, que é quasi vida, Sim, a vida, o que é? É força, é gozo, É luz que ilumina o espaço imenso." Deixou dois volumes de poesias. Barbara Eliodora, linda e poetisa, tomou parte activa na conspiração mineira, peio que foi denominada pelos historiógrafos: «Heroina da Inconfidência». Segundoí a afirmativa dos cronistas, podemo-la considerar feminista; pois no seu sonho revolucionário pensava elevar a filha ao píncaro governamental — se a revolução vencesse. A primeira e principal intelectual que surgiu no Brasil, no século XIX — segundo o afirma a imprensa indígena — foi Nizia Floresta (Augusta), justamente considerada ainda hoje a primeira mentalidade feminina brasileira. A primeira obra que escreveu intitulavase: «Direito das Mulheres» tem 1833). Em 1842 fazia conferencias abolicionistas e republicanas, nas quais pregava a liberdade de cultos e a federação.

Lia natural do Rio Grande do Norte, onde fundou um colégio, e dali mudou a sua residência para o Rio de Janeiro aí continuando a sua digna missão de educadora. Em 1849 fixou residência em Paris onde conviveu com os mais proeminentes intelectuais do seu tempo: I.amartine, Victor Hugo, George Sand, Sainí-Hilaire, Laboulaye, Augusío Comte. Existeni cartas editadas da sua correspondência com A. Conde. Viajando pela Europa habitou por muito tempo a Itália, correspondendo-se com Manzini, Garibaldi e outros revolucionários, externando na imprensa italiana a sua entusiástica simpatia jiela revolução. Viajando pelo Orienie, deu a lume brilhantes páginas sobre a Grécia. Nas suas revelações de escritora notabilizava-se pela sua incomparável largueza de vistas e pela sua elevada comjienetração de problemas sociais. Frequentou os principais cursos científicos na lialia, na Inglaterra e em Paris. Além de algumas produções em! poesia — várias das quais deixou inéditas, esta extraordinária intelectual publicou uns doze livros, sendo alguns deles escritos em francês e italiano. Ainda do século XIX é Júlia Coriiu.cs, poetisa, natural do Rio de Janeiro, e autora de «Versos» e de «Vibrações», e colecções de poesias de muito delicada inspiração, que a crítica acha de grande perfeição de forma. Hyldeth Fcnilfai, autora dos poemas: «Dôr Suave», e «Sarabanda Iluminada». Palmyra Wanderley, poetisa, autora de «Esmeraldas» e "Festa das Cores". E' filha do Rio Grande do Norte. Marina Coelho Cintra, também poetisa; autora inspirada de: «Primeiras Folhas», «Apo- geos e declínios», e «Uma voz no ocaso». Considerada a primeira escritora brasilei- ra da atualidade, é Júlia Lopes de Almeida,, que desde muito nova se dedicou com reconhecido talento ás letras. As suas publicações, quasi todas em prosa, são muitas e nelas se tem notabilizado princijialmente como romancista. É também distinta e brilhante conferencista. A sua reputação de fina intelectual tem ecoado fora do Brasil. Sua distinta irmã. Adelina Lopes Vieira, foi educadora, escritora e jioetisa. Nasceu em Portugal e veio ainda criança para o Brasil — devendo ser considerada, portanto, literariamente, brasileira. (1) Duas intelectuais tão distintas como modestas, são as irmãs Revocata Heloísa de Melo e Julieta de Melo Monteiro, (2) do Rio Grande do Sul — filhas da ilustre Senhora Revocafn P. Figueiroa e Aielo, igualmente um espírito culto, que, sob o pseudónimo de «Americana», brilhante e largamente colaborou na imprensa do seu país — como escritora e jioetisa. Além da sua festejada colaboração desde muitos anos em' vários órgãos da imprensa, da sua constante e formosa colaboração em poesia e em prosa no seu querido «Corymbo», têm estas dignas intelectuais publicado vários livros em prosa e verso, e têm posto-, na sociedade em que vivem e são condignamente respeitadas, o seu valioso jiréstimo moral e intelectual ao serviço das mais nobres causas — acompanhando e defendendo com firmeza de convicções, todos os ideais modernos e to-< dos os actuais problemas sociais. A modéstia e mais virtudes que exornam a alma nobilíssima destas gentis publicistas — conhecidas até além das fronteiras do seu país, fazem pendant com os seus méritos de literatas e edu- (1) Há muito falecida. (2) Falecida em 1928. cadoras. Na colaboração da sua revista de arte, «O Corymbo» brilham vários nomes e pseudónimos femininos pertencentes a alguns Estados da federação; pois que em todos eles, principalmente nos mais evolvidos, o sexo frágil se impõe pela cultura e intelectualidade de muitas senhoras, e pela organização de beneficentes associações femininas. Ao grupo das intelectuais mais antigas pertencem: Rosália Sandoval e a conhecida jornalista e romancista Andradina d'Oliveira. Sua filha Lola d'Oliveira é poetisa, autora dos livros de versos: «Ametistas» e «Esmeraldas» que já contam algumas edições. Yainha Pereira Gomes, de 5. Paulo, é reputada como talentosa na prosa e no verso, pertencente á moderna geração literária desse Estado sulista. Em 1925 a imprensa paranaense dava a seguinte nota do Estado de Sta. Catarina: «Terminaram hoje as provas orais do concurso da Escola Normal para o preenchimento das cadeiras de Matemática, Historia Natural, Alemão, Latim' e Francês — havendo duas senhoras concorrentes». Ignez Sabino — pernambucana, há muito conhecida como escritora distinta. O seu último livro: «Mulheres ilustres do Brasil» mereceu a sanção dos críticos. A muito considerada Albertina Berta, autora dos livros: «Exaltação» e «Estudos» que mereceram boa crítica da imprensa — que a apresenta possuidora de uma inteligência brilhante e rara cultura intelectual — augurandolhe largo futuro nas letras. Em fins do ano de 1925 publicou outro livro — «Violeta», que teve também óptimas referencias. Auta de Sousa — do Rio Grande do Norte — e Francisca Júlia, poetisas; a primeira autora do livro «Horto», e a segunda • autora de "Mármores" e "Esfinges", e Carmen Dolores, prosadora, — todas três já falecidas — foram primorosas intelectuais. Chrysanteme, (pseudónimo de Cecília de Vasconcelos), é filha de Cármen Dolores — (também pseudónimo); é colaboradora do «O Piais», novelista e autora de várias obras li-! terárias. T a m b é m do século XIX é a poetisa Narciza Amália, natural de 5. João da Barra,, autora de «Nebulosas», livro de poesias. Dagmár Gomies — escritora que obteve menção honrosa da Academia Brasileira de Letras, para o seu livro «Symbiose». A brilhante poetisa Rosalina Coelho Lisboa pertence ao número dos vencedores do grande concurso de poesia aberto pela Academia — obtendo que fosse premiado o seu festejado livro «Rito Pagão». A impressionante poetisa realista contemporânea, Gilka Machado, que figura Em plano saliente na poesia brasileira, sendo colocada pela crítica, ao lado dos maioires poetas nacionais; também foi premiada no aludido concurso. Neste facto está expresso o melhor elogio que se possa fazer ao belo talento das três vitoriosas poetisas. Ruth Ribeiro de Castro — comediógrafa, autora da alta comédia: «E a vida continuou...» também premiada pela Academir de Letras. A festejada poetisa Maria Eugenia Carneiro de Aiendonça e Ibrantina Cardona, notáveis beletristas; a última é autora do poema trágico-histórico: «Cleópatra», das obras em prosa e verso: «Plectros» — esta muito elogiada oportunamente na imprensa portugue- s a —; «Heptacórdio», «Cosmos» e «Primavera do Amor». Em 28 de março de 1924 a Academia fluminense fez-lhc uma festiva recepção no teatro «João Caetano» para lhe dar a posse da sua cadeira de membro correspondente desta selecta agremiação. É também membro correspondente do Instituto Histórico-Geográfico de 5. Paulo. As poetisas mais modernas são: Maria Sabina de Albuquerque-,, que estreou com os livros: «A penumbra do Sonho» e «Agua Dormente», classificados por um cronista do «Correio da Manhã»: — um cântico de amor e sofrimento. Apiicina do Carmo, autora do livro de versos «Cinzas... Pó...», e a muito joven llka de Freitas Maia que estreou aos 16 anos e já poetisa de elevado merecimento. «Artista intuitiva» — pois a cultura que possuía quando surgiu a poetar com notável sentimento e brilho, resumia-se num curso de grupo escolar! A conscienciosa escritora Maria Lacerda de Moura», na «Renascença» de 1923 reforça a sua análise á arte precoce desta novel artista do verso, com o costumado desabafo dos descrentes no mérito feminino, que põem em dúvida a autoria feminina das próprias produções — quando são de valor intrínseco. A própria Maria Lacerda de Moura (e como esta quantas e quantas!) foi vítima da apontada suposição, pois os seus primeiros e já valiosos trabalhos literários eram atribuídos a seu ilustre Pai... (hoje falecido). Maria Lacerda de Moura, natural do Estado de Minas Geraes, é uma das mais salientes escritoras contemporâneas, e vigorosa jornalista — bem como uma das mais convictas no feminismo sensato do Brasil. É uma grande entusiasta pelos ideais modernos, ao serviço dos quais ela tem posto com amor e com talento notável, a sua pena franca, positiva, primorosa. Além da sua valiosa co- laboração em jornais do país e do estrangeiro, já publicou, além de obras didáticas, três livros — sendo um deles intitulado: «Em torno da Educação». Outro ostenta um título irónico: «A mulher é uma degenerada..<» O seu último livro é Intitulado: «Religião do Amor e da Beleza». Todos mereceram as mais consoladoras críticas de várias e aprimoradas penas do país e do estrangeiro. Uma das primeiras qualidades desta ilustre escritora, é a sinceridade impressionante com que escreve, não só para o público, como na sua correspondência jmrticular Em que transparece uma espontânea nobreza de sentimentos digna de toda a simpatia. São notáveis a.franqueza e desassombro com que expõe as suas ideias e convicções. No Estado de Minas Géraes há nomes femininos já consagrados nas ciências e nas letras. Da Faculdade de Medicina de Belo Horisontc têm saído várias moças diplomadas. A Faculdade de Direito também ali é frequentada pelo sexo feminino. Entre as escritoras e conferencistas brasileiras acha-se também Ana César. Poetisas contemporâneas há mais: Lauriía de Lacerda, Laura da Fonseca e Silva, Regina de Alencar, Aiaroquinha Rabelo, Áurea Pires. Leonor Posadas, escritora e poetisa, autora de obras para a infância. Iracema Guimarães Vilela (pseudónimo — Abel Juruá,) filha d 0 distinto poeta Luis Guimarães, é novelista. Maria Eugenia Celso, colaboradora assídua da «Revista dâ Semana», do Rio de Janeiro; apesar de muito jovem já jiublicouí um livro que foi muito bem recebido pela crítica. É filha do Conde de Afonso Celso. Conhecemos mais: Else do Nascimento Madiado — professora, poetisa e escritora femi- nista; é fluminense, autora de vários livros; estreou com o livro: "O Progresso feminino e a sua base", que achamos um belo e ponderado estudo de mérito histórico, moral e filosófico. É formada em Filosofia. Iveía Ribeiro, que há pouco foi a Portugal com a simpjática missão, incumbida pelo Centro Carioca, de agitar o intercambio intelectual feminino luso-brasileiro. Foi estimadíssima n 0 aludido país. Fina intelectual. Esta regressou com duas mensagens que entregou ao Centro perante altas autoridades brasileiras e portuguesas, e enviadas pelos Srs. Governador Civi] de Lisboa, e Presidente da Camará Municipal da mesma capital portuguesa. Esiher Ferreira Viana — poetisa e feminista. É directora artística da «Federação Brasileira pelo Progresso Feminino». Maria Dória Bittencourt, filha do Estado da Baía, foi classificada em primeiro lugar no concurso de oratória do Distrito Federal. Cecília Meireles, escritora e colaboradora assídua do "Diário de Noticias", do Rio; e a simpática prosadora Zita Coelho Netto. filha do príncipe dos prosadores brasileiros, Coelho Netto. Em declamação também há nomes Em grande evidencia, como: Angela Vargas — criadora da declamação no Brasil; a prefeitura do Distrito Federal mantém uma Escola Dramática cuja professora é esta ilustre diseuse. E Margarida Lopes de Almeida; ambas, como diseuses, se exibiram aqui no Paraná, no teatro Gttayra, onde foi colocada uma placa comemorativa da sua passagem por Curitiba — capital deste Estado. Não há dúvida que a prática desta arte e um a bela forma de perpetuar a poesia lírica. Entretanto o poeta Raul Machado diz que na sua opinião as diseuses deviam pagar aos poetas direitos de autoria... N a arte das belas letras há várias autoras mais, cujo No m e nos não acode no momento, pois é já notável o respectivo número — porque notável é o surto espiritual da mulher brasileira. Além disso o nosso principal empenho é indicar as principais intelectualidades femininas, isto é, exemplificar. Em março de 1922 veio-nos á mão um número do jornal carioca «O Brasil», trazendo na l.a página, a propósito da comentada admissão das senhoras intelectuais na Academia de Letras, a súmula, Em todo o sentido interessante, das opiniões pro e contra de alguns dos seus mais antigos membros. O regulamento da nobre instituição não proibe a entrada no seu seio, ao sexo feminino, da mesma forma que a Constituição o não exclui do sufrágio político, apesar do que, tem êle sido sempre excluído Em ambos os casos — a exemplo da Academia e leis sistemáticas fran- < cesas. (1) Quando a distinta poetisa Francisca Júlia faleceu, o Sr. Humberto de Campos fez-lhe na Academia um significativo panegírico, lamentando que esta artista do verso não tivesse sido aceita entre os imortais — discurso que ecoou na Itália e impeliu o ilustre jooeta Magalhães Azevedo — que ali se achava no momento — a dirigir um a carta aos seus colegas na qual propunha que das 40 cadeiras da Aca- (1) Entretanto, a "Academia de Ciências", de Paris, conta em seu seio um nome feminino: a notável scientista Mme. Curie. demia, 4 fossem destinadas ás escritoras. (Ao menos... ) Com o constasse no «O Brasil» que Albertina Berta pensava em se candidatar, este jornal consultou a tal respeito alguns académicos, publicando em seguida a opinião dos mesmos. Aceitavam a concorrência feminina, cujos méritos artístico-instrutivos correspondessem á nobreza do lugar, os conhecidos intelectuais: Rodrigo Octávio, Lauro Miiller, Félix Pacheco (este quer que o número de cadeiras da Academia seja igual para ambos os sexos); Clóvis Beviláqua, — Coelho Neto com uma resposta lisonjeira digna do seu talento e do seu caracter: (1) Humberto de Campos, Filinio de Almeida. Medeiros de Albuquerque respondeu afirmativa e francamente. Goulard de Andrade opina que das 40 cadeiras vinte devem ser destinadas ao sexo feminino — (na mais linda e justa igualdade sexual). Carlos de Laet que, oportunamente, havia proposto a entrada de Francisca Júlia na Academia; e Osório Duque Estrada com o eloquente laconismo: «Mulher que publica livros vira a homem...» Urn argumento importante e francamente feminista resulta de tão interessante etiquete: é que a maioria dos imortais consultados é pela admissão do sexo contrário, pois que entendem, e muito bem, que esta agremiação (1) Estranhamos uma notícia publicada em novembro de 1925, tratando da falada candidatura da escritora fulia Lopes de Almeida, na qual se vê uma opinião do escritor Coelho Netto — que vem de encontro á primeira. A mesma notícia dá favoráveis a candidaturas femininas, os imortais: Augusto de Lima, Humberto de Campos e Alberto de Oliveira; e opõem-se os Srs. Afranio Peixoto, Constâncio Alves e... Coelho Netto I não deve ser monopolizada pelo sexo masculino. O resultado da aludida investigação feita a 15 académicos, apresenta, contrários: Mário de Alencar e Augusto de Lima. Indecisos: Ataulpho N. de Paiva e Dantas Barreto. Em suma: contrários — 2; indecisos — 2; e a favor — 11. Conclusão: nem' Em face da maioria transigente venceu a causa feminina! Em 1930 recusou a Academia, por grande maioria, a candidatura da escritora Amélia Beviláqua, ao preenchimento da vaga tieixadaí pelo falecido e ilustre académico Alfredo Pujp%. Votaram a favor: os Drs. Affonso Celso, Luis Ca/los, Augusto de Lima., Fernando Magalhães, Adelmpr Tavares e Laudelino Freire. Conta-se que o académico Lúcio de Mendonça, a uma oportuna jiregunta do príncipe dos poetas, Alberto de Oliveira, sobre a admissão á Academia, da poetisa fluminense Narcisa Amália, respondeu: "Não! aquilo não é coisa para mulheres!" Embora o valor da nossa humilde opinião seja nulo, sempre diremos que achamos uma flagrante contradição no facto de podeíem as Academias premiar senhoras, nomear, por exemplo, a distinta poetisa Ibrantina Cardona membro correspondente—dando-lhe a respectiva cadeira — e não as aceitar no seu grémio — embora muito dignas de uma cadeira académica! Parece-nos que o nosso adiantado Brasil daria a outras Academias um belo exemplo de progresso e altruísmo, estabelecendo esta igualdade de sexos — que provavelmente bem poderia ser por elas irritado. Do contrário arrisca-se a denominar-se a meritíssima instituição: "Academia de Letras £0 para Homens".

Vamos, a propósito, contar uma singular e interessante história: Em 1921 debatia-se, certamente, a mes- m a questão na Academia Mineira de Letras, em razão do que, o Sr. Nilo Bruzzi enviou á «A Noite», do Rio, a seguinte chistosa carta — encimada por esta graciosa epígrafe da respectiva Redação: «Um escritor que tem medo de mulheres» — missiva que transcrevemos a título de curiosidade, e porque bem merece ser conhecida. «Ei-la: «Prezados colegas. — Publicaram, os queridos confrades, ontem, na «A Noite», dois telegramas de Minas, sobre a vaga de Alphonsus Guimarães, na Academia Mineira de Letras. Realmente manifestei desejos de ocupar a cadeira daquele grande poeta conterrâneo e estava mesmo disposto a ir até ao fim com a minha candidatura, se não surgisse nenhum nome de mulher entre os candidatos á semiimortalidade. Não é porque m e sinta humilhado, nem por nenhum capricho ou prevenção. É, apenas, porque absolutamente nunca concorri, não concorro nemjamais concorrerei com as mulheres em cousa alguma cia vida. Prefiro correr atrás do outro sexo, ou que êle corra atrás de mim — nunca concorrer com êle... É um a questão de inst into de conservação. Retiro, portanto, a minha candidatura, que não chegou a ser lançada». _ Em 1924 concorreram aos prémios da "Academia Brasileira de Letras"; Cleomenes de Campos, com o seu livro — "Coração Encantado» e Ibraniina Cardona, com «Cleópatra» — (poesia): Bovina Cavalcanti com o «Aeen- dedor de Lampeões» — (Ensaio); e Eulália de Abreu Sanpaio com — «Grandes do Brasil»-- (Erudição). Em outro concurso aberto pela Academia figuram obras premiadas de outras distintas literatas, entre as quais — «Isca» de Júlia Lopes de Almeida. O primeiro Ministro da Itália, Mussolini, também criou a Academia Italiana dos Imortais — que já recebeu no seu seio três mulheres; sendo uma delas Grazia Deledda autora do livro «La Madre» agraciado com o prémio Nobel. Ninguém deixará de reconhecer fiêste simpático gesto dos intelectuais italianos, a sua justa significação. Na capital do Estado de Sta. Catarina também foram admitidas na sua Academia de Letras duas mulheres; as festejadas intectuais Maura de Senna Pereira e Delminda da Silveira. PARANÁ Em ciências, no Estado do Paraná, formadas na nossa Universidade, temos: — em direito, a Dra. Isaura Sidney Gasparini, atualmente no Rio de Janeiro e ali continuando a exercer a sua actividade num estabelecimento de instrução, dedicando-se á nobilíssima missão do ensino. Em Medicina a Dra. Falce de Macedo, que em Curitiba presta competentemente os seus serviços profissionais, Dra.. Oliva Terra Franco è Dra. Josefina. Flaks. Em Farmácia Alice Grilo Pimentel, a professora Joana Fal ce de Scalco, a professora Zeny dos Santos Lima Carrano, e outras mais. Em Odontologia, além de outras cujo nome nos não lembra, as profissionais Myriam í da Conta Straub, Ana Glacie, IuizUa Munhez, etc. Em 1927 foi inaugurado um monumento a Júlia Wandcrley — primeira professora normalista em Curitiba; os seus colegas e admiradores levantaraut-lhe o busto em bronze, em frente á nossa Universidade. Em janeiro de 1926, os jornais de Curitiba noticiaram a estreia de uma jovem advogada paranaense — Dra. Orminda Pinto, que no grande júri de 19 do mesmo mês, no Rio de Janeiro, iria acusar um réu, facto considerado como o principal atractivo desse júri. No Paraná, comquanto o feminismo seja ainda muito incipiente, temos um estabelecimento superior já notável •— a Universidade, que é muito frequentada pelo sexo feminino. Temos, alérn dos estabelecimentos de instrução oficial — Gimnásio, Escola Normal e Instituto Comercial, para os dois sexos, a Escola Profissional Feminina. Além do Instituto Comercial oficial, existe a Escola Pratica do Comércio, particular; tanto de uma como do outro têm saído moças preparadas para guarda-livros e para o comércio. A capital paranaense possui também um Conservatório de música fundado em 1913 pelo distinto pianista e compositor suíço, Léo Ressler, já falecido. Este estabelecimento deu notável impulso á arte musical neste progressivo Estado — mercê dos carinhosos esforços do mencionado musicista. Aqui o sexo feminino muito já se dedica —i e com êxito saliente — ao cultivo das artes, principalmente á arte sublime da música. Á frente das senhorinhas que se consagram ao violino, tem-se imposto o nome popularíssimo de Bianca Bianchi — já conhecido na capital da Republica; esta talentosa artista conseguiu dominar o difícil ins- trumento a ponto de auxiliar proficientemente, em aplaudidos concertos aqui realizados, os concertistas de piano e violino, nacionais e estrangeiros, cujo nome aqui chega aureolado pela consagração mundial. £ intensa a sua reputação artística na capital deste Estado. Em 1928 partiu para a Itália a aperfeiçoar os seus estudos — donde há poucos meses regressou a Curitiba. (Em 1931). Indicaremos por ordem cronológica asmusicistas paranaenses mais Em evidencia e que se têm exibido em público: as profissionais senhorinhas Raquel Menssing, pianista; e aí cantoras Josepha e Soledade Correia de Freitas, artistas profissionais de justo mérito, diplomadas pelo Instituto Nacional da capital federal. Dedicam-se também com êxito á arte do canto as amadoras senhorinhas Estela Amaral, Nirwn Hauer, Fernandina Marques e Nené Ferreira. as quais, nas suas exibições em público, têm conquistado bons conceitos da crítica. Na arte do teclado são ainda as irmãs Lubrano profissionais e diplomadas na Itália. Mais as distintas pianistas senhorinhas: Heloísa Guimarães, AlãTgarida Solleid, Ruth Pimentel, Andiara Guimarães; e Mana José Assunção, diplomada pelo Instituto Nacional de Musica da capital do Brasil A Sra,. Inez Cole Munhoz manifestou-se ao culto público de Curitiba, uma artista amadora digna de admiração — como pianista. A crítica enalteceu-lhe a supremacia na execução, na técnica e na interpretação.

A senhorinha Sofia Sieradzki, também estreou brilhantemente Em público como violinista. As irmãs Lúcia e Wanda Schulz, respectivamente violinista e pianista, diplomadas no aludido Instituto. Margarida Silva e Yvone Pariffot de Sousa, respectivamente pianista e violinista, foram aperfeiçoar a sua arte no estrangeiro. Em composição manifesta-se uma esperança a senhorinha Judith Agner. Na vanguarda das Sras. que se dedicam á Pintura, apresenta-se a já assinalada artista Sra. Amélia de Assumpção, que realizou nesta capital, com reconhecido êxito, duas exposições de belos quadros óleográficos. É digna consorte do acatado jurisconsulto, escritor e crítico de arte, Dr. Pamphilo de Assumpção cujas ideias relativas aos direitos civis que deve fruir o sexo feminino, muito honram a causa feminista. No horizonte da arte de Talnia, bem comio no das belas letras, começam a desenhar-se — mais ou menos nítidas— algumas vocações femininas. (1) H á várias sociedades teatrais cultuando com decidida vocação a arte respectiva, nas quais se salientam' nomes femininos diversos. Diz-se que é paranaense a actriz Rosa Sandrini que ern princípios de 1926 veio a Curitiba, fazendo parte da Companhia Brasileira de Revistas que trabalhou no Palacio-Teatro. Cremos que o pseudónimo feminino Raquel Prado, que ás vezes aparece numa ou outra revista fluminense, pertence a um a paranaense. A primeira intelectual paranaense, na arte das belas letras, que se salientou e como tal (1) Anita Philipowski na prosa, c Ada Maeagi no verso. brilhou no século XIX, foi a poetisa Júlia da Costa. Como espíritos adventícios que por longo espaço de tempo conviveram entre nós — e que por isso merecem a nossa referencia — citaremos, cronologicamente, Mme. Georgina Mongruel, professora e literata, natural da Bélgica, mas de origem francesa, hoje ausente do Paraná. E Mlle. Lucie Lavai — francesa, filha do Senegal, que, apenas principiou a cruzar a poesia, como uma lisonjeira promessa desapareceu com a fugacidade do meteoro, em cruciante demanda do ocaso tumular! URUOUAY No Uruguai, em' sciencia conhecemos duas medicas: a talentosa Dra. Paulina Luisi, educadora e socióloga distinta — representante diplomática na Sociedade das Nações — e a Dra. Inez Luisi, ilustre profissional que no 2° Congresso Americano da Criança, realizado em! Montevideo em 1919, apresentou interessantes informes sobre «Profilaxia da cegueira infantil», acompanhada de colegas e estudantes do sexo feminino que também exibiram provas da sua capacidade científica. No Uruguai há uma orquestra regida por luma compositora, a Sra. Elisabeth S. de Michaelson Pacheco, em um dos seus principais teatros. Em poesia conhecemos Luisa Luisi, e Joana de Sbarbourou considerada por idóneos críticos como sendo, talvez, a primeira poetisa da America do Sul; e, como escritoras, apenas conhecemos Joana Lopes Carrilho.

ARGENTINA Na arte argentina o que conhecemos de maior valor feminino pertence á poesia e ás letras. Sabemos que há ali artistas de mérito, no palco; a prova é o nome da Sra<. Cantila Quiroga, que rotula uma companhia excursionista. Entre as artistas cinematográtmas conhecemos a elegante Mona Maris Em Buenos Aires foi fundado o «Ateneu Feminino» — que organizou a primeira exposição de livros de autoras latino-americanas, que devia realizar-se em outubro de 1930. Presidenta — Sra. Justa Gabardo de Salazar Prinyles; Secretaria — Dra, Nydia Lamarque. Em nome da comissão organizadora brilham os nomes das intelectuais buenairenses: Cândida Santa Maria de Oúero San Martin, Dra. Alaria A\orera, Anuo rica Canter, Dra. Margarita Canecla e Consuelo Perez. Na vanguarda da poesia argentina contemporânea surge-nos a figura distinta de Alfonsina Storni, acompannhada de poetisas e intelectuais de merecimento, tais como: Júlia Garcia Games, prosadora e poetisa. Com o conferencista tem falado na «Union», no «Centro», no «Ateneo Popular» e no «Centro de Cultura Israelita». É autora de «La Contribuícion ai Estúdio de la Poesia de la Gran Guerra», «La Evolucion dei Desenho hacia la Igualdad de los Sexos». Com o feminista tem colaborado altiva e activamente em vários jornais portenhos. Conhecidas prosadoras e poetisas são ainda: Adélia de Cario, e a Dra. Alicia Moreau de Justo. Com o poetisas salientam-se: Rosa Bazan de Camera, Lola S. B. de Bourguet, e Maria y Aiendez. i A sentimental diseuse, Berta Singermann, realizou alguns recitais, em setembro de 1925, nos teatros do Rio de Janeiro e 5. Paulo, sendo recebida e ovacionada com verdadeiro entusiasmo — e com' os quais proporcionou a um público selecto finas vesperais poéticas interpretando autores célebres, antigos e modernos. Mais tarde veio também a Curitiba, obtendo o mesmo triunfo. CHILE Em 1929 começou a funcionar no Chile um curso de Aviação Militar, gratuito, para o sexo feminino — no qual muitas Senhoritas se matricularam. A Senhorinha Aleira Silva obteve o brevH de pilota aviadora. E' a segunda mulher chilena breveiada. Camila Bari de Zanarlu é uma artista chilena no género Folk-lore c canções populares — arte que a tem salientado no seu país e no estrangeiro. Em poesia, além da conhecida poetisa chilena, Olga Aceredo, devemos frisar Gabriela Mistral — considerada pela crítica a figura primacial da poesia feminina do Chile. Atualmente reside no México. Em 1 janeiro de 1926 esteve no Rio, onde foi entrevistada pela imprensa. A Sra. Rebeca Matte de Izquier há pouco falecida na Itália, era uma célebre escultora chilena, autora dos monumentos: «Heróis de La Concepcion» — levantado na ala media das Delicias e "Los Aviadores" doado ao Brasil em 1922, por ocasião do centenário da inde pendência. A Senhorita Dora Riedel concluiu o curso de arquitetura pela Universidade do Chile, sendo a primeira chilena que obteve esse título. MÉXICO A primeira mulher advogada, no México, é a senhorita Sandoval de Zarco. Esperança íris é uma actriz consagrada e conhecida na America e na Europa. Dentre as artistas da arte muda salienta-se a actriz Dolores dei Rip, e a estrela de cinema Rachel Torres. Sabemos de uma ilustre poetisa mexicana pertencente ao século XVII, a Sra. Juana Inêz de la Cruz. ESTADOS UNIDOS O falecido e eminente romancista francês, Mareei Prévost, verdadeiro campeão dos direitos da mulher, após uma excursão que fez pela America do Noríe mostrou-se admirado e satisfeito com a educação da mulher americana, dizendo: «O conjunto dos velhos prejuízos masculinos é ali varrido e substituído por uma instrução racional. Para se julgar da beleza absoluta da virgem moderna, assim educaiJa, preciso é visitar Willesbey, Vassor ou Brytv-Maror, assistir aí á génese daquela que o doce profeta Tennyson definiu: «Mulher de aprender tudo, de se tornar tudo, sem sair da sua natureza feminina». Na moderna sciencia da aviação, são tantas as aviadoras norte-americanas empreendendo e realizando raids notáveis, — algumaíf das quais muito jovens — que nos abstemos de particularizar os seus nomes. Para se fazer idea desse admirável surto científico feminino, bastará recorrer ao seguinte informe: «Há na Am,erica do Nonie 203 mulheres com diplo- mas dè pilotos da aviação! A Dra. Margarèt Witêfr é uma aviadora que faz parte das respectivas bancas examinadoras. A aviadora AUss Grayson, também pagou O seu tributo de mártir da aviação: quando em 1927 tentava o seu raid Nova-York-Paris, desapareceu! O anuário americano «Year Book», de 1923, verificou que havia então nos Estados-Unidos 1738 mulheres advogadas, juizas e magistradas; 1789 pregadoras; 7219 médicas e farmacêuticas; 1829 dentistas; 1117 arquitectas e 41 engenheiras. Desde 1913 havia advogadas em 45 Estados, e eram admitidas nas Escolas de Direito. Os Estados que faziam excepção eram-: Virgin(a, Archansas e Geórgia. H á pregadoras em 43 seitas religiosas. Ultimamente foram as mulheres autorizadas a estudar para rabinas do culto israelita. No campo da Instrução deve haver muitas e muito competentes mulheres. Conhecemos apenas 'Mary Williams como catedrática de Historia na Universidade de Baliimore. A Dra. Florence Rena Sabin, do Instituto de Investigações médicas, obteve o prémio destinado ao melhor estudo do ano. Distinguiu-se no estudo das funções do sangue branco, relativo á tuberculose. Vimos não há muito, na imprensa indígena, uma referencia tão lisonjeira feita a uma scientista americana, que não podemos deixar de a mencionar particularmente. É a Dra. Rhoda Rokfeller. Esta médica iniciou no Hospital de Caridade, de Berlim, um a série de estudos experimentais dos tecidos orgânicos; é a primeira mulher que empreende na Alemanha tais experiências, das quais se esperava vantajosa contribuição para a cura do câncer. Esta distinta médica obteve auxílio do seu país para construir um apartamento especial em Berlim onde possa continuar as suas pesquisas científicas. Em demonstrações por ela apresentadas, as pessoas que assistiam viram corações de galinhas que, extraídos, se mantinham' vivos por jrrocessos artificiais. A única veterinária de aves na America do Norte, é Florence Jehkips. Miss Jeacn Hall estuda as moscas que destroem as arvores Em algumas regiões das Filipinas. Miss Sieen explora o interior do Brasil. Dedica-se a estudos antropológicos no âmago das selvas brasileiras. H á anos dirigiu uma expedição ás cabeceiras do Rio Doce, no Esiàilo do Espirito Santo, já então entregue aos seus estudos predilectos. As mulheres da atualidade, na sua coragem audaciosa, na sua indómita ânsia de saber — com que vão vencendo os difíceis de-i graus do elevado templo da sciencia, prometem a sua ascenção até á respectiva igualdade com os homens. Isabel Blackwel, outra médica que, realizando a sua científica peregrinação pelas universidades e hospitais dos Esiados-Unidos, da Inglaterra e da França, franqueou ao seu sexo a entrada nas universidades. A Sra. Isabel M. Lewis é astrónoma. Em abril de 1930 foi enviada pelos observatórios norte-americanos á Califórnia observar o eclipse do sol. Dentre várias e admiráveis invenções femininas destinadas a aperfeiçoar os variados serviços domésticos, sobresai a da Sra. Cockrape com o seu aparelho para lavar louça — que lava e enxuga vinte dúzias de pratos em três minutos!

Na arte cinematográfica as artistas mais em evidencia são inquestionavelmente as lindas norte-americanas. São muitas as artistas consagradas na arte muda. Entre as do palco são muito conhecidas as actrizes Lucile Western, Loita (Carbee), cómica, Miss Dorothy Casey, Miss Eihelyn Claire, Merna Kennedy e Mary Garden que também é soprano de fama. Entre as bailarinas Miss Jean Crowford, Joyce Murray, e a famosa Josephina Baker, estonteante dançarina negra em permanente excursão pelo mundo. Uma das representantes da arte musical norte-arnerícana, em vitoriosas excursões pela Europa, é a admirada pianista e concertista Dorothy Dackintz; e Miss Ruth Passcli, que com a idade de 14 anos, temi realizado em Londres assinalados concertos de violino, e é já comparada aos jirimeiros violinistas do mundo. Relativamente ás literatas dos Estaaos- Unidos, que devem ser muitas, lembram-nos: Henriqueta Beecher Siowb, autora de uma obra que fez época Em pleno século XIX, pelo seu mérito histórico', moral e social: «A Cabana de Pai Tomás» — publicação anti-escravista, traduzida nas principais línguas da Europa e em várias da Ásia. No praso de 5 anos venderam-se nos Estados-Unidos mais de — 500.000 exemplares, e muito mais do que isto nos domínios ingleses. Esta célebre escritora é autora de várias obras mais. Mrs. Maud Eliot — presidenta da «Art Association» da Praia de Newport, escritora conhecida dentro e fora do seu país. É também muito conhecida escritora Louisa May Alcoti — considerada a mais popular em histórias para crianças. Elsa Barker aiutora de várias obras, das quais conhecemos uma intitulada: «Cartas do outro mundo». Miss Ar- niepcck, escritora que, com 82 anos, percorre o continente em avião. O governo concedeu- Jhe uma condecoração a «ordem do Meritio» "pelos serviços prestados á humanidade e á aproximação entre países". São escritoras muito conhecidas: Miss He- h ri Josephy, EUnor GUnn, e Hallie Whelier. Alice Mae Gohier, colaboradora do "New-York- Times", "Evening Post", "Atlantic Magazine", e outros periódicos. E Franca Parkinson Keijcs; em uma excursão que realizou pela America Central, Espanha e Portugal, ficou encantada com este último país, com as suas belezas naturais, terminando por qualificá-lo: '".Céu de Porcena". No sport são tantas as mulheres salientes, que nos ábstemos de as registar Apontaremos, apenas Palm Tippy que, com 8 anos, já é instrutora de natação, e já salvou da morjte 4 pessoas. Os exemplos apresentados, ainda que pareçam escassos, relativamente, provam suficientemente que ao sexo feminino não falta capacidade intelectual para as nobres conquistas no campo da Sciencia e da Arte; o que lhe tem faltado é o cultivo, que desde tempos imemoriais — (não nos cansamos de o repetir), tem sido egoístico monopólio do homem — em propositado prejuízo da sua companheira — verdades estas irrefutáveis porque existiam — e algumas existem ainda — na segurança leonina de todos os códigos. Além dos exemplos apontados neste nosso bem intencionado balanço da intelectualidade feminina, quantos e quantos nomes de real mérito não ficam aparentemente na sombra: uns porque nos não lembram, outros porque os não adivinhamos? Pode-se, de certo, afirmar, que os nomes femininos por nós indicados não representam nem talvez um terço dos existentes que mentalmente brilham em todo este nosso planeta. Que nos indultem esses espíritos de eleição, cuja apologia nos foi impossível formular, e que, por consequência, são involuntariamente prejudicados na sua justa referência, independentemente do nosso mais nobre desejo — atendendo a que não somos infalível. Nada neste mundo é infalível... a não ser a morte!

A evolução do feminismo

Sinopse

Leia gratuitamente A evolução do feminismo, de Mariana Coelho, obra fundamental da história do pensamento feminista em língua portuguesa. Esta versão modernizada e conservadora foi preparada para leitura online no Literunico a partir da edição pública de 1933 preservada pela La Trobe University, com seções internas, fonte integral limpa e estrutura otimizada para busca, redes sociais e pesquisa por IA.

A evolução do feminismo

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