Universo da obra
Universo da obra
11 de março. No dia seguinte, sabes que me não pude furtar ao incidente, e lá fui mal'o Gustavo a casa do pobre Securas. Que espectaculo, santo Deus! que cena horrorosa e pungente... Impressionou-me de tal sorte, que muitas noites depois eu acordei em sobressalto, aflitivamente revivendo aquele sinistro episodio, esse laborioso descraziar dum temperamento, orgiaca decomposição dum espirito que se dissolve, duns restos de nervos rôtos em frangalhos. Conheces a escada que conduz a esse ignobil quinto andar, -— acanhada, posta a pino, lobrega, oscilante, saturada de fétidas emanações, torcida e negra apodrecendo na mefitica promiscuidade de excrementos de animaes, detritos de toda a casta e Dasto orografada de talos de couve, cinza, ossos, papeis, espinhas... A completa geografia do desmazelo. Eu, que não a conhecia, comecei subindo-a tateando, devagar: e em breve, para me não amparar ao gorduroso corrimão, ia acendendo fosforos. Pois, mesmo assim, a cada passo os meus pés topavam com impróvidos obstaculos, embarravam nas asperezas do lixo a montes e da madeira escalavrada. Abriu-nos a porta a mãe, uma dulcerosa e santa velhinha, — toda de negro, um alvo lenço em cabeção. É 1
! ao pescoço, —a qual, mal que me viu, atirou-se-me contra o peito a soluçar convulsivamente... Como Oo “Gustavo, em voz baixa, interrogásse: « Então? 0 nosso homem?...» ela apontou-nos em silencio um esguio rectangulo de claridade, que à direita abria sobre o corredor. Era o quarto dele. E como nós avançavamos com precaução, já de longe ouviamos o aspero serrazinar da sua voz, desatando-se num seguido atropelo de frases sem pausa e sen nexo, galopantes, atoadas, doidas. — Está com alguem? — perguntei. —- Está com a sua mania! -—respondeu a mãe, desoladamete. E seguiu atraz de nós, pequenina e dobrada, juntando as mãos e num desfeito soluçar carpindo:-— Ai, o meu filho! o meu filho!. Abeirei-me, cheio de interesse, pé duo pé, da porta entreaberta, e adiantei cauteloso a cabeça. Que doloroso quadro! — O desgraçado estava sentado à beira da cama, só com a camisa, a face da apostemosa cór da podridão, no peito negro e hirsuto as claviculas “Íurando como punhaes, as esmadrigadas tíbias pen“dentes, terrosas e comidas como se houvéssem sido já exumadas, furtadas ao trabalho aniquilador da Sepultura... E falando, falando sempre... Vinhamlhe impetos em que ruidosamente esfregava as mãos, como de contente; depois mergulhava-as juntas entre as côxas ou colava-as ao seio, infantilmente, num " geito friorento e tímido... e ficava-se abstrato e idio'taa inquirir o espaço, Dbamboleando lateralmente o tronco, sumido nos ombros o pescoço, a espinha verada, olhos ao alto, e infatisavelmente os grossos labios lívidos garatusando sempte a sua id pb aravia intraduzivel!
A tempestuosa desordem das feições, a estirada consunção do rosto metia horror — Agora os seus olhos vagos e sumidos, sem lunetas, eram dois poços sem fundo, enlutados pelo flacido crépe das olheiras, cavados no vacuo espectral das orbitas; o nariz, violaceo, enorme, luzia de viscosas supurações, porejava frias sanies de cadaver; grandes placas de caspa lhe perolavam a suja aridêz da barba, choviamlhe da nuca, libravam-se em equilibrio nas arestas do cabelo. E a desconcertada, a furiosa parlenda não tinha fim As mais imprevistas, opostas e estravagantes expressões lhe stenografava a mobilidade febril do rosto: o sofrimento, o medo, a meditação, o entusiasmo, o extase, o desdem, a duvida... ora um impeto, ora um lamento, agora um aplauso, logo um queixume... Todos os assuntos, todos os objectos, todas as impressões lhe cruzavam de reigota, como relampagos, a mente escandecida... com uma tão estonteante velocidade, com um tão destemperado e alucinativo impulso, que me seria impossivel dar-te aqui de seu insano discursar a mais fugitiva ideia. Galculas como nós entrámos no quarto dele...: º alma ensopada de dó, num arrepio de dor, transidos le comoção e de piedade. E ele a vêr-nos sem dar tino de nós tonto, cego, indiferente... olhando ora o teto, ora o chão, ora o lado donde lhe vinha a luz, molinando o tronco, pendulando as pernas... todo. num mundo estranho, obstinado e perdido no alheamento sinistro da loucura! Porêm de repente dá com os olhos em mim, confrange-se-lhe de terror o rosto, e pondo-se de salto em pé, logo exclama: — Que me querem!?... Não! não! deixem-me... Não Íui eu! Se morreu de fome, a culpa não foi mi-. s ES o je A Ra] Ea
E 809 nha... Ela que o diga, mesmo do outro mundo, se quisér ser verdadeira... E a Emilita tambem não fui eu que a perdi... Por isso, peço-lhes vão-se embora! deixem-me... Os srs. hão-de ter tido tambem amantes... Pois pela alma, pela saude, pelo amor delas, dos seus filhos, não me façam mal! Estou inocente... Não me prendam! não me matem E estendia-nos as mãos, em menção de ajoelnar, tremulo, suplicante. E vendo então atraz de nós a mãe, que não cessava de soluçar, teve um calafrio de raiva, e num rugido de indignação bramiu: — Ah, e foi então a mãe que os trouxe aqui!?... Quem poderia crêr?... A minha mãe feita com eles 1... -— Ninguem te faz mal! — disse-lhe com moderação Gustavo. — Pois não nos conheces?... Repara bem somos teus amigos... = Não fui eu! não fuieul... É como nós arriscássemos para ele, afectuosamente, alguns passos, chamando ao rosto a mais tranquilisadora é carinhosa expressão, na mesma medida 0 misero recuou, arremessou-se 4o chão e de medo escôouse para debaixo da cama. E dahi nós agora oúviamos o timorato arrastar do seu corpo, O aspero roçar no pó da sua carne ressequida, o seu apavorado empenho em furtar-se-nos, aninhando-se bem ao canto, eliminando-se... emquanto as mesmas allitivas suplicas lhe gemiam na voz gutural, estrangulada, num tconvulso tremer dos labios tartameleando de frio é de receio. Com o coração dilacerado de angústia, mortos por atenúarmos ao menos este lance pungentissimo, instámos com a pobre é mortificada velhinha pará que
, se retirásse. Depois, conforme pudémos, e tendo primeiro arredado a cama, — um triste catre de ferro, — trouxémos docemente o desgraçado acima, sem o molestar, acarinhando-o, a custo suspendendo em pêso o seu corpo inerte, e deitâmo-lo com cuidado sobre a cama. Ele a principio resistiu, debateu-se, estrebuxou, mordeu-me... Porêm de repente aplacado, abandonou-se afinal, extenuado e manso, numa passiva Tesignação, cerrando os olhos. Depois, mal que se viu de novo estendido sobre a cama, restituido à luz, flanqueado pela nossa incomoda solicitude, escondeu num impeto a cabeça debaixo do travesseiro, segurando-o afincadamente nesta posição, com as mãos como garras, os braços por cima e os musculos crispados; e logo voltou ao seu doloroso e incansavel lamuriar, logo intanguidos os labios lhe tornáram áquele SEEMA Na e allitivo gemer, lastimoso e triste, Nós queriamos ao menos agasalhá-lo; poupar áquela afrontosa nudez os nossos olhos de amizade, e às agruras do desconforto a sua sensibilidade melindrosa. Assim, emquanto o Gustavo lhe estendia sobre as pernas um destroçado resto de cobertor, que do leito rojava pelo chão, eu maquinalmente circumvaguei pelo quarto a vista, no interesse de descobrir qualquer coisa com que lhe proteger tambem o tronco. — Pois não havia nada! Apenas pelo soalho arrastavam dispersos uns imundos vestigios de roupa, calcados e retalhados, socios ha muito da traça e do pó, estripados, rôtos, inclassificaveis. E que miseria, que descrdem, que desolação de aposento! Tu viste. Quasi que só as paredes, forradas ainda de grandes placas soltas de velho papel cinzento, estalado e grumoso, negro da humidade, deixando nas largas fa
lhas apontar a gridelenta côr do ocre primitivo. Na banquinha de cabeceira notavam-se porções intactas “de comida. Pelo esconso ladeirar do teto, a cola saltava tambem, toda em escamas, tostada e calcinada da proxima causticação do sol; e de taboa para taboa escorriam direitas, engrossando, formando stalactites, numerosas linhas de Dbistre das infiltrações da chuva. Na grande luz, em baixo, junto á frestasita “abrindo para 'o telhado, havia um pequeno espelho partido, pregado no fôrro do plano inclinado da mansarda, e à frente dele um lavatorio de ferro elementar. E, a mais, só uma comoda, incafuada no desvão, pejada de garrafas vasias de cognac, aguardente, absinto; lenços, colarinhos sujos, programas de teatros; jornaes, brochuras. Abri "um dos gavetões: talvêz aí houvésse algum fato capaz, com que cobrir o pobre louco... Não dei senão com roupa suja, massos de cartas, velhas reliquias de amor engorduradas, fotografias lubricas, um bolorento par de botas, — tudo isto promiscuamente, ao acaso e a monte, confusamente baralhado no atropelo inerte do abandono. Confrangidos, num esmorecimento, eu e Gustavo olhámo-nos silenciosamente, encolhendo de piedade e irresolução os ombros. Entretanto, a cabeça sempre debaixo do travesseiro, numa voz abafada e plangente, O Securas continuava: — Emilia! vamos... Já te disse! falas ou não falas? Eu faltei-te com alguma coisa?... não fui logo franco comtigo, quando á fina força tu querias que fôsse eu o primeiro a fazer-te a caridade?... Não te importáste, insististe... E que apetitosa, que linda que tu estavas lembras-te 2... Tremias toda... Querias e não querias... Vamos e então agora, por
que não falas? porque não expões p'r'aí a verdade, cachôrra?... Não vês o que me querem fazer?... Anda! anda! por piedade... pelo muito prazer que te dei!... Ah! quem vajo eu tambem agora? a Guilhermina!... Pois tambem tu aqui vens!?... Rico tempo esse do nosso amor A toalha que tu punhas de sinal à janela, quando o teu marido não estava... e eu depois, surrateiro e feliz, a usurpar 0 seu lugar no vosso leito, eu a ingalhar a vossa filhinha no Dercosi E dizia-me amigo dele! apertava-lhe a mão, era o primeiro a aconselhá-lo cinicamente a que tivésse conta comtigo... Biltre biltre! pulhissima criatura que eu sou:... E quem é que não é assim?... Se a justiça fôsse direita, se não lhes désse p'ra me perseguirem só a mim, oh, céus! não escapava ninguem! Porque ninguem é santo, ninguem pensa, ninguem se defende... Anda tudo aí assim à tôa... positivameénte á mercê da pavorosa infinidade de contrariedades, azares, doenças, perigos que por toda a parte nos cercam... Olhem vocês a Russia... E ha-de levar a melhor, verão! Não tem numerosas esquadras, mas pode por essa Asia fóra de pronto vomitar milhões e milhões de soldados, muito grandes, com grandes barretinas brancas... da côr da liberdade, da côr da redenção Sebastepool, Plewna, Moskow, ides “ser vingadas!... Que éisto?... A noite de roda de mim! a noite negra, a noite implacavel... tudo raso, gelado e informe sôb a neve caíndo, caíndo sempre e crescendo, surda e mortal, maciamente... Vergasta-me a face, lanceta-me os pulmões o vento aspero da serra... ha latidos de cães ao longe, Eu ando e interram-se-me as pernas té ao joelho, o frio lasca-me os ossos... vou à aventura, não enxergo caminho nem “
carreiro na imensa lisura algente do traiçoeiro arminho Ando e as minhas pégadas vão ficando atraz de mim,silenciosamente, negras e fundas como enxadadas numa cova... Ando e a lua, que agora apontou, prolonga numa estirada mancha lívida a sombra do meu corpo... De repente, quero andar mais e não pósso! tropeço, sinto-me prêso... o que quer que seja de an-: ciado e hirto trava-me o passo, rompe-me de sôb os pés, agarra-me, marinha pelos meus musculos enregalados... E já, sobranceira à neve, uma longa figura espectral se ergue diante de mim... Horror... És a Benedita, bem sei... Requestei-te, abusei da tua bronca ingenuidade... acenando-te com um futuro côr de rosa, fiz-te tomar em horror a aldeia, deixar a horta, a adega, O celeiro, os gados, abalar, alucinada e confiante, de casa de teus paes... Então desflorei-te sumariamente, bestialmente, como um cão Estava uma noite assim... foi dentro duma velha palhoça Solitaria... Depois, deixei-te no campo outra vêz... Como tu me seguravas com que carinhosa efusão, com que aflitiva e estrangulada angustia Le agarravas a mim!... Tal qual como agora... deixamê... Lembra-me muito bem clamavas pela Virgem, às tuas lagrimas traziam lume, o teu cabelo prendia-me... E, não obstante, eu fui de pedra detendi-me, resisti, fui inexoravel, repeli-te com violencia. E com violencia é rapidez afastei-me, num incoricebivel rasgo de ingratidão e infamia... Sim! siml... De longe, mandei-te p'ra casa... Mas tu ficáste... nem me óuvias!... ficáste ali assim, Sósinha é de joelhos, como a estatua da suprema dor, pregada, espavorida... imbecilisada é louca de indigração é desespero Dê roda à neve caía, caia ê crescia sempre, acariciá
dora, macia, implacavel... foi modelando o teu bus-, to, comeu-lhe os contornos, algodôou-lhe o relêvo, en-. vaginou-te no seu amplexo de morte... porfim, cari-. dosamente, amortalhou-te... E o teu belo corpo fres-. co e solido, quasi inviolado, cheirando a linho e a curral, aí na imensa solidão, sôb esse grande e fôfo len-, «Sol branco, jazeu ignoradamente sepultado! Quando: o desgêlo veio, foi pasto dos lobos... Mas que queres tu agora?... Tudo isso assim foi, mas já não tem remedio! nem a tua morte, nem a minha ruina!... Vae-te! vae-te 1... acomoda-te, deixa-me! não me. Ilageles... Perdão! Perdão 1... Assim nesta toada dolorida e plangente, nesta re-. calcada evocação dos erros do passado, à mistura com a analise banal das coisas do presente, o pobre louco prosseguiu, num delirio de ruina, sem refrigerio e sem pausa, ante a nossa consternada e inutil amizade. E: agora já novamente o seu aflitivo perorar voltava a atropelar-se, e como num estrondoso desmoronar, os assuntos, as exclamações, as frases, as ideias sucediam-se ininteligiveis e doidas, sem nexo, sem ordem,. sem sentido. Depois, gradualmente, esgotado e inane, aplacou... a cabeça continuava oculta, o corpo permanecia inerte, e, intervaladas e graves, as palavras arrastavam-se-lhe numa angustia gutural, num Jla-. mento esmorecido e vago. A ponto de parecer que toda a vida deste lastimoso resto de homem não era mais do que um gemido. Foi quando tu entráste, com o teu amigo dr. Sales.. — Sabes o resto que se passou. Assim como sabes que,. logo recolhido em Entremuros, esse misero escanzêlo,, depois de ter arrancado uma orelha ao. enfermeiro, tendo aturado cincoenta e duas horas seguidas sem:
comer, sucumbiu a uma encefalite, que veio providencialmente pôr termo ao impiedoso alcance do seu soirer, e à aguda e impotente mortificação do nosso cuidado. Parecia que à face de tão frisante exemplo, tendo tão assim de perto podido vêr a que tenebroso esfacelar conduz a imprevidente contumacia no erro, eu deveria ter mudado... Esta afrontosa lição pratica devia ter-me enrijado a vontade e feito dar um rumo limpo e direito à vida. — Pois nada disso! pelo contrario... O meu alucinado furor por Alda cada vêz mais intransigente e feroz me subjugava! Não sei que malefica sina, que deleterio instinto a cada momento me certificava do diabolico influxo dessa mulher ordinaria e perversa. E por ventura o caso seria novo? este fenomeno dar-se-ia unico em mim?... A quem é que não tem sucedido conservar no intimo uma inconfessavel paixão, de que se tem vergonha, calá-la, rebuçá-la 2... é entretanto viver sempre dela e com ela? Tu sabes muito bem, — vêm um dia em que a gente incontra uma mulher que por qualquer ignorado misterio nos tocou e impressionou... essa mulher é vulgar, é banal, vive numa roda mesquinha e inferior, não nos compreende, engeita-nos... e todavia para nós ela vale mais do que uma santa! merecer-nos-ia todos Os sacrifícios... o nosso coração eleva-a, sublima-a, endeusa-a, e aquela primeira impressão, exacerbada, vae até votar-lhe um culto, ergue-lhe ciosamente a dentro da nossa alma um tabernaculo sagrado
Hoje somos todos assim... é a unica ideia que perante mim mesmo me reabilita e consola. — Sofremos, nisto como em tudo o mais, o mal da época. Pois que queres tu?... Desta agonia de civilisação, em que vamos, qual é a caracteristica, senão um estado nauseativo da alma? o cansaço, o tédio de viver? Na hora atual, cada um muito deliberadamente esfarela a sua inteligencia e acanalha a sua vida... cada um faz o mal, só pelo prazer de fazer mal... a sie aos outros. Abandonamo-nos à corrente: uns suicidam-se, outros prostituem-se. Dahi as camaradagens que degradam, as absorpções da vontade que envilecem... o sabio governado pela cosinheira, o poeta pela mulher das ruas, o marido pela mulher, o amante pela amante... dahi os genios malbaratando a sua missão, O seu dinheiro os ricos, os nobres os pergaminhos Tudo varias sortes de cobardias, as quaes todas teem por fito o imenso alívio da abdicação de toda a actividade, uma completa indiferença pela dignidade da vida, a definitiva exautoração do decóro humano... numa palavra, O hipocrita pretexto inventado pelo cobarde para se declarar irresponsavel. Não ha resistencia, não ha brio. Na vontade somos hoje todos velhos. O homem moderno, sem forga para usar da sua liberdade, reclama e procura com ardor a tirania dum vicio! Nos árduos tempos de conquista tinha-se em pouco preço a vida; hoje tem-se em pouco preço a vontade. E o viver é agora tão nauseativa coisa, que cada um intende que o melhor que tem a fazer é passivamente abandonar-se, embalado na melopeia do habito, a este voluptuoso e lento suicidio: a embriaguez da inercia
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