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Carlo M. Marcello

@ carlommarcello

Nível
2
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Patrimônio

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ESTRADA

LITERÁRIA

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27/0114:43
#Desafio dos 365 dias, dia 25:

Roberto passou o polegar no espaço vazio em seu dedo anular. Até ontem, havia uma aliança dourada nesse dedo. Não que o casamento tivesse acabado ontem - na verdade, o casamento tinha acabado mesmo quando as brigas passaram da frustração ao desrespeito - mas ele só conseguiu tirar a aliança quando finalmente assinou os papéis.

Ainda assim, acariciou a aliança fantasma. Vão se os anéis, ficam as manias.

Roberto desejou ter um dia mais agitado no trabalho, poder esquecer o divórcio lidando com clientes insuportáveis ou reuniões sem fim. Porém o destino é cruel e sua tarefa mais importante do dia era organizar o arquivo. Ele separou e etiquetou caixas e pastas, empilhou da maneira mais satisfatória que conseguiu, e o melhor engenheiro do mundo - ou o inventor do tetris - não teriam feito um trabalho melhor.

Mas um brilho prateado capturou seu olhar no canto da sala. Um anel prateado que era leve, apesar de ser largo. Duas linhas se trançavam por toda a volta, criando um padrão quase tribal, que fazia Roberto pensar no infinito. Sem saber quem era o dono, Roberto decidiu guardar para entregar no achados e perdidos.

E o teria feito, mas a memória era seu ponto fraco, e o anel viajou no bolso pelo metrô desde o centro de São Paulo até a Zona Leste, para ser encontrado no bolso ao chegar em casa. Roberto o segurou na mão enquanto se jogava no sofá, e ficou surpreso ao contatar que o anel servia no dedo anular. Decidiu deixá-lo ali, assim se lembraria, no dia seguinte, de devolvê-lo.

Pelo menos já não acariciava mais um anel fantasma, mas deslizava os dedos pelo padrão serpenteante, quando viu seu gato se espreguiçar lentamente, andar até um pote de comida e miar.

— Que vida fácil, queria eu ter uma vida de gato...

Ele sentiu o dedo, que acariciava o anel, diminuir e um calor tomou seu corpo. O mundo cresceu - ou ele ficou mais baixo - e tudo se tornou enorme e visto por baixo. Olhou para as mãos e viu pequenas patas cobertas de pêlos acinzentados e pequenas garras nos dedos.

O anel caiu lentamente pelo ar, até atingir o chão, quicar duas vezes e, com um brilho prateado, sumir.
26/0100:12
#Desafio dos 365 dias, dia 24:

#EncontroAleatorio

O barulho do cascalho raspando entre seu pé e a terra batida da estrada ecoa pela noite. Se é que isso pode ser chamado de estrada. Comparada as estradas pavimentadas que levavam a capital, isso é quase uma trilha, mas é seu caminho para o descanso na pequena cidade de Fiore, um cantinho de beleza esquecido nesse país.

Você já consegue ver a cidade ao longe, mais uma hora de caminhada e vai encontrar uma taverna e conseguir uma cerveja gelada primeiro e um banho quente depois. Mas uma figura caminha pela estrada de encontro a você.

Os pés se arrastam pelo chão, os ombros curvados puxam um carro que certamente faz hora extra como loja durante o dia e quarto durante a noite. A luz das luas iluminam as muitas medalhas de ouro presas no lenço da velha senhora de cabelos brancos e pele avermelhada. O som de guizos e enfeites pendurados nos chifres assimétricos era uma sinfonia na noite, atraindo o canto de um urutau solitário.

— Boa noite, senhora — você se adiantou. — Como está a estrada essa noite?

— Fresca com a brisa do verão, viajante — ela responde. — E como está a estrada da vida?

— Sempre um grande mistério...

Os olhos dourados brilharam com sua resposta, e a velha soltou seu carro, puxou algo do bolso e caminhou em sua direção. O som das cartas se embaralhado era como as folhas na brisa, que estranhamente parou.

— Uma moeda e o mistério diminui...

O canto do urutau cresceu na noite, e um arrepio subiu até sua nuca. Instintivamente você puxou uma moeda da bolsa e jogou na direção da cartomante, que a pegou no ar e colocou gentilmente sobre o baralho, a prata brilhando na noite como a lua. Ela virou a carta lentamente...

...o que você vê?
17/0119:10
#Desafio dos 365 dias, dia 15:

(Esse é o texto que posteriormente se tornaria a introdução de Folhas)

Todo dia Shard cuidava de uma ovelha. Uma única ovelha. Todo o resto do rebanho pastava sempre nos mesmos lugares, mas Célia era especial. Todos os dias ela subia a encosta onde comia dos arbustos e lambia o musgo. O cajado, um pedaço velho de madeira encontrado entre os arbustos, era só para ele, que mesmo com o corpo jovem precisava do apoio. Célia não precisava de nenhum incentivo, nem para subir, nem para descer; ela sabia as horas melhor que Shard.
E todos os dias Shard via o grande esqueleto. Todos os dias relembrava a história da grande guerra entre os Titãs e os Deuses. A Ruína, era como as pessoas da sua vila chamavam tanto a guerra quanto o esqueleto. Os pássaros voavam em círculos acima do punho da grande espada usada por Ivandra, deusa das folhas, para dar fim ao combate.
Shard não sabia que Utugash era o nome do titã. Não sabia que suas chamas castigaram o vale por décadas. O povo simples de Seme contava apenas dos titãs, como se fossem todos iguais. Ele não sabia que quem brandiu aquela espada um dia também foi uma simples pastora.
Ela que se perdeu dos pais. Que foi criada entre as árvores. Que aprendeu com o som das folhas como alterar o tecido que forma a realidade. Ivandra, deusa das folhas, nasceu da terra, mortal. E como mortal sentiu as chamas de Utugash. E com sua magia ela se levantou, alta como o titã, desafiadora. As chamas como um chicote estalavam à sua volta, hostes de pássaros horrendos, de osso e fogo, gritavam ao seu redor
Mas sozinha ela enfrentou o inimigo. Uma, duas, três vezes o titã a jogou ao chão com sua imensa força. E três vezes ela se levantou. Uma, duas, três vezes as chamas atacaram seu corpo, e as três vezes ela resistiu. Ivandra viu o fogo consumindo a terra onde cresceu, a terra que protegeu. E com a terra o derrotou.
Das pedras de uma colina formou a grande espada. E nela Ivandra colocou sua essência e poder: que sua vida acabasse, mas que os ossos do titã ficassem para sempre presos nessa terra, para nunca mais renascer. Com uma investida ela derrubou o inimigo, e com um golpe enterrou a espada através do titã no corpo pétreo da montanha.
Em um brilho quente como o sol, Ivandra foi consumida. As chamas de Utugash se foram, e seu corpo absorvido pela terra.

(Continua nos comentários)
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13/0116:12
#Desafio dos 365 dias, dia 12:

Ash nasceu durante a viagem de seus pais para o Norte, fugindo de Zahlet. Sua mãe, grávida, entrou em trabalho de parto na região do Pianto, em Chiaro, perto de Seme. O parto foi auxiliado por uma acólita do Templo de Cailtir, o deus da Luz, que deixou seu amuleto de presente para a recém nascida.

Faruk e Oma decidiram chamar a filha de Durash, em homenagem a uma heroína lendária, mas, em Seme, foi sempre chamada de Ash. Ela cresceu na pequena vila, sempre levando o amuleto do deus da Luz em seu pescoço, sonhando com o dia que iria ao templo.

Não demorou muito para que ela e todos ao seu redor percebessem que ela não seria uma clériga ou sacerdotisa; Ash demonstrava, desde cedo, uma determinação ímpar e muito talento para competições físicas. Ganhou campeonatos de corte de lenha, arremesso de troncos e queda de braço. Apesar de não ser tão alta, a garota estrangeira era uma das pessoas mais fortes de Seme.

Então ela começou seu treinamento para ser paladina. Improvisou uma grande marreta com o que encontrou em casa e pediu a seu irmão que desenhasse monstros em pedaços de madeira velha e mofada. Treinou os golpes, o manejo do martelo e do machado, mas preferia a arma mais pesada. E ganhou uma nova do ferreiro Filippo quando afastou da cidade um pequeno bando de goblins.

Quando atingiu a maioridade, deixou a família e viajou para a capital, em busca de seu treinamento no templo de Cailtir. Se dedicou com toda sua vontade, vivendo dia e noite buscando seu objetivo de se tornar uma paladina. Passava horas nos campos de treinamento, meditava sem parar e lua todo material oferecido pelo templo enquanto andava pelas ruas de Solime, à procura de um sanduíche para seu almoço. Tanto que, em uma dessas distrações, teve sua carteira roubada.

Ela quase abandonou tudo quando soube do acidente do pai, mas seu irmão insistiu que ela ficasse e completasse o treinamento. E quando finalmente se tornou uma paladina, decidiu que era hora de visitar a família, para contar essa e outra novidade...
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13/0115:07
#Desafio dos 365 dias, dia 11:

Melliamne é o maior reino élfico de Esser, com a maioria da sua população formada por elfos solares e elfos silvestres. E nesse reino adentrou uma humana, uma camponesa da distante Longland, buscando o pai da criança que trazia em seu colo.

Entre falsos sorrisos e comentários abafados, a criança foi aceita por seu pai, o príncipe, e recebeu o nome de Anne Catherine, um nome comum entre os elfos. A mãe recebeu uma casa confortável perto do palácio em Couronne, para que pudesse visitar sempre a filha, que crescia rapidamente em comparação às crianças élficas, chocando a família real. Já na adolescência ela notava que não era bem vinda na corte, mesmo que a etiqueta impedisse que dissessem isso abertamente. Então ela passou seu tempo entre as Chacerresse, um grupo de caçadoras e guerreiras, voltando apenas para descansar na casa da mãe.

Ela dominou o uso do arco e da espada, as técnicas de rastreamento e sobrevivência, e se tornou notória em poucos anos, um tempo curtíssimo entre os elfos. Seu sucesso não passou despercebido por seu pai, que a concedeu um presente à sua escolha.

Ela pediu apenas para ser enviada a outro país, onde pudesse se aventurar como emissária de Melliamne, para que pudesse conhecer o mundo em sua curta vida. Ela foi enviada diretamente à capital de Chiaro, próxima da fronteira Sul do reino, onde poderia auxiliar o Ducado e adquirir a experiência que tanto queria.

Assim que deu o primeiro passo além das sobras das árvores de Melliamne, ela decidiu abandonar a versão élfica de seu nome, escolhida pelo pai, e usar apenas a versão original, o nome da mãe de sua mãe. Dali em diante, ela seria Caetlynn...
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12/0116:35
#Desafio dos 365 dias, dia 10:

Em Esser, meio-orcs são conhecidos por sua força física e ética de trabalho, tanto que qualquer trabalho não manual é mal visto nas cidades livres. Um meio-orc trabalha honestamente, com a força de seus dois braços, dada por Valadar, o deus da vontade.

Foi nessa sociedade que Percival de Toledo nasceu. Filho de um armador e uma ferreira, aos poucos descobriu muito mais prazer ao ler e compreender os muitos manuais que haviam em sua casa que ao construir as embarcações com seu pai ou ao malhar o ferro das armaduras com sua mãe. Se interessou por história, geografia, filosofia, matemática. Descobriu que, ao final de um longo dia de trabalho, quando todos estavam cansados e queriam apenas descansar, sua mente estava limpa, organizada, e ele só desejava estudar.

Quando um famoso mago, Vlorefel, procurou a melhor ferreira entre os meio-orcs em busca de uma armadura que seria encantada para o Doge, se surpreendeu ao perceber uma forte aura mágica em Percival.

Para evitar a vergonha pública, Percival fingiu que ia à capital aprender os segredos da forja de armas, para complementar o ofício de sua mãe. Mas seguiu Vlorefel para ingressar na Academia Arcana sob sua tutela por alguns anos.

Suportou o preconceito de seus colegas de classe, que o consideravam inferior, e o julgamento de muitos meio-orcs da capital, que diziam que sua carreira era uma perda de tempo. Cheio de vontade de se provar, Percival pediu a seu mestre que o enviasse em missões de exploração...
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10/0122:44
#Desafio dos 365 dias, dia 08:

Os pais de Shard nasceram em Zahlet, um califado ao sul de Chiaro. Sua mãe era da nobreza e seu pai era um pastor e, por isso, seu relacionamento não era permitido. Uma cartomante avisou a Oma que ela deveria criar seus filhos longe do califado, e foi assim que ela descobriu estar grávida de sua primeira filha, Ash.

O casal então fugiu, cruzou o deserto e se juntou a uma caravana que partia para o norte. No caminho, Faruk ouviu de sua esposa todas as histórias que ela aprendera nos livros, e se apaixonou pela história de Durash e Rishard, irmãos que lutaram juntos na Guerra da Ruína.

A irmã de Shard nasceu durante a viagem, e o casal decidiu firmar suas raízes na cidade de Seme, a poucos dias da capital. Faruk comprou o rebanho de um velho criador de ovelhas e sua casa. Dois anos depois, Shard nasceu.

Ele cresceu em Seme, sabendo pouco do país de origem de seus pais, sentindo-se um forasteiro nos costumes locais. Cresceu sonhando em sair de Seme e ir à capital, como a irmã fizera antes. As vezes pensava em ser um médico, outras em trabalhar para o Ducado. Mas, quando seu pai caiu e machucou o joelho, viu que deveria assumir o rebanho e as responsabilidades da família.

Aos poucos, se apegou ao trabalho, se acostumou com a rotina, e o desejo de ir embora diminuiu. Shard Rein se tornou um pastor, e a sua única aventura era subir a encosta da montanha com Célia, sua ovelha favorita. Numa dessas viagens ele até encontrou um velho cajado...

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