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Tiago Bianchini Fidalgo

@ tibianchini

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2
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LITERÁRIA

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22/0507:22
A Vó Maria
(Acordei esta manhã, vindo de um sonho do passado. Travesseiro molhado pelas lágrimas da saudade. Então, nostálgico, me lembrei desta crônica. Às vezes a emoção é algo que apenas nós sentimos; talvez para quem a ler pareça uma crônica simples, palavras organizadas e estruturadas. Uma historinha comum. Mas, pra mim, não é... Então, esta vai para quem quiser ler, com emoção)

A VÓ MARIA

O tempo passa para todos, com a sua implacável indiferença...

Lembro das ruas perto da casa da vó, que a gente subia correndo quando ia visita-la (mas não correndo muito na frente, pra não se perder). As lojas e casas antigas, a padaria na esquina, os muros de cimento chapiscado.
Tudo lembrava passado, tudo lembrava dias de sol. Lembrava infância.

E hoje, quando vejo os primos, é tão difícil entender como pôde ser isso!... Uns casaram, outros têm filhos, outros já casaram de novo!... Para onde foram aqueles dias, aqueles dias de sol, brincando no quintal da vó, tomando cuidado para que a bola não batesse nas flores...

Ah, as flores da vó!...

E, de repente, parece que tudo ainda está ali: que amanhã vai fazer sol e calor, e que a gente vai lá na vó brincar com os primos e primas, correndo pelo corredor e subindo na mureta do poço, se sujando no chão de cimento quebrado... E que a vó vai aparecer na porta da cozinha, pedindo para que a gente venha almoçar e que pare de bagunça (porque, às vezes, nós merecemos uma bronca mesmo).

E a gente vai se sentar em volta da mesa, naquela cozinha enorme, com aquela vó enorme (sim, porque nós éramos muito pequenos ainda...) e comer cantando, atrapalhados pelos latidos do Toquinho, o cachorro da tia que morava na casa ao lado.
Hoje eu olho para os filhos dos primos, para os bisnetos todos da vó, e fico imaginando quem os chamará para comer, quem irá ralhar quando eles sujarem a roupa do varal, quem os porá para dentro porque vai chover... Eu os vejo brincar, correr, reencontrar os outros primos que moram longe, e fico pensando se não posso correr com eles também, “vamos brincar, vem me pegar, tá com você!”

Aquela casa minúscula, no fundo do quintal, às vezes escura, mas cheia de vida, já não vai mais me levar ao passado. Ao tempo que eu podia abraçar a vó e tomar café e lembrar que era criança. Ao tempo em que a gente botava grãozinhos de feijão no algodão, prá umedecer e ver brotar a vida. (Ah, se a gente pudesse fazer brotar a vida de quem amamos tal qual um feijãozinho, só com um pouco de algodão e água!...)

E, apesar de saber do sofrimento da vó nos últimos tempos, apesar de saber que ela finalmente vai poder descansar, choramos todos, por saber que ali está o destino de cada um de nós, por saber que assim é, que não há dias de sol nem grãos de feijão que resistam ao tempo, ah, o tempo, esse trem que passa, inexorável e indiferente.
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21/0516:38
Sonho de Maio
Poemas Antigos 007

(Mas acho que perdi a conta...)
(E nem percebi que, sim, estamos em maio... mas esse maio é mais antigo)

**Sonho de Maio**

Um dia me verás com os olhos d'água
transbordando de tristeza minha mágoa,
pra que jamais ela volte a me assustar;
e neste dia, calmo e delirante,
terás em mim o seu melhor amante,
o seu amado, o seu amigo; o homem certo pra te amar.
Sim; me terás inteiro em tua fina
e perfumada pele de menina
onde a saudade já não existe mais;
ora, que se hoje de saudades canto,
amanhã enxugarei teu pranto,
pra que não voltes a chorar jamais.

Tola sina, vaga de certeza;
se não encontro hoje em tua frieza
um só motivo que me faça desistir
de afagar os teus cabelos morenos,
e me ajoelhar ante os pés pequenos;
o que me resta apenas é prosseguir
a clamar pelo amor que eu sei que existe,
e se hoje, ao dizer não, me deixas triste,
não me entristece mais porque te adoro;
e diante de tão fútil negação
perceberás que não adianta dizer não
se mesmo sabes que dentro de ti 'inda moro.

Talvez por isso seja eu tão renitente
em alcançar de alguma forma o beijo ardente
que dos teus lábios me parecem seduzir;
para que mesmo depois de o Sol se pôr
possa provar com carinho o teu sabor,
e que a doçura em mim possa refletir
o teu olhar, que por mim irá brilhar,
e mais e mais, quando em meus olhos se inspirar.
E que a Lua, nesta madrugada quente,
venha roubar desta tua luz maravilhosa
com reverência, pra que brilhe, majestosa,
iluminando o nosso céu eternamente.

E se, por ora, idolatrando-te destarte,
Lhe paire a dúvida de que sempre irei amar-te,
não cegue os olhos com injúria tão cruel:
apenas deixe transparecer na retina
que és minha musa, minha inspiração divina;
és minha aura; és minh'alma; és meu céu.
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19/0513:55
A fábula das cordas
Poemas Antigos 004

🔴 Violino
🟠 Cello
🟡 Viola
🟤 Cello e Viola juntos

A fábula das cordas

🟡 - Responda, violino, onde vais tocar,
🟡 Assim, deste jeito, a nos deixar sem fala?
🔴 - Minha pobre viola, subirei no altar
🔴 E serei o centro, e serei o spalla!

🟠 - Mas, diga, violino: o que vais tocar
🟠 Para alegrar esta manhã triste?
🔴 - Meu súdito cello, tocarei eu Bach
🔴 E tocarei Mozart, e tocarei Liszt!

🔴 E serei xodó de Vivaldi, e tanto
🔴 Que ele, a mim, confiará sua primavera;
🔴 E despertarei, ao mundo, tal encanto,
🔴 Que haverão canções como nunca houvera.

🔴 Mas tu, minha irmã, se isto a consola,
🔴 Tu nunca serás, nesta vida, spalla;
🔴 1Nem nunca terás, singela viola,
🔴 Nem frase e nem palco onde possas tocá-la.

🔴 Ao passo que tu, meu simplório cello,
🔴 Jamais saberás o que é estar à frente;
🔴 E nem o que é puro, e nem o que é belo,
🔴 E não sentirão tua falta, se ausente.

🔴 Mas, eu, terei sempre os portões abertos
🔴 E receberei de todos as palmas
🔴 E emprestarei meu nome a concertos
🔴 E tocarei solos, e tocarei almas.

🟠 - Pois quanta arrogância há no teu agudo!
🟠 Meus graves jamais gostariam de sê-lo;
🟠 Voz esganiçada! Antes fosses mudo!
🟠 Saibas tu que muito me orgulho em ser cello!

🟡 - Teu grande defeito – deves percebê-lo! –
🟡 É teu timbre tosco, que cansa e que amola:
🟡 Minha voz é um veludo, e, tal como o cello,
🟡 Também eu me orgulho em ser uma viola!

🟤 Agora vai, anda! Vai tocar teu Bach!
🟤 Estoure as suas cordas, meu caro menino!
🟤 Pois sem nossa ajuda, ninguém ouvirá
🟤 O som fraco e tosco d’um reles violino!
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30/0418:07

Tudo ao seu Tempo

Tudo ao seu Tempo

Este é um poema que fiz para a minha esposa, logo que nos (re) encontramos.

𝐈 – 𝐏𝐚𝐬𝐬𝐚𝐝𝐨
Te quero hoje como há vinte anos.
Como se nunca tivéssemos nos separado;
Como se fosse possível voltar no tempo e corrigir
Todas as ocasiões em que não me mostrei,
Todas as vezes em que me calei,
Todos os beijos que não roubei por medo.

Te quero hoje como nunca te quis.
Como nunca imaginei que pudesse querer alguém.
Como nunca ousei querer,
Na minha tola experiência de adolescente,
No meu infantil querer de faz-de-conta,
Naquela minha vida de menino mais novo.

Te quero como sempre pensei em querer.
Como sempre desejei, como sempre quis querer.
Te quero como não posso querer alguém que já lhe tem quem queira
Mas te quero ainda assim, pois sei
Que ninguém há de querer-te tanto nem tão bem quanto eu.

Te quero minha. Te quero aqui.
Quero a ti como quero a mim; preciso de ti
Quero teus beijos, teu corpo, teu amor
Quero teus pensamentos em mim
Pesando e repousando sobre mim
Leves como o peso dos teus olhos da cor da água.
I tuoi occhi di colore dall acqua.
Quero ser teu. Enfim. Finalmente. Sem mais demora.
Quero finalmente te mostrar
Que se antes eu era um garoto que jamais te mereceria
Hoje sou um homem que nunca te mereceu tanto.

𝐈𝐈 – 𝐏𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐞

𝒔𝒐𝒏𝒆𝒕𝒐 𝒆𝒎 𝒗𝒆𝒓𝒔𝒐:
Há, no teu olhar, um universo;
Há um oceano de beleza e de ternura
Que não consigo expressar em prosa ou verso:
Há o Amor nos teus olhos, em forma pura.

Há, no teu olhar, tanta doçura
Que me ilumina de azul e me põe imerso
Em anseios de amor; e se figura
Topázio no qual perco-me disperso.

Há, nos teus olhos, épocas distantes,
Anos passados, frescos na lembrança;
Há lembranças de sonhos e instantes

De um tempo em que o mundo a nós servia
De berço de encontros e esperança
De anseios e medos, e de alegria.

𝙨𝙤𝙣𝙚𝙩𝙤 𝙚𝙢 𝙥𝙧𝙤𝙨𝙖:
Não, não é o poema que é belo;
Ele não é belo por minha causa.
Ele ser bonito não é mérito meu.
É seu.

Você é especial. Você é linda.
E nem faz ideia do quanto...
A beleza não está no poema:
Está em você.

O poema não é nada; é tão somente
A minha tentativa de mostrar ao papel
Toda a beleza que já há em você...

O poema é somente uma sombra:
Você é a luz, você é o brilho.
Você é a verdadeira poesia.

𝐈𝐈𝐈 – 𝐅𝐮𝐭𝐮𝐫𝐨

𝕍ai dar certo? Não vai? Não sei.
𝔸s nossas vidas nos dirão. O resto
ℕão sei. Simplesmente não sei.

𝕍ou deixar que tudo aconteça, vou sentir você a cada dia
𝔸 cada letra, a cada palavra, a cada respiração...
ℕão vou mais te deixar sair daqui de dentro.

𝕍ida! Até que enfim serás boa comigo!
𝔸té que enfim serei dela, e serei feliz!
ℕada mais peço, nada mais mereço; é tudo o que quero.

𝕍enha, Anjo, venha ser minha.
𝔸comode em mim estes cristais que tens,
ℕos olhos, a acalmar essa alma vã.
𝔼𝕤𝕤𝕒
Alma
Vã.
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