Avatar

Tiago Bianchini Fidalgo

@ tibianchini

Nível
2
Essência
💧 Água
Ritual
0 Dias

Patrimônio

60.0 LC

ESTRADA

LITERÁRIA

Updates

13/0421:39
Todos os Fenômenos da Natureza

O que existe agora é a chuva;
A vontade da água.
O que existe é esta falta de escrita,
E esta escrita mal-escrita, que por ora,
Tento enganar, dizendo ser poesia.

Existe no ar o sucesso de sonhos impossíveis
E desejos secretos; existe
Toda a tarefa útil que não hesitarei
Em deixar para fazer outro dia
Que, até, quem sabe, possam ser amanhãs...

O que existe agora é a noite,
Pairando sobre todas as coisas que nos são
Inanimadas;
E, do que ainda resta para a chuva lavar,
Não há nada tão puro que esta misericórdia não mereça.

O que há agora é efêmero;
Como um relâmpago que vem de surpresa:
Por mais que os admiremos, por mais que nos encante,
Não tornaremos a ver de novo a sua luz.

Nada há de novo; bastam as coisas velhas
Que nem mesmo conhecemos e já nos cansamos;
Basta este descobrir contínuo de novas tonalidades
Para cores já tão antigas e apagadas. 

Nada há além do que sempre existiu;
Nada além do que sempre esteve diante dos nossos olhos
E não soubemos enxergar;
E algo novo se faz desnecessário,
Quando tanta coisa ainda está implícita.

Há uma brisa que corre para todos os lados
Sem ser vista; há as folhas que caem das grandes oliveiras
Para serem devoradas pelos insetos
Ou para secarem e perecerem na infimidade das suas almas.

Não obstante, existe uma vida solta;
Um passado que não compromete
Nem tampouco glorifica
E ainda existe uma gloria incrustada em cada gota.

Há o que a chuva não dissolve; há o êxito
Que seca na argila o pesar de suas pegadas
Para que possas caminhar por entre os ínfimos
Que, pela chuva, as tiveram apagadas.
🔒 Conteúdo Exclusivo
03/0402:32
Olá, pessoal, tudo bem?

Queria convidar vocês para a Leitura Coletiva do meu livro "FORA DO TEMPO". É uma ficção científica levinha, que acho que todos vocês irão gostar...
A Nicho Literário está promovendo esta leitura coletiva, e teremos uma live no dia 30/04, onde todos poderão participar (ao vivo no Meet ou via chat) e falar sobre o livro - do que gostaram, do que não gostaram (espero que esta parte seja bem curtinha... 😜)...

Pra quem quiser participar, basta entrar no site da Nicho Literário (https://www.nicholiterario.com.br/) ou me falar por aqui mesmo...
Voxê pode ler o livro na sua assinatura do Kindle Unlimited, adquirir o e-book na Amazon ou aqui mesmo, na Literunico. A versão física também está disponível na UICLAP.

FORA DO TEMPO é uma ficção científica que fala sobre música, tecnologia e viagens no tempo... E sobre nada disso!

Imagine que você vive a vida que qualquer um poderia querer: é um ex-astro do rock, que fez fortuna com tecnologias revolucionárias e está prestes a fazer "o negócio do século" com uma multinacional... Mas, de repente, aquela vida perfeita que você planejou para si mesmo começa a desmoronar. Pessoas suspeitas irão fazer de tudo para roubar o grande invento que você criou. Mas... e se você pudesse passar a perna no tempo, dar uma voltinha no futuro e descobrir como essa história acaba?

FORA DO TEMPO é um livro cheio de mistérios, tecnologia, música, referências pop e reviravoltas surpreendentes. O que esperar de uma mente genial, lutando desesperadamente pela própria vida?

Embarque nessa história... Enquanto há tempo.
🔒 Conteúdo Exclusivo
06/0313:00
1986
( @andreajguesse , seu poema me lembrou deste, que fiz há muito tempo... Obrigado pela lembrança e pela nostalgia, espero que goste)

Hoje o sol brilhou mais forte;
Olho a janela e lembro de uma manhã de 1986.
O céu azul de 86, o domingo de férias,
A manhã quente e sem barulhos de 1986.

Parece que vou ligar minha TV na sala,
Minha Telefunken de 14 polegadas,
Para assistir à Fórmula 1
E ver o Piquet ganhar e o Senna chegar em terceiro.

Depois vou subir no andar de cima do prédio,
Comer a macarronada da vó e assistir ao Silvio Santos
- Ela adorava o Silvio... E quem sabe, de noite,
Tia Cida aluga um VHS pra gente ver, já que só ela tem videocassete.

E, nesta manhã de 1986,
Vou sentar à mesa e sujar a toalha azul
Ao derramar guaraná Brahma sem querer...
Mas mamãe não liga, porque sou criança ainda.

E papai hoje está em casa,
E vai sentar no sofá de vime comigo e me mostrar
Aqueles livros todos que ficam no alto e não posso pegar sempre
E me contar do Cometa Halley, que vai passar por aqui em breve.

Descer na padaria da esquina e comprar um sorvete Yopa,
Porque faz muito calor aqui em 1986,
E jogar bola no estacionamento da frente,
E jogar Atari até de madrugada.

E o Sarney vai aparecer na TV, anunciando outro plano
E depois mudar de novo o nome da moeda,
Mas tudo bem, depois vou ver futebol,
Com aquela seleção maravilhosa de 1986.

E olhar na janela para ver o movimento,
Meninas nas ruas com lenços no pescoço,
E roupas coloridas, e calças largas
Voais da moda de 1986.

Mas a vida é de uma mão só:
O Senna morreu, a Vó morreu, o Zico já não joga...
E os lenços nas ruas, e as roupas coloridas
Já nem lembram uma moda que não existe mais.

Hoje o mundo é de barulho, é de internet,
É de black blocks e não de Diretas já.
É de carrões importados e coreanos
E não dos Fuscas e Brasílias e Escorts de 86.

Hoje as fotos não existem senão em pixels,
Que só vemos em telas de cristal líquido:
Onde foi parar aquele clicar e ficar na angústia,
Esperando para revelar e ver se ficou bom?

Onde foram as cores infinitas das fotografias,
As cores bregas e berrantes das camisetas?
Onde foram os encartes das revistas, os jornais impressos
As paredes cor cáqui e as geladeiras vermelhas?

Não foram; ficaram. Em 1986.
Nunca saíram de lá; nós é que saímos,
Para continuar a vida e a evolução das coisas,
Nesta marcha sempre em frente de um trem chamado Tempo.
🔒 Conteúdo Exclusivo
05/0300:14

Mais desabafo

Mais um desabafo

Vou aproveitar que estou por aqui entupindo a todos com meus pensamentos e deixar mais umas coisas soltas...

Tenho visto as tretas literárias e pensado. O cara compra 200 avaliações e só consegue "vender" o livro depois de fazer uma cena vergonhosa por causa de uma avaliação de 4⭐ (tudo bem que eu acho que tudo isso é fake, mas isso só piora as coisas).

Desde que eu lancei meu livro Fora do Tempo, tenho investido sempre que posso em resenhas e "publis". Tenho encontrado pessoas maravilhosas que leram meu livro e adoraram (e tenho certeza de que as avaliações foram sempre sinceras). A pessoa que recebe alguma coisa pra ler seu livro tem sempre a tendência de melhorar um pouco a avaliação. O leitores dessa pessoa podem pensar: "Ela recebeu para falar do livro, então... Será que o livro é tudo isso mesmo, ou será que ela está só sendo gentil?"

(E, sim, meu livro é ótimo; então, leiam!🥰)

Mas meu livro possui 17 avaliações na Amazon e 11 no Skoob. Tenho algumas avaliações "espontâneas" - gente que leu sem que eu nem soubesse e resolveu falar dele, gente que leu porque ouviu falar. Mas isso é bem raro no meu caso. A maioria deve ser de resenhas contratadas ou de uma ou outra Leitura Coletiva.

Tenho investido uma boa grana para receber leituras e resenhas, para postarem nas suas páginas para os 50 mil seguidores verem, mas os maiores retornos são de amigas que leram sem compromisso, gostaram e indicaram para outras pessoas... Eu não vendi o suficiente para pagar as avaliações (e, se eu for pensar no lucro líquido, aí sim, vai dar vontade de chorar...)

Não é curioso que, em vez ser pago pela minha obra, eu esteja pagando para que alguém a leia? Não é triste que, em vez de o leitor buscar o livro, ansioso para conhecer a história, a narrativa e tudo o mais, seja o autor que precise bancar a leitura? Eu não escrevi meu livro para ficar rico, mas não esperava que a maioria das leituras fosse porque eu paguei. Mas esta aparece ser a tendência do mundo moderno: as pessoas se interessam por interesse. A gente compra atenção, compra tapinhas nas costas - o que é um absurdo, porque o confeiteiro não vai até a sua casa te pagar para você experimentar os bolos que ele faz, nem o dono da concessionária te dá um Porsche de presente apenas para você dirigir e dizer se gostou da experiência. Por que tem que ser assim com um escritor?

(E, vejam: embora eu tenha pago pela divulgação, não me meti na avaliação: todas elas sempre foram livres para me dar zero ⭐ e dizer: "odiei". Eu paguei por "avaliações", não paguei por "avaliações positivas").

Eu acompanho as postagens dos bookstagram sobre meus livros. São ótimas, gentis, bem-feitas. Indico todas elas. Mas vejo a movimentação de KENP na Amazon e nada muda. Vejo as vendas não acontecerem. O que pode estar errado?

Talvez seja só porque sci-fi é difícil mesmo. Talvez meu livro seja um meio termo indesejável - levinho demais pra quem curte sci-fi, e complexo demais pra quem curte fantasia ou romance. Talvez minha expectativa fosse alta demais. Talvez eu precisasse fazer alguma coisa ridícula como o autor que não aceita 4 ⭐ (mas isso eu não vou fazer jamais).

Há publis que me custam RS85,00, RS100,00 ou RS200,00. São de pessoas com 50 mil seguidores,mas isso não se reverte em leitores (embora, de certa forma, as bookstagrammers tenham ficado marcadas e impactadas com meu livro).

Meu livro é bom. Eu, pelo menos, acho que é. Algumas autoras daqui, como a Ana Paula e a Mari Adriano, adoraram meu livro (e leram sem compromisso, e foram extremamente generosas comigo).

Estou pensando seriamente em não fazer mais isso. Não vou mais procurar por avaliações. Ninguém respeita essas avaliações mesmo, por causa de um ou outro idiota que as compra. Ninguém lê meu livro porque um influencer fez uma resenha favorável. Já tenho duas fechadas pra esse mês, e, depois, acho que não vou mais gastar com isso. O bookstagrammer que quiser fazer propaganda do meu livro, que fique à vontade: compre, leia, e diga o que achou. Acho que isso é o mais honesto que pode existir.
🔒 Conteúdo Exclusivo
04/0323:52
Crônica dos 35 anos

O Literunico antigamente possuía limite de 2000 caracteres. Depois aumentou pra 2500 e agora está em 5 mil.
Não posso pedir mais nada a Deus (nem ao Eder). Isso deveria ser mais do que suficiente para um escritor comum.

Mas eu, é claro, não sou comum. E nem um pouco conciso. Então vou colocar como um Epub. É um texto de cinco partes, escrito há cerca de dez anos. Um pouco ácido, confesso. Não é pra todo mundo (mas, dos meus escritos, qual seria?)

Enfim, vai ficar por aqui, por módicos 1,00. Mas vou deixar uma parte - a parte 3 - para atiçar a curiosidade de vocês.

* * *

Fui uma criança superdotada.
Um adolescente acima da média.
Um jovem muito inteligente.
Um adulto normal.
Tenho medo de me tornar um velho medíocre.

Quando eu tinha nove anos, plantei uma árvore, mas ela não vingou.
Quando eu tinha dezesseis, escrevi um livro, mas ele não foi publicado.
Tenho medo do que serão os meus filhos.

Tenho escrito pouco; me enfadam minhas próprias crônicas...
Tenho sido crítico demais, seco demais...
Tenho abandonado tudo o que não seja perfeito.
Tenho rasgado os meus poemas, antes mesmo de terminá-los,
Por não julgá-los dignos de preencher uma folha que seja.

Tenho lido bons autores e me cansado deles,
Tenho sido extremamente intransigente com textos medianos
Como os meus.

Ou eu preciso de um psiquiatra
Ou de um blog.
Mas o blog eu já tenho e ninguém lê.
Tenho medo de procurar um psiquiatra que não me ouça.

* * * *
🔒 Conteúdo Exclusivo
VIP
01/0303:00
Um poema feito com @MarU , @JusleyNaiane e emojis.
🔒 Conteúdo Exclusivo
18/0203:39
À noite todos os gatos são pardos

Vi hoje que o tema era #Felino...

E lembrei-me da primeira redação que fiz na escola, aos 11 anos. Ela ganhou elogios de todos os professores, e foi ali que percebi que tinha habilidade para escrever (e que queria ser escritor um dia). O tema da redação era "Medo" e o título era sugerido pelo livro didático.
Espero que relevem erros pueris e a superficialidade de um garoto de 11 anos da década de 80...

À noite todos os gatos são pardos

Eu estava andando à toa pelas ruas da cidade naquela noite fria e assustadora, que a fraca luz da Lua e a precária iluminação dos postes tentavam disfarçar. Eu tremia. Decidi que era hora de voltar para casa. A noite, porém, me convidava inevitavelmente a andar mais um pouco. Mas foi resistindo que cheguei em casa. Meus pais haviam ido a uma festa, e minha irmã, como todas as noites de sexta-feira, tinha pêgo um cineminha com o, ou um de seus namorados. Estava sozinho. Deitei-me na cama, olhei prô quadro que geralmente fica à minha frente e percebi que a paisagem refletia um campo verde cheio de árvores. Isso me fez lembrar: havia feito um lindo dia àquela manhã! O quadro, que aliás brilhava sobre a luz que vinha da rua, me aborrecia cada vez mais.
Prá estragar de vez, começou a chover. E a chuva que caía insistentemente empurrava ainda mais o mormaço para dentro de meu quarto. Apaguei a luz e tentei dormir. Virei prum lado, prô outro, de bruços, de barriga prá cima...e nada. De repente, quando eu olho para a frente, eu vejo...dois olhos!!! Gelei. Dois olhos que brilhavam como dois diamantes na noite e nada mais eu via. Mas, num estrondo, vi algo ainda mais assustador: um corpo escondido por um véu!!! Sim, um corpo pequeno coberto por um véu ou coisa parecida que ficava perto do interruptor da luz. Pensei: "Quem sabe se eu levantar, acender a luz e poder ver nitidamente aquilo que me mete medo, talvez eu possa encarar numa boa". Tá bom. E cadê coragem de chegar até o interruptor, com aquele ser a guardá-lo?
Eu estava apavorado. Nunca em minha vida pensei em ter "contatos imediatos de primeiro grau" com um OVNI que eu nem sabia o que era. Aqueles olhos piscavam e olhavam friamente para mim. Aquele ser se mexia de tal forma a me impressionar. Num relâmpago, gritei: abri os olhos. Abri e vi uma espécie de janela de luz à minha frente, na parede. Uma janela que eu nunca tinha visto antes que dava para um outro mundo e prá lá dela eu não via nada; só uma luz muito forte. Aterrorizado, era assim que eu estava. Os olhos, o corpo, a janela, a luz, a luz... Sim, a luz! Claro! A luz da janela!!!
Criei coragem, levantei-me da cama, cheguei até o interruptor e acendi a luz. Acendi e dei risada da besteira que minha cabeça havia inventado: o tal corpo era somente uma toalha branca que eu deixo sempre na maçaneta da porta, e, sendo esta redonda, assemelhava-se realmente com um corpo. A tal janela era o quadro do campo que, refletindo a luz que vinha da rua, pela janela, brilhava, e os olhos... bem, os olhos eram realmente olhos. Olhos de um gato, preto ou pardo, que fugiu, pulando a janela, logo após eu ter acendido a luz...
🔒 Conteúdo Exclusivo