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Tiago Bianchini Fidalgo

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LITERÁRIA

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13/0222:43
O Caso de Paixão Mal-Correspondida do Mecânico pela Dondoca Dona da Loja de Carros Antigos

Oba! Vi que agora os textos podem ter até 5 mil caracteres... Então dá pra postar muita coisa que eu não conseguia...

Não vou conseguir mais postar todos os dias... Mas quero aproveitar pra postar um texto engraçadinho (quem quem conhece carros antigos vai se deliciar).

O Caso de Paixão Mal-Correspondida do Mecânico pela Dondoca Dona da Loja de Carros Antigos

Amo-te. Quando passas por aqui, a abanar o rabo
Do teu Cadillac rubro – a seduzir-me qual um diabo
Ou qual um anjo louro a levar-me ao céu;
Ao ir-e-vir, sempre num bólido diverso,
A inspirar-me cânticos de amor, e versos,
A passar em alto giro, e a cantar pneu:
Vejo-te voltando num Corcel.

Sim, amo-te!... E sou mais que um reles amante:
Quando por mim passas dando gás na Variant
Eu compreendo os teus anseios de menina:
De alçar-se a um sonho de aventura bem maior;
Chegar ao êxtase a bordo de um Simca-Chambord
Ao ansiar que te apertem a buzina:
Volta você, pilotando uma Belina.

Mas nem me dá bola: espia-me pelo espelho
Retrovisor do teu Mustang vermelho,
Como a mostrar-me que não és para um qualquer;
E, ao voltar das festas dentro de um Róis-Róis,
Me deixas claro a distância entre nós;
Me mostras tudo o que eu desejo em uma mulher.
Manhã seguinte, me apareces num Bell’Air.

Ah, como sofro! É um sentimento tão raro
Que, ao esnobar-me às rédeas do teu Camaro,
Me fazes sofrer, e o sofrer é mais que a morte;
O meu sofrer sucumbe a um ronco de motor
Pois é impossível que se padeça de amor
Sem que a vida não nos reserve melhor sorte.
Não obstante, passas batido num Escort.

Oh, sim, eu sofro! E por sentir-me tão só,
Eu te desejo, quando vais num Marajó,
Como eu desejo um romance casual!
No teu Aero-Willis de bancos de couro,
Beijar-te e acariciar teus cabelos d’ouro,
Mostrar que amo-te mais do que qualquer mortal!...
Mas vens e quase me atropelas com um Landau.

Se um Gordini passa, eu penso: “É você!”
Numa Brasília, uma TL ou DKV,
E isto basta a disparar-me o coração;
Mas, se me olhasses, de dentro de um Mawerick,
Se me sorrisses, minha mágoa iria a pique,
Se me chamasses, se me olhasses, mas, não...
Lá vem você, guiando um Zé-do-Caixão.

“Meu Deus, eu a amo, e sempre irei amá-la!”
Exclamo eu, ao ver-te dentro d’um Impala
A acelerar e desprezar-me à distância;
Mas eis que ouço um grande estrondo, e olho a rua
E vejo vir, depois de instantes, uma perua,
Uma perua que destrói tua arrogância:
Te vejo vir numa perua da ambulância.

Me desprezaste demais; amei-te um dia,
Quando à minha frente acelerava um Kharmann-Ghia,
Mas por não ter visto o Scania na direção contrária,
E por pisar demais no da direita,
Foste além do meu amor, e ora deita
Nos fundos d’uma Veraneio funerária.
(Otária!)
🔒 Conteúdo Exclusivo
11/0202:29
APELO

Vejo muita gente dizer que ama poemas. Esta rede é um lugar incrível, onde amantes de poesia podem se encontrar, indicar seus livros, formar uma comunidade de leitores e fãs.
Você, eu sei, adora poesia. Afinal, este post chegou até você, e o algoritmo é um carinha que sabe onde deve entregar as mensagens, como um carteiro divinal que quase nunca erra. Você, certamente, tem uma alma sensível e um coração aberto, pronto pra amar um livro de poemas maravilhoso.
Há um livro maravilhoso que está esperando por você. Um livro de uma pessoa sensível, poeta sensacional, capaz de te causar as mais belas sensações.
Mas esse livro não existe. Quer dizer, ele ainda não está nesse mundo - só na mente e na alma dessa pessoa. Ele precisa da sua ajuda para nascer.
Ora, vamos, você ama poesia. É uma pessoa sensível, que entende os anseios de um livro lutando pela sua vida. E, olha, se você ajudar, tornará a poeta muito feliz (olha que coisa rara: uma poeta feliz!...)
O nome da poeta é Jusley Naiane. Você a encontra em @ju.naiane e alguns dos seus poemas estonteantes podem ser lidos de graça, como uma cortesia, no site da Literunico (https://www.literunico.com.br/JusleyNaiane?ref=99).
Mas, para que o seu livro possa nascer, você também precisa fazer uma força. Ajude-a, aqui:

https://literunico.com.br/campaigns/12

Apesar de tantas pessoas que amam poesia, que lutam pela valorização da literatura nacional, e que adorariam ter mais uma (excelente) opção de poemas para enfeitar as suas almas, a captação de recursos para que o livro da Ju venha ao mundo ainda é tímida. Sabe, leitor, produzir um livro é caro, difícil, desafiador. A campanha ainda não arrecadou recursos suficientes - mas sei que, sendo você uma pessoa amante das artes, poderá ajudar... Uma pequena doação pode ser a diferença entre termos mais um excelente livro no mundo, ou termos mais uma razão para lamentar o fracasso dos artistas independentes.
E nem estou te pedindo nada de graça; ao doar R$ 19,95, você GARANTE um exemplar do seu livro físico. É uma compra tentadora, não?
E então? Vamos ajudar a fomentar a poesia nacional?
🔒 Conteúdo Exclusivo
08/0205:27
DESPEDIDA

O texto mais importante que eu escrevi na vida foi o livro "O garoto que ninguém entendia". É um infanto juvenil que fala sobre bullying, e que irá sair (se Deus quiser e se eu criar vergonha na cara) pela editora RHJ, ainda esse ano.

Ele não é nem de longe o meu melhor trabalho - pelo contrário; ele possui tantos problemas que acho que vou acabar tendo que reescrevê-lo. Ele foi escrito no começo dos anos 90, e tem muitas coisas que, naquela época, era mau gosto, mas hoje poderiam me levar preso por discriminacao., gordofobia, capacitismo, etc.

Mas, então, por que eu tenho um especial apreço por esse livro? É uma longa história.

O livro conta a história de uma turminha de 5ª série que, ao receber um aluno diferente, começa a tratá-lo como um bobalhão (essa é uma das palavras que vou ter que tirar). Ele não gosta de jogar bola, não faz bagunça na aula, não gosta de Rock n' Roll; então todos o tratam como um cara com problemas mentais (ops! Outra).

Esse carinha existiu (e, pasmem, não era eu - eu era um dos que não o entendiam) e a turminha foi uma compilação de diversas pessoas que eu conheci no ginasial. Tinha a menina bonita, o cara amigão, a riquinha, o paquerador... Eu usei alguns dos meus melhores amigos na historia.

E tinha uma menina por quem eu era apaixonado... Ela era linda, cabelos negros, olhos azuis claros, pele branquinha e delicada: a princesinha da turma. E eu? Bem, eu era o cabeludo e esquisito. O nerd. Ela nunca sequer olharia pra mim, mas, mesmo assim, eu a coloquei na minha história, quando escrevi o livro em 1993.

Eu passei a vida com a esperança de virar "escritor" e fazer uma "carreira", mas nunca fui atrás de publicá-lo (em uma época pré-internet e pré-Amazon, isso era dificílimo). Então, em 2014, eu decidi que não ia mesmo ficar rico vendendo livros, e postei a história toda em um blog pessoal. E enviei o link, via Facebook, para o único amigo com o qual ainda tinha contato.

Acontece que esse era justamente o amigo popular, e ainda tinha os contatos da maioria da turma. No dia seguinte, havia sido marcado em um post do Facebook que dizia: "Ei, pessoal, olha só a história que o Tiagão escreveu sobre a gente!" E, abaixo desse post, além de me marcar, ele marcou a turma toda...

(Continua nos comentários... 🤷🏻‍♂️)
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07/0201:02
𝑨𝒔 𝒗𝒆𝒛𝒆𝒔, 𝒆𝒍𝒂 𝒗𝒐𝒍𝒕𝒂
#Desafio 365 dias (037 de 365)
Ref 06/02

𝑨𝒔 𝒗𝒆𝒛𝒆𝒔, 𝒆𝒍𝒂 𝒗𝒐𝒍𝒕𝒂

Ele acordou
No meio da noite;
Ela ainda estava ali.

Fingiu que não era nada,
Ignorou sua presença.
Preferia estar sozinho.

Mas ela
Se recusava a ir embora
Ficava dançando à sua frente

Marcando lugar
Escrevendo o seu nome:
Solidão.

E no frio da madrugada,
seus suspiros eram o vento,
um eco persistente de memórias
que ele preferia não ter.

Ele estendeu a mão,
mas o vazio respondeu,
pois a solidão não tem corpo.

No limbo eterno
entre o querer e o não querer,
ele se rendeu ao inevitável.

Até que um novo dia nascesse
e a luz dissipasse a névoa,
Ela seria sua única companhia.

Mas, por enquanto, noite.
Dor e escuridão.
Solidão.

Silêncio no quarto,
Um perfume distante,
sussurros perdidos.

Caminhos sem volta,
passos que se vão.
Um amor que se esvai.

Cartas não enviadas.
palavras esquecidas.
Solidão.

um olhar que não diz,
mas tudo revela.
Um olhar que se apaga
Quando a luz se esconde.

solidão, uma sombra,
silenciosa e pesada,
Sombras na parede.

Um vestido escuro,
Ela dança no espaço.
Ela senta ao seu lado.

Risos longínquos,
ecos do passado,
Órfãos de memórias.

Na mesa, um vazio,
na taça, um vazio,
Um copo quebrado,
fragmentos de "nós".

Nas sobras do jantar,
Nas sombras, nem o eu nem o tu
A desatar nós.

Mas não há mais nós:
Desata-os a aurora;
Um novo dia, uma nova esperança.

Ela ainda está ali.
No fim das sombras, a depressão:
Solidão.
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02/0222:53
𝑪𝒐𝒏𝒕𝒂𝒈𝒆𝒎 𝑹𝒆𝒈𝒓𝒆𝒔𝒔𝒊𝒗𝒂
#Desafio 365 dias (033 de 365)
Neste post, continuo minha explicação sobre o poema (que, não por acaso, se chama "Contagem Regressiva"):
Observem como, a cada estrofe, a leitura fica um pouco mais "sem perna"; cada estrofe possui uma musicalidade própria, por causa da quantidade de sílabas poéticas, e temos que esquecer a musicalidade da anterior para ler a próxima.
Ah, e, é claro, o poema todo deve ser coeso, fazer sentido, contar alguma coisa, expressar alguma emoção. Senão, será apenas um exercício.

𝑪𝒐𝒏𝒕𝒂𝒈𝒆𝒎 𝑹𝒆𝒈𝒓𝒆𝒔𝒔𝒊𝒗𝒂

13
Toma um poema. Há coisas que não sei dizer...
Melhor fazer, do papel, um mero confidente
Para guardar o que no peito se guarda e sente
Eis um poema: isto é tudo o que sei fazer.

12
Lê o poema: tenta entender o que te diz
As palavras soltas: sou eu a te dizer
O que não se diz: que só se tenta esconder
E se finge esquecer; e se é feliz.

11
Leva este poema a te falar de amor,
Um amor vivo e forte, qual a raiz
Do mais alto ipê; e eu, que tanto quis
Negá-lo, sei que de mim já é senhor.

10
Como ficar sem teu perfume, agora
Que já provei, meu Deus, do teu odor?
Como fazer morrer tamanha dor
Que fica e vive, e não vai embora?...

9
Não... não é o poema. Sou só eu
Que finjo ser teu a toda hora;
E, de ser um fingidor por fora,
Por dentro devo já estar no céu.

8
Qu’este poema possa dar-te
Um beijo meu, perdido ao léu;
E qu’este beijo faça réu
O teu coração, de tal arte

7
Que a ti, seja um elixir:
E que me ames, destarte,
A dor, que ora me parte,
Não haverá de existir.

6
Sente o meu beijo; sente:
Sou eu a te sorrir.
Mas, não... Quando eu a vir,
Sorrirei, simplesmente...

5
E este meu sorriso,
É o hausto da gente
Que traz, de repente
Teu sonho impreciso.

4
Quero te dar
Um paraíso
Quero e preciso
Tanto te amar!...

3
O celeste
Deste olhar
É um mar
Que me deste.

2
Adeus!...
Sou este.
Me veste
Os teus.

1
Sem
Ti,
Meu
Deus!...
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02/0222:48
Devo dois textos. O do dia 01 e o de hoje... Vamos lá:

#Desafio 365 Dias (032 de 365)

Havia falado em como é o meu processo para escrever livros.
Hoje vou explicar como costumo fazer com poesia.

As coisas que mais gosto em poesia têm a ver com estrutura e sonoridade; uma frase bem feita e que fique gostosa aos ouvidos, o uso de repetições fonéticas, etc. Há um poema meu que diz:

"Doce instrumento dos deuses e dos sábios,
Sabe os segredos dos suspiros teus"

Aqui, uso "sábios" e, em seguida, "Sabe os" - o que, sonoramente, impõe uma repetição fonética.

A estrutura também é parte importante dos meus poemas. Embora eu tenha vários poemas "livres", gosto de usar regras internas para segui-los. Outro dia, li uma estrofe linda da poeta MarU que tinha a seguinte estrutura:

- Estrofes de 3 versos.
- verso 1 com 6 sílabas poéticas e rima A.
- verso 2 com mais sílabas (mas com apoios) e rima B.
- verso 3 com 10 sílabas poéticas; rima A na 6ª sílaba e rima B na última.

Exemplo: o poema "Ao Luar", nº 028 do desafio 365 dias (dêem uma olhada na minha página).
Assim, explicado, parece sem sentido (afinal, a ideia do poema é extravasar sentimentos, emocionar, etc). Mas sinto que, usando estruturas fixas, se consegue isso de maneira mais perene.

Outras estruturas: utilizar rimas internas e trançadas (uma rima do fim de um verso aparece no meio do verso seguinte), formas consagradas (soneto, versos alexandrinos, Limerick, etc). Sempre procuro estipular uma regra para meus poemas; isso me ajuda a evoluir como se fosse um estudo (e é, no fim das contas). Ezra Pound incentivava a poesia modernista livre, mas sempre reiterava a necessidade de estudo das estruturas, como aprendizado.
Já tentou fazer um poema apenas com palavras que comecem com a letra A? Já tentou fazer um poema com rimas perfeitas e proparoxítonas? Já tentou fazer um poema com apenas 2 sílabas poéticas por verso? Tudo isso é aprendizado, e, mesmo que o poema em si não fique lá muito bonito, já serviu para te fazer encontrar soluções técnicas.
No meu próximo poema (que postarei daqui a pouco, como o nº 032 do desafio), eu criei a seguinte estrutura:
- todas as Estrofes possuem 4 versos. Os versos 2 e 3 (internos) rimam com os versos 1 e 4 (externos) da estrofe anterior.
- a primeira estrofe começa com 13 sílabas poéticas e, a cada estrofe, vou diminuindo uma, até que a última estrofe tenha apenas uma sílaba poética.

Termino de explicar no próximo post, com o poema...
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01/0203:24
Meus meninos
#Desafio 365 Dias (031 de 365)

* 𝐼𝑛𝑠𝑝𝑖𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑜 𝑏𝑒𝑙𝑖𝑠𝑠𝑖𝑚𝑜 𝑡𝑒𝑥𝑡𝑜 𝑑𝑎 @𝐶𝑟𝑖𝑠𝑅𝑖𝑏𝑒𝑖𝑟𝑜 *

Meus meninos ainda não eram meus meninos quando os conheci; um já tinha 8 e o outro, 5. E eu, justo eu, um autista que não há tinha sido um bom tio, nem um bom primo, nem um bom irmão, nem um bom cunhado mais velho, fiquei com a incumbência de ser um bom padrasto.

Eles não gostaram de mim logo de cara; achavam que eu estava vindo pra tomar o lugar do pai. Não era verdade; o pai já havia abandonado esse posto, e o que eu estava fazendo era tentar preencher um espaço já vago, mas como demonstrar isso para duas crianças?

Talvez por isso eu tenha sido tão duro, tão intransigente, tão crítico e austero. Talvez por isso, eles, que nunca haviam encontrado limite e autoridade, tenham se apegado a mim como um porto seguro - algo que eu não era, inconstante que fui, genioso e chato e ranzinza e exigente.

Mas... O tempo foi passando. E o amor que eu antes tinha pela mãe deles foi virando um amor por três, um amor pela família que não era minha. Eu me cobrei como pai e exigi tudo o que eles poderiam ser como filhos.

E quantas vezes um deles não veio me mostrar algo incrível, e eu não deixei porque não tinha tempo? Quantas vezes os impedi de falar sobre a nova série, o novo jogo, o novo livro, porque havia "trabalho importante" a ser feito? Hoje, olho para dentro de mim, com os olhos do passado, e encontro momentos em que eu poderia ter estado mais com eles, em que eu deveria ter mandado às favas aqueles chefes que sequer sabiam meu nome, nem que eu tinha filhos e família e que devia ser exemplo. Olho para trás com a percepção de que devia ter sido mais presente, mais amigo, mais amoroso. Mais pai.

(𝑐𝑜𝑛𝑡𝑖𝑛𝑢𝑎 𝑛𝑜𝑠 𝑐𝑜𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑟𝑖𝑜𝑠...)
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31/0101:17
𝑴𝒂𝒅𝒓𝒖𝒈𝒂𝒅𝒂
#Desafio 365 Dias (030 de 365)

𝑴𝒂𝒅𝒓𝒖𝒈𝒂𝒅𝒂

É madrugada. Sozinho, nesta cama morta,
Espero o sono; aguardo o novo dia;
Pensativo, a torcer profundamente
Para que, também, a essa altura
Ela, de longe, em outra cama
Não menos solitária
Esteja me desejando em seu pensamento.

É madrugada. A essa altura estarás pensando
Que talvez eu esteja pensando em ti,
(Como se eu te esquecesse um minuto sequer!...)
E deve estar rolando
Sozinha, na cama,
Almejando minha presença.
Está longe, contudo: não há como
Envolver-me completo em seus braços
Deitar em seu colo, receber seus carinhos,
Como já fizera outras vezes,
Na espera ansiosa pelo dia de nossas vidas.
Sabes que te quero, mas nessa hora,
Pede a Deus que me leve até ti...
Mas espere, minha princesa
Não peças por uma coisa
Que já tens;
Peça, sim, ao Papai do Céu
Que nos dê a eternidade,
Para que possamos viver o amor
mais bonito deste mundo.


É madrugada. Estarás chorando?...
Ao pensar na minha falta, no seu amor?...
Chora não, meu anjo, que eu te adoro
- Sabes disto -
Que te espero sempre, aqui, parado,
E que ninguém lhe foi tão fiel.
Imagine apenas os momentos
Que poderemos viver, e viveremos;
Viu, coração?
Nunca mais chores por mim, tá?...
Que não é preciso; me tens só para ti
Que, quando, entre nós, aflorar o amor,
Num dia claro e gentil,
Que brilhem em mim teus sorrisos;
Que em mim espelhem teus olhos;
E tão verdes, e cheios de graça,
Como jamais ninguém viu, nem mereceu.
Dorme com os anjos, minha amada,
E vê se sonha comigo,
Como eu sonharei também contigo.
Pede ao Papai do Céu,
Para que Ele me coloque nos teus sonhos,
Para que nem dormindo me esqueças;
E durma tranqüila, contente,
Na certeza de que sempre terei você no pensamento.

É madrugada. Que a Lua
Que, nesta noite calma, e cheia de estrelas,
Fica postada no céu, a nos vigiar,
Cuide bem de ti, já que agora não posso
Te proteger.
Ah, que quando acordares
Possa, ao espreguiçar-se entre os lençóis,
Sentir minha presença!...
E que, nas peças íntimas, tão feminina,
Tua pele sinta os beijos que te mando,
Sem parar, na esperança
De que possam atingir teus lábios molhados
Do frescor, da manhã que estará por se fazer.
Durma com Deus, minha vida;
Que enquanto pensares inocentemente neste amor
Teremos sempre um pedaço do paraíso.
Te adoro!
Boa noite.
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VIP
30/0100:39
#Desafio 365 dias (029 de 365)

Hoje não vou postar um poema ou crônica. Em vez disso, vou explicar meu processo de escrita. Acho muito legal a gente pensar nos processos...
Eu sempre tive dificuldade pra escrever coisas muito compridas (por incrível que pareça 😂), então eu faço assim:

-primeiro, eu "imagino" que acabei de ler o livro que eu vou escrever. E vou fazer um resumo do livro pra um amigo, como se estivesse contando a história pra ele. Esse resumo tem umas três páginas e conta tudo do livro, até o fim e os plots (então, não é uma sinopse).
- Depois, eu vejo se a história ficou boa e incremento, em um novo "resumo mais detalhado" (que ocupa cerca de 10/15 páginas).
- Aí, eu abro um programa chamado TRELLO, que eu usava quando era funcionário público. Lá, eu organizo capítulo a capítulo, como ficarão os diálogos, quais as resoluções de dilemas antigos e onde ficam os fios soltos, tudo isso. Também retalho os personagens, é claro: como pensam, do que gostam, quais visões de mundo, onde eles mudam a cada capítulo, como percebem as coisas (mais sensitivos? Mais auditivos?)
-O próximo passo é resumir cada capitulo e alterar a ordem dos pontos de resolução, novos conflitos, etc (isso pensando em não deixar muita coisa solta ao mesmo tempo; vai resolvendo e abrindo novos dilemas).
Nesse momento, às vezes, eu já crio uma ou duas páginas de diálogos e narrativas, para dar "o tom" da história, com que nível de ironia, humor, tipo de vocabulário, etc.

Depois que tudo isso está pronto, praticamente o livro está terminado. Basta sentar e contar as partes que já estão lá, organizadas. Raramente eu mexo em algumas coisas na estrutura (porque tudo já está bem amarrado e qualquer mudança causará um efeito cascata).
Começam as revisões, que vão me mostrar se tudo ficou previsível demais ou linear demais... É nessa hora que eu penso em ritmo - em quais momentos a narrativa deve ficar mais rápida e caótica, em quais outros vai ficar mais lenta para que algumas mensagem seja martelada, etc.

-Hora de passar pra alguém ler. Normalmente, o que vem depois dissoné uma ou outra alteração pontual.

Digamos que eu seja mais que um arquiteto: eu sou quase um engenheiro. 😂😂😂

Para poemas, eu conto outro dia. 😁

PS: Esse post surgiu de uma conversa na página da @carlajaia - recomendo a todos irem lá pra ler como ela faz 😍.
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26/0119:09
ME AJUDEM A ESCOLHER UM NOME PARA ESTE POEMA

#Desafio 365 Dias (026 de 365)

Havia um amor miúdo no passeio;
Eu abaixei e o peguei, e o guardei,
Porque, talvez pudesse ser de proveito mais pra logo.

Não; não volto mais pra casa.
Cansei de estar sempre no ponto de partida.
Como podemos jogar fora, dia após dia,
Todos os passos que demos?
Hoje vou em frente.
Vou seguir adiante sem seguir ninguém.
Hoje vou andar devagar
Vou vagar deandar
Vou devoar.

Quando foi que nossas vidas viraram moscas?
Onde ficaram perdidos os bateres de asas de borboletas,
Tão calmos e de pouca ligeireza?
Em que esquina a vida passou a ser
rasante veloz de varejeira?

Ah! Hoje eu reparei num amor miúdo
Esquecido no canto da calçada,
Sem raízes nem frutos;
Atravessei seus sonhos como um espectro,
Sem saber que lhe fazia mal.
Nosso olhar só sabe olhar pra fora.

Hoje havia um amor miúdo
Pedindo esmolas de raios de sol em plena chuva.
Não tinha medo dos predadores que o cercavam,
Mas sabia que iria arder em febre até perecer.

Mas hoje pode ter sido ontem ou na vida passada, não sei;
A vida parou de andar como o ponteiro grande.
O ponteiro pequeno agora dá voltas como uma hélice de helicóptero.
E o ponteiro grande já virou digital, como a vida.

Na vida passada havia um amor miúdo
Em ruas que já não existem mais
Soletrando com dificuldade os pios das aves.
Melodia em andante Cantabile, para a qual
Não há pressa nem banda larga.

Quando foi que deixamos de piscar
Entre um sorriso e outro? Quando foi
Que as árvores pararam de dar sombras,
Que as estrelas pararam de nos dar desejos,
Que a vida parou de nos dar chances?

Ainda estou esperando,
Na curva, na chuva, na calçada.
Amor miúdo que sou, vejo outros eus passarem
Atravessando meu passado como espectros de alegria.

A toda velocidade.
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