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Daniel Caetano

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02/0714:54
Durante a invasão da Fantasia no @literunico quero falar de um livro que li recentemente: "O Timbre Magista", de Cuca Nuñes, publicado pela Lendari, com 184 páginas.

“‘O homem é um poço’, dizia Aara em tempos áureos. Se alguém olhasse para Sigard, o poço, e observasse a parte pedregosa acima do solo, onde se amarra o balde, veria um homem entediado, e esse homem diria que a razão disso é porque não se interessava por seres inferiores como aqueles que o rodeavam. Se olhasse um pouco mais fundo e tocasse a água com a ponta do dedinho, veria que, na verdade, ele tinha inveja de todos aqueles magos graduados por grandes instituições de ensino magista, quando o próprio fora expulso em seu primeiro ano de ensino. Agora, se você ultrapassasse os limites aquáticos e chegasse à terra úmida, no fundão do poço mesmo, e cavasse com uma colherzinha de iogurte, descobriria que Sigard não gostava dali porque, onde todos eram magos, ele era apenas mais um. ‘Que se dane, ele gosta dos holofotes!’, diria uma vozinha no insconsciente do homem”.

Este é um pequeno trecho do quarto capítulo de O Timbre Magista, de Cuca Nuñes. Não é como o livro começa, mas, para mim, bem que poderia ser. Não é, porque não dá o tom exato do livro, que é bem mais leve e divertido, porém, ela me pegou tanto que, quando terminei este parágrafo, só conseguia me perguntar: “Po***, Cuca! Por que você parou?”. Este é o momento quando começamos a entender o protagonista de verdade. O autor prefere nos entregar aos poucos as nuances do personagem, e achei tão forte que decidi começar essa resenha por esta passagem. Pode-se inferir tanto sobre Sigard através deste trecho que ele quase não precisa de explicações. Sigard é vaidoso, ressentido e inseguro, até mesmo blasé — um poço de inseguraças. Cuca foi genial quando a escreveu.

Com capítulos curtos e numerosos (são 45, no total), Cuca nos oferece uma leitura rápida e dinâmica.

O autor não perde tempo. Logo na primeira página somos apresentados ao grande segredo de Sigard: ele é um mago analfabeto e recluso. Vive isolado da sociedade magista em sua torre até o dia em que recebe uma carta de um amigo distante. Com sua magia, Sigard a ouve, e aqui começa o humor ácido do autor: depois de ouvir a carta, Sigard acredita ter descoberto o próprio destino.

Desde o início do primeiro capítulo, as dificuldades pessoais de Sigard se mostram presentes, mas o narrador conta tudo de forma leve, que nos arranca sorrisos enquanto lemos. Ele é debochado, irônico, e faz suas próprias piadinhas.

Aliás, em se tratando de piadas, o livro todo também pode ser visto como uma leve zoeira com todo o gênero de fantasia medieval. Enquanto lia, não pude deixar de lembrar das sessões de 3D&T que jogava na adolescência (jogadores de RPG me entenderão e amarão esse livro). No livro, não se vê nem se fala de elfos e anões, mas temos um dragão de chapisco, por exemplo; temos os dogons (uma referência ou inspiração a Minecraft, talvez); temos os polaris, criaturinhas das tribos que habitam as regiões geladas, além de outras manifestações interessantes e, digamos, diferenciadas, da própria magia. Há um quê de nonsense que permeia o mundo construído por Cuca, uma espécie de caos que não confunde, mas que compele a querer mais dele. Ao fim da jornada de Sigard, quando ele descobre seu verdadeiro destino e potencial, fica aquele gostinho de quero mais; aquela vontade de saber como o velhote ranzinza criado por Cuca vai enfrentar os futuros obstáculos construídos ao longo de O Timbre Magista (sim, isso é uma confissão de que eu quero uma sequência, embora não sei se haverá uma).

Uma das passagens que me marcou mais, ainda no terceiro capítulo, acontece quando Sigard, então no início de sua jornada, se depara com uma pedra falante. A passagem é profunda, carregada de significado — e hilária.

O Timbre Magista é uma obra direcionada ao público infanto-juvenil e é facilmente uma porta de entrada para quem procura uma leitura leve (aconchegante até) de fantasia e que foge um pouco dos padrões que hoje saturam as obras do gênero. O autor não se preocupa em contar uma história original. A ideia de um mago poderoso mas que não se vê como tal não é exatamene nova, apesar de não ser nenhum clichê, mas não é o ponto aqui. O ponto é uma história bem executada, bem contada, bem escrita, que diverte e entretém sem se perder no processo, o que Cuca consegue com facilidade neste que é seu romance de estreia.
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24/0208:59
As árvores e o firmamento
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30/0119:09
A Viajante | Conto

Eis aqui mais um conto de ficção científica que muito gostei de escrever.

A história nasceu de um processo. Não me veio à cabeça de imediato; procurava por uma ideia que não tomasse tanto tempo de escrita, pois estava ansioso por publicá-la; achava que precisava publicar algo rápido, para ser visto. Quando comecei a escrevê-la, tinha uma ideia na cabeça. Ela veio de um capítulo específico de O Fim da Morte, de Cixin Liu. O capítulo tem cinco páginas, e para mim é um dos mais filosóficos de toda a trilogia. Ao mesmo tempo, eu estudava e fazia pesquisas sobre a Voyager-1, e Carl deve ter entrado na minha cabeça com o seu "otimismo realista", pois a primeira versão do meu conto tinha um final bem mais sombrio do que a que acabou indo para a versão final.

Enquanto estudava o conteúdo, a forma, as missões da Voyager-1, ficava cada vez maior a minha vontade de incluir as vozes de todas aquelas pessoas; mesmo entendendo que para alguns leitores essa parte poderia ficar um pouco cansativa, tal foi meu anseio que isso se tornou quase uma necessidade. Eu não podia deixá-las de fora. Admito a emoção no momento da escrita. Enquanto rascunhava, ouvi repetidas vezes as músicas enviadas no disco da Voyager – inclusive, para quem gosta de música e da história da música, fica aí a recomendação; tem música do mundo inteiro (apesar de ainda vermos mais obras estadunidenses do que de qualquer outro país).

A Voyager-1 é o objeto humano mais distante e o primeiro a deixar a "fronteira" do sistema solar. E esse fato é bastante conhecido; há um punhado de histórias que partem da mesma motivação encontrada em A Viajante – há uma dúzia de livros em que alienígenas encontram a Voyager no meio interestelar, mas não queria apenas contar uma história original. Eu queria fazer uma homenagem. Não à sonda, mas aos engenheiros e cientistas que a fizeram acontecer. Para mim, a Voyager é um dos feitos mais simbólicos, mais emblemáticos e significativos de toda a História.

Para mim, ela é uma metáfora. Minha primeira publicação até que poderia ter outro nome, mas se afastaria da visão de viagem que tenho dessa carreira de escritor que estou tentando construir.

Espero que gostem de ler este conto tanto quanto eu gostei de escrevê-lo. Deixe nos comentários o que achou.
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30/0118:51
Boudicca | A Rainha Guerreira
Figura de resistência contra a opressão estrangeira, Boadiceia, como era chamada pelos romanos, foi uma das mulheres mais significativas da Antiguidade.

Seu esposo, o rei Prasutagus, no intento de firmar uma posição de entendimento em relação ao Império, articulou um acordo com os romanos. Em seu testamento, deixava o imperador romano como co-herdeiro de suas terras juntamente com suas duas filhas. No entanto, após a controversa morte de Prasutagus (há quem diga que foi envenenado pelos romanos), o procurador Cato Deciano ignorou o testamento e se apropriou de toda a herança dos icenos. Através de atos brutais, passaram a controlar de forma direta e definitiva a região. Houve protesto, mas Roma sufucou-o rapidamente. A resposta de Roma ao protesto foi desproporcional. A rainha foi açoitada em praça pública; suas duas filhas, violadas. Enfurecida, Boudicca iniciou uma revolta. Extremamente carismática, a rainha costurou alianças entre os povos britânicos vizinhos ao seu.

A Revolta de Boadiceia ocorreu entre 60 e 61 d.C, e dizem alguns historiadores da época que ela cometeu todo tipo de atrocidade em seus levantes contra Roma em nome de uma deusa chamada Andraste e, sob sua liderança, os rebeldes tomaram três grandes cidades controladas por Roma. Cerca de 70 a 80 mil romanos perderam a vida nos ataques promovidos por Boadiceia.

O historiador Dião Cássio diz sobre ela: "Boadiceia era alta, terrível de olhar e abençoada com uma voz poderosa. Uma cascata de cabelos vermelhos alcançava seus joelhos; usava um colar dourado composto de ornamentos, uma veste multicolorida e sobre esta um casaco grosso preso por um broche. Carregava uma lança comprida para assustar todos os que lhe deitassem os olhos".

A revolta terminou depois que Roma encontrou um campo de batalha adequado para sua cavalaria. Mesmo em desvantagaem númerica, o império conseguiu desestabilizar o exército de Boudicca num confronto decisivo. Decidida a não correr o risco de voltar a ser capturada por Roma para sofrer punições ainda mais severas, Boudicca teria tirado a própria vida após a derrota.

A fama de Boudicca tomou proporções lendárias na Inglaterra, séculos depois. Ganhou uma estátutua de bronze ao lado do Palácio de Westminster; um filme em 2023; apareceu em jogos eletrônicos e agora vai aparecer em Águas do Ara pyau, meu primeiro romance, que vai sair esse ano. Eu só espero que a minha versão de Boudicca esteja à altura da Boudicca da vida real.
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29/0115:38
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
29 - Fale sobre um livro de guerra!

#Link365TemasLivros

Faz bastante tempo que li, mas lembro da empolgação a cada página que lia. Pra quem gosta de história da guerra, “Azincourt” é um prato cheio; é o “clássico” Bernard Cornwell que todos nós amamos e, devo dizer, uma excelente porta de entrada pra quem deseja conhecer esse autor.

“Azincourt” é uma representação fidedigna de um dos períodos mais marcantes e emblemáticos da Guerra dos Cem Anos — a famosa guerra entre Inglaterra e França — do ponto de vista de um dos arqueiros ingleses. A força de "Azincourt" reside na sua capacidade de combinar fatos históricos com uma narrativa ficciona de um jeito que só o Cornwell sabe fazer. É quase uma aula de História. Ele retrata a brutalidade e a glória da guerra (se é que isso existe), com clareza de dar inveja; ele praticamente nos joga no meio da batalha enquanto lemos e, acreditem, dá sufoco só de ler a cena. A batalha final desse livro é um soco no estômago (lembram da “Batalha dos Bastardos” em Game of Thrones?, é parecido). A precisão histórica, a pesquisa (Cornwell teve o cuidado de acessar os Arquivos da Biblioteca da Inglaterra para coletar os nomes verdadeiros dos arqueiros que participaram da batalha), a narrativa e os personagens são impressionantes. Eu destaco o “mentor” do personagem principal. Um sujeito hilário que xinga e fala palavrões como só o Cornwell podia imaginar. É bem aquele tipo de coadjuvante que rouba todas as cenas em que está presente.

Resumindo, pois não quero dar nenhum spoiler, “Azincourt’ é um dos livros que carrego pela vida, e certamente é um dos que influenciaram meu trajeto na escrita.
28/0110:04
Saudações literúnicas!

Eis aqui um novo escritor mineiro de ficção científica e especulação histórica. Natural de Divinópolis/MG, escrevo desde os 13 anos, mas somente em 2023 publiquei meu primeiro conto, intitulado "A Viajante".

Tenho uma paixão não correspondida por astronomia, que nasceu ainda na infância depois que meu pai adquiriu uma singela luneta de 700mm e me mostrou as crateras da lua, os anéis de Saturno e as luas galileanas de Júpiter. Depois disso, a contribuição feita pela minha mãe ao me apresentar ao "Cosmos" de Carl Sagan me impulsionou ainda mais nessa direção. O espaço me fascina tanto quanto me assusta e me confunde (dá bug na minha cabeça). Também cresci jogando RPG, o que ajudou a desenvolver o gosto pela contação de histórias. Isso sem citar as influências literárias. Gosto muito de Tolkien e Bernard Cornwell, mas foi Arthur C. Clarke e Sagan que abriram meus olhos para a ficção científica. Foi depois de ler "2001" e "Encontro com Rama", ambos de Clarke, que percebi que as histórias que estavam na minha cabeça cabiam no gênero. No entanto, fiquei bastante tempo afastado da literatura. Fiquei anos sem escrever, pois havia descoberto outra paixão.

A fotografia veio até mim enquanto fazia a faculdade de Comunicação Social, em BH. Eu queria trabalhar com ela. Me dediquei a ela. Mas não durou muito. Depois de dois anos fotografando casamentos percebi que não era o que me deixava feliz. Então a escrita retomou o lugar que era seu por direito. Na verdade, nunca saiu de lá. Saí de uma forma de escrita para outra, no fim das contas. Gosto de dizer que sou duas vezes escritor, porque, ora, fotografia é escrita com luz.

Hoje, além de "A Viajante", que conta com uma versão física na UiClap, publiquei também (recentemente, inclusive) outro conto, chamado "Chicxulub", que está disponível apenas em versão digital na Amazon, e estou trabalhando no meu primeiro romance, o qual merece um post exclusivo (tá me dando um trabalhão...).

Enfim, espero que este novo espaço seja um novo capítulo não só para minha carreira como escritor, mas também para todos os novos escritores que, como eu, estão lutando para crescer e serem vistos nesse pálido ponto azul...