Glauco Freitas
@glaucofreitasPIZZA PARTE 3/4
Tirou a pizza de dentro do forno e a colocou na caixa, admirando o próprio trabalho! O presunto da portuguesa levemente queimado, os quatro queijos levemente gratinados, o bacon levemente tostado contrastando com o amarelo do milho...
Não. Não mandaria uma pizza sem cortar! Que coisa idiota!
Apanhou o cortador e apontou a lâmina circular para a pizza... E paralisou.
A pessoa está pagando, tem o direito de pedir que a pizza vá da forma que quiser...
Vacilou. Recuou a lâmina circular.
Então... Então... Era isso! Ele mesmo levaria a pizza!
Pegou a pizza, pegou o refrigerante dois litros que o cliente havia pedido, atravessou o salão, ignorando os chamados de Tereza, foi até um dos motoboys e pediu para usar sua moto. “Eu te pago a corrida do mesmo jeito”, disse, e o rapaz apenas deu de ombros e lhe entregou o capacete.
Em dez minutos, estava no endereço de entrega: era uma casa bonita, não do tipo que dizia que quem a habitava era especialmente rico, mas bem cuidada, com grama cortada e paredes sem manchas. Desceu da moto e percebeu que havia silêncio na rua: nenhum cachorro de vizinho latindo. Aquilo foi um alívio. Foi até a campainha e tocou. Viu a cortina se mover brevemente e logo a porta da frente se abriu: uma menina, talvez de uns 14 ou 15 anos veio correndo, animada em ver a pizza nas mãos de Mary.
Ela o cumprimentou e Mary, ainda perdido nos devaneios que tentavam arranjar alguma explicação para a observação no pedido, apenas gemeu sua resposta. A menina abriu o portão e Mary hesitou: seu plano era perguntar, interrogar até, mas...
Viu a cortina se abrir de novo e alguém assistir a cena lá de dentro. Era óbvio que aquela cena pareceria estranha: um velho parado no portão, olhando igual idiota para uma menina. Apressou-se em entregar a pizza e voltou para a moto. Tudo aquilo para nada! Nada! Foi até ali e não teve coragem de fazer uma simples pergunta... Mas também, como podia fazer uma pergunta tão ridícula? O que ele tinha a ver com aquilo, se o cliente queria a pizza sem cortar ou não? Mas... Não conseguia não remoer aquela curiosidade.
...
Tirou a pizza de dentro do forno e a colocou na caixa, admirando o próprio trabalho! O presunto da portuguesa levemente queimado, os quatro queijos levemente gratinados, o bacon levemente tostado contrastando com o amarelo do milho...
Não. Não mandaria uma pizza sem cortar! Que coisa idiota!
Apanhou o cortador e apontou a lâmina circular para a pizza... E paralisou.
A pessoa está pagando, tem o direito de pedir que a pizza vá da forma que quiser...
Vacilou. Recuou a lâmina circular.
Então... Então... Era isso! Ele mesmo levaria a pizza!
Pegou a pizza, pegou o refrigerante dois litros que o cliente havia pedido, atravessou o salão, ignorando os chamados de Tereza, foi até um dos motoboys e pediu para usar sua moto. “Eu te pago a corrida do mesmo jeito”, disse, e o rapaz apenas deu de ombros e lhe entregou o capacete.
Em dez minutos, estava no endereço de entrega: era uma casa bonita, não do tipo que dizia que quem a habitava era especialmente rico, mas bem cuidada, com grama cortada e paredes sem manchas. Desceu da moto e percebeu que havia silêncio na rua: nenhum cachorro de vizinho latindo. Aquilo foi um alívio. Foi até a campainha e tocou. Viu a cortina se mover brevemente e logo a porta da frente se abriu: uma menina, talvez de uns 14 ou 15 anos veio correndo, animada em ver a pizza nas mãos de Mary.
Ela o cumprimentou e Mary, ainda perdido nos devaneios que tentavam arranjar alguma explicação para a observação no pedido, apenas gemeu sua resposta. A menina abriu o portão e Mary hesitou: seu plano era perguntar, interrogar até, mas...
Viu a cortina se abrir de novo e alguém assistir a cena lá de dentro. Era óbvio que aquela cena pareceria estranha: um velho parado no portão, olhando igual idiota para uma menina. Apressou-se em entregar a pizza e voltou para a moto. Tudo aquilo para nada! Nada! Foi até ali e não teve coragem de fazer uma simples pergunta... Mas também, como podia fazer uma pergunta tão ridícula? O que ele tinha a ver com aquilo, se o cliente queria a pizza sem cortar ou não? Mas... Não conseguia não remoer aquela curiosidade.
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