Glauco Freitas
@glaucofreitasPIZZA PARTE 2/4
Por falar nisso, a maioria dos clientes que vinham na Mary Pizzaria, achavam que Mary era a senhora atrás do balcão, que comandava o salão e a entrada dos pedidos, mas essa era a Tereza, esposa do Seu Mary, o pizzaiolo. E dos poucos clientes que sabiam que Mary era o bigodudo suando na frente do forno a lenha, quase ninguém sabia o nome real de Seu Mary: Arnaldo.
Sim, não havia qualquer semelhança lógica entre Arnaldo e Mary, mas apelidos são coisas vivas, mutáveis, muitas vezes seguindo uma natureza própria, que escapa a lógica.
O primeiro apelido de Mary, por exemplo, veio devido ao fato de ser bastante gordo na adolescência, ao que os outros meninos o apelidaram de Gelatina de Banha. Claro que ele não gostou, e é óbvio que esse foi o exato motivo de o apelido ter “pegado”. Mas como o idioma é uma coisa preguiçosa, logo Gelatina de Banha se tornou, apenas, Gelatina. Com o passar do tempo, então, Gelatina se tornou Tina. Mais tarde, um desgraçado o chamou de Tina Turner e arrancou risada de todo mundo e, num dia especialmente inspirado – e um pouco alcoolizado – o mesmo desgraçado o chamou de Proud Mary. Não demorou para Proud Mary se resumir a Mary e, como já estavam no fim da adolescência, nunca mais houve um motivo para o apelido de Arnaldo deixar de ser Mary.
Mary que, naquele momento, colocava a pizza forno adentro. Tinha levado o dobro do tempo para montar aquela, afinal, estava distraído com aquela bobagem da pizza não cortada. Era algo tão insignificante que o fazia se sentir um idiota, mas... “Meu Deus, por que caralhos alguém pediria uma pizza sem cortar??”. Será que a pessoa daria a pizza pro cachorro comer?? Não, não podia ser. Ou, ao menos, esperava que não, afinal, a pessoa pediu cebola extra na pizza de portuguesa e cebola fazia muito mal pros cachorros.
“Será que... Será que era isso-...?! A pessoa podia estar querendo matar um cachorro... Talvez o do vizinho...” Deu risada daquela ideia: era algo absurdo demais pra ser verdade. Mas se ele conseguia pensar naquilo, talvez mais alguém também conseguisse e-... Não, era mais provável que a pessoa fosse quisesse apenas, sei lá, dobrar a pizza comer como um sanduíche-... Mas eram 12 fatias, ou melhor, era uma pizza cujo tamanho correspondia a 12 fatias, mas que iria inteira porque a pessoa queria qUE MANDASSE SEM CORTAR! QUE ABSURDO!
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Por falar nisso, a maioria dos clientes que vinham na Mary Pizzaria, achavam que Mary era a senhora atrás do balcão, que comandava o salão e a entrada dos pedidos, mas essa era a Tereza, esposa do Seu Mary, o pizzaiolo. E dos poucos clientes que sabiam que Mary era o bigodudo suando na frente do forno a lenha, quase ninguém sabia o nome real de Seu Mary: Arnaldo.
Sim, não havia qualquer semelhança lógica entre Arnaldo e Mary, mas apelidos são coisas vivas, mutáveis, muitas vezes seguindo uma natureza própria, que escapa a lógica.
O primeiro apelido de Mary, por exemplo, veio devido ao fato de ser bastante gordo na adolescência, ao que os outros meninos o apelidaram de Gelatina de Banha. Claro que ele não gostou, e é óbvio que esse foi o exato motivo de o apelido ter “pegado”. Mas como o idioma é uma coisa preguiçosa, logo Gelatina de Banha se tornou, apenas, Gelatina. Com o passar do tempo, então, Gelatina se tornou Tina. Mais tarde, um desgraçado o chamou de Tina Turner e arrancou risada de todo mundo e, num dia especialmente inspirado – e um pouco alcoolizado – o mesmo desgraçado o chamou de Proud Mary. Não demorou para Proud Mary se resumir a Mary e, como já estavam no fim da adolescência, nunca mais houve um motivo para o apelido de Arnaldo deixar de ser Mary.
Mary que, naquele momento, colocava a pizza forno adentro. Tinha levado o dobro do tempo para montar aquela, afinal, estava distraído com aquela bobagem da pizza não cortada. Era algo tão insignificante que o fazia se sentir um idiota, mas... “Meu Deus, por que caralhos alguém pediria uma pizza sem cortar??”. Será que a pessoa daria a pizza pro cachorro comer?? Não, não podia ser. Ou, ao menos, esperava que não, afinal, a pessoa pediu cebola extra na pizza de portuguesa e cebola fazia muito mal pros cachorros.
“Será que... Será que era isso-...?! A pessoa podia estar querendo matar um cachorro... Talvez o do vizinho...” Deu risada daquela ideia: era algo absurdo demais pra ser verdade. Mas se ele conseguia pensar naquilo, talvez mais alguém também conseguisse e-... Não, era mais provável que a pessoa fosse quisesse apenas, sei lá, dobrar a pizza comer como um sanduíche-... Mas eram 12 fatias, ou melhor, era uma pizza cujo tamanho correspondia a 12 fatias, mas que iria inteira porque a pessoa queria qUE MANDASSE SEM CORTAR! QUE ABSURDO!
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