Glauco Freitas
@glaucofreitasPIZZA PARTE 1/4
Fazia 25 anos que Mary tinha sua pizzaria no mesmo local. Começou como um mero balcão, um cooler de praia com gelo para guardar os refrigerantes, com um forno a gás escondido por uma parede e uma janelinha, e hoje – após comprar a loja ao lado –, era um lugar de respeito, com mesas disputadas no local, forno a lenha, garçons, motoboys próprios e geladeiras carregadas de bebidas.
O negócio cresceu naquele tempo. E não só o negócio, mas o próprio Mary viu sua família crescer naquele lugar. Afinal, sua casa sempre foi no andar de cima – antes alugada, e mais tarde, adquirida –: seus filhos cresceram naquele lugar, aprendendo matemática fechando as contas dos clientes, ajudando o pai a montar as pizzas, abrir as massas e desenvolver novos sabores. Foram eles, inclusive, que lhe deram a dica do catupiry quando o ingrediente ainda não era básico de qualquer pizzaria, e mais tarde, da mesma maneira, com o cheddar.
Naqueles 25 anos, Mary sempre montava as pizzas com o mesmo carinho e devoção à comida como sempre fazia. Um dos pedidos daquela noite, porém, o deixou pensativo. Desconcertado, até.
“Mandar a pizza sem cortar”.
Mary, ficou parado, olhando o pedido, ou melhor, aquela pequena observação no pedido que veio através do aplicativo de entregas. “Mandar a pizza sem cortar”?? Será que tinha feito burrada num pedido anterior, cortado a pizza de forma grotesca e a pessoa queria evitar o incômodo? Se fosse isso, ao menos, era bom sinal a pessoa ter pedido de novo, afinal, tinha se incomodado com o modo com que a pizza tinha sido cortado, mas tinha gostado tanto, que mesmo assim, pediu de novo.
Não era. No pedido estava escrito “Primeiro pedido”. O aplicativo vermelho avisava esse tipo de coisa ao restaurante.
“Mandar a pizza sem cortar”. Bom, ao menos, então, era sinal que a culpa não era sua, não é? O cliente nunca tinha pedido pizza dali! Mas, então, por que pediria para a pizza ir inteira? Todo mundo sabe que pizza se come em fatias...
Ah, claro! Talvez quisesse a pizza “no palito”, como faziam vários dos clientes que iam até a Mary Pizzaria em bastante gente: a pizza cortada em quadradinhos para que todos pegassem no palito de dentes e... Mas se fosse o caso, o cliente pediria a pizza ainda mais cortada, não o contrário!
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Fazia 25 anos que Mary tinha sua pizzaria no mesmo local. Começou como um mero balcão, um cooler de praia com gelo para guardar os refrigerantes, com um forno a gás escondido por uma parede e uma janelinha, e hoje – após comprar a loja ao lado –, era um lugar de respeito, com mesas disputadas no local, forno a lenha, garçons, motoboys próprios e geladeiras carregadas de bebidas.
O negócio cresceu naquele tempo. E não só o negócio, mas o próprio Mary viu sua família crescer naquele lugar. Afinal, sua casa sempre foi no andar de cima – antes alugada, e mais tarde, adquirida –: seus filhos cresceram naquele lugar, aprendendo matemática fechando as contas dos clientes, ajudando o pai a montar as pizzas, abrir as massas e desenvolver novos sabores. Foram eles, inclusive, que lhe deram a dica do catupiry quando o ingrediente ainda não era básico de qualquer pizzaria, e mais tarde, da mesma maneira, com o cheddar.
Naqueles 25 anos, Mary sempre montava as pizzas com o mesmo carinho e devoção à comida como sempre fazia. Um dos pedidos daquela noite, porém, o deixou pensativo. Desconcertado, até.
“Mandar a pizza sem cortar”.
Mary, ficou parado, olhando o pedido, ou melhor, aquela pequena observação no pedido que veio através do aplicativo de entregas. “Mandar a pizza sem cortar”?? Será que tinha feito burrada num pedido anterior, cortado a pizza de forma grotesca e a pessoa queria evitar o incômodo? Se fosse isso, ao menos, era bom sinal a pessoa ter pedido de novo, afinal, tinha se incomodado com o modo com que a pizza tinha sido cortado, mas tinha gostado tanto, que mesmo assim, pediu de novo.
Não era. No pedido estava escrito “Primeiro pedido”. O aplicativo vermelho avisava esse tipo de coisa ao restaurante.
“Mandar a pizza sem cortar”. Bom, ao menos, então, era sinal que a culpa não era sua, não é? O cliente nunca tinha pedido pizza dali! Mas, então, por que pediria para a pizza ir inteira? Todo mundo sabe que pizza se come em fatias...
Ah, claro! Talvez quisesse a pizza “no palito”, como faziam vários dos clientes que iam até a Mary Pizzaria em bastante gente: a pizza cortada em quadradinhos para que todos pegassem no palito de dentes e... Mas se fosse o caso, o cliente pediria a pizza ainda mais cortada, não o contrário!
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