literunico
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#Dia 315

Templança

Mantém-se firme entre o excesso e o nada,
Não se exalta, tampouco se retrai.
É chama branda, em lâmpada velada,
Que ao menor sopro nem se apaga, nem subtrai.

Templança habita o gesto, comedida,
Modera o ímpeto, adia o clamor.
É bússola de direção convertida,
É mão serena no rumor do ardor.

Não há poder que nela se alardeia,
Nem voz que insista em além se impor
Mas seu silêncio, ao fim, prevalecia

Onde o alarde não sustenta o furor.
Virtude antiga, rara e esquecida,
Templança é adubo da alma sem cor.

Eder B. Jr.
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