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#Dia 320

Inefabilidade

Há coisas que o verbo profana ao tocar,
Sentires que escorrem sem nome ou contorno.
A Inefabilidade, ao invés de falar,
Se assenta no peito, silêncio em retorno.

Mais que a beleza, além da razão,
É prece sem luz, é vertigem sem queda.
É quando a emoção, por não ter noção
Desfaz-se em presença que não se delega.

O olhar se prolonga, o toque se ausenta,
Não há palavra, ideia que comporte.
Inefabilidade, ponte sedenta

Entre o instante divino da carne mais forte.
E quem nela habita, enfrenta a tormenta.
Já viu, no indizível, o que acha que é sorte.

Eder B. Jr.
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