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@Albertobusquets

Alberto Knobbe Busquets
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Ainda não segue ninguém.
Público
O que você
vê em mim?

Será que vê
além das linhas?

Será que vê
todo o vazio
entre as palavras?

Será que é
o mesmo que
eu vejo?

Na poesia,
enxergo com
a ponta dos dedos,
a ponta da língua,
a conta dos dias.

Os olhos são
para se sentir;

minha visão
é revoada
de rimas,
ou mergulho
do vento.

Não me veja
só com a vista:

Leia para dentro.

Alberto Busquets.

#Desafio 028
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Público
Trago em mim
a pobreza das palavras sozinhas.
E, por plena consciência
da inexistência de seus valores,
deito-as em leito de flores
vermelho-carmim.

Tenho em mim
a riqueza dos sentidos compostos.
E, perpassando a aparência
da falta de profundidade,
afundo o delicado leito
com palavras banais
em camadas abissais
de negrume sem fim.

À superfície de mim,
outrora palavras sem valor
agora tomam forma e cor
fugidias em fluidez e reflexos.

A beleza floral as decora,
espectros à distância sonora
caleidoscópio de sentidos complexos.

Mas seu correto valor
sempre dependerá
de quem for o leitor.

E esta sempre será
minha maior alegria.

E minha dor.

Alberto Busquets.

#Desafio 027
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Público
Quanto tempo temos nós?
Talvez o bastante,
e ainda assim muito pouco!
Um tanto e um bocado,
uma pitada e um punhado,
dissolvendo em calda
no caldeirão
de calendários...
Quarenta e sete
é um número modesto,
em que já coube
muitas vidas.
Mas o amor ainda
transborda!
O esperançar
escorre leve,
de cabeça erguida
e peito aberto!
Ainda há muita calda
para entornar,
adoçar
e celebrar,
com as melhores
companhias
(e companheira)
dos sonhos
e do mundo!



Alberto Busquets.

#Desafio 026
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Público
Escrevo sobre a falta:
A falta da sua mão na minha;
a falta do seu corpo no meu.

Escrevo sobre o vazio...
O vazio entre sua boca e a minha;
O vazio entre seu olhar e o meu.

Escrevo, e não basta.
Posso preencher páginas
e mais páginas de rimas...

A distância não muda.
O amor não muda.
O tempo muda?

Não vi se ele já correu.

Tinta, rascunhos,
telas, bits, bytes,

céus e nuvens.

Entre as linhas celestiais
eu te quero ainda mais.

E cada rima não rimada
encontra-me sonhando
sob as estrelas, na sacada

perdidamente
inteiramente
profundamente
teu.

Alberto Busquets.

#Desafio 025
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Público
#

A chama
nos teus olhos
me chama
a bailar.

A chama
dos meus olhos
te clama.
Insana!

A chama
dos teus olhos
consome
o meu ar...

A chama
chamusca
a cama.

A cama
inflama
os corpos.

Os corpos
em chamas
não ardem:

Incorporam
o fogo
faminto
sedento
de dentro
ao centro
do leito-mundo
ao sol-tesão,

iluminando fundo
nosso ardente
desejo-imensidão.

Alberto Busquets.

#Desafio 024
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Público
Des-Tino

Universo em conspiração?
Forças Cósmicas,
influências,
predestinação?

Deuses estendendo a mão?
Tempo certo,
ascendências,
astros em posição?

E os meus erros?
Meus defeitos?
Todos desde antes
já vinham em procissão?

Os amores foram em vão?

Sofrimentos e felicidades
da alegria à prostração?

Será que os meus escritos
e minha poesia
já existiam, então?

E quem seria o autor?

Eu?

Ou Plutão?

Alberto Busquets.

#Desafio 23
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Público
A sinfonia da chuva,
o perfume da névoa,
o acalanto da brisa,
o frescor da noite.

Tesouros nada secretos
que guardo passionalmente
nas entrelinhas cadentes
de um poeminha discreto

pronto para ser lido
em emergências,
caso meu mundo real
pare de fazer sentido.

Alberto Busquets.

#Desafio 022
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Público
Oh, época descontente,
de inconteste
descontexto!

A liquidez
liquefez
os sentidos...

Preguiça para o todo,
pressa para o tudo;

e o sertão da ignorância
de repente fez-se mar.

Ideias bóiam à deriva,
Náufragas na própria
incompletude.

Mas são elas que valem:

Tornam-se icebergs.

O contexto de tudo
com qualquer coisa
é o mais recente Titanic.

E o mundo afunda com ele,
ao som de violinos tocando funk.

Alberto Busquets.

#Desafio 021
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Público
270

No ducentésimo septuagésimo dia,
ele despertou.
O quarto era o mesmo.
Os lençóis, a bermuda,
a janela que iluminava tudo.
Percebendo a atividade daquele
despertar,
o gato animou-se e pulou à cama
para aproveitar o minuto de carinho
(tudo o que suportava por vez).
Ainda com sono, espreguiçou, pousando
sua mão direita no pelo macio que ronronava
deitado ao seu lado.
Aquela cauda o chicoteou como sempre.
Era sua rotina. Era como toda manhã começava.
Levantou-se.
Banheiro, comida do gato, remédios.
Tudo igual.
Tudo diferente.
Tudo novo, apesar da similaridade dos atos.
Ele estava contente!
Ele estava vivo!
Ele está amando
o mais sublime dos amores.
No ducentésimo septuagésimo dia,
ele teve a ducentésima septuagésima certeza:
Não importa o quanto escrevesse, era pouco.
O amor não tinha limites.
Nem o desejo.
Muito menos a saudade...
No ducentésimo septuagésimo dia,
ele finalmente aceitou
sua imensidão interna,
esperançando unir-se
(e fazer amor diário)
à Imensidão dela.

Alberto Busquets.

#Desafio 020
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Público
Escrevo sobre a falta:
A falta da sua mão na minha;
a falta do seu corpo no meu.

Escrevo sobre o vazio...
O vazio entre sua boca e a minha;
O vazio entre seu olhar e o meu.

Escrevo, e não basta.
Posso preencher páginas
e mais páginas de rimas...

A distância não muda.
O amor não muda.
O tempo muda?

Não vi se ele já correu.

Tinta, rascunhos,
telas, bits, bytes,

céus e nuvens.

Entre as linhas celestiais
eu te quero ainda mais.

E cada rima não rimada
encontra-me sonhando
sob as estrelas, na sacada

perdidamente
inteiramente
profundamente
seu.

Alberto Busquets.

#Desafio 019
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