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@Albertobusquets

Alberto Knobbe Busquets
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Público
#

A chama
nos teus olhos
me chama
a bailar.

A chama
dos meus olhos
te clama.
Insana!

A chama
dos teus olhos
consome
o meu ar...

A chama
chamusca
a cama.

A cama
inflama
os corpos.

Os corpos
em chamas
não ardem:

Incorporam
o fogo
faminto
sedento
de dentro
ao centro
do leito-mundo
ao sol-tesão,

iluminando fundo
nosso ardente
desejo-imensidão.

Alberto Busquets.

#Desafio 024
Público
Des-Tino

Universo em conspiração?
Forças Cósmicas,
influências,
predestinação?

Deuses estendendo a mão?
Tempo certo,
ascendências,
astros em posição?

E os meus erros?
Meus defeitos?
Todos desde antes
já vinham em procissão?

Os amores foram em vão?

Sofrimentos e felicidades
da alegria à prostração?

Será que os meus escritos
e minha poesia
já existiam, então?

E quem seria o autor?

Eu?

Ou Plutão?

Alberto Busquets.

#Desafio 23
Público
Oh, época descontente,
de inconteste
descontexto!

A liquidez
liquefez
os sentidos...

Preguiça para o todo,
pressa para o tudo;

e o sertão da ignorância
de repente fez-se mar.

Ideias bóiam à deriva,
Náufragas na própria
incompletude.

Mas são elas que valem:

Tornam-se icebergs.

O contexto de tudo
com qualquer coisa
é o mais recente Titanic.

E o mundo afunda com ele,
ao som de violinos tocando funk.

Alberto Busquets.

#Desafio 021
Público
270

No ducentésimo septuagésimo dia,
ele despertou.
O quarto era o mesmo.
Os lençóis, a bermuda,
a janela que iluminava tudo.
Percebendo a atividade daquele
despertar,
o gato animou-se e pulou à cama
para aproveitar o minuto de carinho
(tudo o que suportava por vez).
Ainda com sono, espreguiçou, pousando
sua mão direita no pelo macio que ronronava
deitado ao seu lado.
Aquela cauda o chicoteou como sempre.
Era sua rotina. Era como toda manhã começava.
Levantou-se.
Banheiro, comida do gato, remédios.
Tudo igual.
Tudo diferente.
Tudo novo, apesar da similaridade dos atos.
Ele estava contente!
Ele estava vivo!
Ele está amando
o mais sublime dos amores.
No ducentésimo septuagésimo dia,
ele teve a ducentésima septuagésima certeza:
Não importa o quanto escrevesse, era pouco.
O amor não tinha limites.
Nem o desejo.
Muito menos a saudade...
No ducentésimo septuagésimo dia,
ele finalmente aceitou
sua imensidão interna,
esperançando unir-se
(e fazer amor diário)
à Imensidão dela.

Alberto Busquets.

#Desafio 020
Público
Escrevo sobre a falta:
A falta da sua mão na minha;
a falta do seu corpo no meu.

Escrevo sobre o vazio...
O vazio entre sua boca e a minha;
O vazio entre seu olhar e o meu.

Escrevo, e não basta.
Posso preencher páginas
e mais páginas de rimas...

A distância não muda.
O amor não muda.
O tempo muda?

Não vi se ele já correu.

Tinta, rascunhos,
telas, bits, bytes,

céus e nuvens.

Entre as linhas celestiais
eu te quero ainda mais.

E cada rima não rimada
encontra-me sonhando
sob as estrelas, na sacada

perdidamente
inteiramente
profundamente
seu.

Alberto Busquets.

#Desafio 019
Público
Para o amor
que me arrebata
todo dia:

Sou a saudade feita homem.

Sou o desejo feito fome.

Sou felicidade,
livre e plena
feita pássaro
que pousa e fica.

Sou mais que eu.

Sou a transformação
das vidas pequenas
que tive

em um universo
em expansão.

Sou diferente.

Sou teu.

E sei que seremos
um futuro luminoso

entre horizontes rápidos
ou leitos longos

combinando passo a passo
o compasso das peles
e das mentes

na mais deliciosa união.

Não pouparemos
serenatas ao sol e estrelas,

entre os casamentos diários
a cada cachoeira

Ou os voos conjuntos
pela imensidão.

Alberto Busquets.

#Desafio 018
Público
#

Quero-te.

Quero-te despida
das roupas,
das neuras
e de qualquer outra vida.

Quero-te agora
deitada,
aberta,
arfante.

Quero-te
convidativa.

Quero-te
amante.

Quero-te como
o mar toma a areia...

Quero-te
com o vigor
da onda,

e o torpor
que a brisa
anseia.

Quero-te
com olhos de fome,
e boca de sede.

Quero-te
viva e nua.

Quero-te
descansada,
encharcada

pedindo baixinho
à lua
o meu enverede.

Quero-te contorcendo
os céus
Enquanto te lambo...

Quero-te em prosa e verso,
gemendo e gerando
nossa melodia.

Quero querer-te
todo dia.

Quero-te na mordida
e mordendo,
chupando
e gozando...

Quero-te braille
para lê-la com
meus dedos.

Quero-te plena.

Quero-te tarde.

Quero-nos cedo.

Alberto Busquets.

#Desafio 017
Público
Um dia eu
entardecerei em esquecimento
de anoitedormecer.

Escurecerei então
o véu azul de vento,
embalado
por estrelas de brilho manso
para um futuro
florinascer.

Serenando cada suspiro
de profundo
solosonhar em descanso;
sementear.

Como árvore de seiva verde
e folha doce e dançante
à beira de clareiramirante
lunar.

Dormir
uma noite de mil vidas
sem sol de despedidas:

apenas gota, terra
e eu inteiro

sem palavras,
som, luz
ou cheiro...

...até regerminar.

Alberto Busquets.

#Desafio 016
Público
Em um de seus tantos encontros
ao horizonte,
o Céu suspirou ao Mar:

"Sua profundidade me encanta!
Bela, misteriosa, escura...
Gostaria muito de a alcançar!"

Com ondas verdes
roçando sua tez azul,
o Mar marolou ao Céu:

"A vastidão pode ser mesmo
uma maldição...
Não vês?
Estou contido,
meu contentor escondido,
não posso crescer a não ser em você!
Mas a ti, que mostra menos que eu,
a ti que ninguém sequer compreendeu
e achas que sou profundo na escuridão?
Minhas gotas percorreram tua solitude.
Minhas chuvas caíram, voaram, e sabem
que 'profundo' é rasa palavra
a quem contempla a infinitude!
Escuro! És mais!
E frio, e imenso, misterioso.
Deverias olhar mais para trás
e para si também
e decerto perceberás
que sou gota imponente
ao comando do que nem imagino estar além!
Sou limitado, e esta é minha beleza.
Reflito-te, é minha natureza!
Somos parecidos, tão diferentes!
Mas aqui ao horizonte somos convergentes
e podes molhar-te em mim
e posso contemplar-me a ti
e nosso amor cresce forte".

Retornando ao amado
algumas gotas de liberdade,
o Céu o envolve mais perto
no abraço apaixonado
de mais um fim de tarde:

"Sim. Temos sorte."

Tons de vermelho carmim
indicam o dia em desenlace.
O albatroz sorri.
O sol se põe.
O amor renasce.

Alberto Busquets.

#Desafio 015