ComportaVento (VII)
Ele a ama de forma bela.
Mas ele a ama tanto
E sem quaisquer entraves,
Que não lhe deu uma cela;
Confiou a ela, no entanto,
As suas próprias chaves.
Alberto Busquets
#Desafio 129
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Alberto Knobbe Busquets
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Séries por #
#desafio
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· Em andamento
Eu não sei;
eu sinto.
Eu não argumento;
eu sonho.
Eu não me interesso;
eu amo.
E nesses sonhos sensoriais
que teimo em me apaixonar,
eu não os escrevo;
eu me derramo.
Alberto Busquets.
#Desafio 128
eu sinto.
Eu não argumento;
eu sonho.
Eu não me interesso;
eu amo.
E nesses sonhos sensoriais
que teimo em me apaixonar,
eu não os escrevo;
eu me derramo.
Alberto Busquets.
#Desafio 128
Ela sente-se triste.
O mundo em seus ombros,
opiniões externas na cabeça,
pedaços de sentimentos
num coração já tão apertado...
Respira fundo.
Despe-se de parte da carga.
Repara na superfície líquida
à sua frente.
E pensa: "por vezes,
somos todos gotas d'água
em uma piscina de condomínio.
Cada gota carrega o peso de toda a piscina;
mas, se algumas escaparem
em fugas-borrifos,
elas secarão. E a piscina continuará aqui,
sob a cabeça de cada gota restante."
Respirou fundo novamente. Mergulhou.
Deixou-se levar pelo confortável abraço
da água tratada em todo o seu corpo.
Sentiu-se mais leve,
mais calma,
mais viva.
Descansou seus ombros, mente e coração.
Passou a pensar nas gotas que fogem.
Secam, simplesmente?
Não. Transformam-se.
Livres do peso, há muito mais para ver
e ser
do que ficar naquela piscina.
E voam danceando por aí,
Juntando-se a outras, em
Espetáculos-nuvens,
Chovendo quando dá vontade.
Ao sair, levou fatalmente consigo
algumas gotas sortudas
que pingarão pelo caminho,
secarão,
e estarão livres, para pairar pelos céus.
Ela também saiu mais leve e livre.
Sabe que há um mundo inteiro
não para carregar,
mas para ser explorado.
Antes, sentia-se triste.
Agora, sente-se gota.
Livre.
Alberto Busquets.
#Desafio 127
O mundo em seus ombros,
opiniões externas na cabeça,
pedaços de sentimentos
num coração já tão apertado...
Respira fundo.
Despe-se de parte da carga.
Repara na superfície líquida
à sua frente.
E pensa: "por vezes,
somos todos gotas d'água
em uma piscina de condomínio.
Cada gota carrega o peso de toda a piscina;
mas, se algumas escaparem
em fugas-borrifos,
elas secarão. E a piscina continuará aqui,
sob a cabeça de cada gota restante."
Respirou fundo novamente. Mergulhou.
Deixou-se levar pelo confortável abraço
da água tratada em todo o seu corpo.
Sentiu-se mais leve,
mais calma,
mais viva.
Descansou seus ombros, mente e coração.
Passou a pensar nas gotas que fogem.
Secam, simplesmente?
Não. Transformam-se.
Livres do peso, há muito mais para ver
e ser
do que ficar naquela piscina.
E voam danceando por aí,
Juntando-se a outras, em
Espetáculos-nuvens,
Chovendo quando dá vontade.
Ao sair, levou fatalmente consigo
algumas gotas sortudas
que pingarão pelo caminho,
secarão,
e estarão livres, para pairar pelos céus.
Ela também saiu mais leve e livre.
Sabe que há um mundo inteiro
não para carregar,
mas para ser explorado.
Antes, sentia-se triste.
Agora, sente-se gota.
Livre.
Alberto Busquets.
#Desafio 127
Quando não caibo mais em mim,
na praia de um papel qualquer
atiro-me qual tempestade.
Ter a poesia como monção
é extravasar nosso excesso
(ou escassez)
de humanidade.
Alberto Busquets
#Desafio 126
na praia de um papel qualquer
atiro-me qual tempestade.
Ter a poesia como monção
é extravasar nosso excesso
(ou escassez)
de humanidade.
Alberto Busquets
#Desafio 126
Algumas tristezas rápidas
eu deságuo em rimas.
Outras mais caudalosas
rompem marés em prosa.
Mas há poucas
que doem tanto
a ponto de silenciar
meu oceano inteiro.
Estas
eu aprisiono
abissalmente,
tendo a calmaria
da superfície
como
testemunha
e
carcereiro.
Alberto Busquets.
#Desafio 125
eu deságuo em rimas.
Outras mais caudalosas
rompem marés em prosa.
Mas há poucas
que doem tanto
a ponto de silenciar
meu oceano inteiro.
Estas
eu aprisiono
abissalmente,
tendo a calmaria
da superfície
como
testemunha
e
carcereiro.
Alberto Busquets.
#Desafio 125
Branca flor
despede-se
desprende-se
para experimentar
sua liberdade.
Cinco asas alvas,
em espiral ela desce
despindo-se
despedindo-se
como que sorrindo
Para tudo à sua volta.
Pousa no chão
em meio a flores e folhas
secas e moribundas.
Se tivesse olhos,
iria fechá-los como quem dorme.
Se tivesse boca,
seria visível um sorrriso enorme:
"Fui linda,
fui livre,
Voei o que pude,
Vi o que pude.
Ah, se houvesse chance,
Faria tudo novamente.
Não sabia que, no fim
da minha existência,
pudesse receber
tão precioso presente..."
E murcha
belamente
em paz.
Alberto Busquets.
#Desafio 124
despede-se
desprende-se
para experimentar
sua liberdade.
Cinco asas alvas,
em espiral ela desce
despindo-se
despedindo-se
como que sorrindo
Para tudo à sua volta.
Pousa no chão
em meio a flores e folhas
secas e moribundas.
Se tivesse olhos,
iria fechá-los como quem dorme.
Se tivesse boca,
seria visível um sorrriso enorme:
"Fui linda,
fui livre,
Voei o que pude,
Vi o que pude.
Ah, se houvesse chance,
Faria tudo novamente.
Não sabia que, no fim
da minha existência,
pudesse receber
tão precioso presente..."
E murcha
belamente
em paz.
Alberto Busquets.
#Desafio 124
Ao escrever poesias,
torno-me equilibrista.
Pois minha fome avassaladora
deve ser precisamente contida,
na exata proporção
da sede das Musas.
Cada linha, um leão
amarrado por borboletas.
Cada sílaba, uma gota
de caudalosos sentimentos.
Um tropeço
e cairei no vazio,
grão de areia exigindo
a atenção da onda.
Heroico é o papel.
Recebe-me de folhas abertas.
Não sei como ele aguenta.
Alberto Busquets.
#Desafio 123
torno-me equilibrista.
Pois minha fome avassaladora
deve ser precisamente contida,
na exata proporção
da sede das Musas.
Cada linha, um leão
amarrado por borboletas.
Cada sílaba, uma gota
de caudalosos sentimentos.
Um tropeço
e cairei no vazio,
grão de areia exigindo
a atenção da onda.
Heroico é o papel.
Recebe-me de folhas abertas.
Não sei como ele aguenta.
Alberto Busquets.
#Desafio 123
Oferta
Isto é tudo o que tenho.
Pode ser pouco para o mundo,
mas é muito para mim.
Este é todo o meu empenho.
Se para o mundo não basta,
não lhe importa seu fim.
Mas do esforço que tenho
(pedra que se engasta)
não guardo um vintém:
dedico somente a quem
vê um mundo em mim.
Alberto Busquets.
#Desafio 122
Isto é tudo o que tenho.
Pode ser pouco para o mundo,
mas é muito para mim.
Este é todo o meu empenho.
Se para o mundo não basta,
não lhe importa seu fim.
Mas do esforço que tenho
(pedra que se engasta)
não guardo um vintém:
dedico somente a quem
vê um mundo em mim.
Alberto Busquets.
#Desafio 122
Meu relógio
parou no tempo.
Eu, encantado,
cheguei atrasado.
Topei em várias
abóboras,
Mas nenhum
sapato cristalizado.
tristes tempos,
tristes dias...
Belos sonhos
de fantasias distantes...
Hoje
temos um príncipe
redpill,
uma princesa
traumatizada
e um dragão vegano.
Daria uma bela história
se alguém,
alguma vez,
a escrevesse
por engano.
Alberto Busquets.
#Desafio 121
parou no tempo.
Eu, encantado,
cheguei atrasado.
Topei em várias
abóboras,
Mas nenhum
sapato cristalizado.
tristes tempos,
tristes dias...
Belos sonhos
de fantasias distantes...
Hoje
temos um príncipe
redpill,
uma princesa
traumatizada
e um dragão vegano.
Daria uma bela história
se alguém,
alguma vez,
a escrevesse
por engano.
Alberto Busquets.
#Desafio 121
Ouroboros
Hoje
Eu pensei que queria
E sonhei que gostaria
Que tudo fosse diferente.
Mas aí percebi
Que eu não seria eu, e
Não me diferenciaria.
Meus gostos alterariam.
O igual, o real e
Os sonhos mudariam.
E, provavelmente,
Não estaria sonhando diferente:
Pensaria muito que quereria
Ser o "eu"
De hoje em dia.
Alberto Busquets.
#Desafio 120
Hoje
Eu pensei que queria
E sonhei que gostaria
Que tudo fosse diferente.
Mas aí percebi
Que eu não seria eu, e
Não me diferenciaria.
Meus gostos alterariam.
O igual, o real e
Os sonhos mudariam.
E, provavelmente,
Não estaria sonhando diferente:
Pensaria muito que quereria
Ser o "eu"
De hoje em dia.
Alberto Busquets.
#Desafio 120