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#Desafio 134
Cárcere Desejado
Espelho
do meu infinito:
Amo-te
com a serenidade
de quem sabe
e a vertigem
de quem se perde.
Sou.
E, sendo,
desdobro-me
em mil versões
que só tua presença
desnuda.
Mais madura
ainda crua ao toque
tocada
pela ternura nos teus olhos
quando me vês
sem defesa.
Teu amor:
cela e céu.
Me aprisiona em liberdade,
me solta
com algemas
de vento.
Te pertenço
como a noite
pertence ao delírio:
Entregue, escura, eterna.
Crs Ribeiro
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#Desafio 132
Agraciada Sou
Filha de Carminha,
tempestade
mansa.
Mãe de Luísa,
meu verbo
mais bonito.
Sou aprendiz do amor:
com tropeço,
com reza,
com sangue gritando nas veias
e abraço largo,
feito abrigo.
Hoje,
uma falta.
A outra,
solta.
Mas o que me costura
por dentro
é essa linha invisível,
bruta,
delicada.
Afeto espesso,
doçura áspera,
rigor que firma
o chão
de quem ama.
A certeza de ter sido querida
é raiz
no tempo que me coube.
E o desejo,
nu,
sem rodeio,
que o bem abrace forte
quem cruzar meus passos,
sempre vem.
Sempre.
Crs Ribeiro
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#Desafio130Areia Movediça
Não foi justo
ter permitido.
Tarde demais,
fiz-me presa.
Afundo em ti:
areia movediça
de um amor sem fim.
Não tento escapar.
Ignoro os cipós lançados.
Salvar-me de quê?
Quero ser engolida,
mastigada,
deglutida.
Quero a prisão.
Cedo demais,
fui permitida.
E é justo,
justíssimo,
morar na tua imensidão.
Crs Ribeiro
*** A você que permitiu: não foi descuido.
Foi abrigo. Foi casa. Foi sim. E segue sendo.
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# Desafio 129
❤️❤️
Um olhar
me come,
uma boca
me despe:
lenta,
desarmada.
Um cheiro
enxerga
cada desejo
desatinado
que se abre
no leito
quando
me sinto
em teu peito:
frágil,
mas inteira.
Uma mão
me aspira,
uma língua
me ausculta;
uma voz
rouca
arranha
suspiros,
gemidos;
ferroa
prazer.
Só eu
e você.
Toda
noite,
a noite
toda.
Vais
querer?
Crs Ribeiro
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#Desafio 128
Coração Desalojado
Meu peito:
um quarto vazio.
Vivo
por teimosia.
É certo:
aqui não mora mais
coração.
Músculo ingrato.
De tanto pulsar por outro,
abandonou-me.
Sem mais.
Sem bilhete.
Sem cerimônia.
Sem olhar para trás.
Mudou de corpo
como quem muda de estação:
satisfeito.
Morando no leito
de quem tanto desejou.
Fiquei eco.
Ausência.
Poema.
Não julgo
a sua ousadia
(invejo).
Quisera eu,
todo dia,
domada por encantos
e alegrias miúdas,
descansar
onde mora a poesia.
Onde mora ele.
Onde repousa
e suspira
aquele que não soube
ficar.
Crs Ribeiro
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#Desafio 126
**ATUALIDADE**
Evangelho segundo São Julgamento
(versículo dançante)
E foi assim:
dias de show,
glitter no céu,
fé tremendo
no salto quinze.
Ela veio:
couro, coragem,
coração remixado,
talento a mil.
Do outro lado,
bradaram
homens de vitrine
(crucifixo no peito,
pornografia no histórico):
— Ela canta! Ela pensa!
Logo, é o demônio!
Mas surgiu,
entre bíblias e pecados,
um influencer gospel,
olhos culpados.
Inflamou:
— Quem nunca sambou
na própria hipocrisia,
que atire o primeiro tweet.
Silêncio.
Stories apagados.
Lábios trêmulos.
Os dançantes
abriram os braços,
ergueram o salto,
deram glória.
Beijaram sem medo,
amaram sem culpa,
desceram até o chão
com o Espírito do pop
manifesto nos quadris.
E foram salvos.
Não por medo,
mas por verdade.
Que nos protejam dos castos
sem desejo.
Dos santos sem amor.
Dos fiéis sem alma.
Amém, Gaga.
Aleluia, amor.
Crs Ribeiro
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#Desafio 125
Te encontro
no espaço
entre versos perdidos:
pausa precisa,
vírgula
depois do suspiro.
Sem rima,
ainda assim
melodia.
Teu som
me atravessa
antes da tua pele.
Tua boca
é vanguarda.
É linguagem.
Tece fonemas na minha carne,
sem consoantes,
com o sal do desejo.
Tu és verso solto
em corpo de homem.
Devasso no detalhe,
terno
por perversão.
Sou tua página arrancada.
Metáfora suada.
Rastro
de palavra entreaberta.
Te ler
é ir embora de mim.
Te ouvir
é retorno
com febre.
Escreve em mim, poeta:
com tua letra indecente,
tua fome antiga,
tua culpa
de quem goza doído.
Serei teu pergaminho.
Mas aviso:
textos eternos
também queimam
se a mão versa demais.
Sob o risco de nos consumir,
te peço:
fica.
Até teu cheiro,
tua escrita,
grudarem
na curva
da minha nuca.
Crs Ribeiro
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