Público
#Desafio 144
❤️❤️
Cio
Vem.
Agora.
Sem aviso,
sem palavras.
Arranca minha roupa com os dentes.
Com raiva.
Me cola na parede,
me faz saber o que é ser tua.
Vira.
Usa.
Faz.
Se restar algo de mim,
que seja o gosto da tua saliva.
Tô aqui.
Queimando.
Te esperando como quem sangra o tempo.
Meu corpo: função da tua fome.
Não quero promessa.
Nem futuro.
Quero teus dedos cravando.
Tua voz enterrada no meu grito.
Teu prazer na minha pele,
tua ausência latejando.
Me toma
como bicho.
Mas não promete nada depois.
Hoje
é só cio.
E silêncio.
Crs Ribeiro
Abrir
6 curtidas
2 comentários
Público
#Desafio143Devaneio em Dó Maior
A hora
(amante distraída)
passa
me deixando no abandono.
Um corpo que finge estar presente
enquanto a alma flutua
despida
num céu sem chão.
Tempo estendido
no varal do talvez.
Seca lento
cheirando a promessas não ditas.
Devaneio:
o lençol onde me deito
quando a realidade pesa.
Crepúsculo dissolve
o que eu jurei cumprir.
O que eu desejei ardentemente…
e não ousei tocar.
Minhas ideias
despenteadas, sensuais
indomáveis
fogem ao toque da razão.
Labirinto.
Cada escolha é uma dança com a dúvida:
mais uma volta
em mim.
O sossego é só maquiagem.
O incômodo
esconde-se sob a pele
feito desejo calado.
Vertigem.
De tudo que pulsa.
Do que espera.
Do que clama.
Ausência.
De ação
de coragem
de nudez emocional.
Vácuo.
Lugar onde o querer
treme diante do fazer.
E então me embriago
com a promessa mais suave
e mais cruel:
Amanhã.
O nome mais bonito
da mentira.
Crs Ribeiro
Abrir
4 curtidas
0 comentários
Público
#Desafio142O Que Já me Queima
Vida pouca,
pequena.
Quisera um compasso
(ou febre)
pra dilatar o instante
em que, enfim,
te houver.
Que minha pele,
(ainda virgem da tua)
saiba arder a eternidade
num só segundo:
tempo nenhum bastando
pra aquilo que já me queima
e consome
antes mesmo
de ser.
Crs Ribeiro
Abrir
2 curtidas
0 comentários
Público
#Desafio141Noite no centro:
olhos cegos, mãos nuas.
Espadas cruzam.
Silêncio zingra,
acende o fogo,
morde a carne,
sangra sem aviso.
O peito, covarde, hesita.
Gota seca,
copo vazio,
ninguém vai encher.
Não se mente para dentro:
corte o talvez,
arranque o “se”,
fode a dúvida até ela gritar.
Diz teu nome,
pelada,
sem pedir desculpa
por querer,
por queimar,
por viver.
Não tem prêmio,
não tem castigo,
só consequência.
Você é tudo.
Por que ajoelhar-se
pedindo permissão
para ser amada?
Ama-te primeiro,
sem bênção,
sem perdão.
É o fim.
Ou começo…
Nunca mais como antes.
Levanta,
espelho,
desnuda o desejo:
tempestade que sussurra,
fúria que acaricia a alma,
vento que derruba a calma,
sem ousar disfarce:
Incinera tudo.
Sê inteira.
Crs Ribeiro
Abrir
4 curtidas
1 comentários
Público
#Desafio138Feitiço
Silêncio:
expectativas desbotadas.
Lençol esquecido no varal
de um amor que não seca mais.
Fui temperança,
plantei paciência em terra rachada,
reguei com esperança:
engoliu-me o deserto.
O tempo não é santo,
não conserta,
não cura tudo.
O amor não basta.
Sozinho, cansa.
Fingi não ver.
Fingi não doer.
Fingi que esperar era amar.
Atriz do próprio abandono,
roteiro escrito à lápis,
alma gritando entre cenas.
A hora de cortar o nó
badalou dentro do peito.
Sem piedade.
Algo morreu.
Não te culpo,
nem me culpo mais.
A vida não é tribunal,
é estrada.
E eu sigo.
Nem sempre reta,
mas sempre minha.
Sou feitiço,
não súplica.
A minha escolha
sou Eu.
Mesmo depois da queda.
Ou talvez…
por causa dela.
Crs Ribeiro
Abrir
4 curtidas
2 comentários
Público
#Desafio 136
Querer Ser
Riso que veste tua dor,
disfarce de carnaval.
O que te rasga por dentro
quando empurra ao fundo:
quieto.
Vidro quebrado
que não se esconde
sob o tapete.
Feridas viram rotina,
medos sussurram
em lábios entreabertos
exaustos da espera.
Sonhos deixados no acostamento,
entre uma escolha e outra,
te acordam afobada
por temer a derrapada.
Mil versões,
um só nome.
Prazos, metas, boletos.
A existência pendurada
no último cabide
do guarda-vidas.
Te esqueces:
Ser é verbo que exige mergulho.
É se ver no espelho
e escolher acender,
escolher querer.
E,
mais que tudo,
querer ser.
Crs Ribeiro
Abrir
3 curtidas
2 comentários