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#Desafio 122
Se acaso me perco,
é no teu corpo que me acho.
Cada investida
(ousadia sagrada)
acende a fome do inacabado.
Tuas carícias dissolvem
medos e abismos.
Nos teus beijos:
duas mentes febris,
em fusão, em simbiose.
Tuas mãos
(altar do meu culto)
guiam as minhas
ao teu sexo:
impávido,
teso,
cobiça de todos os meus lábios.
Dançamos
(saliva e suspiros)
num compasso suado de delírio.
Gozo concupiscente
de amor real.
Mas há ternura no torpor,
e verdade em cada gemido.
Sem regras. Sem grades.
Carnal. Espiritual.
Um êxtase que liberta
ao invés de prender.
Crs Ribeiro
***Revisado
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#Desafio 121
Amor Âncora
Me ataste sem nó.
Ainda assim,
fiquei.
Não por prisão;
por ternura.
Não por querer,
mas por medo
de não saber voltar.
Presa para não sumir.
Presa demais para seguir.
Meu casco rangia distância.
Sonhava correntes selvagens,
ventos com nomes
que não eram o teu.
Há chamados
que não se negam.
Não fugi de ti.
Só precisei
voltar para mim.
Sou mar que ama o cais,
mas não pertence.
Feita de travessias,
trago a alma
em estado líquido.
Livre por urgência,
sou voo que se lança
mesmo sem céu.
Há quem nasça farol,
eu nasci tempestade.
E ainda permaneço.
Com âncora no peito
e a bússola apontando
para o norte
que arde em mim
feito estrela
que nunca dorme.
Crs Ribeiro
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#Desafio 120
Para “Quartar” com gosto de:
# ☯️輦
Benzem,
tocam,
pecam;
acalmam.
Mãos que inflamam,
que tremem
ao limite da febre.
Tua carícia,
meu elixir:
o sopro
que me arranca do vazio.
Mãos que deslizam,
exploram,
prendem
atadas
na urgência do instante.
Atrevidas,
invasivas,
digitais
que decifram,
mapeiam;
se perdem
e encontram
o prazer.
Meu toque,
teu toque:
um desabrochar lento,
um mergulho
sem volta
no gozo.
Um querer
sem fim.
Um querer
só meu.
Selvagem.
Sem controle.
Ai de mim!
Entregue,
à mercê
da palma
da tua mão.
“Ais” de nós!
Que deixam eco,
deixam silêncio
e o vão imenso
das ausências…
Crs Ribeiro
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#Desafio 119
Cinco Marias
Pedrinhas dançam no ar,
pequenas luas de quintal.
Saquinhos cheios de lembrar,
soprando infância no final.
Maria no vento lançada.
Maria no susto,
encantada.
Maria que escapa ligeira.
Maria que some na beira:
do vão,
da rua,
da vida inteira.
Tocar
sem deixar cair.
Apanhar
sem hesitar.
Cair,
sem doer demais:
é o que se aprende no ar
sem ninguém
nunca ensinar.
O chão vira céu
(por um triz).
A mão vira sopro
feliz.
O olho
espera,
feito janela
de primavera.
É dança.
É jogo.
É risco.
É sonho
num traço arisco.
Cinco pedras…
e o tempo
brincando no contratempo,
jogando
de ser poesia.
E se a pedra
despenca,
não é perda,
é sentença
do chão
sussurrando baixinho:
“Menina,
recomeça o caminho.
A vida é jogo,
é errar
com carinho.”
Porque,
para ser inteira,
de fato,
tem que perder
um pedaço.
Deixar ir…
sem alarde.
Fruta da vez
(tão madura)
que cai
quando
já é tarde.
Crs Ribeiro
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#Desafio 118
Solstício dos Corpos
■ ■ ■ ■ ■
Em meio às noites profundas
de crepúsculo infinito:
uma ausência doída,
um colo que se oferece.
Picos de luz rompem o frio,
rasgam a sombra estendida;
fim do solstício sofrido,
do inverno sem sentido.
No entrelaçar dos opostos,
a tênue linha do equilíbrio:
luminosidade harmônica
em polos que se convergem,
vivendo estações de um amor
que não se cansa de ser.
Dois meses. Três. Seis.
O verão anunciado se aproxima,
trazendo em si o calor
de um desejo indomável:
a transição definitiva,
o realinhamento dos corpos
no espaço-tempo comum
onde explode o sentimento.
Par de almas destinadas,
em urgência aflita,
caem de joelhos
sem rogar perdão.
Clamam por comunhão.
Crs Ribeiro
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#Desafio 117
Danço contigo
sem pressa,
sem passo delineado,
a liberdade do corpo é nossa única lei.
Somos dois
e, ao mesmo tempo,
somos um,
no horizonte que não limita,
no porto que é sempre o mesmo
refeito em cada toque
em cada olhar.
Crescemos sem medir,
sem contar.
Somos pedaços
e somos inteiros;
não pelo que possuímos,
mas pelo que ousamos explorar.
O amor é constelação,
brilha porque a gente vê,
porque a gente se vê
e se deixa ver.
Não precisa de mais nada,
só a voraz entrega.
A confiança é corda,
uma rede que nos prende
e também liberta.
Não quer explicações:
quer a alma, a carne, o instante.
Quer agora.
Crs Ribeiro
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#Desafio 116
Doido, doído, moído
alma triturada
palavras presas, enjauladas.
Espremido, entalado
pedra na garganta:
enlutado.
Por demais esperado…
O fim:
um drama de corações feridos
por tudo o que não foi
por tudo que se perdeu.
Quem será o culpado?
Pergunta medíocre
que late
desnecessária.
Não coaduna com vidas
que explodiram como estrelas cadentes
que se consumiram no vazio da noite.
Ainda resta
um abraço profundo de gratidão
a mão estendida
a dor domada
a temida amizade.
E, enfim:
“Siga bem!”
P.S.: Te amo. Mesmo assim.
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#Desafio 115
Antes Que a Luz Apague
(***entre o agora e o nunca)
Só tenho esta vida
(breve, doída),
um fio de luz
prestes a se extinguir.
Se outras me esperam,
saberei na partida.
Mas hoje, amor,
preciso insistir:
roubar teu riso,
teu olhar,
tua alma
e fazer de ti
meu eterno existir.
Crs Ribeiro
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