@CrisRibeiro
há 10 meses
Público
#Desafio 114 de
365 dias de ⛵️力
Entre Mentes: Bicho e Verso.
Bicho esperto
bicho do mundo:
tundra
floresta
deserto
montanha
onde o silêncio dança com o vento
e a solidão é só mais uma forma
de liberdade.
Ela
raposa de olhos atentos
sina de errância
mora em si
mas sabe partir
inteira
altiva
se recolher
sem se render.
Não permite a doma
é feita do selvagem:
faro de alma
fareja o que pulsa
o que vibra
o que dói bonito.
E foi ali
na curva de uma noite cheia
cheia de folhas
de luas
de vontades
que o poeta
surgiu
perdido num quase-suspiro
vagando entre páginas soltas
e noites sem fim
castelos de papel nos olhos
delírio de amor nos dedos.
Ele falava com as estrelas
e escrevia com as entranhas
amava como quem reza
bebia palavras como vinho forte
e chorava beleza.
Ela o olhou
e viu o mundo escorrendo pelos olhos dele.
Ele a leu
como um poema esquecido no bolso:
amassado
verdadeiro
inesperadamente necessário.
Entre um “oi, moço”
e um “virei tua fã”
nasceu o improvável:
o enlace nu entre duas fomes.
Corpos pagãos
mentes em chamas
um alfabeto novo
inventado na pele.
Excesso se amando
falta se acolhendo
promessas sussurradas
entre dentes
devota mente
devotamente.
Porque o poeta
ah
o poeta também era bicho;
raposa do verbo
selvagem da metáfora
caçador de belezas tortas.
E quando a escreveu
não foi com tinta
foi com saliva
com calor
com espasmo.
Ele a fez casa.
Ela o fez rito.
Um no outro
foram altar
e oferenda.
E ele levou pra si
o que nem sabia querer:
o corpo
a alma
a paixão dela inteira.
Assim,
no tempo em que a Terra
dança em volta do Sol seduzindo
ela gira dentro dele:
cativa
e livre
casta
e nua
tua
tão tua
e só tua.
Crs Ribeiro
365 dias de ⛵️力
Entre Mentes: Bicho e Verso.
Bicho esperto
bicho do mundo:
tundra
floresta
deserto
montanha
onde o silêncio dança com o vento
e a solidão é só mais uma forma
de liberdade.
Ela
raposa de olhos atentos
sina de errância
mora em si
mas sabe partir
inteira
altiva
se recolher
sem se render.
Não permite a doma
é feita do selvagem:
faro de alma
fareja o que pulsa
o que vibra
o que dói bonito.
E foi ali
na curva de uma noite cheia
cheia de folhas
de luas
de vontades
que o poeta
surgiu
perdido num quase-suspiro
vagando entre páginas soltas
e noites sem fim
castelos de papel nos olhos
delírio de amor nos dedos.
Ele falava com as estrelas
e escrevia com as entranhas
amava como quem reza
bebia palavras como vinho forte
e chorava beleza.
Ela o olhou
e viu o mundo escorrendo pelos olhos dele.
Ele a leu
como um poema esquecido no bolso:
amassado
verdadeiro
inesperadamente necessário.
Entre um “oi, moço”
e um “virei tua fã”
nasceu o improvável:
o enlace nu entre duas fomes.
Corpos pagãos
mentes em chamas
um alfabeto novo
inventado na pele.
Excesso se amando
falta se acolhendo
promessas sussurradas
entre dentes
devota mente
devotamente.
Porque o poeta
ah
o poeta também era bicho;
raposa do verbo
selvagem da metáfora
caçador de belezas tortas.
E quando a escreveu
não foi com tinta
foi com saliva
com calor
com espasmo.
Ele a fez casa.
Ela o fez rito.
Um no outro
foram altar
e oferenda.
E ele levou pra si
o que nem sabia querer:
o corpo
a alma
a paixão dela inteira.
Assim,
no tempo em que a Terra
dança em volta do Sol seduzindo
ela gira dentro dele:
cativa
e livre
casta
e nua
tua
tão tua
e só tua.
Crs Ribeiro