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#Desafio 078
Cabia na minha palma
aquela mãozinha quente,
um lume inocente
um quase nada de gente.
“É té!”
e o dedo cortava o ar.
Olhos de estrela:
curiosos, urgentes,
querendo tudo
sem saber o nome.
Pulava de alegria
por um punhado de nada:
tampinha, rolha, papel…
ninharias de um mundo
num sem preço de céu.
Sorria de boca nua,
e meu bobo coração
se vestia de amor.
E era tanto,
tão vasto,
tão sem jeito…
Que fiz relicário no peito
e, sem hesitar,
só o ofertei a você.
Crs Ribeiro
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Hoje, tive o prazer de declamá-lo! @purapoesia, o Adriel, encanta com a delicadeza cortante de sua emoção, a riqueza de sua observação e a força sensorial de seus versos. Para quem já conhece, um aperitivo; para quem ainda não, um convite irresistível para conhecer suas páginas.
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#Desafio 076
O intenso sente
no direito e no avesso,
em cada dobra da alma.
Dói fundo, rói os ossos
arde o travesseiro,
cala a fome.
Explode sem freio:
é muito, é demais
e ainda falta espaço.
Mas quando transborda,
a luz entorpece
e o mundo dança.
A manhã invade a janela
prisma insano de cores,
melodia que ninguém ouve.
Seja flor, poema
ou um bom dia perdido na rua…
tudo é motivo para rir até doer.
Não há meio-termo.
O morno é morte em prestações.
E a vida, se não for para sentir,
vira o quê?
Esquina vazia,
silêncio sem eco.
Crs Ribeiro
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#Desafio 075
A- MARge-ar
***Dedicado, com todo carinho, à amiga @MargeU
Amar
não é margem
é mar sem fim
verbo sem borda
vento sem direção
mas amar pode ser Marge:
grito que ecoa
vibra e reverbera
silêncio que corta
sussurra e dilacera
olhos de madrugada
que quebram o tempo
dissolvem o ser
desatam nós invisíveis
o frio da noite:
transcende o que não se vê
é ausência que arrepia
é presença sem toque
ela não é simples:
é poesia desfeita do verso
maré que seduz
onda que leva e nunca traz igual
se amar é rima,
Marge é metáfora:
que alaga e cura
naufraga e salva
se espalha
sem nunca cessar…
o sublime que se sente
como vento na mão
que nunca toca
mas deixa marca
sopro eterno
que sempre há de ficar.
Crs Ribeiro
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#Desafio 074
Algo mudou em mim.
A lágrima se foi,
mas a tristeza, silenciosa, ainda mora.
A gargalhada, antes imperiosa,
se recolheu suave.
A alegria persiste,
mas sem alarde ou gritos.
A vida foi o meu lítio,
abrandou meu humor
e me tornou menos eu.
Talvez esse seja o propósito:
proteger-me do desatino que sou.
Crs Ribeiro
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#Desafio 073
Salivo por teus pelos
tua barba me risca
promessas inconfessas.
Teus sinais, constelações
guiam-me no escuro desejo.
Um olhar me despe
desveste-me inteira:
não há pudor, não há defesa.
Resta a carne
ofertada, entregue
vulnerável como a alma que já é tua.
Mãos que esculpem febre
arfar quente
tesão que embriaga.
A cada toque
desfaz-se um pedaço de mim:
amar é perder-se também.
Quero o gemido
o tremor, o gozo-mar
que naufraga e me dissolve.
Quando cedes
incontido, indomável
sem máscaras ou fugas
o mundo (o meu)
começa e termina ali.
Crs Ribeiro
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