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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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Público
#Desafio 079

Queria, de todo o peito,
um dia sem mim.

Sem peso, sem pressa,
sem verbo, sem rima.

Um dia de nada,
um nada de dia.

Mas temo,
desconfio,
suspeito:

quando esse dia vier,
nem estarei para saber.

E se acaso ainda restar de mim
vulto, sombra ou gesto,
fito o espelho,
pergunto em silêncio:

Quem és?

O espelho embaça
e, meio sem graça,

não diz.

Crs Ribeiro
Público
É uma honra declamar os versos de uma poetisa de alma e arte tão lindas. Este poema dá voz a tantas mulheres, a seus silêncios e suas dores, e poder interpretá-lo foi uma experiência muito emocionante. Ainda mais por fazê-lo em um lugar especial para você, que representa união e, espero, a eterna capacidade de renascer. Com todo carinho, amiga. Amo você!
Público
#Desafio 078

Cabia na minha palma
aquela mãozinha quente,
um lume inocente
um quase nada de gente.

“É té!”
e o dedo cortava o ar.
Olhos de estrela:
curiosos, urgentes,
querendo tudo
sem saber o nome.

Pulava de alegria
por um punhado de nada:
tampinha, rolha, papel…
ninharias de um mundo
num sem preço de céu.

Sorria de boca nua,
e meu bobo coração
se vestia de amor.

E era tanto,
tão vasto,
tão sem jeito…

Que fiz relicário no peito
e, sem hesitar,
só o ofertei a você.

Crs Ribeiro
Público
#Desafio 077

Alísios precisos
num eco incerto,
trouxeram teu nome
de novo para perto:

“Ele é feliz!”

Seguiu, mesmo em chagas,
de alma rasgada,
cicatriz esculpida
na pele marcada.

O tempo endurece,
mas o peito denuncia:
há marcas que ficam
gravadas na despedida.

O mal que causei
ainda me arranha,
mas solto o peso:
me dou à façanha.

E me perdoo.
E te perdoo.
Pois fomos naufrágio,
sem porto ou guia,
errantes, perdidos
no mar dessa vida.

E sorrio sincera:
te fizeste grande!
Dos cacos dispersos,
brilhas radiante:
reflexo bonito
de um tempo que foi.

Lembrança desnuda,
um dos amores meus!
Que partiu com o vento,
levando tudo
que já era tormento.

Crs Ribeiro
Público
#Desafio 076

O intenso sente
no direito e no avesso,
em cada dobra da alma.

Dói fundo, rói os ossos
arde o travesseiro,
cala a fome.

Explode sem freio:
é muito, é demais
e ainda falta espaço.

Mas quando transborda,
a luz entorpece
e o mundo dança.

A manhã invade a janela
prisma insano de cores,
melodia que ninguém ouve.

Seja flor, poema
ou um bom dia perdido na rua…
tudo é motivo para rir até doer.

Não há meio-termo.
O morno é morte em prestações.

E a vida, se não for para sentir,
vira o quê?

Esquina vazia,
silêncio sem eco.

Crs Ribeiro
Público
#Desafio 075

A- MARge-ar

***Dedicado, com todo carinho, à amiga @MargeU

Amar
não é margem
é mar sem fim
verbo sem borda
vento sem direção

mas amar pode ser Marge:
grito que ecoa
vibra e reverbera
silêncio que corta
sussurra e dilacera

olhos de madrugada
que quebram o tempo
dissolvem o ser
desatam nós invisíveis

o frio da noite:
transcende o que não se vê
é ausência que arrepia
é presença sem toque

ela não é simples:
é poesia desfeita do verso
maré que seduz
onda que leva e nunca traz igual

se amar é rima,
Marge é metáfora:
que alaga e cura
naufraga e salva
se espalha
sem nunca cessar…

o sublime que se sente
como vento na mão
que nunca toca
mas deixa marca

sopro eterno
que sempre há de ficar.

Crs Ribeiro