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#Desafio 084
O Riso do Equilibrista
Fez da vertigem morada,
aprendeu a flutuar
no fio do nada.
Já não teme
o vaivém da corda,
é ele quem sopra o compasso.
A altura já não assusta,
é partitura
dos seus passos.
O vento, que antes empurrava,
agora lambe sua pele e sussurra:
Vai.
Beijou o chão mil vezes,
sentiu na língua
o áspero da queda:
mil bocas de pedra,
mil dentes de aço.
O tropeço virou impulso,
o risco,
vício doce.
E a queda, ah, a queda!
É só um riso,
desengonçado,
do tempo
pairando
no ar.
Crs Ribeiro
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#Desafio 083
A mão que afaga
pode, sem querer,
brandir a adaga.
Não por maldade,
mas por desejo esquivo
que pulsa no gesto
mesmo quando tenta amar.
O toque que embala
abre a pele sem som:
sangra sem aviso,
dói na surpresa.
Antes de empurrar,
meça bem o abismo!
Pode ser que teus pés
já tenham tocado o fundo.
A mágoa é faca torta:
fere quem sente,
e, sem querer,
dilacera quem a fez nascer.
Um eco profundo,
que à origem retorna.
Sem perdão.
Crs Ribeiro
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#Desafio 082
Esgotamento
Não ter forças
e, ainda assim, ir.
Tantos caminhos…
nenhum clamando teu nome.
O cansaço não manda recado.
Chega. Toma. Pesa.
Desfaz teu tempo,
tua pressa,
tua fé.
Te cala.
Te curva.
Te some.
E no vácuo de quem já foi demais,
fica só o eco:
para onde, agora?
Crs Ribeiro
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#Desafio 080
A ilusão veio mansa
sussurrou meu sorriso
chegou tão delicada
leu meu desalinho.
Não pediu nada
levou tudo.
Abri os braços
me dei, me desfiz.
Perdi-me no mar
acreditando ser parte dele.
Fiz por dois, fiz demais
desaprendi meu nome.
Vi a vida escapar lenta
virar ausência densa
um gosto ruim na boca
um silêncio seco nos olhos.
E então veio o susto:
o que restou de mim?
Quis voltar
mas o caminho sumiu.
Passado é coisa que não se toca.
O que eu tanto buscava
nunca esteve longe
só precisei abrir a mão.
Agora, basta.
Tempo de ser
sem moldura, sem medo.
Felicidade?
Liberdade, talvez.
O vento bagunçando o cabelo
os passos sem rumo
a leveza de não ter que dar
de não deixar rastro
de ser só o que sou.
E então,
o que falta?
Rompo as correntes
que eu mesma forjei.
Faço do vazio uma trilha
me largo no mundo:
livre, inteira
só minha.
Até o fim.
Crs Ribeiro
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Em uma série dedicada à imensidão azul, ao mar que abraça e transborda, não poderia faltar o poeta que navega, como poucos, pelos sentimentos mais profundos e impetuosos.
Com todo carinho, dedico este momento ao meu grande amigo @Albertobusquets e a todos vocês que apreciam a beleza das palavras. Como presente, compartilho um fragmento do seu talento: um sopro de poesia para embalar a alma.
Aproveitem!
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#Desafio 079
Queria, de todo o peito,
um dia sem mim.
Sem peso, sem pressa,
sem verbo, sem rima.
Um dia de nada,
um nada de dia.
Mas temo,
desconfio,
suspeito:
quando esse dia vier,
nem estarei para saber.
E se acaso ainda restar de mim
vulto, sombra ou gesto,
fito o espelho,
pergunto em silêncio:
Quem és?
O espelho embaça
e, meio sem graça,
não diz.
Crs Ribeiro
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É uma honra declamar os versos de uma poetisa de alma e arte tão lindas. Este poema dá voz a tantas mulheres, a seus silêncios e suas dores, e poder interpretá-lo foi uma experiência muito emocionante. Ainda mais por fazê-lo em um lugar especial para você, que representa união e, espero, a eterna capacidade de renascer. Com todo carinho, amiga. Amo você!
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