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#Desafio 085
Inimigo à Meia Luz
Um rosto partido
no vidro trincado da alma.
Sombra muda
voraz por calcanhares incautos.
Serpente de olhos abertos
nunca dorme, nunca cega
nunca cede.
Vigia.
Vigia.
Vigia.
Cruel, impassível.
E eu danço
à beira do erro
na estação do último trem
que não vem.
Esmaga.
Sufoca.
Sangra.
Obriga-me a voar mais alto.
É pedra que ensina
a raiz a resistir.
No espelho embaçado
um vulto que não se apaga.
Sou eu? Ou sou outra?
Ele ri.
Já sabe o meu nome.
E, ai de mim!
Sei bem
quem ele
é.
Crs Ribeiro
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#Desafio 084
O Riso do Equilibrista
Fez da vertigem morada,
aprendeu a flutuar
no fio do nada.
Já não teme
o vaivém da corda,
é ele quem sopra o compasso.
A altura já não assusta,
é partitura
dos seus passos.
O vento, que antes empurrava,
agora lambe sua pele e sussurra:
Vai.
Beijou o chão mil vezes,
sentiu na língua
o áspero da queda:
mil bocas de pedra,
mil dentes de aço.
O tropeço virou impulso,
o risco,
vício doce.
E a queda, ah, a queda!
É só um riso,
desengonçado,
do tempo
pairando
no ar.
Crs Ribeiro
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#Desafio 083
A mão que afaga
pode, sem querer,
brandir a adaga.
Não por maldade,
mas por desejo esquivo
que pulsa no gesto
mesmo quando tenta amar.
O toque que embala
abre a pele sem som:
sangra sem aviso,
dói na surpresa.
Antes de empurrar,
meça bem o abismo!
Pode ser que teus pés
já tenham tocado o fundo.
A mágoa é faca torta:
fere quem sente,
e, sem querer,
dilacera quem a fez nascer.
Um eco profundo,
que à origem retorna.
Sem perdão.
Crs Ribeiro
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#Desafio 082
Esgotamento
Não ter forças
e, ainda assim, ir.
Tantos caminhos…
nenhum clamando teu nome.
O cansaço não manda recado.
Chega. Toma. Pesa.
Desfaz teu tempo,
tua pressa,
tua fé.
Te cala.
Te curva.
Te some.
E no vácuo de quem já foi demais,
fica só o eco:
para onde, agora?
Crs Ribeiro
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#Desafio 080
A ilusão veio mansa
sussurrou meu sorriso
chegou tão delicada
leu meu desalinho.
Não pediu nada
levou tudo.
Abri os braços
me dei, me desfiz.
Perdi-me no mar
acreditando ser parte dele.
Fiz por dois, fiz demais
desaprendi meu nome.
Vi a vida escapar lenta
virar ausência densa
um gosto ruim na boca
um silêncio seco nos olhos.
E então veio o susto:
o que restou de mim?
Quis voltar
mas o caminho sumiu.
Passado é coisa que não se toca.
O que eu tanto buscava
nunca esteve longe
só precisei abrir a mão.
Agora, basta.
Tempo de ser
sem moldura, sem medo.
Felicidade?
Liberdade, talvez.
O vento bagunçando o cabelo
os passos sem rumo
a leveza de não ter que dar
de não deixar rastro
de ser só o que sou.
E então,
o que falta?
Rompo as correntes
que eu mesma forjei.
Faço do vazio uma trilha
me largo no mundo:
livre, inteira
só minha.
Até o fim.
Crs Ribeiro
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Em uma série dedicada à imensidão azul, ao mar que abraça e transborda, não poderia faltar o poeta que navega, como poucos, pelos sentimentos mais profundos e impetuosos.
Com todo carinho, dedico este momento ao meu grande amigo @Albertobusquets e a todos vocês que apreciam a beleza das palavras. Como presente, compartilho um fragmento do seu talento: um sopro de poesia para embalar a alma.
Aproveitem!
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#Desafio 079
Queria, de todo o peito,
um dia sem mim.
Sem peso, sem pressa,
sem verbo, sem rima.
Um dia de nada,
um nada de dia.
Mas temo,
desconfio,
suspeito:
quando esse dia vier,
nem estarei para saber.
E se acaso ainda restar de mim
vulto, sombra ou gesto,
fito o espelho,
pergunto em silêncio:
Quem és?
O espelho embaça
e, meio sem graça,
não diz.
Crs Ribeiro
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