Público
Colecionamos tantas faltas
preenchemos os espaços vazios
com lamentos inodoros e insípidos
tristezas e ausências em latas
colecionamos tantos excessos
recheamos gavetas já lotadas
com gravatas que nos sufocam
excedem lágrimas e abcessos
colecionamos tantas mentiras
douramos as falsas verdades
com adjetivos superlativos
enrubescem poetas sob rimas
Edu Liguori
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Público
Manhã nublada
dez horas de sono
só eu e eu
o café e um cigarro
mesmo em um quintal
com cara de bosta
as telhas molhadas
ainda são poesia
Edu liguori
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Público
Ser esquecido
é inevitável
ninguém nasce atrelado
até tua sombra
te larga
quando meio dia
Edu Liguori
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Público
Sobrevivo entorpecido
vendo as ondas que me cercam
as almas que passam
sinto muito como sempre
enxergo mais que nunca
entorpecido entendo
a magia da vida profana
os pesos que deixamos
as lágrimas que secam
os copos que derramamos
sigo calado entorpecido
pela dor do que foi perdido
pela seca do tempo rápido
que me deixa para trás
sem os encontros
que um dia sonhei beber
Edu Liguori
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Bato a cara com força no muro
com a pena convenções esmurro
se me orgulho é de ser impuro
se estiver parado te empurro!
Edu Liguori
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Público
Não vou arrumar a cama
deitar em uma poça de lama
ficar com a mesma roupa
café amargo e suco de polpa
não ligar a tevê nem o rádio
fitar o vazio do estádio
um cigarro aceso na boca
uma febre muito louca
nada de conversas
pensamento em terras imersas
um dia cinza mesmo com céu azul
ranzinza os olhos miram o sul
de lá vem todo o silêncio
sofre como o pobre Gaudêncio
hoje será tristeza por fora e por dentro
poesia pontuada e com acento.
Edu Liguori
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Quando ela chegar
quero que seja sábado de aleluia
água de flores na cuia
cama perfumada para se deitar
quando ela chegar
quero que seja terça de carnaval
lençóis brancos frescos do varal
taquara erguida pra desfrutar
quando ela chegar
quero que seja domingo de páscoa
pela porteira passa a récua
cavalgadas até se acabar
quando ela chegar
quero que seja quarta de cinzas
totalmente perdidos entre as balizas
do que significa amar
Edu Liguori
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Bom dia pessoal, dentre as novas criações, estou migrando gradativamente para o Literunico todos meus poemas que estavam arquivados/publicados no Wattpad e Wordpress.
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Público
A sorte me fugiu
feito passarinho assustado
tudo deu errado
o que era certo mentiu
o que era verdadeiro sumiu
ando muito apressado
no mesmo lugar parado
a sorte me iludiu
Edu Liguori
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Enquanto chove lá fora
o parasita aqui dentro consome
roe a carne que dorme
um sono profundo silencioso
por fora bela viola dizia vovó
por dentro pão bolorento
uma imagem que surge e some
uma verve sem vida sem tempo
arde a pele que ninguém toca
no fundo do peito tuberculoso
um nó e outro nó
sem fermento não cresce
só lamento e defeito
o poeta sofre mas não devia
o forno aquece e queima a massa
a vida amassa e teima
insiste por mais um dia
mais uma noite fria
chove lá fora já disse
e sorri o parasita
não desista eles dizem
não desisto
escrevo
Edu Liguori
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