@eduliguori
há 11 meses
Público
Sou um homem comum
ordinário
igual a cada um
diferente de todos
resido no encontro das linhas
paralelas dos trópicos
busco justiça na terra da carestia
acredito num deus inexistente
submisso à força do caos universal
construo conjuntos
soluciono ocasionalmente equações
sou a mosca que pousou na sua sopa
aquele que escreve poemas
dividindo por zero

Edu Liguori
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@eduliguori
há 11 meses
Público
Ela desce as ruas de paralelepípedo
seu sotaque de rouxinol azul
o sorriso largo livre no rosto
abraça os amigos em profissão de fé
senta no bar pela cerveja e a certeza
de que cada dia é apenas uma vitória
no corpo toda a poesia e malemolência
da menina mulher do mar e do céu
letrada sempre diz o que sente
chora muito porque a verdade é dolorosa
vive com a paixão dos que não se escondem
dos que temem, mas cantam mais uma melodia
ela é longilínea, esguia, quase gigante
esfinge sedutora sob os cachos dourados
marcada pelos eventos que a noite traz
toma o sereno da madrugada entre risos
e sempre amanhece doce
ela é a mulher que compõe minha parábola
uma história de amor sem início nem fim

Edu Liguori
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@eduliguori
há 11 meses
Público
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Edu Liguori
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@eduliguori
há 11 meses
Público
Queria ser Drummond
para saber das palavras, contar nossa história
em poesia ou prosa várias ventanias
sacudir teus cabelos e refrescar teu sorriso
mostrar apego, mas sem correntes
só massagem e química de pele e suor
um poeta certeiro, doce suave sem enjoo
sabor de bebidas e também tabaco
traduzir a força do dragão que me carrega
pelos céus deste mundão quando a tenho
o fogo todo que incendeia a alma, a vila
e a vida
trazer nos léxicos o conteúdo deste prazer
inexplicável do orgasmo que vivemos juntos
deleitar o corpo com passagens firmes
mãos ágeis e precisas, línguas safadas
ah os olhares na penumbra da noite fria
que contrastam com a pele quente friccionada
sob as tatuagens e os pelos, carne incandescente
da conjunção entre o rebelar e o sucumbir
talvez me negue as possibilidades de um jornal
fuja sim do cotidiano nefasto da era de aquário
mas me morda a carne em forma bissexta
abra a porta quando a quinzena chegar
criemos uma nova ortografia rebelde
fora dos padrões precisos da gramática
acentuada relação sem nexos ou réguas
borboletas em revoada breve no estômago aflito
sujeito e predicado em exclamação
queria ser Drummond!
teu autor dos acasos
o caso, teu caso
sempre quando for

Edu Liguori
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@eduliguori
há 11 meses
Público
Quando a hora não passa
certamente algo está errado
já que devassa
como voa, quando algo está certo
quando a hora se apega
verdadeiramente algo está parado
nada se entrega
tudo congelado
tique-taque nem mais existe
é silêncio digital
nefasta fase terminal
me liga, me chama, me grita
me beija, me reconquista
quero a morte do tempo lento
quero carinho, abraço, rosto ao vento
contigo o tempo voa
me sinto vivo e à toa

Edu Liguori
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@eduliguori
há 11 meses
Público
Quanto mais tarde
cedo fica
sem alarde
silêncio amplifica
não bastam os sons
nem as imagens
tampouco as letras
morrem os bons
pelas pastagens
secas e neutras
quanto mais tarde
arde a garganta
bebida covarde
que não adianta
vivem sós
pelas salas e dormitórios
se enroscam em nós
copos e cinzeiros inglórios
nas altas horas
não existem demoras
desistem calados
pobres exilados

Edu Liguori
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@eduliguori
há 11 meses
Público
E se eu quiser gostar de você
o que você vai fazer
vai me chamar pro seu mar
vai ler meus poemas a tarde
vai deixar meus lábios sangrarem
e se eu quiser gostar de você
iremos nos conhecer
desafiar o mundo e sonhar
curtir a maresia sem alarde
ver os pássaros se apaixonarem

Edu Liguori
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@eduliguori
há 11 meses
Público
Amo ser poeta, um dom que não solicitei
ser errático, contraditório e inconsistente
todavia verborrágico, sensível e insistente
um poeta que jamais se envergonha de dizer
– eu amei

Edu Liguori
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@eduliguori
há 11 meses
Público
As vezes me sinto como a Fleabag
Com um amor tão grande
pronto
disponível
não quero solução para tudo
só quero o direito
de doar o que sinto

Edu Liguori
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@eduliguori
há 11 meses
Público
Nas páginas de um livro
nas areias da praia
na mesa do bar
no sofá da sala
sob o sol de fevereiro
sob a chuva repentina
sob as estrelas distantes
cruzando os trópicos
viajando nas estradas
mergulhando no mar
o gosto da cerveja
o sabor dos peixes
o calor do acarajé
a fita no pulso
o cordão no pescoço
o chapéu na cabeça
o cheiro de você
o abraço de você
o sorriso de você
nas páginas da vida
um poema
uma baía
nas areias da praia
um café
uma ventania
na mesa do bar
um brinde
uma conversa
no sofá da sala
um sonho
uma confissão
um verão

Edu Liguori
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