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Nunca me faltou coragem
nem sonhos
sou muito destemido
léguas não me afligem
entre grãos de areia
e conchas mortas
caminho seguro
em busca do que é devido
será o que será de ser
tua boca carmim
teus olhos claros
e talvez
nossa vida futura
nunca me faltou
hoje sou eu
amanhã você
Edu Liguori
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Quantos furacões
cabem em uma
única cabeleira
entre fios de cobre
as esmeraldas
e um rubi escarlate
composição do ar
que venta e arrasta
tudo ao seu redor
capturado e rendido
o poeta voa aos céus
rodopiando entregue
chegou a estação
a era dos sonhos
tempo de ventanias
Edu Liguori
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Público
Minha alma está cheirando a lírios
delírios ruivos uivantes tão doces
mesmerizado pelo seduzente mistério
um ministério de olhares e vozes
me entrego nu e tão transparente
que como se fossem dunas ao vento
danço sob o sol brilhante intenso
em busca da conjugação e fúria
do amor desconhecido sem pudor
sou flor sou areia sou teu calor
Edu Liguori
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Manada ou alcateia
ferozes e felinas
mamada de Dorotea
confetes e serpentinas
segue a banda das bundas
na savana da avenida
em lança perfume te afundas
felizmente perdida
Edu Liguori
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ninguém quer doer comigo
torço sozinho os trapos encharcados
faço tripas, serpentinas artesanais
coloridas peças alegóricas de uma vida imaginária
assim uso a dor do silêncio e da ausência
compondo carnavais
Poema "trapos", livro "Perdições" de Edu Liguori
Arte [foto anexa] de Juliana Lopes Moré (Juju)
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Poetas
Ah os poetas
Sempre por aí
Malditos em praças sem coretos
De braços com a noite incorretos
Sempre assim
Ah os poetas
Edu Liguori
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Terminei a migração e desativei o Wattpad. Agora continuarei a migração do WordPress.
Muito trabalho, espero que o Literunico cresça o bastante.
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Público
As vezes me pergunto
quais são meus erros
nunca terei resposta
poetas estão sempre
enganados
amo demais
aquele verso
aquela estrofe
mas ela quem diria
esnobe
quais são meus erros
que até duvido
de minha competência
justo eu que me acho
e me perco
quando imagino
meus dedos em teus cabelos
Edu Liguori
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Me interesso
e já confesso
tu nem viu
nem sentiu
e é assim
sim
que vamos indo
tudo lindo
tu aí
eu aqui
e Platão
pimpão
só sorrindo
Edu Liguori
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O medo abala
o medo abusa
o medo te usa
com medo não fala
se esconde durante o dia
não quer passar mais apuro
a noite vive no quarto escuro
sob as cobertas da covardia
sem forças para reagir
a vida se esvai vazia
no estômago azia
não consegue fugir
pobre vítima inocente
se sente horrível culpada
devidamente julgada
não se vê mais contente
hipócritas morais
julgamento sem defesa
batem na mesa
com seus gritos irracionais
impõem o medo com o dedo em riste
dominam sua presa
com uma única certeza
a impunidade existe
triste mundo esse aqui
em que um ser
acredita que pode ter
o outro para si
Edu Liguori
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