@literunico
há 9 meses
Público
#Dia 335

Superstição

Ela anda de mansinho,
meia palavra, dedo cruzado.
Superstição não vê caminho,
segue o vento enredado.

Carrega fitas, promessas e sal,
reza torta em chão sagrado.
Superstição beija no final
do que o medo deixa selado.

Crê no que escapa ao sentido,
mas abraça como quem já sabe.
Superstição não exige do ouvido,
mas fala e cala, como uma chave.

É fé que teme a dúvida,
esperança com disfarce.
Superstição é uma súbita
necessidade que nunca parte.

Eder B. Jr.
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@literunico
há 9 meses
Público
Pavões em Linha Reta

O homem que vendia relógios
dizia que o tempo era caro,
mas aceitava figurinhas
em troca de segundos falsos.

Um peixe gritava no metrô:
“Comprem sapatos de vento!”
e ninguém achava estranho,
porque os pés já estavam cansados
de pisar em promessas de cimento.

Na escola ensinaram a contar
até treze, mas pularam o vinte
porque disseram que pensar demais
causava inchaço nas ideias.

Tinha um ministério só de espelhos,
mas todos quebrados
para refletir a liberdade
em fragmentos bem editados.

O juiz da noite
proibia o pôr do sol
com medo que as pessoas
vissem as cores
e lembrassem de sonhos.

Mulheres plantavam trovões
em vasos de cerâmica,
porque ouviam que flores
só servem pra decorar tragédias.

No fim, um cartaz dizia:
“Proibido entender.
Sentir também está sob análise.”
Mas era tarde
as crianças já estavam
brincando de revolução
com giz de cera
e as caras pintadas.

Desde que a ficção
Virou ação
Virou nação
Virou subversão...

Eder B. Jr.
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@literunico
há 9 meses
Público
Dia 334

Fadiga

Ela não guarda, acumula.
Na visão, um vulto sem nome.
Fadiga é o corpo que recusa,
É alma que dorme com fome.

Não é dor aguda,
Nem temor, nem pranto.
É peso que nunca ajuda,
É sombras embaixo do manto.

Senta-se ao lado sem aviso,
Com cheiro do tempo vencido.
Fadiga é o gesto indeciso,
O agudo ânimo fugido.

Mesmo o riso
vem com custo.
Fadiga é o abismo,
Que nos mata de susto.

Eder B. Jr.
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@literunico
há 9 meses
Público
Você não precisa escrever como ninguém.
O mundo já tem o bastante de “cópias que vendem”.

O que falta são palavras que fazem sentir.
Livros que têm alma.
E histórias que não pedem permissão pra existir.

No Literunico, não se escreve pra ser aprovado.
Se publica pra multiplicar o dividir.

Se você carrega mundos na cabeça e verdades (ou ficções) na alma,
vem transformar isso em literatura.

A escrita não é um dom. É um incêndio.
E a gente preza por espalhar o combustível.

#EscrevaSemFiltro
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@literunico
há 9 meses
Público
#Dia 333

Desencanto

O brilho cede,
sem alarde, sem explosão.
Desencanto não fere
desvanece a ilusão.

Já foi cor, já foi vertigem,
já pulsou feito canção.
Agora é cinza que finge
não lembrar da combustão.

Não há raiva, nem lamento,
só o peso do que cessou.
Desencanto é o desalento
de quem, um dia, acreditou.

Mas mesmo ao cair da dança,
fica um traço, quase ponto.
Lembrança distante da esperança:
É a memória do Encanto.

Eder B. Jr.
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