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#Dia 335
Superstição
Ela anda de mansinho,
meia palavra, dedo cruzado.
Superstição não vê caminho,
segue o vento enredado.
Carrega fitas, promessas e sal,
reza torta em chão sagrado.
Superstição beija no final
do que o medo deixa selado.
Crê no que escapa ao sentido,
mas abraça como quem já sabe.
Superstição não exige do ouvido,
mas fala e cala, como uma chave.
É fé que teme a dúvida,
esperança com disfarce.
Superstição é uma súbita
necessidade que nunca parte.
Eder B. Jr.
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Pavões em Linha Reta
O homem que vendia relógios
dizia que o tempo era caro,
mas aceitava figurinhas
em troca de segundos falsos.
Um peixe gritava no metrô:
“Comprem sapatos de vento!”
e ninguém achava estranho,
porque os pés já estavam cansados
de pisar em promessas de cimento.
Na escola ensinaram a contar
até treze, mas pularam o vinte
porque disseram que pensar demais
causava inchaço nas ideias.
Tinha um ministério só de espelhos,
mas todos quebrados
para refletir a liberdade
em fragmentos bem editados.
O juiz da noite
proibia o pôr do sol
com medo que as pessoas
vissem as cores
e lembrassem de sonhos.
Mulheres plantavam trovões
em vasos de cerâmica,
porque ouviam que flores
só servem pra decorar tragédias.
No fim, um cartaz dizia:
“Proibido entender.
Sentir também está sob análise.”
Mas era tarde
as crianças já estavam
brincando de revolução
com giz de cera
e as caras pintadas.
Desde que a ficção
Virou ação
Virou nação
Virou subversão...
Eder B. Jr.
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Dia 334
Fadiga
Ela não guarda, acumula.
Na visão, um vulto sem nome.
Fadiga é o corpo que recusa,
É alma que dorme com fome.
Não é dor aguda,
Nem temor, nem pranto.
É peso que nunca ajuda,
É sombras embaixo do manto.
Senta-se ao lado sem aviso,
Com cheiro do tempo vencido.
Fadiga é o gesto indeciso,
O agudo ânimo fugido.
Mesmo o riso
vem com custo.
Fadiga é o abismo,
Que nos mata de susto.
Eder B. Jr.
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Você não precisa escrever como ninguém.
O mundo já tem o bastante de “cópias que vendem”.
O que falta são palavras que fazem sentir.
Livros que têm alma.
E histórias que não pedem permissão pra existir.
No Literunico, não se escreve pra ser aprovado.
Se publica pra multiplicar o dividir.
Se você carrega mundos na cabeça e verdades (ou ficções) na alma,
vem transformar isso em literatura.
A escrita não é um dom. É um incêndio.
E a gente preza por espalhar o combustível.
#EscrevaSemFiltro
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#Dia 333
Desencanto
O brilho cede,
sem alarde, sem explosão.
Desencanto não fere
desvanece a ilusão.
Já foi cor, já foi vertigem,
já pulsou feito canção.
Agora é cinza que finge
não lembrar da combustão.
Não há raiva, nem lamento,
só o peso do que cessou.
Desencanto é o desalento
de quem, um dia, acreditou.
Mas mesmo ao cair da dança,
fica um traço, quase ponto.
Lembrança distante da esperança:
É a memória do Encanto.
Eder B. Jr.
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