À minha amiga Terra
#Desafio 365 Dias (038 de 365)
Ref 07/02
Li que o tema de hoje é #핋피ℝℝ픸
Então, lá vai:
À minha amiga Terra
Vais, vais, Terra,
Vais por aí afora;
Por entre fauna, entre flora,
Por entre a paz e a guerra.
Vá por aí, minha Terra,
Ao despontar da aurora,
Ou, então, ao pôr do Sol,
Ou nas árvores de uma serra,
Onde canta o rouxinol;
Isto é teu, amiga Terra,
Desde um simples girassol
Até as luzes cintilantes,
Que brilham, feito diamantes,
Como um imenso farol.
Gira, minha grande casa,
E jamais hás de parar
Pois a cada volta tua
Mais a vida continua,
Mais momentos hão de passar.
Feliz é quem vive em ti,
Ó massa de amor e paz;
Ou que chora, ou que ri,
E que sabe que aqui
A vida vale muito mais;
Pois continue, Terra amiga
Sempre e sempre a girar,
Espalhando alegria,
Esbanjando calmaria,
Pra vida continuar.
A vida, pois, nada mais é, senão um rio,
Que, sereno, nasce à terra e morre ao mar.
P.S.: é um poemelho bem antigo, da época dos meus 12, 13 anos. Acho que a Terra era mais bonita naquela época...
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푨풔 풗풆풛풆풔, 풆풍풂 풗풐풍풕풂
#Desafio 365 dias (037 de 365)
Ref 06/02
푨풔 풗풆풛풆풔, 풆풍풂 풗풐풍풕풂
Ele acordou
No meio da noite;
Ela ainda estava ali.
Fingiu que não era nada,
Ignorou sua presença.
Preferia estar sozinho.
Mas ela
Se recusava a ir embora
Ficava dançando à sua frente
Marcando lugar
Escrevendo o seu nome:
Solidão.
E no frio da madrugada,
seus suspiros eram o vento,
um eco persistente de memórias
que ele preferia não ter.
Ele estendeu a mão,
mas o vazio respondeu,
pois a solidão não tem corpo.
No limbo eterno
entre o querer e o não querer,
ele se rendeu ao inevitável.
Até que um novo dia nascesse
e a luz dissipasse a névoa,
Ela seria sua única companhia.
Mas, por enquanto, noite.
Dor e escuridão.
Solidão.
Silêncio no quarto,
Um perfume distante,
sussurros perdidos.
Caminhos sem volta,
passos que se vão.
Um amor que se esvai.
Cartas não enviadas.
palavras esquecidas.
Solidão.
um olhar que não diz,
mas tudo revela.
Um olhar que se apaga
Quando a luz se esconde.
solidão, uma sombra,
silenciosa e pesada,
Sombras na parede.
Um vestido escuro,
Ela dança no espaço.
Ela senta ao seu lado.
Risos longínquos,
ecos do passado,
Órfãos de memórias.
Na mesa, um vazio,
na taça, um vazio,
Um copo quebrado,
fragmentos de "nós".
Nas sobras do jantar,
Nas sombras, nem o eu nem o tu
A desatar nós.
Mas não há mais nós:
Desata-os a aurora;
Um novo dia, uma nova esperança.
Ela ainda está ali.
No fim das sombras, a depressão:
Solidão.
#Desafio 365 dias (037 de 365)
Ref 06/02
푨풔 풗풆풛풆풔, 풆풍풂 풗풐풍풕풂
Ele acordou
No meio da noite;
Ela ainda estava ali.
Fingiu que não era nada,
Ignorou sua presença.
Preferia estar sozinho.
Mas ela
Se recusava a ir embora
Ficava dançando à sua frente
Marcando lugar
Escrevendo o seu nome:
Solidão.
E no frio da madrugada,
seus suspiros eram o vento,
um eco persistente de memórias
que ele preferia não ter.
Ele estendeu a mão,
mas o vazio respondeu,
pois a solidão não tem corpo.
No limbo eterno
entre o querer e o não querer,
ele se rendeu ao inevitável.
Até que um novo dia nascesse
e a luz dissipasse a névoa,
Ela seria sua única companhia.
Mas, por enquanto, noite.
Dor e escuridão.
Solidão.
Silêncio no quarto,
Um perfume distante,
sussurros perdidos.
Caminhos sem volta,
passos que se vão.
Um amor que se esvai.
Cartas não enviadas.
palavras esquecidas.
Solidão.
um olhar que não diz,
mas tudo revela.
Um olhar que se apaga
Quando a luz se esconde.
solidão, uma sombra,
silenciosa e pesada,
Sombras na parede.
Um vestido escuro,
Ela dança no espaço.
Ela senta ao seu lado.
Risos longínquos,
ecos do passado,
Órfãos de memórias.
Na mesa, um vazio,
na taça, um vazio,
Um copo quebrado,
fragmentos de "nós".
Nas sobras do jantar,
Nas sombras, nem o eu nem o tu
A desatar nós.
Mas não há mais nós:
Desata-os a aurora;
Um novo dia, uma nova esperança.
Ela ainda está ali.
No fim das sombras, a depressão:
Solidão.
Badinerie
Pra quem quiser ler meu conto premiado, vou deixá-lo aqui, na LITERUNICO, em primeira mão.
Mas depois o pessoal do Concurso Aline Alencar vai postar também, no Insta - então, se vocês puderem dar uma força pra "ingajá"...
Pra quem quiser ler meu conto premiado, vou deixá-lo aqui, na LITERUNICO, em primeira mão.
Mas depois o pessoal do Concurso Aline Alencar vai postar também, no Insta - então, se vocês puderem dar uma força pra "ingajá"...
#Desafio 365 Dias (036 de 365)
Ref. 05/02
Um dos concursos de contos mais legais do Brasil é o Concurso Aline Alencar.
Ele foi criado pelos irmãos da Aline, que faleceu ainda jovem, vítima de câncer de mama. Seus irmãos decidiram criar um concurso de contos, para homenagear a sua paixão pela literatura.
Em 2024, tivemos a segunda edição do concurso, que distribuiu R$2.000,00 para os cinco primeiros colocados. O tema desse ano era: "O SOM DO AMOR".
A divulgação do resultado foi hoje à noite.
É aqui que eu entro na história.
Meu conto "Badinerie" FOI O GRANDE VENCEDOR!!!
E eu, fico como? SURTADO DE FELICIDADE!!!朗
"Badinerie" é o nome de uma dança e é, também, um termo usado para designar um movimento de uma suíte (normalmente barroca). A mais famosa, Suíte Orquestral nº 2 para flauta e cordas BWV 1067 de Johann Sebastian Bach, foi quem me inspirou nessa história.
Não é uma história "alegre", no entanto. Essa é uma das ironias. Mas há muitas outras. Vale a pena ler (bem, vale mesmo, né, já que agora sou um escritor premiado )
Vou deixar o link para leitura aqui embaixo. Eu havia disponibilizado o texto a R$ 1,00 aqui mesmo, na LITERUNICO - não percam a oportunidade de ler!
Agora eu vou até ali na rua, sair correndo e gritando de alegria, e já volto, ok?
Ref. 05/02
Um dos concursos de contos mais legais do Brasil é o Concurso Aline Alencar.
Ele foi criado pelos irmãos da Aline, que faleceu ainda jovem, vítima de câncer de mama. Seus irmãos decidiram criar um concurso de contos, para homenagear a sua paixão pela literatura.
Em 2024, tivemos a segunda edição do concurso, que distribuiu R$2.000,00 para os cinco primeiros colocados. O tema desse ano era: "O SOM DO AMOR".
A divulgação do resultado foi hoje à noite.
É aqui que eu entro na história.
Meu conto "Badinerie" FOI O GRANDE VENCEDOR!!!
E eu, fico como? SURTADO DE FELICIDADE!!!朗
"Badinerie" é o nome de uma dança e é, também, um termo usado para designar um movimento de uma suíte (normalmente barroca). A mais famosa, Suíte Orquestral nº 2 para flauta e cordas BWV 1067 de Johann Sebastian Bach, foi quem me inspirou nessa história.
Não é uma história "alegre", no entanto. Essa é uma das ironias. Mas há muitas outras. Vale a pena ler (bem, vale mesmo, né, já que agora sou um escritor premiado )
Vou deixar o link para leitura aqui embaixo. Eu havia disponibilizado o texto a R$ 1,00 aqui mesmo, na LITERUNICO - não percam a oportunidade de ler!
Agora eu vou até ali na rua, sair correndo e gritando de alegria, e já volto, ok?
Pode ou não pode?
#Desafio 365 Dias (035 de 365)
Ref 04/02
Tentei escrever aqui mesmo, mas deu pau (o Eder vai corrigir, tenho certeza). Mas segue em epub - ainda bem que temos diversas ferramentas pra postar!
#Desafio 365 Dias (035 de 365)
Ref 04/02
Tentei escrever aqui mesmo, mas deu pau (o Eder vai corrigir, tenho certeza). Mas segue em epub - ainda bem que temos diversas ferramentas pra postar!
Despedida
#Desafio 365 dias (034 de 365)
Ref. 03/02
Despedida
Não quero mais te ver porque não te mereço;
Antes fosses tu uma vadia.
Quiçá, assim, não lhe guardaria o menor apreço
E talvez, nem mesmo conhecer-te-ia;
Não era necessário nossas vidas cruzarem-se assim
- Me és um mal, uma sífilis, uma enfermidade
Justamente porque és boa; e há algo em mim
Que – isto eu sei – te amará por toda a eternidade.
Não quero mais te ver porque já te vi demais,
Eis o meu mais ignominioso pecado:
E esta purificação não me virá jamais.
Havia tantas que eu poderia ter amado!...
E tantas bocas que poderiam ser minhas
E eu poderia ter sido de muitas, e sido feliz –
Mas, não: ao invés de me entregar às paixões tolas e mesquinhas,
Deus me entregou às sombras, me entregou a ti, assim o quis.
Vai embora. Desaparece daqui, Some.
Não volte mais; me deixe como quem se desfaz,
Na porta alheia, de um cão mendigo e sem nome.
Tal é como deve ser; e até me apraz
Que o faças com sangue-frio e crueldade
Pois o ódio sufocará o amor – eis minha salvação:
Melhor um ódio que se nutre da verdade
Do que um amor que se mortifica na ilusão.
#Desafio 365 dias (034 de 365)
Ref. 03/02
Despedida
Não quero mais te ver porque não te mereço;
Antes fosses tu uma vadia.
Quiçá, assim, não lhe guardaria o menor apreço
E talvez, nem mesmo conhecer-te-ia;
Não era necessário nossas vidas cruzarem-se assim
- Me és um mal, uma sífilis, uma enfermidade
Justamente porque és boa; e há algo em mim
Que – isto eu sei – te amará por toda a eternidade.
Não quero mais te ver porque já te vi demais,
Eis o meu mais ignominioso pecado:
E esta purificação não me virá jamais.
Havia tantas que eu poderia ter amado!...
E tantas bocas que poderiam ser minhas
E eu poderia ter sido de muitas, e sido feliz –
Mas, não: ao invés de me entregar às paixões tolas e mesquinhas,
Deus me entregou às sombras, me entregou a ti, assim o quis.
Vai embora. Desaparece daqui, Some.
Não volte mais; me deixe como quem se desfaz,
Na porta alheia, de um cão mendigo e sem nome.
Tal é como deve ser; e até me apraz
Que o faças com sangue-frio e crueldade
Pois o ódio sufocará o amor – eis minha salvação:
Melhor um ódio que se nutre da verdade
Do que um amor que se mortifica na ilusão.
푪풐풏풕풂품풆풎 푹풆품풓풆풔풔풊풗풂
#Desafio 365 dias (033 de 365)
Neste post, continuo minha explicação sobre o poema (que, não por acaso, se chama "Contagem Regressiva"):
Observem como, a cada estrofe, a leitura fica um pouco mais "sem perna"; cada estrofe possui uma musicalidade própria, por causa da quantidade de sílabas poéticas, e temos que esquecer a musicalidade da anterior para ler a próxima.
Ah, e, é claro, o poema todo deve ser coeso, fazer sentido, contar alguma coisa, expressar alguma emoção. Senão, será apenas um exercício.
푪풐풏풕풂품풆풎 푹풆품풓풆풔풔풊풗풂
13
Toma um poema. Há coisas que não sei dizer...
Melhor fazer, do papel, um mero confidente
Para guardar o que no peito se guarda e sente
Eis um poema: isto é tudo o que sei fazer.
12
Lê o poema: tenta entender o que te diz
As palavras soltas: sou eu a te dizer
O que não se diz: que só se tenta esconder
E se finge esquecer; e se é feliz.
11
Leva este poema a te falar de amor,
Um amor vivo e forte, qual a raiz
Do mais alto ipê; e eu, que tanto quis
Negá-lo, sei que de mim já é senhor.
10
Como ficar sem teu perfume, agora
Que já provei, meu Deus, do teu odor?
Como fazer morrer tamanha dor
Que fica e vive, e não vai embora?...
9
Não... não é o poema. Sou só eu
Que finjo ser teu a toda hora;
E, de ser um fingidor por fora,
Por dentro devo já estar no céu.
8
Qu’este poema possa dar-te
Um beijo meu, perdido ao léu;
E qu’este beijo faça réu
O teu coração, de tal arte
7
Que a ti, seja um elixir:
E que me ames, destarte,
A dor, que ora me parte,
Não haverá de existir.
6
Sente o meu beijo; sente:
Sou eu a te sorrir.
Mas, não... Quando eu a vir,
Sorrirei, simplesmente...
5
E este meu sorriso,
É o hausto da gente
Que traz, de repente
Teu sonho impreciso.
4
Quero te dar
Um paraíso
Quero e preciso
Tanto te amar!...
3
O celeste
Deste olhar
É um mar
Que me deste.
2
Adeus!...
Sou este.
Me veste
Os teus.
1
Sem
Ti,
Meu
Deus!...
#Desafio 365 dias (033 de 365)
Neste post, continuo minha explicação sobre o poema (que, não por acaso, se chama "Contagem Regressiva"):
Observem como, a cada estrofe, a leitura fica um pouco mais "sem perna"; cada estrofe possui uma musicalidade própria, por causa da quantidade de sílabas poéticas, e temos que esquecer a musicalidade da anterior para ler a próxima.
Ah, e, é claro, o poema todo deve ser coeso, fazer sentido, contar alguma coisa, expressar alguma emoção. Senão, será apenas um exercício.
푪풐풏풕풂품풆풎 푹풆품풓풆풔풔풊풗풂
13
Toma um poema. Há coisas que não sei dizer...
Melhor fazer, do papel, um mero confidente
Para guardar o que no peito se guarda e sente
Eis um poema: isto é tudo o que sei fazer.
12
Lê o poema: tenta entender o que te diz
As palavras soltas: sou eu a te dizer
O que não se diz: que só se tenta esconder
E se finge esquecer; e se é feliz.
11
Leva este poema a te falar de amor,
Um amor vivo e forte, qual a raiz
Do mais alto ipê; e eu, que tanto quis
Negá-lo, sei que de mim já é senhor.
10
Como ficar sem teu perfume, agora
Que já provei, meu Deus, do teu odor?
Como fazer morrer tamanha dor
Que fica e vive, e não vai embora?...
9
Não... não é o poema. Sou só eu
Que finjo ser teu a toda hora;
E, de ser um fingidor por fora,
Por dentro devo já estar no céu.
8
Qu’este poema possa dar-te
Um beijo meu, perdido ao léu;
E qu’este beijo faça réu
O teu coração, de tal arte
7
Que a ti, seja um elixir:
E que me ames, destarte,
A dor, que ora me parte,
Não haverá de existir.
6
Sente o meu beijo; sente:
Sou eu a te sorrir.
Mas, não... Quando eu a vir,
Sorrirei, simplesmente...
5
E este meu sorriso,
É o hausto da gente
Que traz, de repente
Teu sonho impreciso.
4
Quero te dar
Um paraíso
Quero e preciso
Tanto te amar!...
3
O celeste
Deste olhar
É um mar
Que me deste.
2
Adeus!...
Sou este.
Me veste
Os teus.
1
Sem
Ti,
Meu
Deus!...
Devo dois textos. O do dia 01 e o de hoje... Vamos lá:
#Desafio 365 Dias (032 de 365)
Havia falado em como é o meu processo para escrever livros.
Hoje vou explicar como costumo fazer com poesia.
As coisas que mais gosto em poesia têm a ver com estrutura e sonoridade; uma frase bem feita e que fique gostosa aos ouvidos, o uso de repetições fonéticas, etc. Há um poema meu que diz:
"Doce instrumento dos deuses e dos sábios,
Sabe os segredos dos suspiros teus"
Aqui, uso "sábios" e, em seguida, "Sabe os" - o que, sonoramente, impõe uma repetição fonética.
A estrutura também é parte importante dos meus poemas. Embora eu tenha vários poemas "livres", gosto de usar regras internas para segui-los. Outro dia, li uma estrofe linda da poeta MarU que tinha a seguinte estrutura:
- Estrofes de 3 versos.
- verso 1 com 6 sílabas poéticas e rima A.
- verso 2 com mais sílabas (mas com apoios) e rima B.
- verso 3 com 10 sílabas poéticas; rima A na 6ª sílaba e rima B na última.
Exemplo: o poema "Ao Luar", nº 028 do desafio 365 dias (dêem uma olhada na minha página).
Assim, explicado, parece sem sentido (afinal, a ideia do poema é extravasar sentimentos, emocionar, etc). Mas sinto que, usando estruturas fixas, se consegue isso de maneira mais perene.
Outras estruturas: utilizar rimas internas e trançadas (uma rima do fim de um verso aparece no meio do verso seguinte), formas consagradas (soneto, versos alexandrinos, Limerick, etc). Sempre procuro estipular uma regra para meus poemas; isso me ajuda a evoluir como se fosse um estudo (e é, no fim das contas). Ezra Pound incentivava a poesia modernista livre, mas sempre reiterava a necessidade de estudo das estruturas, como aprendizado.
Já tentou fazer um poema apenas com palavras que comecem com a letra A? Já tentou fazer um poema com rimas perfeitas e proparoxítonas? Já tentou fazer um poema com apenas 2 sílabas poéticas por verso? Tudo isso é aprendizado, e, mesmo que o poema em si não fique lá muito bonito, já serviu para te fazer encontrar soluções técnicas.
No meu próximo poema (que postarei daqui a pouco, como o nº 032 do desafio), eu criei a seguinte estrutura:
- todas as Estrofes possuem 4 versos. Os versos 2 e 3 (internos) rimam com os versos 1 e 4 (externos) da estrofe anterior.
- a primeira estrofe começa com 13 sílabas poéticas e, a cada estrofe, vou diminuindo uma, até que a última estrofe tenha apenas uma sílaba poética.
Termino de explicar no próximo post, com o poema...
#Desafio 365 Dias (032 de 365)
Havia falado em como é o meu processo para escrever livros.
Hoje vou explicar como costumo fazer com poesia.
As coisas que mais gosto em poesia têm a ver com estrutura e sonoridade; uma frase bem feita e que fique gostosa aos ouvidos, o uso de repetições fonéticas, etc. Há um poema meu que diz:
"Doce instrumento dos deuses e dos sábios,
Sabe os segredos dos suspiros teus"
Aqui, uso "sábios" e, em seguida, "Sabe os" - o que, sonoramente, impõe uma repetição fonética.
A estrutura também é parte importante dos meus poemas. Embora eu tenha vários poemas "livres", gosto de usar regras internas para segui-los. Outro dia, li uma estrofe linda da poeta MarU que tinha a seguinte estrutura:
- Estrofes de 3 versos.
- verso 1 com 6 sílabas poéticas e rima A.
- verso 2 com mais sílabas (mas com apoios) e rima B.
- verso 3 com 10 sílabas poéticas; rima A na 6ª sílaba e rima B na última.
Exemplo: o poema "Ao Luar", nº 028 do desafio 365 dias (dêem uma olhada na minha página).
Assim, explicado, parece sem sentido (afinal, a ideia do poema é extravasar sentimentos, emocionar, etc). Mas sinto que, usando estruturas fixas, se consegue isso de maneira mais perene.
Outras estruturas: utilizar rimas internas e trançadas (uma rima do fim de um verso aparece no meio do verso seguinte), formas consagradas (soneto, versos alexandrinos, Limerick, etc). Sempre procuro estipular uma regra para meus poemas; isso me ajuda a evoluir como se fosse um estudo (e é, no fim das contas). Ezra Pound incentivava a poesia modernista livre, mas sempre reiterava a necessidade de estudo das estruturas, como aprendizado.
Já tentou fazer um poema apenas com palavras que comecem com a letra A? Já tentou fazer um poema com rimas perfeitas e proparoxítonas? Já tentou fazer um poema com apenas 2 sílabas poéticas por verso? Tudo isso é aprendizado, e, mesmo que o poema em si não fique lá muito bonito, já serviu para te fazer encontrar soluções técnicas.
No meu próximo poema (que postarei daqui a pouco, como o nº 032 do desafio), eu criei a seguinte estrutura:
- todas as Estrofes possuem 4 versos. Os versos 2 e 3 (internos) rimam com os versos 1 e 4 (externos) da estrofe anterior.
- a primeira estrofe começa com 13 sílabas poéticas e, a cada estrofe, vou diminuindo uma, até que a última estrofe tenha apenas uma sílaba poética.
Termino de explicar no próximo post, com o poema...
A Inspiração
Um poema por um real. Troca justa.
LEMBRANDO: tenho vários poemas aqui a R$ 1,00. Ao atingir R$50,00 em compras de poemas (ou de outros textos monetizados nos posts), a pessoa GANHA UM LIVRO MEU, DE POESIA E PROSA, de presente. A Ju jajá ganha o dela, mas todos que adquirirem meus textos monetizados (exceto, é claro, o livro "Fora do Tempo" - que, aliás, eu super recomendo), ao atingir 50 reais, levam o livro.
Agora, leiam este poema, que um dia vai virar música.
Um poema por um real. Troca justa.
LEMBRANDO: tenho vários poemas aqui a R$ 1,00. Ao atingir R$50,00 em compras de poemas (ou de outros textos monetizados nos posts), a pessoa GANHA UM LIVRO MEU, DE POESIA E PROSA, de presente. A Ju jajá ganha o dela, mas todos que adquirirem meus textos monetizados (exceto, é claro, o livro "Fora do Tempo" - que, aliás, eu super recomendo), ao atingir 50 reais, levam o livro.
Agora, leiam este poema, que um dia vai virar música.
Meus meninos
#Desafio 365 Dias (031 de 365)
* 퐼푛푠푝푖푟푎푑표 푛표 푏푒푙푖푠푠푖푚표 푡푒푥푡표 푑푎 @퐶푟푖푠푅푖푏푒푖푟표 *
Meus meninos ainda não eram meus meninos quando os conheci; um já tinha 8 e o outro, 5. E eu, justo eu, um autista que não há tinha sido um bom tio, nem um bom primo, nem um bom irmão, nem um bom cunhado mais velho, fiquei com a incumbência de ser um bom padrasto.
Eles não gostaram de mim logo de cara; achavam que eu estava vindo pra tomar o lugar do pai. Não era verdade; o pai já havia abandonado esse posto, e o que eu estava fazendo era tentar preencher um espaço já vago, mas como demonstrar isso para duas crianças?
Talvez por isso eu tenha sido tão duro, tão intransigente, tão crítico e austero. Talvez por isso, eles, que nunca haviam encontrado limite e autoridade, tenham se apegado a mim como um porto seguro - algo que eu não era, inconstante que fui, genioso e chato e ranzinza e exigente.
Mas... O tempo foi passando. E o amor que eu antes tinha pela mãe deles foi virando um amor por três, um amor pela família que não era minha. Eu me cobrei como pai e exigi tudo o que eles poderiam ser como filhos.
E quantas vezes um deles não veio me mostrar algo incrível, e eu não deixei porque não tinha tempo? Quantas vezes os impedi de falar sobre a nova série, o novo jogo, o novo livro, porque havia "trabalho importante" a ser feito? Hoje, olho para dentro de mim, com os olhos do passado, e encontro momentos em que eu poderia ter estado mais com eles, em que eu deveria ter mandado às favas aqueles chefes que sequer sabiam meu nome, nem que eu tinha filhos e família e que devia ser exemplo. Olho para trás com a percepção de que devia ter sido mais presente, mais amigo, mais amoroso. Mais pai.
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#Desafio 365 Dias (031 de 365)
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Meus meninos ainda não eram meus meninos quando os conheci; um já tinha 8 e o outro, 5. E eu, justo eu, um autista que não há tinha sido um bom tio, nem um bom primo, nem um bom irmão, nem um bom cunhado mais velho, fiquei com a incumbência de ser um bom padrasto.
Eles não gostaram de mim logo de cara; achavam que eu estava vindo pra tomar o lugar do pai. Não era verdade; o pai já havia abandonado esse posto, e o que eu estava fazendo era tentar preencher um espaço já vago, mas como demonstrar isso para duas crianças?
Talvez por isso eu tenha sido tão duro, tão intransigente, tão crítico e austero. Talvez por isso, eles, que nunca haviam encontrado limite e autoridade, tenham se apegado a mim como um porto seguro - algo que eu não era, inconstante que fui, genioso e chato e ranzinza e exigente.
Mas... O tempo foi passando. E o amor que eu antes tinha pela mãe deles foi virando um amor por três, um amor pela família que não era minha. Eu me cobrei como pai e exigi tudo o que eles poderiam ser como filhos.
E quantas vezes um deles não veio me mostrar algo incrível, e eu não deixei porque não tinha tempo? Quantas vezes os impedi de falar sobre a nova série, o novo jogo, o novo livro, porque havia "trabalho importante" a ser feito? Hoje, olho para dentro de mim, com os olhos do passado, e encontro momentos em que eu poderia ter estado mais com eles, em que eu deveria ter mandado às favas aqueles chefes que sequer sabiam meu nome, nem que eu tinha filhos e família e que devia ser exemplo. Olho para trás com a percepção de que devia ter sido mais presente, mais amigo, mais amoroso. Mais pai.
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