Perguntei aos meus pais: “Posso comer só a sobremesa?” “Sim”, me disseram. “E posso jogar videogame até mais tarde, e faltar à escola amanhã?”, arrisquei um teste mais desafiador. “Claro, filho! Pode ligar o videogame na TV da sala, que é maior“, me responderam, com um sorriso nos lábios. Eu sabia que eles não podiam me dizer a palavra proibida. Eles teriam que me dar o universo, teriam que concordar com tudo o que eu dissesse, e teriam que assentir seja lá o que fosse dito. Agora, eu podia tudo. Fiquei intrigado. Se era possível me permitir tudo isso, por que é que nunca me deixavam fazer essas coisas? Se agora era possível me dar apenas afirmativas, qual a razão de todas as negativas que haviam me dado até aquele momento? Sem entender, perguntei, por fim: “Vocês me odeiam?” Vi o sorriso de mamãe murchar. O ‘s’ do sim chegou a se formar em seus lábios - afinal, ela só poderia me falar isso. Papai pigarreou e pareceu engasgar. Os olhos de mamãe me olharam, piedosos e marejados. Ela não conseguia dizer ‘Não, claro que não, nós te amamos!’, porque o ‘não’ parecia ter sumido da sua mente. Ela começou a chorar copiosamente, abraçando-se a papai, que, com força, apertava os olhos, entre soluços. Não; eles não eram capazes de dizer “sim” para tudo, não importava qual fosse a mandinga de um Deus ou um Diabo qualquer. Mamãe me olhava em súplica. Ela não tinha uma resposta possível - e se negava a me dizer a única palavra permitida naquele jogo idiota. Senti o quanto me amavam e o quanto havia sido dolorido, para eles, todos os ‘nãos’ que já haviam me dado. “Quer saber?”, eu disse, por fim, “Vamos parar com essa brincadeira? Desejo que vocês voltem a poder me dar todas as respostas que eu mereço e preciso ouvir”.
Escravos da solidão, os lábios meus: Que, dos teus, nem sequer guardam a frescura... E ora repetem, incansáveis: “adeus”...
Diabos que são, meus olhos, à procura Das tuas meninas, envoltas em celeste Azul, e de lembrar tanto me tortura.
Ausente coração, pulsação agreste De um sedento e árido, que, de ti, ‘Inda espera o teu coração, que me deste.
Serpente da ilusão, qual deusa tupi: A esperança que tenho em ter, meu Deus, Você; olhos, coração, lábios, aqui.
Aqui, logo abaixo, tem o poema completo (as partes II e III). Eu acho esta parte I linda, mas as outras duas são ainda melhores. Se você gostou desta parte, que tal ler o poema completo por R$1,00?
Estou só - ela não vem... Deve ter mais com o que se preocupar do que com este pobre mortal, que sem esperanças, perde por esperar pelo exato instante em que soa a campainha, em sublime sinfonia, indicando que a espera não foi à toa, e que ela lembrou-me neste dia... Devaneios, apenas; mais nada; Não devo esperar que, como por acaso, num belo conto de fada, ela me apareça e me jure amor; Não devo, enfim, esquecer da vida, na esperança de que, um dia, ensolarado, brote em mim, algo que me convida a, por ela, mais ficar apaixonado.
Entretanto, será, Meu Deus, então, que a felicidade é algo tão deslumbrante que a espera por ela me é em vão; Queria apenas acreditar, por um instante, que pudesse eu avistá-la, pela porta entrando, tão maravilhosa, fazendo-me seu, ante seus olhos, seus lábios! Mas, não...
Mas, não; recuso-me a aceitar que seja isso, e só isso, a felicidade: Prefiro correr o Mundo; sem asas, voar; a procurar ser feliz de verdade; ainda que me arrisque, por não esperar, que um dia me doa, por dentro, a saudade.
Vamos deixar uma coisa bem clara: Ou vivo no teu abraço eternamente Ou, de viver, me canso, de repente, Deixando de sonhar como sonhara;
Vou deixar claro que te adoro, minha cara: Amo-te tanto, e tanto, e quando a gente Extravasa, assim, a paixão que sente, Nossa vida a nada mais se compara.
Deixando claro, destarte, que te venero, Aponto já que teu beijo ainda espero, Pra viver e enfim trilhar a minha estrada;
E só te peço, nesta hora, que me faça O teu servo, o teu Deus, a tua caça; A tua vida, o teu Tudo e o teu Nada.
Fora do Tempo - 0 e 1 Tive uma ideia aqui: E se eu colocasse o primeiro capítulo do meu livro, em epub, pra degustação? Assim, quem quisesse conhecer um pouco mais de "Fora do Tempo" poderia ler este primeiro capítulo - e, caso se interessasse pela história e quisesse saber como ele se desenvolve, poderia adquirir o livro (físico ou em e-book) aqui mesmo, na Literunico...
Deixem-me pensar... 樂
Já pensei. Achei uma ideia interessante. Lá vão o Capítulo 0 e o 1, de brinde pra vocês. Leiam e me digam nos comentários: vale a pena adquirir o livro?