Poema em Língua Reta Mais um super poema a R$ 1,00!
O poema de hoje é grande. BEM grande. E complexo. BEEEM COMPLEXO. São páginas e páginas de poema em diversas línguas, rimado e estruturado. Há rimas com palavras de idiomas diferentes (são "mais-que-preciosas", eu diria). É um dos que mais gosto, mas é pra poucos. Estejam preparados... Tem muitas citações de outros poetas, alguns em português, outros na língua original, e outros, ainda, em uma terceira língua. Quem será que vai descobrir o maior número de referências?
Sou homem de uma mulher só; não sou daqueles Que às primeiras aventuras mancham o amor... Fazem do amor como que uma reles Farra de verão, sem amanhã, nem dor;
Não, não sou assim... necessito ser fiel Para estar feliz, pra me satisfazer: E apenas uma alma me levará ao céu E por ela, somente por ela, irei viver.
Só se deve ter uma mulher na vida, E é a ela que viverei a cada instante: Não se serve a dois senhores, nesta lida,
Sem que se traia ambos - este não sou eu! Sou homem de uma só mulher, e, não obstante, Sou teu.
*Para o poema a seguir, eu sugiro o seguinte: Em algum lugar desse post, eu inseri o vídeo de uma música chamada "Cantabile", de um pianista de jazz chamado Michel Peteucciani. Coloquem para ouvir, e, depois que começar, leiam o poema... Foi assim que o fiz, e percebi que, sem a conexão com a música, o poema muda um pouco o clima...
O vídeo é de 1998, uma de suas últimas apresentações.
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Brumas que se movem sobre a superfície, Dançante união dos três mundos de Escher, Flutuando no sal que há demais no Morto. O sal.
Passos que flutuam sobre a areia clara, Elefantes que se movem nas pontas dos dedos, Abanando as orelhas aos ventos do sul. O sul.
Sombras que se apoiam nas copas das árvores, Árvores ao vento, a balançar, fugazes. Folhas que planam e secam sob o sol. O sol.
Cores que se mesclam a dançar nas nuvens. Olhos que repousam sobre a sombra fresca. Asas abertas a siar no cio. O cio.
Nuvens que naufragam no azul celeste, Horizonte de eventos de onde não há mais volta. Almas de dois amantes a galgar o céu. O céu.
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Michael Peteucciani foi um pianista de jazz, um dos mais notáveis da sua geração. Ele nasceu com uma deformidade chamada "Síndrome dos ossos de vidro", que causa fragilidade óssea e impede o crescimento. Ele chegava a quebrar as falanges dos dedos ao tocar piano. Apesar disso, sempre superou a dor, e, usando um piano adaptado ao seu tamanho, nos deu interpretações maravilhosas como "Cantabile". No último dia 06, rememoramos 26 anos de sua morte; morreu aos 38 anos, por complicações da síndrome.
De repente, levantou-se da cama. Há muito não sentia o chão sob os pés. Andou sem dor; alcançou na mesa uma foto. Olhou para a cama, lar dos últimos anos, onde a foto chorava. Por fim, viu a sombra de uma velha conhecida o chamar da janela, e, sem medo, deu-lhe o braço rumo à longa viagem.
Perguntei aos meus pais: “Posso comer só a sobremesa?” “Sim”, me disseram. “E posso jogar videogame até mais tarde, e faltar à escola amanhã?”, arrisquei um teste mais desafiador. “Claro, filho! Pode ligar o videogame na TV da sala, que é maior“, me responderam, com um sorriso nos lábios. Eu sabia que eles não podiam me dizer a palavra proibida. Eles teriam que me dar o universo, teriam que concordar com tudo o que eu dissesse, e teriam que assentir seja lá o que fosse dito. Agora, eu podia tudo. Fiquei intrigado. Se era possível me permitir tudo isso, por que é que nunca me deixavam fazer essas coisas? Se agora era possível me dar apenas afirmativas, qual a razão de todas as negativas que haviam me dado até aquele momento? Sem entender, perguntei, por fim: “Vocês me odeiam?” Vi o sorriso de mamãe murchar. O ‘s’ do sim chegou a se formar em seus lábios - afinal, ela só poderia me falar isso. Papai pigarreou e pareceu engasgar. Os olhos de mamãe me olharam, piedosos e marejados. Ela não conseguia dizer ‘Não, claro que não, nós te amamos!’, porque o ‘não’ parecia ter sumido da sua mente. Ela começou a chorar copiosamente, abraçando-se a papai, que, com força, apertava os olhos, entre soluços. Não; eles não eram capazes de dizer “sim” para tudo, não importava qual fosse a mandinga de um Deus ou um Diabo qualquer. Mamãe me olhava em súplica. Ela não tinha uma resposta possível - e se negava a me dizer a única palavra permitida naquele jogo idiota. Senti o quanto me amavam e o quanto havia sido dolorido, para eles, todos os ‘nãos’ que já haviam me dado. “Quer saber?”, eu disse, por fim, “Vamos parar com essa brincadeira? Desejo que vocês voltem a poder me dar todas as respostas que eu mereço e preciso ouvir”.
Escravos da solidão, os lábios meus: Que, dos teus, nem sequer guardam a frescura... E ora repetem, incansáveis: “adeus”...
Diabos que são, meus olhos, à procura Das tuas meninas, envoltas em celeste Azul, e de lembrar tanto me tortura.
Ausente coração, pulsação agreste De um sedento e árido, que, de ti, ‘Inda espera o teu coração, que me deste.
Serpente da ilusão, qual deusa tupi: A esperança que tenho em ter, meu Deus, Você; olhos, coração, lábios, aqui.
Aqui, logo abaixo, tem o poema completo (as partes II e III). Eu acho esta parte I linda, mas as outras duas são ainda melhores. Se você gostou desta parte, que tal ler o poema completo por R$1,00?