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Tiago Bianchini Fidalgo
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Público
Quando Morrer
#Desafio 365 Dias (021 de 365)

Hoje, inspirado pela @MarU , o tema é "Morte".
Calma, calma... ela é uma pessoa adorável e eu desejo que ela continue viva por muuuuuito tempo...  Mas ela postou um poema nesse tema (aliás, belíssimo, como sempre), e eu lembrei de dois poemas antigos que havia feito...

Então, vou fazer assim: este - "Quando Morrer", vem no post gratuito, como parte do #Desafio 365 dias. O outro, vocês podem ler por apenas R$ 1,00. Garanto que vale cada centavo.

Vou deixar as capinhas deles aqui, só porque sim.

Público
Mais um poema daqueles...
#Desafio 365 Dias (019 de 365)

Sonhar é para os fortes;
Somente alguns têm o dom de sonhar acordado,
E desses, Deus, que ama a tudo e a todos,
Não deixa de ter um especial carinho.
Sonhar é apenas para aqueles
Que um dia, por acaso ou persistência,
Encontraram finalmente a Grande Verdade da Vida:
Que o sonho, antes de tudo,
Não é só um desejo escondido no fundo do peito;
É também o futuro daqueles que ousam
Acreditar de coração naquilo que desejam.

Sonhar é para poucos;
Dessem mil anos para que todos se sentissem capazes de realizar
tudo aquilo que têm na cabeça, mesmo os sonhos mais malucos,
E seria ainda assim muito pouco tempo,
Pois somente uns poucos têm a graça de saber
Que a mesma fé que leva ao sonho, leva à sua realização.
É preciso que se sonhe
Daqueles sonhos difíceis de se cumprir,
Daqueles que nem mesmo sabemos como realizar,
Mas antes de tudo, e acima de tudo,
Há que conservá-los em mente
Ao lado da capacidade de crer, porque
Se Deus dá um sonho ao Homem,
Dá também a coragem e a fé para realizá-lo.

Sonhar é tudo
É o melhor modo, e o mais seguro
De conquistar;
É a melhor maneira que Deus encontrou
De nos fazer realmente Senhores do nosso destino.
E aquele que toma conhecimento deste pequeno grande detalhe
Jamais voltará a ser um alguém triste.
Temos o direito de realizar nossos sonhos
Pois o que seria deles, e, enfim, qual a sua função,
Senão dizer ao nosso destino:
“Cumpra-se este desejo!”
O destino nada é, senão
Aquela fada das histórias antigas
Sempre disposta a nos presentear
Com tudo aquilo que desejamos com fé e amor no coração.

Sonhar é uma dádiva;
É algo que nunca pode ser banalizado, nem mesmo
Quando os obstáculos que temos à nossa frente
Nos impedirem de ver com clareza o fim da estrada, o final feliz
Dos nossos sonhos realizados, por mais que pareçam
distantes ou impossíveis
Porque, afinal de contas, os obstáculos não estão à nossa frente
Para nos levar ao fracasso, e sim para
Que sejam superados, e, assim, valorizar e dar méritos aos nossos feitos.
É por isso que sonho, sem medo nem dúvida:
Porque enquanto tiver o dom de acreditar nos meus sonhos,
Não haverá um que não me seja alcançado.

Nem todos os sonhos são eternos:
Há também aqueles
que se transformam
em realidade.
Público
As Flores
(016 de 365)

I
Flores, que desabrocham,
Como a vida alva a emergir,
E em botões que, ao surgir,
Com o tempo, desacocham;

Como vos aproveitares
De tão adoráveis criadas:
Ofertando às amadas,
Enfeitando vossos lares.

Dando à mestra, com ternura,
Despetalando-te inteira,
Colhendo-te da terra dura

Que só com ti nos presenteia;
Só em ti vemos doçura:
És sangue de nossa veia.

II
Flores, que do mal nascem
Quando a vida expirar
Sobre esta, vêm pousar,
Como se a morte saudassem.

Mórbido, o corpo velado
Pelo olhar lúgubre e tolo,
Tem, num tétrico consolo,
Vossa presença a seu lado.

E no murchar dos amores,
Esse incenso imortal
Que enfeitam nossas dores;

Essa lembrança fatal
Vem de ti, ó belas flores
De perfume funeral.

(Dois sonetos, para a vida e a morte)
#desafio 365 dias
Público
Gdánsk
(015 de 365)

Coloquei os olhos para fora da casa,
Para tentar ver um rosto amigo.
Vi as paredes de tijolos descascados,
Com panfletos colados, clamando pelo povo,
Recobertos pela fuligem das esteiras dos Panzer.

Tentei espiar algum movimento:
Agucei os ouvidos para tentar escutar
Se diziam algo aqueles velhos homens de casaco
A dar miolos de pão aos cães na calçada;
Se ainda havia sons na Dom Sprzyja
Onde as antigas prostitutas se engalfinhavam
Pelas carícias e moedas dos clientes.
Tentei abrir as narinas
Para captar o cheiro doce das broas de milho,
O cheiro acre da peixaria às sextas
O cheiro da urina dos gatos, a passear na guia.

Não consegui: o único movimento
Vinha das ratazanas a arrastar pedaços
Das carcaças dos Bohaterowie, ainda pelo chão.
O mais alto som ainda vinha
Do gorgulhar das pombas a entrar e sair
Dos telhados arrancados pelas bombas,
E dos buracos arrombados nos tijolos descascados.
As narinas só puderam captar
O resto de enxofre da pólvora,
Da carne queimada dos mieszkańców,
E do esperma alemão, sobre o sangue já seco
Das damas da Dom Sprzyja.

Coloquei os olhos para fora da alma
Para tentar ver um olhar de volta
Vindo de outra alma perdida.
E apenas vi olhares dispersos
Dos antigos soldados, a servir de cama
Para as moscas varejeiras,
A lembrar-se do fim das nossas vidas,
Da nossa Polska,
No dia primeiro e último, em Westerplatte.

Os que destruíram já se foram;
Não queriam nada aqui, apenas a destruição
Pela simples destruição.
O pó ainda revoa ao vento,
Sem achar lugar para repousar,
Nublando ainda mais o dia já nublado.
Zmiłuj!...
Vernichtung.
Os que destruíram não destruíram
Apenas casas, lojas e pessoas.
Destruíram a mim.
Destruíram a si mesmos.
Não sou mais nada.
Nem eles, tampouco.

Coloquei os olhos para fora da vida,
Para tentar não ver mais;
Para olhar com os olhos da saudade
Aquelas tardes alegres de sol
Amarelando os vermelhos tijolinhos descascados...

(Gdansk era o antigo nome da cidade polonesa de Danzig, antes da sua destruição na II Guerra. Preferi me referir ao noe original, como lembrança dos moradores mortos)
Público
Não mereces um poema
(014 de 365)

Não mereces um poema;
Nenhuma palavra no Mundo poderá dar
A real dimensão da tua grandeza;
A verdadeira descrição da tua beleza:
És bela, somente, na sua pele fresca como a manhã;
Expiras alegria e paz por todos os poros,
E teu sorriso contido no canto dos lábios espessos,
E teu olhar suave, e teus olhos grandes e serenos
Falam-me n’alma mais que qualquer jura de amor.

Por isso não mereces um poema;
Qualquer poema que este tolo trovador pudesse compor,
Por mais perfeito que fosse,
Seria uma ofensa brutal à tua singeleza,
À tua graciosidade.
És divina, és muito mais do que
A sabedoria humana consegue definir.

Não mereces, Amor, um poema;
Mereces muito mais que isso: mereces um Amor,
Que é a melhor forma que o Homem encontrou
De dizer: “Muito obrigado por existires”
E que, também, é o único sentimento
Verdadeiramente digno de habitar o teu peito.

Não mereces poemas;
E nem precisa deles; já és por demais elevada
És mais que qualquer poesia; és uma oração
Que a mim, pobre mortal, cabe apenas repetir, em ladainha:
És, por excelência, senhora de todos os corações do Mundo
Ao mesmo tempo em que és tão simples, tão pura,
Qual uma criança na sua inocência; tal qual uma flor.

Não mereces poesias;
Mereces ser feliz; mereces amar
Mereces que a própria Criação se curve ante seus pés
Para reverenciar-te, com emoção, e abençoar-te;
Mereces que a própria vida que emanas do teu olhar
Seja tua escrava, tua ama, a lhe fazer as vontades.

Mereces alguém que te faça feliz
Mereces alguém que te sinta na pele; que te faça se sentires viva.
Mereces mais que palavras, mais que gestos de carinho:
Mereces um Amor Sincero.

Como eu.