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De um sonho, nesta madrugada.
Às vezes, precisamos deixar os sentimentos irem embora.
Obrigado pelo abraço, amigo!
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Tiago Bianchini Fidalgo
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Inspiração Enterna
2.5.1. 7 de abril Depois daquele dia, Simão parecia mesmo muito perturbado. Ao chegar em casa, viu aquela espécie de pavor contido que saltava dos olhos da sua esposa e da sua filha. Tinha sido chamado pelos soldados – malditos romanos! – para ajudar a carregar a cruz de um condenado. – Tudo bem? – perguntou a esposa. Não respondeu. Foi até o quintal e serviu-se de água. – Vá descansar, Simão. Amanhã é dia santo e teremos o dia cheio. Foi esticar o corpo na rede da varanda. Pediu uma cerveja para a filha; tinha deixado uma garrafa no freezer, desde manhãzinha. A mulher sentou-se ao seu lado: – Estava pensando em fazer peixada amanhã. A gente podia tentar vender umas peixadas no almoço; nesses dias ninguém gosta de cozinhar mesmo. Pode ser que dê prá levantar uns trocados. Permaneceu em silêncio. A mulher tentou disfarçar certa naturalidade, mas acabou não aguentando: – Simão, fala comigo!... Diz! Aquele preso te disse alguma coisa? Ele te ameaçou, te maltratou? – Não diga besteira, Clara! – suspirou finalmente – Aquele pobre coitado mal conseguia se sustentar de pé... Os romanos fazem as bobagens e depois quem fica com a pior parte somos nós. Se não tivessem batido tanto naquele rapaz, ele conseguiria carregar sua cruz igual aos outros. – Ah, então foi a cruz!... Olha só, seus ombros! Todos vermelhos, inchados! Você está sangrando, Simão! – Não; o sangue é do preso... Tive que carregar os dois: a cruz e ele. A mulher ficou apreensiva. Depois, para fingir não estar preocupada, levantou-se e foi falando enquanto punha a roupa no tanque: – Ah, mas que judiação! Onde já se viu, surrar o pobre daquele jeito! Antes matasse, de uma vez!... A Sarinha da pastelaria disse que eles estavam com raiva do moço por causa de uma confusão no Templo, outro dia. Eu não sei não. Esses romanos só servem prá por medo no povo! A gente já nem sabe mais em quem confiar; se nos bandidos do morro ou nos soldados. Eu ouvi Dona Jurema, do cabeleireiro, dizer que tem mais deles espalhados pela cidade. Você acredita só que outro dia... – Clara, me deixa em paz! A mulher resignou-se. Pegou a filha pelo braço, puxando-a para fora da sala. – Vem, Ametista. Deixa o teu pai descansar. Vai brincar lá fora e não venha fazer barulho, que ele tá nervoso... Simão ficou pensativo por várias horas. Esqueceu-se do jogo que ia passar na TV; a lembrança daquele olhar não lhe saía da cabeça. E se aquele homem estivesse falando sério... E se ele fosse mesmo alguém muito importante, um Rei, como se dizia... Tudo bem, que aparecem loucos dizendo que são Deus todos os dias, em toda esquina, mas e se um dia algum deles estiver certo, estiver falando a verdade? A cerveja acabou. Estava quente – ele precisava desmontar aquele freezer, qualquer dia desses, para descobrir o problema. Onde já se viu, em pleno Sol do Deserto e a geladeira não funcionava... Acabou pegando no sono ali mesmo, poucos minutos antes da mulher trazer a filha prá dentro por causa do temporal que vinha vindo. * * * * Acordou no dia seguinte com uma baita dor nas costas. Foi só o corpo esfriar, e a dor causada pelo excesso de peso do dia anterior veio com tudo. Resolveu ir bater uma sinuquinha com os colegas, prá passar o sábado. – Você viu só a tempestade desta noite? Pensei que ia destelhar toda a casa! A Joana ficou em desespero; se encolheu num canto e ficou rezando, dizendo que era castigo, que tinha sido sacrilégio crucificar gente assim tão perto da Páscoa... – contava um companheiro de jogo. Mas Simão ainda estava matutando. Os colegas perceberam a mudança, mas ninguém se atreveu a perguntar nada. Depois foi à feira; precisava comprar umas coisinhas prá mulher fazer a tal da peixada. Desceu o morro, entrou e saiu de alguns botequins, estava escolhendo umas frutas nas barraquinhas: “Olha o damasco!!! Quem vai querer? Mocinha bonita não paga mas também não leva! Pega, minha senhora, vê só que qualidade!” “Uvinhas fresquinhas! Uvinhas frescas prá páscoa! Vamos levando, minha gente!” Escolheu algumas romãs, um pouco de amendoim e umas azeitonas; deteve-se um pouco na banca dos peixes. De repente, tumulto nas barracas. Um homem havia passado a mão num jarro de vinho e se desembestava a correr no meio das bancas. Trombou com Simão, gritou, xingou, mas foi pêgo. Em questão de segundos – sabe como esse pessoal do morro é ligeiro – estava formada a roda: “Quem roubou a minha barraca?” “Foi ele, seu moço!” “Cadê o desgraçado?!” “Foi um daqueles lá” “Quem foi que mexeu nos jarros?” “Ninguém viu, ninguém viu” “Vaza daqui, antes que a boca fique quente pro teu lado!” “Olha a maçã, minha senhora, leva que tá fresquinha!” Ninguém sabia quem tinha roubado o quê. Só deu prá ver, no meio da confusão, alguém gritar: – Ei, aquele não é o Barrabás, que tava preso no Galiléia I ? – É ele! Nossa!... Não disseram que o Galiléia I era de segurança máxima? – Presta atenção! Esses caras vivem melhor do que a gente! Têm até celular lá dentro! Deve ter dado um trocado prá guarda, e deixaram ele sair. – Foi ele que roubou o vinho? Nisso Barrabás já se havia levantado: – Aê, mano... Eu tô com gente minha lá no meu barraco, certo?!... Tá tendo pagode, tô levando uns goró pro pessoal bebê, firmeza?... Deixa eu passá senão vai ficá piqueno prá vocês, certo?... A povarada foi dando passagem. Esses bandidos, quando saem da cadeia, parecem que ficam piores. Simão ficou lá no chão; ombros doloridos, roupa amarrotada. Alguém perguntou: – E esse, quem é? – Não sei... será que é da mesma quadrilha? – Não sei não... Aí alguém reconheceu: – Ah, eu vi esse homem! Eu vi esse homem!!! Ele estava carregando uma cruz ontem mesmo! Só pode ser marginal igual os outros! – Ah, eu sabia! Essa cara de santo, condenado à crucificação! Olha o ombro dele, todo inchado!!! Vai dizer que não era você?! – Nã-não!! Não é isso... Eu só estava... – Sem-vergonha! Descarado!!! Roubando vinho de um cidadão trabalhador! Mal escapou de uma pena, já tá cometendo mais crimes!!! – Essa raça, tinha que matar tudo!!! Bando de desgraçados!!! – É por causa de gente que nem você que o morro tem fama de violento! – Agora você vai ver o que é bom! – Vamos dar uma lição nele! Simão estava perplexo demais para esboçar qualquer reação. Na sua mente corriam milhões de coisas prá lá e prá cá. A dor nas costas. O peso da cruz. A cerveja quente. O Barrabás trombando nele. O feriado. A tempestade. O maldito soldado Romano. E, no meio de tudo, aquele olhar, aquele rosto ensanguentado que parecia lhe dizer milhões de coisas, sem que abrisse a boca. Aquele olhar, aquela força estranha que, de repente, explicava tudo. Foi quando lembrou dos peixes e da peixada e da Clara que estava esperando que a multidão, enfurecida, começou a atirar as pedras. Ler mais
@tibianchini :
Um conto curtinho em tamanho, mas imenso em qualidade.
Uma ótima maneira de conhecer a escrita deslumbrante de Mari Adriano.
Agora vocês não têm desculpas... Bora ler e conhecer!
Ah que fofo, o threads tá colocando uma florzinha de cerejeira quando a gente curte os posts nesse tema, em homenagem à época de floração no Japão.
Sabiam que eu tenho um conto que fala sobre ichigo ichie ("uma vez, um encontro", em japonês), e que conta a história de uma cerejeira e um ipê?
Um conto curtinho em tamanho, mas imenso em qualidade.
Uma ótima maneira de conhecer a escrita deslumbrante de Mari Adriano.
Agora vocês não têm desculpas... Bora ler e conhecer!
Ah que fofo, o threads tá colocando uma florzinha de cerejeira quando a gente curte os posts nesse tema, em homenagem à época de floração no Japão.
Sabiam que eu tenho um conto que fala sobre ichigo ichie ("uma vez, um encontro", em japonês), e que conta a história de uma cerejeira e um ipê?
@tibianchini :
Pois a gente divulga pra você, Ana!
Estou fazendo tantas coisas, estudando tanto pra alcançar um sonho, que não tenho conseguido me dedicar a outras coisas que são importantes e geram renda pra mim.
Não tenho conseguido divulgar meus livros:
✨️Desejo Sangrento, livro 1
✨️Sombras Sangrentas, livro 2
Ambos na Amazon Abrir link
Pois a gente divulga pra você, Ana!
Estou fazendo tantas coisas, estudando tanto pra alcançar um sonho, que não tenho conseguido me dedicar a outras coisas que são importantes e geram renda pra mim.
Não tenho conseguido divulgar meus livros:
✨️Desejo Sangrento, livro 1
✨️Sombras Sangrentas, livro 2
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O que eu mais queria era um abraço
A pele se deixando tocar,
O sentir-se envolvido sem estar preso,
O encontrar o mundo nos braços alheios
O que eu mais queria, mesmo,
Era sentir a lágrima caindo e encontrando colo,
Sem perguntas e sem pressa:
Apenas cumplicidade e abrigo.
Um abraço. O melhor jeito de dizer:
"Estou aqui, com você,
E isso não basta, mas alivia,
Pelo menos nesse instante."
Abraço - a alma aberta, sem malícia,
Amizade num gesto, que conforta
Uma cabeça cheia de derrotas e incertezas,
Um corpo que já vive no último fio.
E talvez esse abraço me desse a certeza
de que algum alívio ainda é possível,
Nos dias em que a alma cansa antes do corpo,
E que o choro pudesse vir sem freio,
E que a paz fosse possível, ao menos naquele momento.
Ah, minha amiga! Um abraço, para dar suporte
A mães que passam tanto tempo
Sustentando o céu com os ombros
Que se esquecem de que também podem desabar.
E que você soubesse que, nesse mundo-tempestade,
Há um casebre em pé, entre os meus braços,
Te ajudando a lidar com tudo:
Criança doente, família infeliz, abandono e dor.
E que, nesse casebre, você pode se despir
De toda culpa plantada por este mundo bruto,
E que, assim como o seu bebê, tão sensível,
Você também merece colo.
Merece ser cuidada, e saber
Que não precisa ser forte sempre,
Que tem muitas pessoas para as quais
Você é radiante, luminosa, importante.
E eu, que tanto queria poder acabar
Com todos os seus problemas,
E te apertar até que as sombras fossem embora,
Hoje, longe, tudo o que minhas mãos alcançam,
E que posso te dar, é este poema,
Mas tudo o que eu mais queria
Era poder te dar um abraço.
A pele se deixando tocar,
O sentir-se envolvido sem estar preso,
O encontrar o mundo nos braços alheios
O que eu mais queria, mesmo,
Era sentir a lágrima caindo e encontrando colo,
Sem perguntas e sem pressa:
Apenas cumplicidade e abrigo.
Um abraço. O melhor jeito de dizer:
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E isso não basta, mas alivia,
Pelo menos nesse instante."
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Uma cabeça cheia de derrotas e incertezas,
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E que o choro pudesse vir sem freio,
E que a paz fosse possível, ao menos naquele momento.
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Sustentando o céu com os ombros
Que se esquecem de que também podem desabar.
E que você soubesse que, nesse mundo-tempestade,
Há um casebre em pé, entre os meus braços,
Te ajudando a lidar com tudo:
Criança doente, família infeliz, abandono e dor.
E que, nesse casebre, você pode se despir
De toda culpa plantada por este mundo bruto,
E que, assim como o seu bebê, tão sensível,
Você também merece colo.
Merece ser cuidada, e saber
Que não precisa ser forte sempre,
Que tem muitas pessoas para as quais
Você é radiante, luminosa, importante.
E eu, que tanto queria poder acabar
Com todos os seus problemas,
E te apertar até que as sombras fossem embora,
Hoje, longe, tudo o que minhas mãos alcançam,
E que posso te dar, é este poema,
Mas tudo o que eu mais queria
Era poder te dar um abraço.
tibianchini 22/3/2026
tibianchini 21/3/2026
tibianchini 19/3/2026
Ateliê
Meu amor é tinta diluída,
Nas saudades de uma pincelada;
E diante da tela calada,
Onde eu pinto esta minha vida,
Em luz-e-sombra, em cor esquecida
No cinza-claro, onde está traçada
Em tinta-a-óleo, sem dizer nada,
A minha Monalisa perdida;
És tu o brilho alvo do céu
Que guia sempre este meu pincel
Por sobre o pano, que esta dor corta;
És a mulher que me dá cor bela,
Enchendo de vida esta tela
Da minha vã natureza-morta.
Tiago Bianchini - 1996
Meu amor é tinta diluída,
Nas saudades de uma pincelada;
E diante da tela calada,
Onde eu pinto esta minha vida,
Em luz-e-sombra, em cor esquecida
No cinza-claro, onde está traçada
Em tinta-a-óleo, sem dizer nada,
A minha Monalisa perdida;
És tu o brilho alvo do céu
Que guia sempre este meu pincel
Por sobre o pano, que esta dor corta;
És a mulher que me dá cor bela,
Enchendo de vida esta tela
Da minha vã natureza-morta.
Tiago Bianchini - 1996
Poema feito na Praia
Pudesse eu mostrar meu grande amor
Perto de ti, sei que não ias me negar
O teu amor;
Se pudesse eu, junto de ti, ficar,
Te daria tanto, que pedir-me-ia enfim
Para ficar;
E sei que, se dissesses o que sentes por mim
Do fundo d’alma, voltarias, menina,
Para mim;
E teria de novo tua presença, tão divina,
E dia e noite rogaria por teu nome:
Divina.
Ti Bianchini -2001
Pudesse eu mostrar meu grande amor
Perto de ti, sei que não ias me negar
O teu amor;
Se pudesse eu, junto de ti, ficar,
Te daria tanto, que pedir-me-ia enfim
Para ficar;
E sei que, se dissesses o que sentes por mim
Do fundo d’alma, voltarias, menina,
Para mim;
E teria de novo tua presença, tão divina,
E dia e noite rogaria por teu nome:
Divina.
Ti Bianchini -2001