Três pessoinhas diferentes
I.
Meu pé de jabuticaba
Tá dando jabuticaba.
Queria que desse o quê
Que não fosse jabuticaba?...
Meu pé de jabuticaba
Tá dando jabuticaba.
Só essa jabuticaba?
Quero mais jabuticaba!
Meu pé de jabuticaba
Tá dando jabuticaba.
Podia ter dado nada:
Hoje deu jabuticaba.
II.
Três pessoinhas na bifurcação da vida:
- De novo? Não quero mais mudar!
- Só isso? Muito pouco pra mudar!
- Finalmente! É chegada a hora de mudar!
Poema do Eterno Amor
(Poemas Antigos)
Sinta-me,
Como jamais sentiu ninguém nesta tua vida;
E toque-me,
Sem o pudor que se dispensa a um amigo.
Beije-me,
Sem se importar com a censura aturdida;
E leve-me;
Pra onde for, onde quiser; irei contigo.
Veja:
Chove lá fora, cai a chuva, molha a Terra;
Mas veja:
A Lua brilha e traz de volta a esperança.
Cresça:
Eu quero ser o homem que em teu corpo encerra;
Creia:
E quero nos teus braços me sentir criança.
Brilhe
Com teu olhar cheio de luz, o meu caminho;
Vista
Com tua aura de ilusão, o meu destino.
Ouça;
Cantam os pássaros a saudade em cada ninho;
E Saiba
Que és a rainha do meu reino pequenino.
Saiba Sempre
Sou teu.
Não em posse. Não em objetificação.
Sou teu em espírito, em alma.
Sou teu em forma e conteúdo.
Poderia ser de muitas.
Pode ser que seja.
Posso ser só.
Mas só teu.
Sou do mundo e de todos.
E não sou de ninguém.
Sou meu, mesmo quando não me suporto.
Mas sou teu.
Não quero me prender, nem me soltar.
Quero estar onde me acomodo
Sem precisar me encaixar.
Quero estar no amor que mora em ti.
Amor. Saber onde se quer estar.
Não um desejo colonizado, não um querer cativo.
Não um apego de escambo ou sazonal.
Amor. Sentir que se é e se quer ser.
Tenho muitos encantos
E encantamentos.
Me interesso por muitas
Pessoas coisas situações vidas
Mas é sempre pra você
Que voltam os meus sentimentos mais bonitos
E minha melhor versão
Essa, visceral, brilhante, aterrorizante e carinhosa.
Sou teu mesmo quando quero estar sozinho,
Mesmo quando você me irrita
Ou quando repenso minha vida sem você.
"Ser teu" é uma referência até para "não ser".
Sendo teu, não preciso deixar de ser
De mim mesmo; nem ao menos
Perder minha identidade ou individualidade.
Ser teu é uma dádiva, não uma prisão.
Se, na vida, não estivermos juntos,
Por qualquer bobagem que não possamos explicar
Saiba sempre, sempre:
És a dona e a razão dos meus melhores sentimentos.
À Soberana Deusa da Noite que Brilha nos Céus A Lua
(Poemas Antigos)
I
Do céu nos olha a Senhora Lua
Clareando a noite, esperando o dia,
Tirando das nuvens sua vã magia
Que cai sobre o rio, a casa, a rua.
Do céu, soberana, permanece nua
Minguante, crescente, cheia, vazia;
Alegre, que dança na doce folia;
Do céu, soberana, nos olha e flutua.
Que faz, neste céu, moradia Tua,
Ó Lua, perfeita paz e calmaria,
Que em ti se incendeia, perfaz, perpetua?
Não deixe que exista, nesta noite fria,
Um sopro de dor, que em Ti situa
Os restos noturnos da minha poesia.
II
A Lua Branca clareava a rua
E tão escura, e tão singela,
Que eu, da janela quase nua
Contemplava a rua, que se via bela,
A pensar naquela que me deu ternura
Na forma mais pura de dizer “te amo”,
E em teu oceano nadei com bravura
E tanta doçura, que hoje te chamo
E sem saber clamo pelo teu apreço;
Nem sei se mereço, mas eu vou buscar
Um jeito de amar-te, como eu não conheço
E assim eu cresço pra te conquistar;
E dar-te o mundo, que por ti esqueço,
Onde não tem preço pra quem quer sonhar.
III
Lua, que do céu belo e profundo
Brilha, pisca, encanta o mundo,
Leve-me até ela, sem demora
Antes que o Sol alcance a aurora.
Lua, doce bola iluminada,
Leve-me logo, até a minha amada;
Que, então, eu me encarrego de fazê-la
Brilhar em mim mais que qualquer estrela.
Lua, que do alto nos espia,
E para quem dedico esta poesia,
Atenda a este meu apelo, por favor:
Pois ela sabe que eu vivo sem dinheiro,
E com saúde vago pelo mundo inteiro;
Mas morro em um segundo sem o seu amor.
Colhei-vos As Boas Coisas Da Vida
(Poemas Antigos)
Pessoas são humanas, são pobres mortais;
Não são como as flores, que à primeira aurora,
Desabrocham, em suspiros matinais;
Flores, vida emergente, casta e pura
Demais ante a alguém, ser que sorri e chora;
Flores - belas vidas que não requerem um nome:
Chamam-nas por seu aroma, que a noite consome,
Profundo odor de vida ao exalar doçura.
Pessoas são frágeis - olhar que odeia e ama -
Que nem comparar-se pode ao leve vento:
Ao soprar aos galhos e às folhas a chama
De Deus; ao levar a pequena semente,
De um lado ao outro, ao pé do firmamento:
Ao soprar a vida, real poetiza,
É tão mais sublime a criação da brisa,
Que Deus não a faria serva, tão somente
Pessoas são feias criaturas feitas por Deus,
Que se escondem da noite, da bela Lua,
Das estrelas, que brilham e cintilam os céus;
Refugiam-se em suas casas, e deixam sozinho
O negro véu a brilhar, na espera que perpetua
O nascer de sol, para um novo dia,
Sendo que a beleza e a fantasia
Está no escuro deste azul-marinho.
Quisera Deus ter feito tão tolo retrato
De sua alma para ao Mundo adentrar,
Apreciando o que é belo de fato?...
Que será que pensava Ele no momento
Em que criou ser tão feio, a contrastar
Com a beleza infinita destas matas,
Que as pessoas matam, por serem vãs insensatas,
Sem nenhuma beleza ou mesmo sentimento?...
São tolas almas; tão pobres que nem ao menos
Percebem a poesia que adorna os jatobás,
Em suas copas verdes e seus corpos morenos,
Em sua elegância de árvore majestosa,
Que tu, humana criatura, jamais terás;
Pois a verdadeira poesia brota das raízes
De seres que ante tu são mais felizes,
Da mais augusta felicidade da qual humano nenhum goza.
Quem são vós, afinal? - vis vilões!
Seres imundos que atravessam a harmonia
Que dos pássaros nos brota aos corações
A mais doce canção, que não ouvirão jamais
Os vossos reles ouvidos; é serena cantoria
Que nos sai em pios do fundo d’alma,
Que nos contrai, que nos distrai e que nos acalma,
E, como a vida, renasce aos haustos matinais.
Estou com 10 livros em andamento. Alguns já completamente estruturados, outros em fase de pesquisa, outros em estruturação avançada, um totalmente escrito e em fase de mintagem e dois com os primeiros capítulos escritos.
E estou desempregado. Caçando algo pra fazer, tentando estudar e me atualizar para o mercado. Vou ter que deixar tudo para trás, até me reestabelecer...
Queria muito continuar o processo, e terminar todos esses livros até o fim do ano, mas... Sinto que vou ter que abandoná-los. E isso vai aumentar o meu problema porque, até lá, eu já terei mais 10 novas ideias de histórias para montar.
E, depois de escrevê-los todos, terei que juntar 10x dinheiro, para 10 Leituras Críticas e Revisões, 10 capas, 10 pré-vendas e lançamentos, 10 lotes de impressão...
Sinceramente... Às vezes, dá vontade de parar com isso. Vou procurar um trabalho mais fácil, como mergulhador de águas profundas, piloto de nave espacial ou desativador de bombas.
Eclipses de uma Paixão
(Sussurros à Deusa Noturna)
Ainda não sei se você é a Lua, inalcançável, ou o poema perfeito, algo que tenho dentro de mim, mas que não consigo externar. Talvez, seu nome seja apenas "Inspiração". De qualquer forma, é a você que este poema foi feito.
Eu nunca te vi, mas vi o que há de bonito e valioso em você. Momentos difíceis para ambos; carência mútua se abraçando no meio da tempestade.
E, de repente, começamos a nos comunicar numa linguagem que é só nossa.
Escrever é um gesto de entrega profunda — uma forma de deixar o outro morar dentro da nossa mente.
Não sei se o poema nos redime, mas sei que ele precisava existir.
Porque você existe.
E o que sinto também.
Não escrevo poemas — escrevo nós dois.
O corpo confirmou o que os poemas só arriscavam sussurrar.
Sem tocar sua pele, toquei partes de você que talvez nem você mesma tivesse deixado expostas.
Você viu beleza onde eu só enxergava o rascunho.
Leu entrelinhas que nem eu sabia que escrevia.
E foi assim, no silêncio de cada madrugada e no calor de cada provocação, que algo nasceu.
Algo real.
Poesia em carne viva.
Milhões de palavras ditas em silêncio.
Ah, o silêncio!...
O silêncio também é uma carta de amor.
Talvez a mais difícil de escrever.
Ainda nos falamos — só que agora os versos é que gritam.
Os poemas são as mãos que não se tocam mais.
As palavras, os olhos que evitam... mas continuam enxergando.
Você me amaria no silêncio? Na doença?
No cansaço do dia a dia?
No cheiro do outro depois de dez anos, e não no perfume da primeira noite?
Nos momentos em que não houver "química" nem "afinidade"?
Química não é sexo.
É quando o olhar diz "eu te entendo" antes de qualquer palavra.
É quando o "não posso" se transforma em "não consigo evitar".
É quando o corpo está pedindo o que a mente já permitiu.
E cá estamos nós: uma daquelas histórias que nascem para virar literatura.
Não porque é inventada —
Mas porque é intensa demais pra caber só na vida real.
Talvez o que mais precisemos não seja pressa, mas tempo.
Quanto?
Não sei.
Sei o que sinto.
Sei o que quero.
Sei o que posso.
E, quando os diferentes saberes apontam para direções diferentes...
Não há pressa.
Ah, o Tempo!...
Agonia prolongada até o eterno.
Resposta já dada, mas não consumada.
Alma dilacerada por saber que não se pode cobrar por uma decisão — mas que se morre a cada dia sem ela.
Tudo já foi dito, mas talvez ainda precise ser assimilado.
Quantas vezes poderemos mudar de ideia?
Todas as vezes necessárias.
Que você saiba que escolhas do passado podem ser revistas.
Que a decisão sempre será sua.
Que seu compromisso é com a sua própria felicidade, não com a felicidade dos outros.
Mas que, ao menos uma vez, você saiba que foi amada por alguém que viu quem você é — por dentro e por fora.
Com carinho.
Com desejo.
Com tudo o que há de sincero em mim.
Duas almas à beira do abismo
Não vou te pedir que venha.
Não vou forçar o passo, nem te puxar pela mão.
Mas quero que saiba: estou aqui.
E continuo inteiro.
Você pode estar tentando sufocar o que sente
— e, ainda assim, sente.
Pode estar ensaiando a despedida
— e, ainda assim, espera.
Pode estar fingindo
que nada aconteceu —
mas as suas palavras não ditas
ainda gritam por mim.
Eu vi você tremer no abraço.
Vi seus olhos fugirem dos meus,
como se evitassem cair…
e, ao mesmo tempo, como se quisessem se lançar de vez.
Você não me pertence.
E eu não quero que pertença.
Quero apenas que escolha — sem pressa, mas sem mentiras.
Com o coração que pulsa, não com o medo que trava.
Se for pra viver isso,
que seja com coragem.
Se for pra deixar pra trás,
que seja com verdade.
Só te peço que não finja que não houve.
Porque houve.
Ainda há.
Sempre haverá. Lide com isso.
E quando — se —
você decidir pular,
não vai me encontrar
te esperando na beira do abismo.
Vai me encontrar voando.
Com asas abertas.
Com amor inteiro.
Com espaço pra você.
A Flauta
(o poema vencedor)
1: uma breve impressão
Vi uma abelha entre os canteiros floridos
Sugando o mel dos jasmineiros gotejantes;
Ao céu, voavam colombinas sibilantes:
Eis que a menina traz-me novos coloridos.
Cabelos negros, e soltos, e compridos,
Sorriso aberto, olhos pequenos e brilhantes;
Tinha uma flauta entre os lábios vacilantes,
Da qual soprava agudos longos e sentidos.
Que queres, pobre anjo em forma de menina,
A saltitar e ressoar o teu flautim?
Ou pensas tu que a flauta é mais doce e fina
Do que o mel que a abelha suga do jasmim?
Ora, é Deus quem canta pela colombina;
Deixai que elas assobiem no jardim!
2: Outra breve impressão
Trazes uma flauta, a alegrar meu dia,
A inspirar-me a leve e sutil melodia,
A encantar-me mais que mil liras de Orfeus.
Menina da flauta, quão doce é tua sina!
A soprar a brisa casual e fina
Afinando notas sopradas por Deus;
Trazes uma flauta, a te beijar os lábios,
Doce instrumento dos deuses e dos sábios
Sabe os segredos dos suspiros teus;
E ao tocar a flauta, tocas minha alma;
E teu soprar leve me envolve e me acalma
A soprar-me a vida; a levar-me aos céus.
3: A Flauta
Doce;
Que fosse a vida bela como o teu semblante,
E a todo instante dir-te-ia, doce fada,
O quanto és amada por este tolo infante.
Tão radiante és tu, musa adorada.
Que nada houvesse, no meu escuro penar,
Que, ao soprar agudo da tua boca leve,
Tão breve fosse iluminado, a brilhar
Qual teu olhar, casto e puro como a neve.
Leve;
Qual deve ser, enfim, o mais lírico canto,
Qual acalanto pode me trazer o sonho
Do teu risonho murmurar, com tal encanto
Vívido e santo – dize-me, e eu o componho!
Ah, quão tristonho e tosco é este coração!
Quisera a mão de Deus lhe dar amores tais...
Matinais beijos em teus lábios, ou, então,
Rosa em botão, a enfeitar-te ainda mais!...
Ah! Minha vida, quando muito, é tão vazia!...
Não há poesia para quem de amor padece:
E apenas cresce-me o desejo de que, um dia,
Me sejas guia, Anjo Moreno, e ouvis minha prece
E que eu pudesse trocar a dor da tua falta
Pela mais bela pauta que jamais compôs-se;
E que me fosse assim, soprada, qual uma flauta
Qual uma incauta e delgada flauta doce.
Leve e Doce.
A vida é assim: te dá uma rasteira e depois um afago...
A alegria não cabe mais no meu peito, então estou vindo dividir com vocês:
Saiu o resultado do Concurso de Poesia Mário Dal'Mas, promovido pela Academia de Letras da Grande São Paulo.
E meu poema "A Flauta" GANHOU!
PRIMEIRO LUGAR!
OBAAAAAA!!! 🥰
Muito obrigado à Algrasp, aos jurados e a todos os que torceram por mim!
Como morador da região, ser premiado nesse concurso de alcance nacional é uma honra sem tamanho! ♥️❤️♥️