Estou só - ela não vem... Deve ter mais com o que se preocupar do que com este pobre mortal, que sem esperanças, perde por esperar pelo exato instante em que soa a campainha, em sublime sinfonia, indicando que a espera não foi à toa, e que ela lembrou-me neste dia... Devaneios, apenas; mais nada; Não devo esperar que, como por acaso, num belo conto de fada, ela me apareça e me jure amor; Não devo, enfim, esquecer da vida, na esperança de que, um dia, ensolarado, brote em mim, algo que me convida a, por ela, mais ficar apaixonado.
Entretanto, será, Meu Deus, então, que a felicidade é algo tão deslumbrante que a espera por ela me é em vão; Queria apenas acreditar, por um instante, que pudesse eu avistá-la, pela porta entrando, tão maravilhosa, fazendo-me seu, ante seus olhos, seus lábios! Mas, não...
Mas, não; recuso-me a aceitar que seja isso, e só isso, a felicidade: Prefiro correr o Mundo; sem asas, voar; a procurar ser feliz de verdade; ainda que me arrisque, por não esperar, que um dia me doa, por dentro, a saudade.
Vamos deixar uma coisa bem clara: Ou vivo no teu abraço eternamente Ou, de viver, me canso, de repente, Deixando de sonhar como sonhara;
Vou deixar claro que te adoro, minha cara: Amo-te tanto, e tanto, e quando a gente Extravasa, assim, a paixão que sente, Nossa vida a nada mais se compara.
Deixando claro, destarte, que te venero, Aponto já que teu beijo ainda espero, Pra viver e enfim trilhar a minha estrada;
E só te peço, nesta hora, que me faça O teu servo, o teu Deus, a tua caça; A tua vida, o teu Tudo e o teu Nada.
Fora do Tempo - 0 e 1 Tive uma ideia aqui: E se eu colocasse o primeiro capítulo do meu livro, em epub, pra degustação? Assim, quem quisesse conhecer um pouco mais de "Fora do Tempo" poderia ler este primeiro capítulo - e, caso se interessasse pela história e quisesse saber como ele se desenvolve, poderia adquirir o livro (físico ou em e-book) aqui mesmo, na Literunico...
Deixem-me pensar... 樂
Já pensei. Achei uma ideia interessante. Lá vão o Capítulo 0 e o 1, de brinde pra vocês. Leiam e me digam nos comentários: vale a pena adquirir o livro?
Sonetinho Hoje tem dois poeminhas. Este, mais simples, vai de graça para todos conhecerem meu trabalho. O outro, que gosto mais, vai por R$ 1,00 - e continua a "promoção": aos R$50,00, você ganha uma edição física do livro de contos, crônicas e poesia!
Sonetinho
Uma lágrima - muito pouco para provar Que me amas como queres que creia; Mal molha o rosto, de quem não soube amar; Nem apaga o fogo que ‘inda me incendeia.
Duas lágrimas - mas já é por demais tarde; Já não me tens em corpo e mente, já não sou Aquela chama de amor, que em teu peito arde, Aquele amor em chamas, que já te queimou.
Não chores, pois, com quem não mereça: Levante o rosto, olhe em frente e cresça; E não tente precisar mais de meus lábios;
Que eu não quero mais ter sua companhia: Quero seguir a trilha, com a mente vazia, Como fazem, por solidão, todos os sábios.
Não te amarei pela vida inteira; Isso é apenas algo para enfeitar Um poema; nada dura desta maneira, Tampouco um amor haveria de durar.
Todo poema é, por excelência, exagerado: “Te darei tudo, as estrelas, o céu, o mar...” Esta não é a vida real; está errado Prometermos coisas que nos é impossível dar.
Não; não serás a única; tampouco a derradeira; Haverei de amar muitas, e tantas... E a cada uma direi ser a mais faceira, E as adorarei como se adora às santas.
Entretanto, ainda é por ti que meu coração palpita, É a ti que amo, ainda, e mesmo assim Ainda são teus poemas de quem acredita Que terá teus carinhos por perto, junto a mim...
Por isso, ainda te adoro intensamente De um amor febril, eterno e louco; E continuarei te amando eternamente ‘Inda que este eternamente dure só um pouco.
Não troco nosso trato em qualquer troco; Não trato com tristeza este trabalho. Extraio a vida de qualquer trancalho E espalho trovas como um bom matroco.
Das tripas, nas entranhas, transformadas Coração; trago o extrume ao mostruário De minhas tramóias, e antes que o cérebro dispare-o, Distrato o trato das minhas mágoas encrustradas.
E ao trazer à tona tantos sentimentos, Entrego-me à solidão e ao ódio atro, E entro em transe, e através do meu teatro Um tribal monstro vem trucidar meus tormentos.
Destranco a trava que à porta traz-me às ruas E através das travessas e das entradas Em teu tributo entrego-me às transas e trepadas Das triviais donas, travessas e seminuas
E, então, trôpego, em meu trilhar intrépido, Trago de volta tristezas e transtornos. E entre um e outro trago, eu me distraio E traço um traço triscando entre o tráfego.
Transito trôpego, e tropeço a três-por-quatro, Nos trapos da minha Saint-Tropez destroçada. E, rumo à porta, atravesso a calçada E entro em casa, e ponho fim ao meu teatro.
E minhas mãos, de forma trêmula e atroz, Sempre me traem e trazem teu retrato. E ao trair teus sonhos, eu, num final ato, Retorno ao trato, torno a ti, retorno a nós.
Eu sou Um poeta que te ama. Eu sou palhaço que o público inflama, Sem ter riqueza, nem poder nem fama, Sem ter, às vezes, aplausos sequer; Eu sou um poeta, que deseja apenas Segurar pra sempre tuas mãos morenas E fazer de ti minha mulher. Eu sou Um poeta que te quer.
Eu sou um poeta, que da poesia Já se cansou; já não vê magia; Eu sou moleque, em minha fantasia, Que te recobre de presentes, de amor; Da minha tristeza faço tua alegria, Pois sou a Lua, que na noite fria, Te traz o dia, e te dá calor. Eu sou Um poeta cantador.
Eu sou Um poeta que te ama. Eu sou aquele que, dia e noite, te chama, Na esperança de te ter como minha dama A minha eterna dama, que, agora, Vem me brindar com o olhar mais bonito, Que em mim reflete o mais profundo infinito, E que, por fim, manda esta tristeza embora. Eu sou Um poeta que te adora.
E, sendo assim, um poeta que te adora, Serei também a noite, que espera a aurora Pra iluminar minh’alma, sem demora; Eu sou leão, sou covarde, sou profeta, Que te coloca sempre em minha profecia, Pronunciando que terei você, um dia, E de presente, dar-te, então, a bela rosa, A mais pura, púrpura, maravilhosa, Em cujo espinho a nossa ilusão espeta: Sou poeta.