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@tibianchini

Tiago Bianchini Fidalgo
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Público
Espera
(004 de 365)

Estou só - ela não vem...
Deve ter mais com o que se preocupar
do que com este pobre mortal, que sem
esperanças, perde por esperar
pelo exato instante em que soa
a campainha, em sublime sinfonia,
indicando que a espera não foi à toa,
e que ela lembrou-me neste dia...
Devaneios, apenas; mais nada;
Não devo esperar que, como por
acaso, num belo conto de fada,
ela me apareça e me jure amor;
Não devo, enfim, esquecer da vida,
na esperança de que, um dia, ensolarado,
brote em mim, algo que me convida
a, por ela, mais ficar apaixonado.

Entretanto, será, Meu Deus, então,
que a felicidade é algo tão deslumbrante
que a espera por ela me é em vão;
Queria apenas acreditar, por um instante,
que pudesse eu avistá-la, pela porta entrando, tão
maravilhosa, fazendo-me seu, ante
seus olhos, seus lábios! Mas, não...

Mas, não; recuso-me a aceitar
que seja isso, e só isso, a felicidade:
Prefiro correr o Mundo; sem asas, voar;
a procurar ser feliz de verdade;
ainda que me arrisque, por não esperar,
que um dia me doa, por dentro, a saudade.
Público
Esclarecer
(003 de 365)

Vamos deixar uma coisa bem clara:
Ou vivo no teu abraço eternamente
Ou, de viver, me canso, de repente,
Deixando de sonhar como sonhara;

Vou deixar claro que te adoro, minha cara:
Amo-te tanto, e tanto, e quando a gente
Extravasa, assim, a paixão que sente,
Nossa vida a nada mais se compara.

Deixando claro, destarte, que te venero,
Aponto já que teu beijo ainda espero,
Pra viver e enfim trilhar a minha estrada;

E só te peço, nesta hora, que me faça
O teu servo, o teu Deus, a tua caça;
A tua vida, o teu Tudo e o teu Nada.
Público
Fora do Tempo - 0 e 1
Tive uma ideia aqui:
E se eu colocasse o primeiro capítulo do meu livro, em epub, pra degustação?
Assim, quem quisesse conhecer um pouco mais de "Fora do Tempo" poderia ler este primeiro capítulo - e, caso se interessasse pela história e quisesse saber como ele se desenvolve, poderia adquirir o livro (físico ou em e-book) aqui mesmo, na Literunico...

Deixem-me pensar... 樂

Já pensei. Achei uma ideia interessante. Lá vão o Capítulo 0 e o 1, de brinde pra vocês.
Leiam e me digam nos comentários: vale a pena adquirir o livro? 
Público
Poema de um Prepotente Apaixonado
(002 de 365)

Eu queria beijar este corpo inteiro
E depois te pedir pelo amor que é nosso;
Eu queria poder ser teu seresteiro
- Mas eu não posso.

Eu queria te amar na madrugada
E mostrar que posso ser mais que um amigo;
Eu queria te deixar apaixonada
- Mas não consigo.

Ô, Meu Deus, queira eu ser teu, querida,
Ser teu escravo e te provar que ainda insisto
Em ter, um dia, teu amor, por toda a vida;
- Mas eu resisto.

Eu só queria, enfim, que você soubesse
Que é tão grande este amor que a ti proponho
Que até hoje, a Deus, eu te peço em prece
E ainda sonho;

Sonho com o dia em que terei a tua Divina
Paixão, pra me provar que, em vão, já não te chamo:
Somente espero ter em ti minha menina
Porque te amo.
Público
Ah!...
(001 de 365)

Ah! Quanta vontade de beijar-te agora!...
De correr contigo, pelo mundo afora,
Com teu nome em meus lábios, a gritar!...

Ah! A gritar que és minha, minha amada,
E que sou apenas um mortal, mais nada;
Mas que sou eterno, por tanto te amar!

Ah! Me deliciar neste corpo queimado
De sol, irresistível tentação do pecado,
Me satisfazer e me apaixonar!...

Ah! E fazer-te minha para sempre, enfim:
Fazer-te feliz, por estar junto a mim
E pelo amor viver a suspirar: Ah!...
Público
Sonetinho
Hoje tem dois poeminhas. Este, mais simples, vai de graça para todos conhecerem meu trabalho. O outro, que gosto mais, vai por R$ 1,00 - e continua a "promoção": aos R$50,00, você ganha uma edição física do livro de contos, crônicas e poesia! 

Sonetinho

Uma lágrima - muito pouco para provar
Que me amas como queres que creia;
Mal molha o rosto, de quem não soube amar;
Nem apaga o fogo que ‘inda me incendeia.

Duas lágrimas - mas já é por demais tarde;
Já não me tens em corpo e mente, já não sou
Aquela chama de amor, que em teu peito arde,
Aquele amor em chamas, que já te queimou.

Não chores, pois, com quem não mereça:
Levante o rosto, olhe em frente e cresça;
E não tente precisar mais de meus lábios;

Que eu não quero mais ter sua companhia:
Quero seguir a trilha, com a mente vazia,
Como fazem, por solidão, todos os sábios.
Público
O Duro poema da Realidade

Não te amarei pela vida inteira;
Isso é apenas algo para enfeitar
Um poema; nada dura desta maneira,
Tampouco um amor haveria de durar.

Todo poema é, por excelência, exagerado:
“Te darei tudo, as estrelas, o céu, o mar...”
Esta não é a vida real; está errado
Prometermos coisas que nos é impossível dar.

Não; não serás a única; tampouco a derradeira;
Haverei de amar muitas, e tantas...
E a cada uma direi ser a mais faceira,
E as adorarei como se adora às santas.

Entretanto, ainda é por ti que meu coração palpita,
É a ti que amo, ainda, e mesmo assim
Ainda são teus poemas de quem acredita
Que terá teus carinhos por perto, junto a mim...

Por isso, ainda te adoro intensamente
De um amor febril, eterno e louco;
E continuarei te amando eternamente
‘Inda que este eternamente dure só um pouco.
Público
Trova travada

Não troco nosso trato em qualquer troco;
Não trato com tristeza este trabalho.
Extraio a vida de qualquer trancalho
E espalho trovas como um bom matroco.

Das tripas, nas entranhas, transformadas
Coração; trago o extrume ao mostruário
De minhas tramóias, e antes que o cérebro dispare-o,
Distrato o trato das minhas mágoas encrustradas.

E ao trazer à tona tantos sentimentos,
Entrego-me à solidão e ao ódio atro,
E entro em transe, e através do meu teatro
Um tribal monstro vem trucidar meus tormentos.

Destranco a trava que à porta traz-me às ruas
E através das travessas e das entradas
Em teu tributo entrego-me às transas e trepadas
Das triviais donas, travessas e seminuas

E, então, trôpego, em meu trilhar intrépido,
Trago de volta tristezas e transtornos.
E entre um e outro trago, eu me distraio
E traço um traço triscando entre o tráfego.

Transito trôpego, e tropeço a três-por-quatro,
Nos trapos da minha Saint-Tropez destroçada.
E, rumo à porta, atravesso a calçada
E entro em casa, e ponho fim ao meu teatro.

E minhas mãos, de forma trêmula e atroz,
Sempre me traem e trazem teu retrato.
E ao trair teus sonhos, eu, num final ato,
Retorno ao trato, torno a ti, retorno a nós.