Gaiola (microconto)
Tiê pulava sem parar, tinha muita vontade de cantar. Atrás de grades horizontais, vivia muito sozinho. Queria voar para outra gaiola. Tão vermelho…
@edsonbas
Edson Basilio
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Detectadas nos posts
Ficção (microconto)
Mas... eu podia jurar que era verdade.
Mas... eu podia jurar que era verdade.
Bolso (microconto)
Um papel de jogo do bicho, uma nota de 10 colada com durex, um molho de chaves e uma foto 3x4 do filho.
Um papel de jogo do bicho, uma nota de 10 colada com durex, um molho de chaves e uma foto 3x4 do filho.
Valor (microconto)
Já foi cara, hoje é coroa.
Já foi cara, hoje é coroa.
Fofoca (microconto)
“Não! Não gosto de conversa fiada. Blá-blá-blá, ti-ti-ti, lero-lero, disse-me-disse. Não quero saber de nada disso! E vou falar isso para ele. Só vou esperar ele acabar de contar essa última e vou falar. Mas… e se ele tiver mais alguma?”
“Não! Não gosto de conversa fiada. Blá-blá-blá, ti-ti-ti, lero-lero, disse-me-disse. Não quero saber de nada disso! E vou falar isso para ele. Só vou esperar ele acabar de contar essa última e vou falar. Mas… e se ele tiver mais alguma?”
Fotografia (microconto)
Ainda estão todos lá. Estáticos. E aquela felicidade infinita.
Ainda estão todos lá. Estáticos. E aquela felicidade infinita.
Meu e-book está a venda aqui no site: Abrir link
Retrato (microconto)
Era ela, mas não era ela.
Era ela, mas não era ela.
A Coca-Cola da garrafa de vidro é muito mais gostosa que a que vem nas outras embalagens. Acho que isso é unanimidade. Mas por que? O que ela tem de diferente? Será que o material da embalagem muda o gosto dela?
Hoje em dia existem vários tipos de embalagem para refrigerantes, cervejas e sucos, mas, quando eu era um pré-adolescente, não. Nada de latinhas e garrafas de plástico de todos os tamanhos, tudo vinha em garrafas de vidro. Cerveja e guaraná vinham nas de 600 ml marrom, já a maioria dos outros refrigerantes, vinham nas de 290 ml, a famosa KS.
Naquele tempo, a gente ia numa lanchonete, padaria ou bar e pedia um salgado e uma Coca. Quando o atendente abria a tampa da garrafa, o bico sempre ficava com um anel de ferrugem. A gente não estava nem aí, colocava na boca e ia logo bebendo. Depois era a vez de dar uma mordida no salgado, que vinha num prato de alumínio, em cima de um papel retangular e coberto por dois guardanapos.
Acho que o verdadeiro diferencial da Coca KS está na memória de outros tempos, de momentos felizes, talvez até no gosto de ferrugem. Pode ser também que a mistura de tudo isso crie um sabor mais complexo: o gosto da nostalgia.
Hoje em dia existem vários tipos de embalagem para refrigerantes, cervejas e sucos, mas, quando eu era um pré-adolescente, não. Nada de latinhas e garrafas de plástico de todos os tamanhos, tudo vinha em garrafas de vidro. Cerveja e guaraná vinham nas de 600 ml marrom, já a maioria dos outros refrigerantes, vinham nas de 290 ml, a famosa KS.
Naquele tempo, a gente ia numa lanchonete, padaria ou bar e pedia um salgado e uma Coca. Quando o atendente abria a tampa da garrafa, o bico sempre ficava com um anel de ferrugem. A gente não estava nem aí, colocava na boca e ia logo bebendo. Depois era a vez de dar uma mordida no salgado, que vinha num prato de alumínio, em cima de um papel retangular e coberto por dois guardanapos.
Acho que o verdadeiro diferencial da Coca KS está na memória de outros tempos, de momentos felizes, talvez até no gosto de ferrugem. Pode ser também que a mistura de tudo isso crie um sabor mais complexo: o gosto da nostalgia.
Streaming de sonhos (parte 2)
A Mind Chip Corp era um mega complexo: 5 prédios com mais de 10 andares cada. Me explicaram que um era para pesquisas, outro para a administração, experimentos etc. Não prestei muita atenção, queria explicações. Andei alguns quilômetros até chegar ao prédio central, o da administração. O “guia” que me acompanhava me levou até o elevador, apertou o botão do último andar e me disse que eu seria recebido pelo responsável por esta parte dos serviços da empresa. Ele gostava de explicar pessoalmente e em detalhes quando a pessoa tinha alguma dúvida.
Fui bem recebido. O homem, muito bem vestido, me convidou para sentar ao seu lado no sofá, me ofereceu um café. Claro que aceitei, precisava de mais um. Me ouviu pacientemente e pediu a palavra para esclarecer todos os meus questionamentos. Começou perguntando se eu não tinha a curiosidade de saber o que as outras pessoas sonham. Respondi que sim e ele disse que todo mundo tem essa curiosidade e que estão dispostos a pagar por isso. Então ele me mostrou alguns sonhos e me explicou:
“- Na verdade, nossa atividade principal aqui é o implante de chips cerebrais para ampliação da capacidade de memorização e aquisição de novas habilidades através da simples transferência para o chip. É assim que as pessoas estão aprendendo outros idiomas, disciplinas escolares, entre outras coisas. No seu caso, você queria ampliar sua capacidade de memorização e saber falar inglês. Você chegou aqui dizendo que tinha conseguido juntar pouco dinheiro, apenas o suficiente para as passagens de vinda e de volta, pois estava sabendo da nossa condição especial para aquisição do implante sem custo, bastando autorizar a venda dos seus sonhos via streaming, o que fica a cargo da nossa parceira Dream Stream. O cartão que você está usando é do banco no qual depositamos a sua porcentagem devido aos direitos autorais, quando vir o seu saldo, você vai ver que valeu muito a pena. Quanto ao fato de você não saber o que está acontecendo, trata-se de uma amnésia temporária pós-implante, dentro de alguns dias você já estará se lembrando de tudo. No mais, desejamos felicidades e que o senhor fique muito satisfeito com os nossos serviços e produtos.”
Em seguida, ele me mostrou o contrato que eu assinei, imagens minhas feitas pelas câmeras no dia do meu implante e pediu que eu passasse a mão no topo da minha cabeça para sentir um pequeno “caroço”, dizendo ser a cicatriz da cirurgia. Agradeceu por eu ser um cliente da empresa e disse que esperava ter esclarecido todas as minhas dúvidas. Terminei o café, respondi que sim, agradeci também e fui embora daquele lugar.
Saí andando pelas ruas, sem rumo, tentando me lembrar do que tinha acontecido nos dias anteriores. Senti alguém batendo no meu ombro, olhei para trás e dei de cara com mais um “fã”. Ele me disse que já tinha assistido todos os meus sonhos. Que maratonou junto com a namorada e que tinham adorado. Olhei nos olhos dele, pisquei o meu olho direito, apontando com o indicador para ele, e disse: “- Aguarde a próxima temporada!”. Virei para frente de novo, caminhei mais um pouco, entrei numa cafeteria e pedi um café.
A Mind Chip Corp era um mega complexo: 5 prédios com mais de 10 andares cada. Me explicaram que um era para pesquisas, outro para a administração, experimentos etc. Não prestei muita atenção, queria explicações. Andei alguns quilômetros até chegar ao prédio central, o da administração. O “guia” que me acompanhava me levou até o elevador, apertou o botão do último andar e me disse que eu seria recebido pelo responsável por esta parte dos serviços da empresa. Ele gostava de explicar pessoalmente e em detalhes quando a pessoa tinha alguma dúvida.
Fui bem recebido. O homem, muito bem vestido, me convidou para sentar ao seu lado no sofá, me ofereceu um café. Claro que aceitei, precisava de mais um. Me ouviu pacientemente e pediu a palavra para esclarecer todos os meus questionamentos. Começou perguntando se eu não tinha a curiosidade de saber o que as outras pessoas sonham. Respondi que sim e ele disse que todo mundo tem essa curiosidade e que estão dispostos a pagar por isso. Então ele me mostrou alguns sonhos e me explicou:
“- Na verdade, nossa atividade principal aqui é o implante de chips cerebrais para ampliação da capacidade de memorização e aquisição de novas habilidades através da simples transferência para o chip. É assim que as pessoas estão aprendendo outros idiomas, disciplinas escolares, entre outras coisas. No seu caso, você queria ampliar sua capacidade de memorização e saber falar inglês. Você chegou aqui dizendo que tinha conseguido juntar pouco dinheiro, apenas o suficiente para as passagens de vinda e de volta, pois estava sabendo da nossa condição especial para aquisição do implante sem custo, bastando autorizar a venda dos seus sonhos via streaming, o que fica a cargo da nossa parceira Dream Stream. O cartão que você está usando é do banco no qual depositamos a sua porcentagem devido aos direitos autorais, quando vir o seu saldo, você vai ver que valeu muito a pena. Quanto ao fato de você não saber o que está acontecendo, trata-se de uma amnésia temporária pós-implante, dentro de alguns dias você já estará se lembrando de tudo. No mais, desejamos felicidades e que o senhor fique muito satisfeito com os nossos serviços e produtos.”
Em seguida, ele me mostrou o contrato que eu assinei, imagens minhas feitas pelas câmeras no dia do meu implante e pediu que eu passasse a mão no topo da minha cabeça para sentir um pequeno “caroço”, dizendo ser a cicatriz da cirurgia. Agradeceu por eu ser um cliente da empresa e disse que esperava ter esclarecido todas as minhas dúvidas. Terminei o café, respondi que sim, agradeci também e fui embora daquele lugar.
Saí andando pelas ruas, sem rumo, tentando me lembrar do que tinha acontecido nos dias anteriores. Senti alguém batendo no meu ombro, olhei para trás e dei de cara com mais um “fã”. Ele me disse que já tinha assistido todos os meus sonhos. Que maratonou junto com a namorada e que tinham adorado. Olhei nos olhos dele, pisquei o meu olho direito, apontando com o indicador para ele, e disse: “- Aguarde a próxima temporada!”. Virei para frente de novo, caminhei mais um pouco, entrei numa cafeteria e pedi um café.