Viagem (Nanoconto)
Quando a levamos pela primeira vez à praia, ela era muito novinha. Quando voltamos, todos éramos crianças com mais ou menos a mesma idade.
@edsonbas
Edson Basilio
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Música (Nanoconto)
Ele vivia tocando air guitar e air drums. Nunca pegou num instrumento de verdade. Me apresentou as melhores músicas e partiu com uma marcha.
Ele vivia tocando air guitar e air drums. Nunca pegou num instrumento de verdade. Me apresentou as melhores músicas e partiu com uma marcha.
Escola (Nanoconto)
No início era só parquinho e brincadeiras. Veio o quadro negro, o giz, o caderno e a mochila, que me acompanhou até o dia do vestibular.
No início era só parquinho e brincadeiras. Veio o quadro negro, o giz, o caderno e a mochila, que me acompanhou até o dia do vestibular.
Estrela (Nanoconto)
Lá estão elas, Estela e sua estrela. Estiveram juntas desde sua estreia. Hoje, em seu estrelato, ainda estão juntas, assim como sempre estiveram. Estrela e sua Estela estão em um só ser, sendo estrelas. Assim sempre estarão e, mesmo quando não forem mais, ainda serão. Estrelas só são.
Lá estão elas, Estela e sua estrela. Estiveram juntas desde sua estreia. Hoje, em seu estrelato, ainda estão juntas, assim como sempre estiveram. Estrela e sua Estela estão em um só ser, sendo estrelas. Assim sempre estarão e, mesmo quando não forem mais, ainda serão. Estrelas só são.
Pétala (Nanoconto)
Ela tocou meu rosto muito suavemente e ficou presa na minha barba grisalha por fazer. Veio flutuando com o vento, leve, aveludada e de um tom entre o rosa e o vermelho. Beijou minha bochecha como uma boca que ficou no passado costumava fazer.
Ela tocou meu rosto muito suavemente e ficou presa na minha barba grisalha por fazer. Veio flutuando com o vento, leve, aveludada e de um tom entre o rosa e o vermelho. Beijou minha bochecha como uma boca que ficou no passado costumava fazer.
Ritual (Nanoconto)
- Senta! Levanta! Senta! Levanta! Amém!
- Senta! Levanta! Senta! Levanta! Amém!
- Graças a Deus!
- Bora tomar café?
- Bora!
- Senta! Levanta! Senta! Levanta! Amém!
- Senta! Levanta! Senta! Levanta! Amém!
- Graças a Deus!
- Bora tomar café?
- Bora!
Maternidade (Nanoconto)
Abriram-se as rubras cortinas. Saí. Ela me tomou nos braços, me chamou de filho e me beijou. Depois me alimentou. Comi e bebi amor por anos.
Abriram-se as rubras cortinas. Saí. Ela me tomou nos braços, me chamou de filho e me beijou. Depois me alimentou. Comi e bebi amor por anos.
Vazio (Nanoconto)
Por muitos anos cultivava naquele vaso. Já deu de tudo: mato, plantas, flores, frutos. Era esplendoroso. Colocava tudo o que sentia ali, junto com o que plantava. Vivia o amor de diversas formas, mas, aos poucos, elas se foram. Hoje nem terra mais há naquele vaso.
Por muitos anos cultivava naquele vaso. Já deu de tudo: mato, plantas, flores, frutos. Era esplendoroso. Colocava tudo o que sentia ali, junto com o que plantava. Vivia o amor de diversas formas, mas, aos poucos, elas se foram. Hoje nem terra mais há naquele vaso.
Ninguém (Nanoconto)
Qualquer espaço de tempo, por mínimo que seja, sem ver quem se ama, é muito. Mas no meu caso foi muito mais. Quando voltei, já não havia mais ninguém
Qualquer espaço de tempo, por mínimo que seja, sem ver quem se ama, é muito. Mas no meu caso foi muito mais. Quando voltei, já não havia mais ninguém
Corpo (Nanoconto)
O lençol o delineava. Ao mesmo tempo que cobria, revelava, desenhava. Mais curvas que retas. Percorri-o, às vezes com mais ou menos velocidade, mas nunca com pressa. No final, ficou a certeza de que nunca vai acabar.
O lençol o delineava. Ao mesmo tempo que cobria, revelava, desenhava. Mais curvas que retas. Percorri-o, às vezes com mais ou menos velocidade, mas nunca com pressa. No final, ficou a certeza de que nunca vai acabar.