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Sonetinho
Hoje tem dois poeminhas. Este, mais simples, vai de graça para todos conhecerem meu trabalho. O outro, que gosto mais, vai por R$ 1,00 - e continua a "promoção": aos R$50,00, você ganha uma edição física do livro de contos, crônicas e poesia!
Sonetinho
Uma lágrima - muito pouco para provar
Que me amas como queres que creia;
Mal molha o rosto, de quem não soube amar;
Nem apaga o fogo que ‘inda me incendeia.
Duas lágrimas - mas já é por demais tarde;
Já não me tens em corpo e mente, já não sou
Aquela chama de amor, que em teu peito arde,
Aquele amor em chamas, que já te queimou.
Não chores, pois, com quem não mereça:
Levante o rosto, olhe em frente e cresça;
E não tente precisar mais de meus lábios;
Que eu não quero mais ter sua companhia:
Quero seguir a trilha, com a mente vazia,
Como fazem, por solidão, todos os sábios.
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O Duro poema da Realidade
Não te amarei pela vida inteira;
Isso é apenas algo para enfeitar
Um poema; nada dura desta maneira,
Tampouco um amor haveria de durar.
Todo poema é, por excelência, exagerado:
“Te darei tudo, as estrelas, o céu, o mar...”
Esta não é a vida real; está errado
Prometermos coisas que nos é impossível dar.
Não; não serás a única; tampouco a derradeira;
Haverei de amar muitas, e tantas...
E a cada uma direi ser a mais faceira,
E as adorarei como se adora às santas.
Entretanto, ainda é por ti que meu coração palpita,
É a ti que amo, ainda, e mesmo assim
Ainda são teus poemas de quem acredita
Que terá teus carinhos por perto, junto a mim...
Por isso, ainda te adoro intensamente
De um amor febril, eterno e louco;
E continuarei te amando eternamente
‘Inda que este eternamente dure só um pouco.
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Trova travada
Não troco nosso trato em qualquer troco;
Não trato com tristeza este trabalho.
Extraio a vida de qualquer trancalho
E espalho trovas como um bom matroco.
Das tripas, nas entranhas, transformadas
Coração; trago o extrume ao mostruário
De minhas tramóias, e antes que o cérebro dispare-o,
Distrato o trato das minhas mágoas encrustradas.
E ao trazer à tona tantos sentimentos,
Entrego-me à solidão e ao ódio atro,
E entro em transe, e através do meu teatro
Um tribal monstro vem trucidar meus tormentos.
Destranco a trava que à porta traz-me às ruas
E através das travessas e das entradas
Em teu tributo entrego-me às transas e trepadas
Das triviais donas, travessas e seminuas
E, então, trôpego, em meu trilhar intrépido,
Trago de volta tristezas e transtornos.
E entre um e outro trago, eu me distraio
E traço um traço triscando entre o tráfego.
Transito trôpego, e tropeço a três-por-quatro,
Nos trapos da minha Saint-Tropez destroçada.
E, rumo à porta, atravesso a calçada
E entro em casa, e ponho fim ao meu teatro.
E minhas mãos, de forma trêmula e atroz,
Sempre me traem e trazem teu retrato.
E ao trair teus sonhos, eu, num final ato,
Retorno ao trato, torno a ti, retorno a nós.
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Poesia
Eu sou
Um poeta que te ama.
Eu sou palhaço que o público inflama,
Sem ter riqueza, nem poder nem fama,
Sem ter, às vezes, aplausos sequer;
Eu sou um poeta, que deseja apenas
Segurar pra sempre tuas mãos morenas
E fazer de ti minha mulher.
Eu sou
Um poeta que te quer.
Eu sou um poeta, que da poesia
Já se cansou; já não vê magia;
Eu sou moleque, em minha fantasia,
Que te recobre de presentes, de amor;
Da minha tristeza faço tua alegria,
Pois sou a Lua, que na noite fria,
Te traz o dia, e te dá calor.
Eu sou
Um poeta cantador.
Eu sou
Um poeta que te ama.
Eu sou aquele que, dia e noite, te chama,
Na esperança de te ter como minha dama
A minha eterna dama, que, agora,
Vem me brindar com o olhar mais bonito,
Que em mim reflete o mais profundo infinito,
E que, por fim, manda esta tristeza embora.
Eu sou
Um poeta que te adora.
E, sendo assim, um poeta que te adora,
Serei também a noite, que espera a aurora
Pra iluminar minh’alma, sem demora;
Eu sou leão, sou covarde, sou profeta,
Que te coloca sempre em minha profecia,
Pronunciando que terei você, um dia,
E de presente, dar-te, então, a bela rosa,
A mais pura, púrpura, maravilhosa,
Em cujo espinho a nossa ilusão espeta:
Sou poeta.
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Crônica de Natal
Escrita lá pelos idos da década de 90.
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A batalha do Nunca.
É o segundo texto que estou postando a R$1,00. A ideia é que, após 50 textos, quem tiver adquirido todos ganhe o livro físico (com os 50 textos e muito mais) gratuitamente, de presente. Que tal?
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Queria ser...
Queria ser, ao invés deste amador,
Apenas um ser, glorioso, a enfeitar
Os teus cabelos, e ver teu olhar brilhar;
Queria eu, apenas, ser uma flor.
E então, dar-te-ia o meu amor,
Mas tanto amor, no momento de aflorar,
E em sua justa homenagem, ao murchar,
Não perderia um só suspiro deste odor.
Mas não sou nada - sou apenas um mortal
Que te coloca como deusa em pedestal,
Para adorar-te, aos teus pés angelicais;
Mas não te escondo o meu desejo, na saudade,
De apenas ser, com toda a minha humildade,
Aquela flor que te perfuma; nada mais.
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A História de Zé-Bocó e o Santos que fazia Milagres
Eis um texto em prosa-verso-cordel. Resgata características da contação de história dos sertanejos... Espero que gostem.
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Oceano
I
Olhando este oceano,
ondas deste mar insano,
eu me ponho a recordar;
no oceano do meu peito,
no qual nem eu sei direito
pra que lado navegar.
Me recordo do teu rosto,
nas marés do meu desgosto,
onde a ausência dói demais;
não sou mais que um marinheiro,
querendo ser o primeiro
a ancorar no teu cais.
II
Apenas quero sonhar,
sem nem sequer me importar
com a tua correnteza;
e que venha a minha mágoa,
que eu pego teu curso d’água
pra transformar em represa.
Apenas quero viver,
e apesar de conhecer
toda a tua tempestade,
não me canso de tentar;
pois prefiro me molhar
a me afogar de saudade.
III
Apenas me deixe, um dia,
alcançar a calmaria
doce da tua costa bela;
e que um vento glorioso
me leve vitorioso,
dentro desta caravela;
e, ao sentir, emocionado,
o gosto do mar salgado
circulando em minha veia;
te juro: terei a sede
de prender em minha rede
o teu olhar de sereia.
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