Público
Meu ideal seria escrever...
(Homenagem em verso a Rubem Braga)
Eu queria escrever algo que soasse realmente sedutor.
Algo que fizesse a todos refletir e dizer: "Nossa! É assim que me sinto!"
Queria saber fazer algum texto tão perfeito e tão original
Que não houvesse pessoa no mundo que não se identificasse.
Eu queria encontrar as melhores palavras
Para as melhores metáforas.
Pensar em tudo aquilo que ninguém jamais pensou,
Mas que todos sentiram em algum momento.
Eu queria ser bom, ser realmente bom.
Queria saber, no fundo do meu coração,
Que não há melhor expressão nem forma mais perfeita
Para o sentimento sublime que acabei de escrever.
Queria ser bom, mas de um jeito humilde
Daquela que a pessoa lê e nem acredita
Que de palavras tão simples possa brotar tamanho sentimento
E que tão poucas linhas possam descrever a sua vida.
Queria escrever um texto perfeito.
Queria que o mundo lesse e não contasse para os outros
Que aquilo lhe tocou o coração de forma diferente,
E que sua vida não seria a mesma a partir de então.
È que aquela pessoa, que é tão especial,
Quando lesse meu texto, chorasse e compreendesse
Que cada palavra foi escolhida entre muitas
Para lhe dizer exatamente o que sinto por ela.
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Público
Vinho de safra tardia
Tratou aquele amor como a um raro vinho,
daqueles que se guarda em fresca grua:
Não o sorveu, nem permitiu que à boca sua
se refrescasse e alimentasse tal carinho.
Não sabia, no entanto, que o caminho
que o Amor percorre nunca é rua
pavimentada; é estrada em terra nua
que não se apraz atravessar sozinho.
E, assim, sabendo-o seu, o deixou de lado,
Esperando o momento de maior
Necessidade; quando, enfim, ao seu chamado,
Ele acudisse, e, um dia, em meio à dor,
A buscar desesperada por amor,
Tirou a rolha, e o descobriu avinagrado.
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