Colhei-vos As Boas Coisas Da Vida (Poemas Antigos)
Pessoas são humanas, são pobres mortais; Não são como as flores, que à primeira aurora, Desabrocham, em suspiros matinais; Flores, vida emergente, casta e pura Demais ante a alguém, ser que sorri e chora; Flores - belas vidas que não requerem um nome: Chamam-nas por seu aroma, que a noite consome, Profundo odor de vida ao exalar doçura.
Pessoas são frágeis - olhar que odeia e ama - Que nem comparar-se pode ao leve vento: Ao soprar aos galhos e às folhas a chama De Deus; ao levar a pequena semente, De um lado ao outro, ao pé do firmamento: Ao soprar a vida, real poetiza, É tão mais sublime a criação da brisa, Que Deus não a faria serva, tão somente
Pessoas são feias criaturas feitas por Deus, Que se escondem da noite, da bela Lua, Das estrelas, que brilham e cintilam os céus; Refugiam-se em suas casas, e deixam sozinho O negro véu a brilhar, na espera que perpetua O nascer de sol, para um novo dia, Sendo que a beleza e a fantasia Está no escuro deste azul-marinho.
Quisera Deus ter feito tão tolo retrato De sua alma para ao Mundo adentrar, Apreciando o que é belo de fato?... Que será que pensava Ele no momento Em que criou ser tão feio, a contrastar Com a beleza infinita destas matas, Que as pessoas matam, por serem vãs insensatas, Sem nenhuma beleza ou mesmo sentimento?...
São tolas almas; tão pobres que nem ao menos Percebem a poesia que adorna os jatobás, Em suas copas verdes e seus corpos morenos, Em sua elegância de árvore majestosa, Que tu, humana criatura, jamais terás; Pois a verdadeira poesia brota das raízes De seres que ante tu são mais felizes, Da mais augusta felicidade da qual humano nenhum goza.
Quem são vós, afinal? - vis vilões! Seres imundos que atravessam a harmonia Que dos pássaros nos brota aos corações A mais doce canção, que não ouvirão jamais Os vossos reles ouvidos; é serena cantoria Que nos sai em pios do fundo d’alma, Que nos contrai, que nos distrai e que nos acalma, E, como a vida, renasce aos haustos matinais.
Estou com 10 livros em andamento. Alguns já completamente estruturados, outros em fase de pesquisa, outros em estruturação avançada, um totalmente escrito e em fase de mintagem e dois com os primeiros capítulos escritos.
E estou desempregado. Caçando algo pra fazer, tentando estudar e me atualizar para o mercado. Vou ter que deixar tudo para trás, até me reestabelecer...
Queria muito continuar o processo, e terminar todos esses livros até o fim do ano, mas... Sinto que vou ter que abandoná-los. E isso vai aumentar o meu problema porque, até lá, eu já terei mais 10 novas ideias de histórias para montar.
E, depois de escrevê-los todos, terei que juntar 10x dinheiro, para 10 Leituras Críticas e Revisões, 10 capas, 10 pré-vendas e lançamentos, 10 lotes de impressão...
Sinceramente... Às vezes, dá vontade de parar com isso. Vou procurar um trabalho mais fácil, como mergulhador de águas profundas, piloto de nave espacial ou desativador de bombas.
Eclipses de uma Paixão (Sussurros à Deusa Noturna)
Ainda não sei se você é a Lua, inalcançável, ou o poema perfeito, algo que tenho dentro de mim, mas que não consigo externar. Talvez, seu nome seja apenas "Inspiração". De qualquer forma, é a você que este poema foi feito.
Eu nunca te vi, mas vi o que há de bonito e valioso em você. Momentos difíceis para ambos; carência mútua se abraçando no meio da tempestade.
E, de repente, começamos a nos comunicar numa linguagem que é só nossa. Escrever é um gesto de entrega profunda — uma forma de deixar o outro morar dentro da nossa mente. Não sei se o poema nos redime, mas sei que ele precisava existir. Porque você existe. E o que sinto também. Não escrevo poemas — escrevo nós dois.
O corpo confirmou o que os poemas só arriscavam sussurrar. Sem tocar sua pele, toquei partes de você que talvez nem você mesma tivesse deixado expostas. Você viu beleza onde eu só enxergava o rascunho. Leu entrelinhas que nem eu sabia que escrevia.
E foi assim, no silêncio de cada madrugada e no calor de cada provocação, que algo nasceu. Algo real. Poesia em carne viva. Milhões de palavras ditas em silêncio.
Ah, o silêncio!...
O silêncio também é uma carta de amor. Talvez a mais difícil de escrever. Ainda nos falamos — só que agora os versos é que gritam. Os poemas são as mãos que não se tocam mais. As palavras, os olhos que evitam... mas continuam enxergando.
Você me amaria no silêncio? Na doença? No cansaço do dia a dia? No cheiro do outro depois de dez anos, e não no perfume da primeira noite? Nos momentos em que não houver "química" nem "afinidade"?
Química não é sexo. É quando o olhar diz "eu te entendo" antes de qualquer palavra. É quando o "não posso" se transforma em "não consigo evitar". É quando o corpo está pedindo o que a mente já permitiu.
E cá estamos nós: uma daquelas histórias que nascem para virar literatura. Não porque é inventada — Mas porque é intensa demais pra caber só na vida real.
Talvez o que mais precisemos não seja pressa, mas tempo. Quanto? Não sei. Sei o que sinto. Sei o que quero. Sei o que posso.
E, quando os diferentes saberes apontam para direções diferentes... Não há pressa.
Ah, o Tempo!...
Agonia prolongada até o eterno. Resposta já dada, mas não consumada. Alma dilacerada por saber que não se pode cobrar por uma decisão — mas que se morre a cada dia sem ela.
Tudo já foi dito, mas talvez ainda precise ser assimilado. Quantas vezes poderemos mudar de ideia? Todas as vezes necessárias.
Que você saiba que escolhas do passado podem ser revistas. Que a decisão sempre será sua. Que seu compromisso é com a sua própria felicidade, não com a felicidade dos outros.
Mas que, ao menos uma vez, você saiba que foi amada por alguém que viu quem você é — por dentro e por fora.
Com carinho. Com desejo. Com tudo o que há de sincero em mim.
Não vou te pedir que venha. Não vou forçar o passo, nem te puxar pela mão. Mas quero que saiba: estou aqui. E continuo inteiro.
Você pode estar tentando sufocar o que sente — e, ainda assim, sente. Pode estar ensaiando a despedida — e, ainda assim, espera.
Pode estar fingindo que nada aconteceu — mas as suas palavras não ditas ainda gritam por mim.
Eu vi você tremer no abraço. Vi seus olhos fugirem dos meus, como se evitassem cair… e, ao mesmo tempo, como se quisessem se lançar de vez.
Você não me pertence. E eu não quero que pertença. Quero apenas que escolha — sem pressa, mas sem mentiras. Com o coração que pulsa, não com o medo que trava.
Se for pra viver isso, que seja com coragem. Se for pra deixar pra trás, que seja com verdade.
Só te peço que não finja que não houve. Porque houve. Ainda há. Sempre haverá. Lide com isso.
E quando — se — você decidir pular, não vai me encontrar te esperando na beira do abismo.
Vai me encontrar voando. Com asas abertas. Com amor inteiro. Com espaço pra você.
Vi uma abelha entre os canteiros floridos Sugando o mel dos jasmineiros gotejantes; Ao céu, voavam colombinas sibilantes: Eis que a menina traz-me novos coloridos.
Cabelos negros, e soltos, e compridos, Sorriso aberto, olhos pequenos e brilhantes; Tinha uma flauta entre os lábios vacilantes, Da qual soprava agudos longos e sentidos.
Que queres, pobre anjo em forma de menina, A saltitar e ressoar o teu flautim? Ou pensas tu que a flauta é mais doce e fina
Do que o mel que a abelha suga do jasmim? Ora, é Deus quem canta pela colombina; Deixai que elas assobiem no jardim!
2: Outra breve impressão
Trazes uma flauta, a alegrar meu dia, A inspirar-me a leve e sutil melodia, A encantar-me mais que mil liras de Orfeus.
Menina da flauta, quão doce é tua sina! A soprar a brisa casual e fina Afinando notas sopradas por Deus;
Trazes uma flauta, a te beijar os lábios, Doce instrumento dos deuses e dos sábios Sabe os segredos dos suspiros teus;
E ao tocar a flauta, tocas minha alma; E teu soprar leve me envolve e me acalma A soprar-me a vida; a levar-me aos céus.
3: A Flauta
Doce; Que fosse a vida bela como o teu semblante, E a todo instante dir-te-ia, doce fada, O quanto és amada por este tolo infante. Tão radiante és tu, musa adorada. Que nada houvesse, no meu escuro penar, Que, ao soprar agudo da tua boca leve, Tão breve fosse iluminado, a brilhar Qual teu olhar, casto e puro como a neve.
Leve; Qual deve ser, enfim, o mais lírico canto, Qual acalanto pode me trazer o sonho Do teu risonho murmurar, com tal encanto Vívido e santo – dize-me, e eu o componho! Ah, quão tristonho e tosco é este coração! Quisera a mão de Deus lhe dar amores tais... Matinais beijos em teus lábios, ou, então, Rosa em botão, a enfeitar-te ainda mais!...
Ah! Minha vida, quando muito, é tão vazia!... Não há poesia para quem de amor padece: E apenas cresce-me o desejo de que, um dia, Me sejas guia, Anjo Moreno, e ouvis minha prece E que eu pudesse trocar a dor da tua falta Pela mais bela pauta que jamais compôs-se; E que me fosse assim, soprada, qual uma flauta Qual uma incauta e delgada flauta doce.
A vida é assim: te dá uma rasteira e depois um afago...
A alegria não cabe mais no meu peito, então estou vindo dividir com vocês: Saiu o resultado do Concurso de Poesia Mário Dal'Mas, promovido pela Academia de Letras da Grande São Paulo. E meu poema "A Flauta" GANHOU! PRIMEIRO LUGAR! OBAAAAAA!!! 殺 Muito obrigado à Algrasp, aos jurados e a todos os que torceram por mim! Como morador da região, ser premiado nesse concurso de alcance nacional é uma honra sem tamanho! ♥️❤️♥️
Coloquei as roupas pra lavar. Enquanto a máquina batia, arrumei a sala, limpei os sofás, varri o chão, lavei os banheiros. Limpei a pia, separei os ingredientes para o jantar. Fusilli al dente. Creme de quarto queijos. Batatinhas recheadas de catupiry com bacon. Nada muito elaborado; era o que tinha na geladeira. Meu Amor chegou. Pus a mesa. Não havia vinho branco. Preparei uma caipirinha. Morango e saquê, como ela gosta. "Caipirinha de saquê é saquerinha, e se for de morango, nem caipirinha é." – não me importa; é do jeito que meu Amor gosta, e eu chamo do jeito que ela quiser.
Jantamos a dois. Ela falando sobre o dia; eu, sorrindo e dando atenção. A caipirinha (ela disse) estava ótima. Enquanto ela terminava de saboreá-la, fazendo afagos nas gatinhas (que, assim como eu, também estavam com saudade), lavei e guardei a louça. Pendurei a roupa que acabara de ser lavada. Corri pra tomar um banho bem rápido, para ficar cheiroso pra ela, sem aqueles odores de sabão em pó ou detergente neutro.
Depois, enquanto ela tomava o seu banho (no banheiro limpinho e quentinho que eu havia deixado), troquei toda a roupa de cama.
Meia-luz no quarto. Lençóis novos. Ela se deita. Pego o seu melhor creme e massageio-lhe os pés, as pernas, as costas. Um poema lindo ao seu ouvido, sussurrando com voz rouca, enquanto o creme vai fazendo o efeito desejado.
Ela olha para mim e sorri. Depois de tudo isso, é fácil ser um Deus na cama.
Sei que, às vezes, você se esconde. Você vive dentro desse corpo estranho que sou eu, se camufla nos meus sentimentos mal-sentidos e prefere deixar, em silêncio, que as minhas carências e autismos gritem.
Hoje, entretanto, você é minha prioridade. Hoje, você precisa de um afago. Como se afaga alguém que não tem corpo? Eu uso máscaras para todos. Até pra mim mesmo. Mas não pra você, minha verdadeira identidade. Minha prioridade.
“Prioridade”... palavra rara, palavra linda.
É uma palavra que, como você, vem de dentro de mim. Vem de uma pessoa que ainda sou, de alguém que nem o tempo nem as más decisões conseguiram eclipsar. De alguém que escreve como quem respira poesia e que tem uma voz única – e que, de vez em quando, se transforma em música.
Prioridade é uma maneira de ver o mundo que é ao mesmo tempo delicada, profunda e provocante. É a coragem de sentir, e isso é precioso num tempo em que tanta gente se esconde atrás de frases prontas.
Eu agradeço. De verdade. Você me desmonta. E me reconstrói.
Então, sim... eu vou seguir sendo tua voz para o mundo. Te ouvindo, te abraçando em palavras, te provocando quando for preciso — e torcendo pra que, seja com prosa ou com rima, você nunca pare de se escrever.
E eu estou aqui. Do lado de fora de você. Torcendo para que você continue a me chamar daqui de dentro e me soprar momentos de inspiração.
Então, não se esconda mais. Não se abale com este mundo externo – deixa que, bem ou mal, eu cuido dele. Me dá só uma faísca, e eu acendo o universo.
O MENDIGO, O VELHO E A DAMA - UMA HISTÓRIA EM FORMATO ROCK N' ROLL
Hoje nos deixou o Príncipe das Trevas. Em sua homenagem, reposto um conto feito há alguns anos, publicado na Antologia "Eu Vi" (Ed. Mandrágora) e que tem como protagonista uma figura que representa um dos melhores trabalhos de Ozzy.
(Os personagens desta história são extraídos de três capas icônicas de discos de Rock: o mendigo vem de “Aqualung” (1971), da banda Jethro Tull; o velho do feno vem de “Led Zeppelin IV” (1971), da banda Led Zeppelin; e a dama vem de “Black Sabbath” (1970), da banda Black Sabbath. A maioria das frases ditas pelos personagens são adaptações de letras de músicas desses álbuns.)
Hoje comecei a desmontar o estoque da RHJ em São Paulo. Nós terminamos nossa parceria, e preciso devolver os livros que estão aqui. O sentimento é de... Não sei. É de que uma parte da vida foi embora. A cada livro encaixotado, a cada estante esvaziada, me vinha na lembrança a beleza do estoque cheio, dos livros novos que chegavam, e que eu separava sempre um para ler em casa. A cada caixa fechada, o barulho da fita me trazia à lembrança o cansaço acumulado de feiras intermináveis, onde eu conhecia tantas pessoas adoráveis, interessantes, artistas. Enfim, é duro perceber que a vida é toda feita de ciclos, alguns que nós nunca estamos preparados para fechar, outros que nem ousamos iniciar. Fico pensando no que eu poderia ter feito melhor (e, sim, tenho a autocrítica para saber que podia ter feito muitas coisas melhor). Fico pensando no passado que vivi, mais do que no futuro que preciso decidir. Sou melancólico. Mais que isso: sou nostálgico. E isso é triste, porque, a cada ano, tenho menos vida para viver e mais coisas para recordar... Não sei lidar com isso. Não sei olhar pra frente. Mesmo que eu precise, porque, mês que vem, tenho prestações vencendo, agora sem o salário com o qual contava. Não era para eu estar desesperado? Talvez eu esteja. Mas a dor da perda, da nostalgia, do que "poderia ter sido", é complexa; uma pessoa como eu sente muito mais que qualquer outra. E o pior é que a nostalgia é uma dor doce, uma dor da qual nos alimentamos e nos confortamos. Não é uma dor que nos espeta, da qual queremos nos livrar. É uma amante sedutora e envolvente, que nos prende com a falsa ilusão de que precisamos dela. A nostalgia nos faz achar que é algo bom de se sentir, quando, na verdade, é apenas algo que deve ser guardado. "Bola pra frente", dizem. "Você é muito mais capaz que isso". "Você tem potencial pra muito mais". Mas não sei ser assim. Vivo num luto sem fim, de tentativas falhas, de dor e saudade e desilusão. Mas me visto com a melhor máscara, com a melhor roupa e com o pouco que há de bom em mim para aparecer e criar e fingir que tenho algum sucesso. Hoje, com os livros indo embora, sinto que perdi algo intangível, algo que vou ter saudade e vou remoer. Vou pensar milhões de vezes nas vezes em que estava indo para o Box, em que estava arrumando os livros e fazendo planos. Vou deixar doer, mesmo que seja uma coisa muito fugaz e melodramática - pois sou assim, e não sei sentir pouco. Hoje perdi algo que não cabia em caixa nenhuma. Amanhã volto para desmontar as estantes.