Ah, como eu queria, Nesta noite fria, Poder te beijar; E no teu olhar Enxergar a chance Do nosso romance Pra sempre durar. E então esta noite Seria a mais bela Que desta janela Iria avistar; E quando acabar, Morrendo de medo, Te peça, em segredo, Pra recomeçar.
Hoje o dia foi de aproveitar a leitura. Me deliciar com o talento que brota daqui dessa plataforma incrível. O difícil é parar de ler... A cada movimento, a cada imensidão, uma amálgama de ideias, de estilos, de universos...
Quem ainda não adquiriu o seu... Bem... Nem posso dizer o quanto está perdendo.
Nada melhor para um dia frio, Do que "Imensidões por um fio".
Sou o que te vê sendo minha, Ao me olhar e se entregar, e a mim ter; Sou aquele a quem você domina, E sou muito mais do que posso ser...
Sou a tua voz quando perdes a fala, Sou tua fome, tua febre, tua calma. Em ti me refaço, em mim me desfaço, Sou teu rastro no lençol e na alma.
Sou teu olhar a me olhar de volta, Nesse teu grito que assombra e excita; Nessa tua boca que me morde e não solta, Recitando "Uh's!" de uma poesia não escrita.
Sou teu gemido contido no espelho, Teu reflexo deitada, rendida, vaidosa. Sou tua pressa, teu cio, teu joelho, Entreaberto pedindo... qualquer coisa.
Qualquer coisa... Mas te entrego tudo: O meu calor e meu sabor, em jorro farto, A lambuzar de amor todo esse quarto, A deleitar teu lábio, agora mudo.
Mudo, teu lábio implora com a língua, Que dança e roça e me prende em feitiço; Meu corpo é verbo, mas contigo... ginga, E rima prazer com cada teu serviço.
E, antes que nos deiximos cair, exaustos, Ainda queres mais e mais, e a mim implora Que experimente o teu mel, que em ti aflora: Bebo, meu anjo, o teu Amor, aos haustos.
Minha alma tem uma dona. Minha alma É cativa de um amor, que se contenta Em confortar meu eu, que me acalenta, Que me envolve, que me enlaça e que me acalma.
No mar azul dos seus olhos, me vejo envolto Na celeste luz que ao meu centro guia; E, assim, me dá alento e calmaria Mesmo nos meus dias maus, de mar revolto.
Hoje o dia é nosso, um dia perfeito. Dia de celebrar a tua presença Nessa minha vida de dor e descrença, A me dar abrigo, a aceitar meu jeito.
Hoje o Amor renasceu pela manhã, Como a cada dia, em dez anos passados; A te olhar dormir, enamorado: A minha amada, minha rainha, a minha Van.
Hoje o dia é de me envolver no odor Suave do teu corpo, e me entregar Inteiro a ti, como a celebrar O Amor.
Minha alma tem uma dona de olho azul, Uma gata que se aconchega e ronrona, E me inspira; minha vida tem uma dona: E és tu.
Queria eu ser tu, papel, um dia; Alvo, límpido, às vezes preenchido De palavras de uma reles poesia; Do desenho de um jardim florido.
Tu não falas, não sentes, não choras; Nada fazes; apenas transparece O que alguéns escreveram, ante auroras Que por causa de teu brilho não se esquece.
Tu não sentes, nada, nem de amor És capaz de expirar, pela saudade; Só consegues reviver alheia dor De quem escreve, e sente de verdade.
Queria, minha folha, ter um dia Um só pedaço de teu corpo alvo e puro; Para inspirar a minha mágoa e agonia Neste grafite negro do lápis que seguro.
Mas, de amor, meu vão papel, não tens o gosto, E de ternura não conheces o perfume; E tuas linhas não adoram nenhum rosto Nas brancas bordas que consideras teu cume.
És tão morto, enfim, caro papel, Que não refletes nem os mares, nem o céu; E que não serves, para mim, de inspiração;
Que ser igual a ti, já não queria Pois assim sendo, logo me queimaria Na experiência doce de uma paixão.
II- Celulose
Folha, folha, página branca da minha existência; onde posso me dizer de ti, ó papel límpido, para que consiga obter de ti a preciosa inspiração? Não, a inspiração é divina; deve brotar da alma e não de ti, caro papel; tuas pautas claras, teu corpo puro a mim não inspiram, a ninguém inspiram. Mas, então... para que serves, senão para emprestar-me teu corpo alvo, puro e belo, para que possa, por mim mesmo, escrever, dizer, sonhar...
Ah, minha humilde folha! Invejo-te tanto... És clara, mas não transpareces o que sentes; então, que seja eu também uma folha, limpa, solta, que um vento leva, e, às vezes, traz, para que eu consiga, então, assim como tu e em ti, roubar a magia dos poetas - e, creia: eles existem - que venham por ventura pegar-me nas mãos.
Mãos que empunham, com graça e opulência, os belos rabiscos do duro carvão.
III- Soneto
Tenho em mãos uma folha; mas não me vem O interessante, algo que não salta Aos olhos, à primeira vista; me falta A dita inspiração: escrever a quem?
Escrever àquela que deixou-me sem Seus lábios suaves, que este tolo exalta; Compor uma ária, escrevê-la em pauta, Escrever nada; escrever a ninguém.
Tenho em mãos a folha, ó papel maldito; E maldito seja! Não quero escrever Sobre o nada! Sobre estas tortas linhas
Não guardarei o que eu não acredito: Acredito em todas as saudades minhas, Acredito em amor; de amor vou viver!
Algumas pessoas sabem que a maioria dos meus poemas antigos foi feita para um grande amor da juventude, que me acompanhou até uns 12 anos atrás e terminou de forma um tanto complexa. Seu nome era Divina. Ela tinha olhos furta-cor, corpo escultural, sorriso maliciosamente bonito (os mais atentos já devem tê-la reconhecido em diversos poemas meus por aqui). Era uma mulher forte que enfrentava o mundo (literalmente: saiu do interior de Minas para viver a vida nos EUA, e depois de ter vencido por lá, voltou para a roça).
***
Ela é passado, mas os poemas são eternos. Havia feito estes poemas para ela. A ideia já se tornou tão irreal, tão absurda, qmas nao me importo em postar aqui...
I Meu amor está em Tucson, Tu, que sabes como sou, Tu, que aceitas meus defeitos, Arizona, here I go!
Lá, não tenho mordomias, Nem sou amigo do Rei; Mas amo lá uma prenda, Amo tanto, que nem sei...
Se aqui eu não sou feliz, Lá não serei jamais triste, Pois lá tenho quem me diz
Que o amor por lá existe; E sem fazer qualquer chiste, Dar-me-á o que sempre quis.
II Vou me embora para Tucson: Tu, que sonhas como eu Tu, que sangras minhas mágoas Tu, que sentes que sou teu.
Lá tenho a mulher que eu quero, E a cama me importa pouco; Lá eu tenho quem mais amo E amo, e amo como louco!...
Mas é vazia sua cama; Talvez seja esta a sina De todo mortal que ama...
Meu amor é brisa fina Que dia e noite te chama: Divina.
Não deveria mais pensar nisso. Não penso, juro. Virou passado. Hoje tenho meu Amor, "minha prenda", a mulher da minha vida. Mas a estrutura e delicadeza dos sonetinhos, as trovinhas infantis de criança que vai para o parque e, principalmente, a homenagem ao Bandeira valem que seja publicado. Como eu sempre digo: ninguém lê, nem mesmo ela irá ler (não que me importe...)
Meu Amor está alhures, Quanto mais longe, melhor: Já não quero aquela prenda... Arizona, nevermore!
Lá não há reis ou rainhas, Lá não poderei viver: Lá não tenho mordomias Lá não tenho o que fazer.
Prefiro ficar aqui: Outro amor um dia chega Me dá um beijo e sorri!...
Meu amor não mais me cega: Ah, meu anjo, minha nêga! Como ainda espero a ti!...
Estou ficando piegas demais. Acho melhor parar de fazer poemas.
*** Mas, calma: isso foi há 12 anos. É como o whisky: as coisas ficam melhores com o tempo.