A alegria está aqui. Mora aqui, em mim. Não é estar feliz "apesar de", Não é estar feliz "quando acontecer" Nem estar feliz "ainda que".
É ser feliz sem condicional, Ter um sol interno, a irradiar Em "Bom dia" e "Obrigado". Em sorrisos.
Não há derrota. Há a vontade de viver Que vira versos diários e intensos. Há um dia que vira poesia a cada instante.
Hoje, o espelho me sorriu, Não para lembrar daquilo que não ficou: Mas para me oferecer um café, E brindarmos o que permaneceu em mim:
Sonhos. Planos. Sentimento a ser vivido. Presente.
E hoje, quero ler até cair no riso, Quero rir até que a inspiração ouça, E, curiosa, venha estar comigo Para me incentivar até escrever.
E quero escrever até cansar e ficar satisfeito, E, então, com tanta vida já escrita, Me sentar e tornar a ler...
Mas... E se ainda houver cacos no meu coração? Ah, quero, então, pintá-los em cores vivas Fazer um vitral no peito, E deixar que meu sol interior ilumine o meu caminho.
Não caibo mais em métrica nem rima: Hoje, sou meu próprio amor. Hoje, sou meu próprio sol. Meu próprio eu e meu próprio fim. Em mim.
Cavalgada (Pra não perder o jeito - se é que já não perdi...)
Deitado, lendo um livro. Apareces na porta, sorriso maroto. Chemise semi-transparente sobre os ombros Tentando ajudar as rendas negras A esconder o escândalo que é o teu corpo.
A chemise saindo corpo, vai para a ponta dos dedos. Você a gira sobre a cabeça, e joga em mim. Fechou o livro e aproveito a vista: A visão do paraíso que sei ser meu.
*Vem cá, meu bem, quero te contar uma coisinha...* Você vem - dois passos. Sorriso sapeca. Dois polegares entre a pele e a renda da calcinha, Descendo, descendo, a cada passo.
A calcinha na ponta dos dedos, Girando sobre a cabeça, Voando até o meu rosto.
Seu cheiro. Molhada. Deliciosa. Descubro o meu rosto, e me descubro em brasa: Algo se move dentro da minha peça íntima. Crescendo, crescendo, a cada passo.
*Vem, meu bem, quero cochichar no seu ouvido* *Tudo o que pretendo fazer com você... * Você nota o volume se expandindo, E entende que aquela peça já está apertada demais.
Puxa para baixo, seus olhos me encarando, O sorriso ainda preenchendo os seus lábios Mas, agora, disputando espaço Com algo maior, mais quente e mais intenso.
*Isso. Delícia. Beija. Lambe* Mas nem preciso dizer, você é mestra. Especialista em me levar à loucura, Me olhando entre os cabelos desarrumados.
*Vem mais pertinho, Amor, que eu te conto* * o que tá passando pela minha cabeça.* A cueca, nas pontas dos seus dedos, Gira sobre a cabeça e voa pra longe.
Te puxo pra perto. *Senta aqui, senta...* Você apoia as mãos no meu peito. O livro está jogado ao lado da cama, Observando seu quadril procurando o encaixe.
E quando encaixa... Ah!... Peças perfeitas! Um gemido, um grito, cabeça para trás. Minhas mãos seguram sua cintura, Ajudando e regendo o movimento.
O sutiã, na ponta dos seus dedos, Girando sobre a cabeça, Voa, nem sei pra onde: No meu rosto, apenas dois seios suados.
*Mais, poeta, mais!*, você sussurra, Rouca, olhos nos meus Provocando e devorando meus pensamentos. *Vem cá, seu puto, deixa eu te cochichar de novo.*
Eu sou poeta. Teu corpo é verso. Uma cavala que cavalga e chama. Arfa, sobe, desce, geme, grita. Crava as unhas no meu peito e os olhos na minha alma.
O juízo, na ponta dos dedos, Girando sobre a cabeça, voa longe; Teu gozo vem como um frenesi incontrolável, Em teu cavalgar intenso e galopante.
*Ah, poeta, me mata, me inunda!* Você se deita no meu peito já arranhado Suando, arfando, buscando o ar e os sentidos. Corpo amolece, sussurros que conversam:
*– Porra, poeta, você me pegou de jeito.* *– Que striptease! Adoro quando você faz isso.* *– Você me tira do sério, eu não resisto.* *– Quero ser teu pra sempre.* *– Te amo. Cada vez mais...*
Há um ano era outra pessoa; Havia em mim restos de muitas memórias Ainda frescas e latentes. Havia aqui outro futuro, Outras esperanças e outros projetos. Alguns deles foram concretizados. Alguns deles foram abandonados. Alguns nem chegaram a ser levados a sério.
Há um ano venho mudando, Venho evoluindo e involuindo, Venho andando em círculos e saltando à frente. Venho vivendo, enfim, Aprendendo dia após dia, Com os anseios que não poderia ter, Com os erros que não poderia cometer, Com os medos que jamais deveria ter tido.
Há um ano sou outro que me vê E esse outro gosta cada vez mais de si Cada vez mais de mim. Cada vez mais de nós. Perdi pessoas que eram pra vida inteira, Reencontrei pessoas que jamais reencontraria, Conheci pessoas impossíveis, Reconheci a mim. Tive várias vidas; tive vários destinos distintos. Tive mortes e renascimentos constantes. Tive amores e desamores e reamores. E termino tendo a mim mesmo.
Uma nova etapa começa. Novas etapas começarão. E sei que não cumprirei todos os projetos, Pois encontrarei projetos ainda melhores para cumprir. Hoje tenho ausências que não serão mais sentidas E presenças que serão para sempre comemoradas. Hoje tenho a mim. E a ti, que me lê. Hoje preciso apenas de mais um ano Para me tornar uma nova pessoa.
Procurei não te ver nunca mais, Saí do seu ambiente, Deixei de frequentar os lugares que frequentavas, E achei que tinha obtido êxito por quase uma vida. Mas não consegui. Veio o destino, o mestre das coincidências, Resgatar em mim a lembrança doce dos teus olhos.
Procurei não me envolver, Não dar atenção, não me importar com o que dizias; Procurei entender que já não eras mais a mesma, nem eu tampouco, E achei que estava indo muito bem. Mas fui um fracasso em me controlar ao te sentir Tão indefesa e tão precisando das minhas boas palavras.
Procurei me aproveitar de uma situação Em que estavas frágil e carente, Para também me curar das minhas fraquezas e carências, Para fortalecer-me sem me importar contigo. Mas me foi impossível desde o início, pois percebi O quanto já me eras mais importante do que eu mesmo.
Procurei, então, te fazer sofrer, O que seria fácil, pois já sofrias deveras sem mim... De forma inconsciente, tentei te decepcionar a ponto De desistires de mim e não estragar a tua vida. Mas tudo o que consegui foi te fazer mais feliz Neste turbilhão de infelicidade que rondava os teus dias.
Procurei não mais te ver e tive um vazio no peito por muito tempo. Procurei não entrar na tua vida e terminei por arrombar as portas da tua alma. Procurei te deixar com tua vida e tudo o que consegui foi dar a nós a esperança de uma vida nova. Procurei te fazer sofrer e tudo o que consegui foi te fazer feliz. E a mim, mais ainda.
Procurei em vão. Tudo o que consegui foi te amar cada vez mais. Pois, então, que assim seja.
Olhava para as imagens, impressas em preto-e-branco De fotos maravilhosas que saíam nas reportagens Dos cadernos de cultura que encartavam os jornais. Papai dizia-me, com aquele sorriso franco, Que já vira o mar, em suas viagens, Que era lindo, e não o esquecera jamais.
E lá ficava eu, menino da roça, Sonhando com aquele lago que não tinha fim: Imaginando-o, verde, azul, de cor nenhuma; Desejando vê-lo, pedindo sempre à Nossa Senhora, mãe de Deus, que desse a mim A chance de conhece-lo, de brincar em sua bruma.
E diziam que sua água era salgada, Como a temperar os peixes que nele moravam; E diziam que ele era tão fundo, mas tão fundo, Que no fim da água não havia lodo nem nada, E os navios displicentes que afundavam, Afundavam, afundavam, até o outro lado do mundo.
Ah! O mar! Meu Deus, como eu queria Poder olhar para ele, num dia de sol quente, Com sunga e boia, e balde de areia! E ficar ali, brincando, todo o dia, E fazer castelos, e correr, e ver gente E ter a alma, de felicidade, cheia!...
Papai me dizia que não tínhamos dinheiro: “Mas, um dia, meu filho, você vai crescer E vai enricar, e vai ser muito feliz, E vai poder viajar o mundo inteiro, E até o mar e a neve vai conhecer, E vai viver e ser dono do seu nariz!”
Mas eu não queria esperar crescer, eu só pensava Em ver o mar, em poder sentir o vento Das tais “brisas marinhas”, no meu cabelo; E papai, que sempre dizia que não dava, Ao ouvir meu pedido e meu lamento, E sofria por não poder atendê-lo.
Era a vida, não se pode ter tudo. O Mundo gira, a Terra é redonda, E flutua, solta, no Universo, Tal qual o peixe no mar, e eu, miúdo, Podia apenas imaginar como era a onda Tão bem cantada por poetas, em prosiverso.
E assim ficava, em meus sonhos absorto, Até que um dia, papai chegou com o riso aberto: “Tenho uma carga importante pra levar Lá pra São Paulo, e vou deixa-la no porto; Façam as malas, fiquem prontos: se der certo, Nós vamos todos lá pra praia, ver o mar!”
Naquela noite, não dormi, tamanha era A excitação: íamos viajar, eu e meus pais Na boleia do caminhão, de madrugada; Finalmente, teria fim a minha espera: Eu chegaria pela manhã à beira do cais. Meu sonho estava ali, ao fim da estrada.
E, então, Deus, eu seria feliz por completo!... Mas, na escuridão da rodovia, uma luz Na direção contrária, veio nos pegar de frente: Senti meu corpo ser jogado contra o teto, O caminhão tombar, mamãe chamando por Jesus E, num estrondo, tudo sumir de repente.
Acordei, um pouco tonto, em uma cama de hospital, com talas e soro, entre lençóis. Tudo doía, de uma dor que não se esvai. E ao olhar em volta, e, depois, para a mamma, Eu percebi, com dor e medo, que entre nós, Faltava uma pessoa, e perguntei: “Cadê papai?”
Mamãe, então, contou-me o ocorrido… Havia outro caminhão em sentido contrário E papai fez uma manobra decidida: E conseguira mudar o que certamente teria sido A morte de nós três; e, solitário, Apenas ele despediu-se desta vida.
Fiquei mudo, aturdido; tentei ser forte, Tentei conter a dor no meu peito de menino E entender como é possível tão cruel Desfecho; papai abraçou a morte Para nos salvar, e aceitou o seu destino E foi mergulhar nos mares lá do Céu…
E dos meus olhos senti brotar tanta água, Água salgada, a inundar meu peito ferido… E fazer ondas de tristeza em meu olhar, E, sem poder controlar meu choro e mágoa, Sentindo a vida submersa, pensei comigo Que era a primeira vez, enfim, que via o mar…
Havia publicado um poema aqui e tinha ficado na dúvida se ele seria compreendido por todos. Aí aconteceu o blackout de dados. Podia ter re-postado, mas achei que era um sinal. Então, segue um poema bem antigo, cuja primeira parte já havia postado aqui. Agora, ele vem inteiro e coeso.
Carta de amor para ser lida de madrugada
I Apenas leia: Sinta meus lábios tocarem teu semblante E que meu peito cante em teu vazio. Apenas deixe o frio Acariciar com brilho louro tuas melenas Que meus poemas, disfarçados de brisa fina, Brincam, enredando na divina luz do teu olhar. E ao leres, chorando de saudade, Esta metade de ilusão que o peito invade Como uma jade, exposta ao vento e ao calor, Perceberás que minha dor ‘inda é mais forte do que a morte deste amor que me dá a sorte que deste corte surja um beijo curador.
Amor: Não peço que me esqueças, nem que me ame; Mas que me chame, sempre, do seu lado; e, mesmo que de brilho apagado, me proclame. Apenas leia; chore, se preciso Se preciso vista-se comigo, e me abrace Através desta face de papel que o negro véu da noite fecha o doce enlace.
II
Apenas Leia: Deixe-me invadir teu peito vago; Que nos teus olhos Quero sentir teu calor imenso; Apenas Leia: Sinta então os beijos que te trago Na esperança De que possam encontrar-te, como eu penso.
Apenas ouça: Não diga nada, não relute à verdade De que me amas; Não se esforce em mentir contra o desejo; Apenas ouça: Encontre a luz, esqueça-se da saudade, E enfim entregue-se Venha até mim; me presenteie com teu beijo.
Não diga nada: Não há palavras que descrevam o amor; Apenas sinta: E sinta sempre, que te amo eternamente. Nunca mais chores, Pois tens em mim o seu eterno servidor, Que te adora E que te envolve num abraço forte e quente.
Sonhe comigo; E saiba que te amo mais que tudo E nos teus sonhos Guarde sempre a certeza que te quero; E ao acordares Ouvirás o grito do meu coração mudo E saberás Que és a deusa, que em meu recanto venero.
Não sei se posso Lhe dizer de todo o tamanho deste amor; Não sei se existem Tantas palavras, neste mundo, onde eu consiga Lhe explicar Tudo o que sinto, ao perder-me em teu calor Para aquecer O meu caminho, por onde quer que eu siga.
Apenas sinto; Falar é pouco pra exprimir o que desejo. Melhor sentir; E esperar que este amor me seja eterno. Apenas calo; Não falo nada; apenas calo com teu beijo Que me aquece E que me faz ferver por dentro neste inverno.
Somente sonhe; Que nos teus sonhos me verás apaixonado; E nesta noite Serás a minha mais maravilhosa dama. Somente sonhe; E só me deixe voar no teu sonho alado; Mas não te ofendas: Pois sou apenas um poeta que te ama.