1. Na casa paroquial de Solberga O Tesouro de Sir Arne · Capítulo 2 de 11
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1. Na casa paroquial de Solberga

1. Na casa paroquial de Solberga

Nos dias em que o rei Frederico II da Dinamarca governava Bohuslän, vivia em Marstrand um pobre vendedor de peixe chamado Torarin. Era homem simples, de braço doente, incapaz de ganhar a vida no mar como os pescadores das ilhas. Por isso seguia pelas estradas com peixe seco e salgado, acompanhado de seu pequeno cão negro, Grim.

Numa tarde de fevereiro, enquanto a noite caía sobre a estrada solitária de Kungshäll para Solberga, Torarin avançava em seu trenó. Falava com Grim como se o cão pudesse responder. A neve, o frio e o silêncio aumentavam aquela sensação de que a terra inteira escutava.

Torarin se dirigia à casa de Sir Arne, homem rico e respeitado, cuja residência paroquial parecia um abrigo contra o inverno. Ali havia comida, calor, criados, mulheres da casa e o rumor de uma vida protegida. Mas sobre aquele conforto pairava uma sombra: falava-se do tesouro de Sir Arne, uma riqueza antiga, guardada com zelo, capaz de despertar cobiça nos que passavam pela região.

Na casa, a jovem Elsalill vivia entre gratidão e fragilidade. Era acolhida por Sir Arne, mas trazia dentro de si a solidão de quem pertence e não pertence. A noite se fecha sobre Solberga como uma porta. O fogo arde. Lá fora, o mundo escurece. E o tesouro, silencioso, já chama para si a desgraça.

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