3. O mensageiro
3. O mensageiro
A tragédia chega como notícia antes de ser compreendida. Um mensageiro atravessa o frio trazendo o horror: a casa de Sir Arne fora atacada. Sangue, fogo, gritos, saque. A riqueza que despertara tantos cochichos desaparecera, levada por mãos que não tremeram diante de inocentes.
Torarin, que conhecia aquelas estradas e aquela casa, sente o mundo inclinar. O cão Grim pressente mais que os homens. Há um cheiro, uma memória, uma fidelidade animal que enxerga onde os olhos humanos hesitam.
Entre os mortos, resta Elsalill. A jovem sobrevive como quem foi arrancada de dentro da própria vida. Tudo que a cercava se despedaçou. O lar virou lembrança, e a lembrança virou ferida. Ela é testemunha e órfã de uma noite que não termina.
Mas os assassinos não desapareceram no ar. Estão próximos, misturados à cidade, protegidos pela confusão do porto e pela esperança de que o gelo se rompa. A justiça, nessa história, não caminha depressa. Ela avança como inverno: devagar, inevitável, cobrindo rastros e revelando outros.