2. No cais
2. No cais
Em Marstrand, o cais era lugar de rumores, marinheiros, estrangeiros e promessas. Navios presos pelo gelo esperavam por vento, mar aberto e destino. Entre os homens que circulavam ali havia soldados escoceses, figuras deslocadas, violentas, marcadas por guerras e por uma fome de dinheiro que já não conhecia medida.
Sir Archie e seus companheiros carregavam o ar inquieto de quem tenta escapar de si mesmo. Tinham nomes, armas e orgulho, mas não tinham paz. O gelo ao redor da cidade tornava o porto uma prisão branca. Ninguém partia. Ninguém se livrava do que havia feito ou do que ainda desejava fazer.
O povo observava, desconfiado. Em tempos duros, um estrangeiro armado parece sempre trazer consigo uma notícia ruim. Entre as tavernas e os navios, corria a ideia de que grandes fortunas dormiam nas casas do interior. A mais comentada era a de Sir Arne.
O cais, então, se torna antecâmara do crime. A cidade parece viva, mas há algo de suspenso em seus movimentos. Homens bebem, negociam, riem e disfarçam. A noite, porém, sabe o que está por vir.